Com Serra em queda, tucanos assediam Aécio

Por Bernardo Joffily – vermelhor.org.br

Aécio volta amanhã de uma viagem de férias na Europa e retoma sua agenda em Minas, onde se lançou para o Senado e procura viabilizar seu candidato para o governo, o também tucano Antonio Anastasia. Guerra, após um telefonema para ele, não se mostrou muito esperançoso. Quanto mais as pesquisas desapontam o presidenciável da oposição, mais fica difícil um final feliz para a novela do vice.

O importante é a tendência

A pesquisa Datafolha (veja o mapa ao lado) mostra uma brusca mudança em apenas 35 dias (entre a pesquisa coletada nos dias 15 e 16 de abril e a atual, com dados de 20 e 21 de maio). Dilma subiu em todas as regiões, entre 7 e 9 pontos; Serra caiu em todas exceto o Nordeste, onde perde por 11 pontos.

No plano nacional o Datafolha mostra pela primeira vez os dois concorrentes empatados, em 37% das intenções de voto. Um exame do relatório completo do instituto (veja aqui) mostra mesmo uma sutilíssima maioria pró-Dilma nas respostas dos pesquisados, fão divulgada porque o Datafolha tem como norma divulgar apenas percentuais inteiros, arredondando os decimais.

Mas isto não tem importância. O importante é a tendência, de queda do tucano e ascenção da petista. Tendência que ainda tem espaço para prosseguir, já que 51% dos entrevistados não conhecem “a mulher do Lula”, ou conhecem “só de ouvir falar” (no caso do tucano são 30%).

Provavelmente é este dado que explica que os dois ainda empatem (também por 37% a 37%) na faixa de renda menor, até dois selários mínimos, que permanece como a mais entusiasmada com o governo Lula.

Outra vantagem de Dilma destacada pelos analistas é a votação espontânea no Datafolha. Enquanto Serra tem 14%, ela chega a 19%, afora 5% que ainda responderam que votariam em Lula.

Polêmica: o que causou a virada?

Os números do Datafolha, logo depois daqueles dos institutos Vox Populi e Sensus (que mostraram Dilma na dianteira, embora dentro da margem de erro), despertaram uma polêmica sobre o porquê da virada.

Os oposicionistas jogam a ‘culpa’ no programa do PT, exibido em rede de rádio e TV no último dia 13. Baseados nisso, acreditam numa recuperação de Serra.

“Maio é o mês da Dilma. Junho será o nosso mês”, afirmou Guerra ao final do encontro do comando de campanha. Em junho o presidenciável tucano deverá aparecer nos programas do DEM, PPS, PSDB e PTB.

Oficialmente, o comando não faz reparos ao discurso atual de Serra, cheio de elogios a Lula, evitando críticas ao presidente e escamoteando a condição de oposicionista. Para Guerra, o discurso “está adequado”.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), concorda. Argumenta que, para atacar Lula, Serra ” tem líderes no Congresso” (e poderia ter acrescentado a mídia dominante, abertamente tu8canófila).

“Não existirá sobressalto ou mudança”, garantiu também o deputado federal Jutahy Magalhães (PSDB-BA), outro articulador de Serra. “A estratégia de não atacar Lula é sincera e está dando certo”, afirmou o Jutahy, que vê a campanha sob o ponto de vista do Nordeste maciçamente pró-Lula.

“Serrinha Paz e Amor” ou “sangrento”?

Porém a marcha das pesquisas abriu o debate sobre essa tática, a portas fechadas e até em público. O senador Álvaro Dias, do PSDB-PR, prega que as críticas contra Dilma sejam intensificadas e também quer que o governo Lula seja alvo dos ataques. “O Serra não faz críticas pessoais (contra Lula), mas tem feito críticas ao governo. A intensidade é que tem que ser medida. Acho que é preciso endurecer sim, mas nas oportunidades certas e com conteúdo. Será uma tendência natural da campanha”, diz o paranaense.

O ex-senador Bornhausen também segue essa opinião quando prognostica uma campanha ‘sangrenta’. “Acho que a campanha vai tomar um tom forte. Essa é a minha expectativa. Toda campanha equilibrada é mais renhida. E os ataques são maiores de lado a lado”, teoriza o veterano ex-udenista.

O sociólogo e consultordos tucanos Antonio Lavareda é outro que acha que a linha de poupar Lula não está funcionando. “Aparentemente, não. Até o momento, não. O grande desafio de candidatos oposicionistas que se defrontam com circunstâncias tão positivas para o candidato oficial se resume a uma palavra: Como se posicionar na disputa. E é nessa direção que o Serra e a Marina têm investido. O que eles têm dito, tudo o que eles têm apresentado na televisão até o momento, é uma espécie pré-teste do que eles imaginam que vão poder fazer na campanha adiante. Nem a Marina, nem o Serra encontraram seu posicionamento ideal. Isso é natural. Até o início da propaganda na televisão, eles podem arriscar em diversas direções”, acredita Lavareda.

Aécio, sob pressão até 30 de junho

Se a linha e o discurso da campanha oposicionista são objeto de uma luta interna, todo o bloco serrista, exceto em Minas Gerais, acha que o vice ideal seria Aécio Neves. E até em Minas, o secretário geral do PSDB local, deputado Lafayette Andrada, dissena quinta-feira que a militância queria Aécio como vice de Serra, embora desmentindo-se a seguir a afirmando que “ele (Aécio) é candidato a senador da República”.

O ex-governador mineiro, neto de Tancredo Neves, aparentemente deixará o assédio prosseguir até 30 de junho, quando se esgota o prazo legal. Aécio só ganha com isso. Assim como só teria a perder se mordesse a isca: caso Serra perca, por ficar como sócio da derrota, e sem mandato; mas principalmente na hipótese de Serra vencer, pois isso sepultaria seus projetos de um PSDB menos dominado pelos paulistas.

De volta de suas férias – as segundas neste ano –, Aécio tem sua agenda concentrada em Minas. E até convidou os três presidenciáveis para a palestra que fará na quinta-feira, na Assembleia mineira, onde sobre “Desenvolvimento urbano”. Na quarta, acompanha Anastasia num evento em Belo Horizonte. E na sexta viaja com ele para Ipatinga, no Vale do Aço. O ex-vice de Aécio bem que está ptrecisando de um empurrão: ele aparece 17 pontos atrás do peemedebista Hélio Costa na última pesquisa para governador de Minas.

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