Consultor diz que dinheiro pagaria ‘dívidas de Dilma, Erenice e Costa’

Fonte: votebrasil.com

Empresário Rubnei Quícoli, pivô de escândalo, dá entrevista ao G1. Todos os citados por ele negam irregularidades.

O empresário Rubnei Quícoli, de 49 anos, que acusa pessoas ligadas a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra de tráfico de influência e cobrança de propina, disse ao G1, em entrevista na tarde desta quinta-feira (16), que parte do dinheiro que o grupo tentava arrecadar para interceder por um empréstimo junto ao BNDES tinha como objetivo saldar dívidas da candidata à Presidência Dilma Rousseff, de Erenice e do ex-ministro e candidato ao governo de Minas Gerais Hélio Costa.

Em nota, Costa diz que a denúncia é caluniosa. Dilma e Erenice também negam a acusação. E o PT informou que deseja que a Polícia Federal investigue a acusação de que o dinheiro iria para campanha. Em e-mail recebido pelo G1 às 18h, Costa divulgou a seguinte nota: “O senador Hélio Costa repele a tentativa de um indivíduo de reputação comprometida por envolvimento com roubo de carga e receptação de dinheiro falso de envolver o nome da ex-ministra Dilma Rousseff e o dele, Hélio Costa, numa denúncia caluniosa.

‘A quem interessa essa calúnia a duas semanas da eleição?’, questiona Costa. O senador afirma que vai processar o caluniador. Assessoria de Comunicação da coligação ‘Todos Juntos por Minas'”.

A ligação de Quícoli com o caso começou na parceria que ele conta ter feito há mais de dois anos com a empresa EDRB, de Campinas, para buscar interessados na construção de uma usina de energia solar. Ele disse que a proposta de pagar R$ 5 milhões para obter o empréstimo de R$ 9 bilhões do BNDES ocorreu em 2010, alguns meses após ele ter se negado a assinar um contrato com a empresa Capital, consultoria ligada a Israel e Saulo Guerra, filhos de Erenice.

“O Marco Antônio (ex-diretor dos Correios) chegou para mim e falou que esses R$ 5 milhões eram para apagar o incêndio da turma, dívidas da Dilma, da Erenice e do Hélio Costa”, disse.

“Depois que eu falei que não ia entregar esse dinheiro, o Israel se manifestou através do Vinícius (ex-assessor da Casa Civil) e do Marco, dizendo que, se não colocasse o dinheiro disponibilizado, que não teria mais o aporte financeiro para a EDRB. E foi exatamente isso que aconteceu.” Nos últimos dias, a reportagem tenta localizar Marco Antônio, mas não obteve sucesso.

Nesta quinta-feira (16), uma reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” informou que a EDRB acusou Israel Guerra de cobrar dinheiro para obter liberação de empréstimo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A reportagem da “Folha” é baseada em declarações de Quícoli, na minuta de um contrato e em e-mails. Ao G1, ele reafirmou as declarações dadas ao jornal e diz que tem documentos para embasá-las.

As condições impostas para o negócio, segundo relato da empresa ao jornal, seriam seis pagamentos mensais de R$ 40 mil à Capital e uma comissão de 5% sobre o valor do empréstimo. O BNDES negou a denúncia de tráfico de influência e disse que o valor da proposta apresentada em carta-consulta pela empresa é de R$ 2,25 bilhões.

Em nota, a EDRB diz que Quícoli “não responde legalmente pela empresa” e não “está habilitado a fazer declarações em nome da empresa”. Afirma que “sua vinculação é ao projeto” de energia solar “e não à empresa EDRB do Brasil Ltda” (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem). Quícoli disse que participam do projeto, além da EDRD, a empresa KVA, também ligada ao setor de energia, do qual ele disse ter 99,99% do controle. No projeto, as empresas teriam participação igualitária.

Contexto político

O consultor disse que tinha consciência de que suas denúncias poderiam derrubar a ministra. “Lamento muito a ministra ter saído”, disse Quícoli. Na sequência, ele justificou-se dizendo que o Brasil vive um momento de transição e que o próximo governo deve considerar que há pessoas de bem que o procuram para viabilizar seus projetos.

Quícoli negou ter relação com qualquer partido político e afirmou que, nesta quinta, foi procurado pela campanha de José Serra. Durante a entrevista ao G1, ele disse não ter interesse em gravar propaganda para o candidato.

Mas, cerca de uma hora após a entrevista ao G1, ele afirmou que já havia acabado de gravar um depoimento para a campanha tucana. Ele disse também que está disposto a mostrar o projeto de energia solar ao candidato e que gostaria que a campanha de Serra viabilizasse o projeto.

