Comunicação dos pássaros vai além do bico

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O pai do evolucionismo, Charles Darwin, era fascinado pela comunicação dos pássaros. Em seu livro “A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo”, o autor dedicou-se tanto a estudar os sons que saem dos bicos dos pássaros, quanto os ruídos que o animal faz com outras partes do corpo, sejam com as patas ou as asas.

Porém, anos após a morte de Darwin, ornitólogos acreditavam que ele estava errado e a comunicação seria apenas através do seu grunhido. Fato esse que Trevor Murray, da Universidade Nacional Australiana, em Canberra, provou estar errado.

Isso porque o pesquisador descobriu que a espécie rola-de-crista, que não produz nenhum som vocal, mas consegue emitir sons através de suas asas. Quando foge do perigo, o pássaro fecha suas asas rapidamente, fazendo um assobio diferente dos outros animais. Dessa forma, outros pássaros são induzidos a fugir também, servindo como um sinal de alerta de que algo ruim pode estar acontecendo.

Uma razão para acreditar que a evolução está envolvida é que uma das penas das asas tem um formato incomum. O aglomerado de penas que compõe o oitavo primário das asas (ao todo são dez, contando de trás para frente) é visivelmente mais estreito do que outros, assim como também é mais estreito que o oitavo primário de outras espécies relacionadas a rola-de-crista. Sendo assim, Murray e sua equipe teorizaram que, se a oitava primária fosse a responsável pelo apito, então o alarme é intencional, não acidental.

Para testar a teoria, os pesquisadores utilizaram 68 rolas-de-crista divididas em quatro grupos.  No primeiro, os cientistas retiraram a oitava primário de penas. No outro, foi tomada o nono primário. No terceiro, eles cortaram o sétimo. Por fim, no último, nada foi feito. Sendo assim, todos os pássaros foram libertados e tiveram seus apitos gravados, visto que deixaram o ambiente com pressa, assobiando enquanto fugiam.

Ao analisar as gravações, os cientistas perceberam que dois aglomerados de penas das asas estavam envolvidos: o oitavo, que emitia uma nota aguda, e o nono, que fazia um som mais baixo. Com isso, os pesquisadores usaram as gravações para servir como parâmetro e colocaram para outras rolas-de-crista, que fugiram. Por isso, a teoria de Darwin foi comprovada e, realmente, existe um tipo de pássaro que se comunica com outros através de partes do seu corpo que não seja o bico.

 

Fonte: Opinião&Notícia

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