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China exige garantias dos Estados Unidos

 
A China condenou neste sábado, 6, as “míopes” disputas políticas nos Estados Unidos quanto aos problemas de dívida norte-americana e afirmou que o mundo precisa de uma nova moeda de reserva mundial estável. “A China, o maior credor da única superpotência do mundo, tem todo o direito agora de demandar dos EUA que enfrentem os problemas estruturais da dívida e garantam a segurança dos ativos chineses em dólar”, afirmou a agência estatal Xinhua.

Os comentários foram feitos após a agência de classificação de risco Standard & Poor”s rebaixar, pela primeira vez na história, a nota dos papéis da dívida dos EUA, de AAA para A+, citando preocupações com o crescente fardo da dívida federal de longo prazo. A medida foi tomada três dias depois da sanção da lei que evitou a suspensão de pagamentos pelo governo americano que esboçou o plano de ajuste de US$ 2,1 trilhões nas contas públicas federais nos próximos dez anos, e a S&P advertiu que pode haver novo rebaixamento do rating nos próximos dois anos.

A China, que possui mais de US$ 1 trilhão investidos em títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), está entre os países que seriam mais imediatamente afetados por qualquer calote ou rebaixamento dos EUA.

“Para curar esse vício das dívidas, os Estados Unidos devem restabelecer o princípio do bom senso e viver dentro de suas possibilidades”, afirma a Xinhua, acrescentando que os EUA “também deveriam interromper sua velha prática de deixar a política interna eleitoral tornar a economia mundial refém e contar com os bolsos profundos dos países superavitários para compensar seus déficits perenes”.

Tesouro aponta erro de US$ 2 trilhões

A S&P havia notificado a Casa Branca sobre a decisão antes de anunciá-la, como sempre, de surpresa e após o fechamento dos pregões das bolsas americanas. O Tesouro americano argumentou à agência ter havido falha de US$ 2 trilhões nos cálculos sobre as projeções das contas públicas do país. Porém, nem o Tesouro nem a S&P se manifestaram publicamente sobre o possível erro de cálculo.

Por meio de um comunicado emitido na noite de ontem, a S&P advertiu sobre a possibilidade de novo rebaixamento, para AA, nos próximos dois anos, “se virmos que o corte menor das despesas em relação ao acertado, o aumento nas taxas de juros ou novas pressões fiscais durante o período resultam em uma trajetória mais elevada da dívida governamental do que a atualmente sugerida pela nossa base de dados”. “O panorama sobre a avaliação de longo prazo é negativo”, acentuou.

A agência atribuiu sua decisão às medidas fiscais acordadas entre o Congresso e a Casa Branca para garantir a estabilização da dívida em médio prazo. Para a S&P, elas são insuficientes para garantir a estabilidade fiscal do país e sua capacidade de pagar as dívidas. O governo dos EUA acumula US$ 14,3 trilhões em dívidas, o equivalente a mais de 90% do Produto Interno Bruto (PIB).

 Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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