Computador pode errar como os humanos

Programa tenta reproduzir o lado disperso das pessoas. Da ‘The Economist’*
 
Errar é humano, mas para estragar as coisas completamente faz-se necessário um computador, ou assim afirma o velho ditado. Apesar de parecer um pouco injusto com os computadores, um grupo de especialistas em cibersegurança liderado por Jim Blythe, da University of Southern California, espera que haja alguma verdade no dito. Eles criaram um sistema para testar a segurança computacional de redes que faz com que os próprios computadores simulem o tipo de erro humano que pode tornar uma rede vulnerável.

Estima-se que erros humanos sejam responsáveis por 60% das falhas de segurança computacional. Repetidos alertas, por exemplo, são negligenciados por pessoas que falham em reconhecer os perigos de ações aparentemente inócuas como o download de arquivos. Ademais, alguns “erros” são na verdade o resultado de ações deliberadas. Usuários – tanto funcionários regulares como membros da equipe de tecnologia da informação (TI), que deveriam ter mais conhecimento – com frequência desativam mecanismos de segurança em seus computadores porque estes tornam as coisas mais lentas.

Ainda assim, de acordo com Blythe, esses fatores humanos não costumam ser levados em conta quando sistemas de segurança são testados. Ele e seus parceiros criaram então um modo de testar estes sistemas com programas chamados agentes cognitivos. O comportamento e motivos podem ser sintonizados para bagunçar as coisas com a mesma classe que um empregado de verdade. A diferença é que o que acontece pode ser precisamente analisado depois.

Cada agente representa um usuário regular, um gerente ou um membro do departamento de TI.  Aos agentes são fornecidos um conjunto de crenças, desejos e intenções, assim como um cargo e um prazo de entrega de determinada tarefa. Eles podem ficar cansados e terem fome, exatamente como pessoas.

A equipe planeja um teste de grande porte no fim do ano, mas resultados preliminares, que Blythe apresentará à 25ª conferência anual da Association for the Advancement of Artificial Intelligence, em 9 de agosto, parecem promissores. Com o tempo, os agentes de Blythe poderão servir para confirmar outro ditado conhecido sobre computadores: aquele que diz que atrás de todo erro atribuído a computadores, há pelo menos dois erros humanos, incluindo aquele de atribuir a culpa ao computador.

*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

 

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