Segundo Quícoli, o principal objetivo de ter realizado as denúncias de tráfico de influência dentro da Casa Civil é salvar o projeto de construção de uma usina de energia solar. “Não estou caguetando ninguém, estou salvando meu projeto. O projeto é meu objetivo”, disse.

Condenações

O empresário desqualificou as críticas que diz ter recebido por ter dois processos na Justiça, por receptação e coação. Segundo ele, esse aspecto da sua biografia não tem relação alguma com as denúncias. Ele disse ser inocente e que já teve seus processos julgados. “São processos da vida de uma pessoa comum.”

Segundo a “Folha”, em maio de 2003, o consultor Rubnei Quícoli, representante da empresa EDRB que tentava obter o financiamento no BNDES, foi condenado em processos movidos pela Justiça de São Paulo sob duas acusações: receptação e coação. Os casos não têm relação com o episódio do BNDES.

De acordo com o jornal, ele foi denunciado sob a acusação de ocultar uma carga de dez toneladas de condimentos que supostamente seria produto de roubo. Em 2000, informou o jornal, ele foi acusado de receptação de moeda falsa.

Quícoli recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo e, segundo a “Folha”, em março deste ano, foi absolvido do delito de coação. A Justiça substituiu a pena de um ano de reclusão por receptação por prestação de serviços comunitários.

Nota da empresa

A EDRB divulgou em seu site uma “nota de esclarecimento” assinada por Aldo Wagner, diretor técnico, e Marcelo M. Escarlassara, diretor comercial. A íntegra é:

“EDRB do Brasil ltda., vem através da presente tecer os esclarecimentos que seguem, ante a matéria jornalística veiculada no jornal Folha de São Paulo, nesta data de 16.09.2010, Caderno Eleições, da forma que segue:

Inicialmente cumpre frisar que, a partir da criação da ANEEL foi apresentado ao mercado um programa de tarifas para fontes de energia, incluindo a de fonte solar. Posteriormente transformado em um programa de incentivos para fontes de energias alternativas e renováveis, que, por sua vez, não contemplava a fonte de energia solar.

A EDRB do Brasil Ltda., passou a partir de 2002 a oferecer ao mercado projetos de geração de energia de fonte solar e concomitantemente, apresentar aos órgãos governamentais ligados ao setor energético a importância de se incluir nos leilões também fontes incentivadas de energia solar(várias são as tecnologias disponíveis).

O empreendimento foi apresentado durante este período a entidades, instituições, governos federal e estadual. Desde então, diversos outros agentes independentes se mostraram interessados em divulgar e captar recursos no sentido de viabilizar o empreendimento.

Dentre os quais, o sr.Rubnei Quícoli, que também recebeu todas as informações sobre o projeto da torre solar, a exemplo dos demais interessados.

Em todas as reuniões referentes ao projeto da torre solar, as tratativas pautaram-se exclusivamente a questões de ordem técnica para a viabilização do projeto, e de sua relevante importância no cenário de desenvolvimento do semi árido do país, em prol do ser humano e da geração de emprego e renda.

O que não se pode é ver ser jogado por terra, projeto de tamanha relevância SOCIAL e AMBIENTAL, ante os acontecimentos narrados no jornal Folha de São Paulo.

Em tempos de transposição do Rio São Francisco, um projeto como o da torre solar em local onde há poucos recursos hídricos de fácil acesso, combustível fóssil e pouco vento, apenas sol e este vir a ser transformado em projeto de desenvolvimento humano sustentável, PENSAMOS que deve estar acima de qualquer embate político.

O projeto da torre solar faz frente ao avançado processo de desertificação e êxodo que o semi árido brasileiro vem enfrentando.

Tratam-se de 40.000 pessoas beneficiadas diretamente por projeto, com fonte de renda e desoneração do Estado.

Tanto as afirmações, quanto os documentos apresentados ao jornal Folha de São Paulo pelo Sr.Rubnei Quícoli, são de posse e conhecimento exclusivo deste último, que não responde legalmente pela empresa, nem tampouco, está habilitado a fazer declarações em nome da empresa, sua vinculação é ao projeto e não à empresa EDRB do Brasil Ltda.

A empresa EDRB do Brasil Ltda e o Sr. Rubnei Quícoli buscavam conjuntamente o êxito do projeto da torre solar, todavia, suas pessoas não se confundem, nem tampouco, se verifica qualquer relação de emprego, de prestação de serviços, ou de sociedade entre ambos.

Nesse sentido, a atuação do Sr.Rubnei Quícoli é autônoma, vinculada ao êxito do projeto, cabendo a si, tão somente a si, a responsabilidade pelas informações prestadas ao jornal Folha de São Paulo.

Quem responde pela empresa EDRB do Brasil Ltda são somente os srs. Marcelo Escarlassara e Aldo Wagner.

Era o que cumpria esclarecer.”

Ardilhes Moreira

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