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Copa está por traz da ocupação da Maré, diz Guardian

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A pouco mais de dois meses para o início da Copa do Mundo, o governo do Rio de Janeiro pediu ajuda do Exército para ocupar o Complexo da Maré, o maior complexo de favelas da cidade, onde será implantada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

A instalação desta UPP estava prevista para acontecer somente após a Copa, mas, segundo o governo, os planos foram adiantados diante dos recentes ataques de traficantes em outras comunidades pacificadas.

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Nesta quinta-feira, 27, uma matéria publicada no jornal britânico Guardian diz que o governo omitiu o real motivo da ocupação da Maré. Sob o título “Como o Brasil faz para manter a festa da Copa? Chama o Exército”, a matéria diz que Maré está localizada na rota entre o aeroporto e o Centro da cidade. Ou seja, todo turista que for assistir a Copa irá passar pelo local.

De acordo com o jornal, o fluxo de turistas pela região é o verdadeiro motivo da ocupação do Complexo da Maré. A presença do Exército preveniria esse lapso na estratégia de segurança.

A matéria também ironiza as declarações do governo sobre a ocupação. Na última segunda-feira, 24, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, negou que a ocupação da Maré esteja ligada à Copa. Ele afirmou que o objetivo do governo é manter a comunidade pacificada pelo tempo que for preciso. “Ou melhor, enquanto for preciso para garantir que a Copa corra de forma pacífica”, diz a matéria.

Ao final do texto, a matéria critica a política das UPPs, afirmando que as favelas do Rio, sem dúvida, precisam de uma intervenção, mas substituir um grupo armado por outro não é a solução. “Enquanto isso, questões fundamentais que são a verdadeira raiz da violência, como educação, saneamento básico e saúde estão sendo deixadas de lado”, diz o texto.

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