Ciro Gomes faz o país refletir sobre papel do PMDB

Por S. Barreto Motta
Publicado no monitormercantil.com.br

Com 99% de certeza, pode-se dizer que Ciro Gomes não daria um bom presidente da República. Tem uma biografia tumultuada – estreou na política através da Arena (PDS), partido de apoio ao regime militar, e hoje se diz socialista – mas de vez em quando fala verdades que estão na boca do povo. Ciro foi extremamente feliz ao criticar a legenda majoritária no país, o PMDB. O partido não deu apoio à eleição de Fernando Henrique Cardoso e com ele dividiu irmamente o governo. Na gestão de Lula, ficou com algumas das melhores fatias do bolo federal, como o Ministério de Minas e Energia.

Sem se comprometer totalmente, em caso de vitória de José Serra, o PMDB está pronto para negociar sua perenidade, esquecendo-se rapidamente dos anos de co-habitação com Lula e o PT. O deputado Geddel Vieira Lima foi um crítico atroz do PT, na era FHC, e depois se tornou fã incondicional do atual presidente. O senador Romero Jucá foi líder do Governo a favor e contra o PSDB, sem mexer em um músculo da face. Tudo isso tem um custo, em termos de coerência.

Ciro foi especialmente crítico ao falar de Michel Temer. Disse que o ex-procurador-geral de São Paulo e professor de Direito Constitucional, com seu ar de honradez, tem manipulado a Câmara dos Deputados de forma maquiavélica. Citou como prova disso o fato de projetos importantes para a nação terem tido sua relatoria entregue ao deputado Eduardo Cunha.

No plano estadual, o PMDB tem repetido suas estrepolias. O governador Sérgio Cabral, em prol de uma aliança, chegou a colocar o deputado Alessandro Molón – de boa performance, mas desconhecido do grande público – como cabeça de chapa para a prefeitura, quando o PMDB é muito mais expressivo do que o PT no estado e na capital. A manobra acabou por conta de outro contestado líder do partido, Jorge Picciani. Tudo é feito em nome de politicagem, de acordos a qualquer custo, sem obediência e respeito ao eleitorado.

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