Cientistas recriam planta de 32 mil anos na Rússia

Cientistas russos anunciaram ter conseguido recriar uma planta, encontrada no Ártico, que estaria congelada há 32 mil anos durante a última Era do Gelo. A equipe de pesquisadores conseguiu o feito graças a sementes de uma flor encontradas em uma toca escondida em um pergelissolo (ou permafrost: solo composto por terra, gelo e rochas congelados permanenetemente) na margem do rio Kolyma, no nordeste da Sibéria. O trabalho foi publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

As sementes da espécie Silene stenophylla haviam sido armazenadas na toca por esquilos pré-históricos há mais de 30 mil anos. Apesar de a S. stenophylla ainda existir na Sibéria, trata-se da planta mais velha a ter sido regenerada com sucesso. Pesquisadores canadenses já conseguiram recriar plantas bem mais jovens a partir de sementes fossilizadas.

Dentro das 70 tocas de esquilos encontradas entre 20 e 40 metros abaixo da cobertura de gelo do permafrost, cientistas acharam ainda ossos de mamute e outros animais além de milhares de frutas e sementes preservadas graças ao frio e a impermeabilidade do ambiente. Esta é a primeira vez que uma planta foi regenerada com sucesso a partir de sementes preservadas pelo gelo. Nas tentativas prévias as sementes germinavam, porém morriam logo depois.

Procedimento

Os cientistas utilizaram amostras de tecido da placenta, que é responsável por fixar as sementes no interior dos frutos, de exemplares atuais da planta unindo-o às sementes preservadas pelo gelo. Com essa técnica as plantas cresceram e se desenvolveram. Segundo os pesquisadores da Academia de Ciências Russa, elas são o mais velho organismo multicelular vivo da Terra.

As plantas geradas pela técnica já produziram sementes férteis, que por sua vez, geraram uma segunda geração de plantas também férteis. Os cientistas observaram diferenças entre as versões antiga e atual da espécie. A antiga produziu mais brotos, porém demorou mais para se enraizar à terra do que os exemplares modernos. Eles acreditam que a planta antiga era mais adaptada ao ambiente extremo da última Era do Gelo.

O sucesso da experiência abre caminho para que outras espécies antigas, até mesmo extintas, possam ser regeneradas. O ecossistema do Hemisfério Norte durante a Era do Gelo que era coberto por campos áridos e frios, desapareceu há 13 mil anos. Os cientistas acreditam que é possível encontrar tecidos de plantas ainda mais antigas, cujo estudo pode ajudar a compreender mudanças evolutivas em uma linha do tempo maior e a ecologia de períodos distantes.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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