Corrupção na Petrobras é superior ao investimento anual de 37 órgãos

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Por Dyelle Menezes do Contas Abertas
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politicacorrupcao-300x225Nesta semana, a diretoria da Petrobras finalmente informou o prejuízo da empresa com os desvios das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Os casos de corrupção somaram prejuízo de R$ 6,2 bilhões. O custo dos desvios da maior estatal brasileira superam as aplicações com os chamados “gastos nobres” de 37 dos 40 órgãos superiores da União que investiram no ano passado.

O prejuízo da maior estatal brasileira apresenta valores maiores do que, por exemplo, os investimentos de ministérios importantes em 2014, como o da Saúde, da Integração Nacional, do Desenvolvimento Agrário e das Cidades.

Os R$ 6,2 bilhões perdidos para a corrupção não são maiores apenas do que os investimentos de três ministérios no ano passado: Transportes, Defesa e Educação. As Pastas aplicaram, respectivamente, R$ 12,3 bilhões, R$ 11,5 bilhões e R$ 9 bilhões em obras e compras de equipamentos.

O montante também representa mais do que a média mensal de investimentos do governo federal no ano passado, que foi de R$ 4,7 bilhões. Ao todo, os investimentos da União somaram R$ 57,3 bilhões no ano passado.

Os 6,2 bilhões desviados da Petrobras por corrupção se aproximam do valor aplicado no mês de agosto, quando R$ 6,8 bilhões saíram dos cofres públicos para obras e investimentos, valor mensal recorde no ano.

O montante desviado, no entanto, é superior ao valor investido em todos os outros meses do ano passado. O valor aplicado no mês de novembro foi o menor durante o ano passado, R$ 2,8 bilhões, isto é, mais do que o dobro dos prejuízos causados pela corrupção na Petrobras.

Com os R$ 6,2 bilhões seria possível construir cerca de 1,7 mil escolas com capacidade de 432 alunos por turno ou compras 41 mil ônibus escolares rurais. Os recursos também seriam suficientes para a construição de aproximadamente 3 mil Unidades de Pronto Atendimento Unidades (UPA 24h) de porte II, que cobrem locais que possuem entre 100 mil e 200 mil habitantes e recebem até 300 pacientes diariamente, ou, ainda, p ara comprar 50,5 mil ambulâncias.

O valor ainda pode ser comparado a programas importantes do governo federal. O programa Mais Médicos, por exemplo, vai custar cerca de R$ 3,2 bilhões em 2015, isto é, praticamento metade dos custo com corrupção na Petrobras. Os recursos desviados equivalem a 22% dos R$ 27,7 bilhões previstos para o programa Bolsa Família.

Prejuízo

Ao todo, a Petrobras registrou prejuízo R$ 21,6 bilhões no ano de 2014, impactada por perdas de R$ 44,63 bilhões em função da desvalorização de ativos, além dos R$ 6,2 bilhões relativos à corrupção. O resultado é praticamente o inverso ao apurado em 2013, quando a estatal teve lucro de R$ 23,6 bilhões.

O prejuízo foi calculado usando a aplicação de percentual fixo de 3% sobre o valor de contratos, número citado nos depoimentos da Lava-Jato. Para definir o período e montante de gastos adicionais, a Petrobras levantou todos os contratos das companhias citadas como integrantes do cartel e concluiu, com base nos depoimentos, que o período de atuação do esquema de pagamentos indevidos foi de 2004 a abril de 2012.

Segundo o balanço, 55% das perdas com corrupção foram detectadas na área de Abastecimento, que foi controlada por Paulo Roberto Costa, no total de R$ 3,42 bilhões. Já a área de Exploração e Produção provocou perdas de R$ 1,97 bilhão, equivalente a 32% do total. O restante do gasto com corrupção foi diluído pelas áreas de Distribuição, Internacional e Corporativo.

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, afirmou que a baixa contábil de R$ 6,2 bilhões referente aos casos de corrupção pode ser modificada, de acordo com os desdobramentos da investigação Lava-Jato. “Qualquer variação significativa, para mais ou para menos, a companhia virá de público se pronunciar”, afirmou.

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