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Conselho do Ministério Público vai investigar irmão de Demóstenes

Por Edson Sardinha – congressoemfoco.com.br

O procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres, irmão do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), terá de esclarecer ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) se tem alguma relação com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O CNMP abriu hoje (17) uma reclamação disciplinar para apurar a conduta do procurador-geral. Ele terá 15 dias para apresentar sua defesa.

Ontem, a Corregedoria-Geral do Ministério Público de Goiás já havia aberto uma investigação sobre o caso, a pedido do próprio Benedito. Em entrevista publicada nesta terça-feira pelo Correio Braziliense, o procurador-geral de Justiça sinaliza que rompeu com o irmão por causa do uso de seu nome nas conversas com Cachoeira.

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“A partir do momento em ele cita meu nome e o nome do Ministério Público, então que ele caminhe da maneira como ele entender, e eu vou caminhar da maneira como eu sempre trabalhei aqui dentro do MP, trabalhando todos os dias preservando a legalidade”, declarou. “Uma vez irmão, ele vai ser meu irmão para o resto da vida. Agora, na questão institucional, ele pense da maneira como ele entender e eu penso da maneira como eu entender”, acrescentou.

O tom das declarações desta vez foi mais duro que o adotado em entrevista publicada pelo jornal O Popular, de Goiânia, no último domingo, quando o procurador-geral de Justiça disse que estava “indignado” com o uso de seu nome por Demóstenes, a quem acusou de “irresponsabilidade”. Na ocasião, ele afirmou que, mesmo assim, não abandonaria o irmão por uma questão de “humanidade”. De acordo com gravações da Polícia Federal, Demóstenes se prontificou a pedir ao irmão que atendesse a demandas apresentadas por Cachoeira. Benedito diz que os pedidos não foram atendidos e que não sabia da relação do senador com o contraventor.

Em um dos diálogos gravados pela Operação Monte Carlo, Cachoeira pede a Demóstenes que converse com o irmão para que o Ministério Público de Goiás interceda contra uma transportadora. Em outro, o pedido é para que o procurador-geral de Justiça receba um vereador.
Demóstenes é alvo de uma representação no Conselho de Ética do Senado, onde responde a processo por quebra de decoro. O senador, que se desfiliou do DEM após ser ameaçado de expulsão, está trabalhando em sua defesa. Na semana passada, ele esteve no Conselho de Ética para dizer que provaria sua inocência.

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