Coordenadores e pescadores: Ideli vai para a coordenação política e Luiz Sérgio vai para o seu lugar no Ministério da Pesca

Ideli Salvatti troca de lugar com Luiz Sérgio

A ex-ministra da Pesca vai para o Ministério das Relações Institucionais, e o ex-ministro das Relações Institucionais assume seu lugar na Pesca
 
Por Mário Coelho, Eduardo Militão e Rudolfo Lago – congressoemfoco.com.br

Como acontecera na escolha de Gleisi Hoffmann para a Casa Civil, mais uma vez a presidenta Dilma Rousseff resolveu agir solitariamente. Ela decidiu fazer um troca-troca de cadeiras ministeriais nesta sexta-feira (10). Depois de muita discussão, resolveu levar a ministra da Pesca, Ideli Salvatti, para a Secretaria de Relações Institucionais. Luiz Sérgio, até então responsável pela articulação do governo no Congresso, vai para o lugar de Ideli no Ministério da Pesca. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da SRI.

Mais para o fim da tarde, o governo vai distribuir uma nota explicando os motivos para a troca. Também existe a expectativa de uma entrevista coletiva acontecer no Palácio do Planalto. Até agora, é possível saber que, com a mudança do modelo de atuação na Casa Civil, já era dada como certa a troca nas Relações Institucionais. Antonio Palocci, quando estava na pasta, também era responsável pela articulação governista.

A troca de Ideli por Luiz Sérgio, e vice-versa, é um resumo da atual descoordenação política do governo. Como mostrou ontem (9) o Congresso em Foco, partiu da própria Dilma o diagnóstico de que o ponto-chave da crise política era o PT e suas brigas internas, que remetem da formação do Ministério no ano passado e do processo que levou à eleição de Marco Maia como presidente da Câmara. A construção da eleição de Maia foi uma reação dos grupos mais à esquerda, fora do Campo Majoritário petista, que reclamavam que o Ministério de Dilma privilegiava muito o grupo paulista, mais ligado ao ex-presidente Lula e ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Escohido o petista gaúcho, porém, atropelaram-se as pretensões do líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que desejava presidir a Câmara. Vaccarezza não aceitou pacificamente a derrota, e o PT na Câmara dividiu-se entre um grupo ligado a Maia e outro vinculado a Vaccarezza. Com a crise envolvendo Antonio Palocci, os problemas internos afloraram, especialmente na derrota do governo na votação do Código Florestal. Após a troca de Palocci, Dilma entendeu que essa briga interna precisava ser resolvida. “O problema é de vocês. Resolvam”, chegou a dizer ela aos líderes petistas.

O problema é que Dilma não gostou da solução que passou a ser construída. Vaccarezza passou a trabalhar politicamente para convencer a base do governo no Congresso a construir uma solução para a crise política que o beneficiava diretamente. Ele se tornaria o ministro das Relações Institucionais e, consequentemente, o articulador político. Para equilibrar a disputa, o deputado Pepe Vargas (PT-RS), ligado a Maia, iria para a liderança do governo. Dilma não gostou. Considerou que Vaccarezza, em vez de querer resolver a situação, estava buscando se promover pessoalmente. “Não estou convencida de que isso resolve alguma coisa”, disse ela. E impos outra solução: Ideli Salvatti.

Não entendia nada de peixe

Dois fatores contribuíram para que Dilma optasse por Ideli. Dilma admirava a forma veemente como Ideli defendia o governo Lula quando era senadora até o ano passado. Avaliou que toda essa energia poderia converter-se positivamente para o governo. Além disso, Ideli reclamava da função que lhe havia sido confiada no Ministério da Pesca. “Ideli entende tanto de pesca quanto Luiz Sérgio de articulação política”, chegou a dizer maldosamente um petista catarinense que passou o dia de ontem (9) com Ideli. A troca de postos seria uma forma de não deixar Luiz Sérgio totalmente desprestigiado, de lhe conceder um prêmio de consolação, ainda que o seu conhecimento sobre pesca não seja necessariamente maior que o de Ideli. O acerto com a petista catarinense aconteceu em Blumenau, onde as duas se encontraram pessoalmente ontem.

Ao contrário do que aconteceu na escolha de Gleisi, anunciada sem qualquer consulta prévia, no caso de Ideli Dilma preferiu antes sondar sua base. Afinal, estava escolhendo um nome para fazer a coordenação política. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), ficou encarregado de sondar o nome entre os senadores. Verificou que ali não havia qualquer oposição à escolha, nem na bancada petista, nem nas demais, especialmente no PMDB. Na Câmara, a resistência vinha de quem buscara durante a quinta-feira (9) construir a solução Vaccarezza, especialmente do próprio e de Marco Maia.

Ao mesmo tempo, diante da resistência de Dilma à solução Vaccarezza, outras alternativas eram avaliadas na Câmara. Começou a crescer a ideia de que o coordenador passasse a ser, então, o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (SP). Àquela altura, no entanto, a disputa entre a solução Vaccarezza versus a soução Chinaglia reforçava em Dilma a impressão de que o PT na Câmara não se entenderia. A divisão só aumentou a preferência de Dilma por Ideli. “Eles têm que mostrar unidade. Mas como não mostram, é melhor pegar uma pessoa de fora”, explicou hoje (10) um interlocutor do Planalto.

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