Como trabalhadores mais velhos encontram a felicidade

Saber que você recebe menos do que seus colegas de profissão tem dois efeitos sobre a felicidade. O mais conhecido é negativo: uma remuneração menor prejudica a auto-estima. O menos conhecido é chamado de “efeito túnel”: rendimentos elevados para os colegas são vistos como uma melhoria nas suas próprias chances de riquezas semelhantes, especialmente se o crescimento da desigualdade e mobilidade forem elevados.

Um estudo de co-autoria de Felix FitzRoy, da Universidade de St Andrews e apresentado esta semana na Royal Economy Society, em Cambridge, separa os dois efeitos, usando dados de pesquisas domiciliares na Alemanha. Trabalhos anteriores mostraram que a renda dos outros pode ter um efeito pequeno, ou até mesmo positivo, sobre a satisfação das pessoas em empresas individuais na Dinamarca ou em economias bastante dinâmicas em transição, como a Europa Oriental pós-comunista. Mas a equipe de FitzRoy desenvolveu a teoria de que os trabalhadores mais velhos, que em grande parte já sabem quais serão seus rendimentos ao longo da vida, desfrutarão de um efeito de túnel muito menor.

Os dados confirmam esta hipótese. O efeito negativo sobre os níveis de felicidade registrados de se receber menos do que seus colegas de profissão não é visível para pessoas com menos de 45 anos. No oeste da Alemanha, ver os rendimentos dos pares subir realmente deixa os jovens felizes (ainda mais do que um aumento em seus rendimentos próprios, notavelmente). São só as pessoas acima de 45 anos, cujas carreiras “chegaram a uma posição estável”, que têm sua felicidade prejudicada pelo sucesso dos outros.

A perspectiva de mais de 20 anos de amargura pode fazer a aposentadoria parecer mais atraente. Mas os ganhos reais de felicidade com a aposentadoria não vão para os ofuscados, mas para os desempregados.

O desemprego é conhecido por estragar a felicidade porque não trabalhar está abaixo das expectativas sociais. Esta perda de identidade não pode ser compensada por subsídios de desemprego ou o tempo de lazer maior. Um documento apresentado na mesma conferência por uma equipe representada por Clemens Hetschko, da Freie Universität Berlin, usa os mesmos dados domiciliares alemães para mostrar que a alegria do desemprego de longa duração cresce quando eles param de buscar trabalho, se aposentam, e não entram mais em conflito com as normas sociais.

No entanto, aqueles com empregos não ficam mais felizes depois que se aposentam, talvez porque suas vidas já estejam alinhadas com as expectativas sociais. De fato, se aposentar mais cedo do trabalho pode ter efeitos colaterais desagradáveis. Outro estudo, de co-autoria de Andreas Kuhn, da Universidade de Zurique, investiga os efeitos de uma mudança nas regras de seguro de emprego na Áustria que permitiam que operários se aposentassem mais cedo em algumas regiões do que outras. A aposentadoria antecipada dos homens diminuem suas chances de sobreviver até os 67 anos de idade em 13%. Quase um terço da maior taxa de mortalidade, que parece concentrada entre aqueles que foram forçados a se aposentar por perda de emprego, foi causada pelo fumo e consumo de álcool. Se você tem um trabalho, mesmo um que pague mal, aguente firme.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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