Conceito atual de casamento é mais amplo que no passado

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A ideia do casamento como a união entre duas pessoas para o resto da vida está mudando com mais rapidez do que em qualquer momento de sua história. Em quase todos os lugares a relação dos casais é mais livre, com menos diferenças entre os sexos e mais prazerosa.

O número de casamentos infantis, nos quais as meninas casam-se muitas vezes antes da puberdade, está diminuindo. Assim como o casamento entre primos, por causa do risco de problemas genéticos, embora ainda seja bastante comum no Oriente Médio e em algumas regiões da Ásia. Com o ingresso das mulheres no mercado de trabalho mais bem remunerado e sem o estigma do divórcio, mais homens conscientizam-se que não podem tratar as esposas como criadas ou, pior, sujeitá-las a maus-tratos, porque correm o risco de serem abandonados.

Em alguns países, a mudança foi surpreendentemente rápida. Na Índia, a proporção de mulheres casadas com a idade de 18 anos caiu de 47% para 27% em apenas dez anos. Os “casamentos por amor” ainda são vistos como desonrosos na Índia e as famílias continuam a escolher os futuros maridos e esposas dos filhos. Mas, assim como em muitas sociedades tradicionais, os jovens se rebelam. Alguns se recusam a aceitar a escolha das famílias; outros fazem suas próprias escolhas, independente da opinião dos pais. No mundo inteiro, os sites de relacionamentos estão oferecendo mais opções aos solteiros.

Além disso, nos países desenvolvidos o casamento está mais seletivo. Os jovens ambiciosos e com mais poder aquisitivo esperam consolidar uma carreira antes de casarem, mas se casam antes de terem filhos e, em geral, escolhem parceiros com perfis semelhantes aos seus. Por sua vez, as pessoas da classe trabalhadora tendem, mais do que nas gerações anteriores, a casarem só depois do nascimento dos filhos. Entre os estudantes com formação universitária nos EUA, apenas 12% dos nascimentos são de mães solteiras. Entre os que abandonaram o ensino médio, a taxa é de 70%, bem acima da taxa de 43% no início da década de 1980.

O casamento não é apenas um pedaço de papel, que formaliza uma união. Embora um casamento não possa transformar um relacionamento frágil em uma união sólida, ele ajuda a unir pessoas que se gostam e têm interesses comuns, mas que ainda têm dúvidas se devem fazer uma vida juntos.

Os fatores que reformularam o conceito tradicional de casamento nos países desenvolvidos, como o individualismo crescente, a educação e a emancipação econômica das mulheres, estão se difundindo no mundo inteiro. Não é apenas uma tendência ocidental. No Japão, mulheres executivas e independentes economicamente resistiam mais à ideia de se casarem. Agora, a situação se inverteu e poucas se divorciam.

A revolução no casamento estendeu-se à legalização, em muitos países, de casamentos entre homossexuais, que têm os mesmos direitos dos casamentos heterossexuais. A adoção de crianças por casais do mesmo sexo é permitida na maioria dos países onde o casamento homossexual é legalizado. Novas formas de amar e se relacionar estão sendo construídas para responder às exigências de uma sociedade em constante evolução.

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