Como fazer valer o voto de quem não sabe ler

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Os analfabetos perfazem grande parte do eleitorado em vários países que irão às urnas este ano, entre os quais o Brasil. Comparado aos seus compatriotas que sabem ler, os analfabetos têm uma probabilidade menor de votar e uma maior chance de desperdiçar o seu voto caso decidam participar das eleições. Os analfabetos também têm uma probabilidade maior de serem convencidos a vender seus votos ou enganados e intimidados a votar em candidatos farsantes e truculentos.

Taxas de analfabetismo são mais altas entre minorias étnicas marginalizadas e pobres: de 5% a 35% para ciganos em países europeus, por exemplo. Além disso, muito mais mulheres que homens são analfabetos na África e em grande parte da Ásia e do Oriente Médio.

Simplificar os procedimentos da votação é o primeiro passo para garantir que os analfabetos possam efetuar votos válidos e informados. A Índia foi pioneira no uso de símbolos de votação em 1952 (hoje em dia novos partidos têm de escolher um símbolo em uma lista pouco atraente, que inclui ícones de uma escova de dente e de um cortador de unhas). Muitos países africanos põem fotos além de nomes nas cédulas de votação. Os gambianos votam arremessando bolas de gude em tambores com os rostos dos candidatos impressos. A bola atinge um sino no interior do tambor para garantir que apenas um voto é registrado. Para evitar confusão, bicicletas são proibidas de circular próximas a estações de votação no dia da eleição.

Urnas eletrônicas podem ajudar, mas apenas o Brasil, Butão, França, Índia e Venezuela as utilizam em nível nacional. Até o fim dos anos 90 os eleitores brasileiros tinham que escrever o nome de seus candidatos ou o seu número eleitoral em cédulas. Hoje em dia eles só precisam digitar o número em uma urna eletrônica do tamanho de uma caixa registradora e confirmar sua escolha após ver a fotografia do candidato selecionado. A introdução da máquina reduziu a taxa de votos anulados de 23% para 11%.

Thomas Fujiwara, da Universidade de Princeton, usou a introdução gradual das urnas eletrônicas no Brasil para estudar os seus efeitos sobre os gastos de saúde. Regiões nas quais elas foram usadas dedicaram mais recursos à pasta que aquelas que ainda não tinham feito a mudança. Ele concluiu que ao aumentar a probabilidade de se levar em conta os votos de eleitores pobres e analfabetos, as urnas eletrônicas encorajaram políticos a se importarem com as preocupações desse eleitorado.

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