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Catolicismo ganha novos adeptos no Reino Unido

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Imigrantes estrangeiros e ingleses conservadores lotam igrejas católicas no mês em que país recebe a visita do Papa.

Nos dias atuais, os católicos do Reino Unido – que receberão a visita do Papa Bento XVI em setembro – não enfrentam mais as perseguições de outros tempos. Numa surpreendente reversão histórica, os discípulos do Vaticano conseguiram os mais altos cargos na terra da Rainha Elizabeth II. Chris Patten, um político conservador, é diretor da Oxford University, uma instituição que os católicos evitaram, mesmo depois de aceitos pelos membros da Igreja Anglicana. O último orador da Câmara dos Comuns foi Michael Martin, oriundo de Hibernian, um subúrbio católico de Glasgow. E o chefe da BBC, Mark Thompson também é um dos fiéis do Papa. De acordo com as leis britânicas, o único cargo que um católico não pode exercer no Reino unido é o de rei ou rainha.
Tony Blair se converteu ao catolicismo

No entanto, os católicos veteranos que receberão o pontífice supremo não se dão por satisfeitos, e afirmam que lutam por qualquer destaque que possam receber agora que são o principal grupo religioso do Reino Unido. Enquanto a Igreja Anglicana tenta conciliar seus privilégios com um número cada vez menor de fiéis, os católicos se fortaleceram após uma série de batalhas. Por exemplo, a atmosfera liberal e secular que prevalece na Grã-Bretanha torna impossível que qualquer católico – que aceite as palavras do Vaticano em relação à homossexualidade, o aborto e a pesquisa de células-tronco – se torne primeiro-ministro. “O velho preconceito Anglicano contra os católicos foi substituído por um novo, secular”, afirma o colunista Charles Moore, um católico convertido.

É verdade que políticos católicos enfrentam duros questionamentos: Ruth Kelley, ex-secretária de educação, foi criticada por suas inclinações romanas. O ex-primeiro-ministro Tony Blair só se converteu ao catolicismo depois de deixar o cargo. John Battle, um membro católico do Partido Trabalhista diz que seu ato mais religioso não envolveu não envolveu questões bioéticas, mas sim, sua oposição à Guerra do Iraque, em 2003. Battle, no entanto, afirma que seus companheiros de outras religiões ganharam seu respeito, graças a sua vontade de trabalhar de maneira conjunta para revolver problemas sociais.

O Papa terá uma grande oportunidade ao visitar a Inglaterra – que abriga um enorme número de imigrantes católicos do Leste Europeu, da Ásia, da América Latina e da África. Com a imigração, as igrejas católicas estão lotadas, e se esforçam para se adaptar às novas linguagens e estilos. Em antigas áreas católicas, como Liverpool, as antigas igrejas não viram muitas mudanças, mas as novas estão repletas de fiéis estrangeiros, como cristãos indianos da região de Kerala. Muitas igrejas católicas no país agora oferecem missas em línguas como o português e o dialeto Tagalog, das Filipinas.

Mas nem todos os novos fiéis são estrangeiros. Muitos deles são simplesmente ingleses conservadores. Outros são oriundos de escolas católicas. Boa parte busca recuperar contato com suas origens irlandesas ou do Leste Europeu. Os novos católicos tendem a se posicionar à direita dos velhos fiéis que não hesitam em apoiar causas ambientais ou em prol de países pobres.

A pergunta que fica sem resposta é o que será dessa nova geração de católicos quando eles atingirem a meia-idade. Filipinos e poloneses são tradicionais em sua devoção, e se sentem confortáveis em meio a estátuas e santos. Irão os conservadores locais se mixar às variedades estrangeiras, criando um novo estilo de catolicismo, pronto para combater o secularismo e reverter, depois de séculos, a Reforma Protestante?

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