Mundo

Anistia Internacional quer prender Bush por tortura

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

A organização Anistia Internacional pediu às autoridades do Canadá a prisão e indiciamento do ex-presidente dos EUA George W. Bush, que fará uma visita a este país no próximo dia 20.

A entidade enviou à Procuradoria-Geral do Canadá um documento de mil páginas, onde acusa Bush de ser legalmente responsável por uma série de violações de direitos humanos, inclusive tortura de presos. Em fevereiro, o ex-presidente americano teria deixado de viajar a Suíça devido a uma mobilização semelhante de grupos de direitos humanos.

“Como as autoridades americanas até agora deixaram de levar o ex-presidente Bush à Justiça, a comunidade internacional precisa agir”, disse Susan Lee, membro da Anistia Internacional. “Se o Canadá não agir, estaria violando a Convenção Contra a Tortura da ONU”.

A principal acusação contra Bush formulada pela Anistia é a autorização para uso de “aprimoradas técnicas de interrogatório, como a simulação de afogamento em pessoas detidas secretamente pela CIA entre 2002 e 2009″. Segundo o documento, os presos sofriam “tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes, como a privação do sono”.

As acusações são baseadas em documentos americanos já liberados ao público e na própria autobiografia do ex-presidente, lançada no ano passado. Elas incluem os casos dos acusados de terrorismo Abu Zubaydah e Khalid Sheikh Mohammed, que, segundo um agente da CIA, teriam sofrido 266 simulações de afogamento entre 2002 e 2003.

“Torturadores devem enfrentar a Justiça, e seus crimes são tão escandalosos que a responsabilidade de garantir a justiça precisa ser compartilhada por todos os países”, disse Alex Neve, chefe da sucursal canadense da Anistia Internacional.

Bush é esperado no Canadá no próximo dia 20, quando participará de um fórum econômico no oeste do país. Esta será a terceira vez que o ex-presidente visita o país vizinho desde que deixou o cargo na Casa Branca.

 

Movimento israelense pede que religião seja apagada de registros civis

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Fonte: votebrasil.com

Centenas de judeus israelenses assinaram uma petição solicitando que as autoridades do país os registrem como “sem religião” e apaguem a qualificação deles como judeus nos registros civis.

Os documentos, assinados na noite de domingo perante advogados em Tel Aviv, serão encaminhados ao Ministério do Interior.

Os signatários exigem a separação clara entre o Estado e a religião em Israel e consideram a religião irrelevante para os registros civis.

Um dos que assinaram, o jornalista Uri Avnery, de 88 anos, disse à BBC Brasil que a assinatura em massa do documento “é um passo importante para que finalmente a religião seja separada do Estado”.

“Israel está se transformando em um Estado teocrático no qual os ultraortodoxos controlam todos os aspectos da vida do cidadão”, afirmou Avnery.

“Sou um total ateu e não vejo razão alguma para que eu esteja registrado como pertencente à religião judaica e subordinado ao rabinato”, disse.

Nacionalidade e religião

O Estado de Israel classifica uma pessoa que nasceu de mãe judia ou se converteu ao judaísmo de acordo com as regras ortodoxas como pertencente à religião e à nacionalidade judaica.

Algumas leis do país, no entanto, fazem distinções entre cidadãos judeus israelenses e árabes israelenses.

Por exemplo, a maioria das terras públicas em Israel não pode ser vendida a cidadãos não-judeus, pois existem restrições nos regulamentos das instituições que administram as terras, segundo as quais terras públicas só podem ser transferidas para judeus.

Escritor

O movimento para apagar a definição de judaísmo nos registros civis começou com o ato individual do escritor Yoram Kaniuk, que moveu um processo contra o Ministério do Interior exigindo ser registrado como “sem religião”.

No dia 5 deste mês, o Tribunal de Tel Aviv resolveu aceitar o recurso de Kaniuk e instruiu o Ministério do Interior a cancelar a definição de judaísmo de seus registros.

Kaniuk, considerado um dos escritores mais importantes de Israel, afirma que pertence ao povo judeu, mas não à religião judaica.

“Hoje em dia, os maiores inimigos do judaísmo são o rabinato e as autoridades ortodoxas”, afirmou ele.

O poeta Oded Carmeli, um dos organizadores do movimento, disse à BBC Brasil que o precedente criado por Kaniuk lhe possibilitou “sair do armário”.

“Sempre fui ateu, mas no judaísmo qualquer pessoa cuja mãe é judia é automaticamente considerada como pertencente à religião judaica, desde o momento em que nasce.”

“Quando nasci, ninguém me perguntou se queria ser registrado como judeu ou não, mas agora, depois do ato de Kaniuk, finalmente posso me registrar de acordo com a minha verdadeira identidade, pois não acredito em nenhum Deus”, disse Carmeli.

‘Israel Livre’

Para Miki Gitsin, líder do movimento Israel Livre, “centenas de israelenses não suportam mais o fato que as instituições rabínicas e os políticos ultraortodoxos controlam suas vidas e os impedem de viver de acordo com seus princípios”.

Uma das principais restrições impostas pelas autoridades religiosas ao público laico é a ausência de casamento civil em Israel.

Um homem definido como judeu só pode se casar de acordo com os preceitos do rabinato, e somente com uma mulher judia.

Se um cidadão israelense quiser se casar em casamento civil terá que viajar para o exterior.

O pedido de apagar a religião judaica dos registros civis desperta a indignação de muitos israelenses, que enviam reações furiosas pela internet aos signatários dos documentos.

No site do jornal Haaretz, alguns comentavam que a secularização significaria “a morte de Israel” e que o Estado foi criado para ser judeu.

Um leitor escreveu que a medida é semelhante a “querer que o Vaticano separe Estado e religião”. Outro internauta afirmou que “o judaísmo não é apenas uma religião, mas uma ordem social que define os judeus”.

 

Discurso de Dilma na UE é ‘irreal’ e ‘hipócrita’, diz artigo no ‘FT’

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Fonte: votebrasil.com

A recente fala da presidente Dilma Rousseff perante líderes da União Europeia, oferecendo ajuda para combater a crise e advertindo contra ajustes fiscais muito severos no continente, soou “irreal” e “hipócrita”, opina Clique artigo publicado na última terça-feira pelo Financial Times.

O artigo ironiza o fato de um país conhecido por seu “incômodo e pesado” sistema tributário advertir a UE contra “impostos restritivos”. E cita a proposta do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de propor um “pacote de resgate dos Brics” para a zona do euro.

“O problema é que ele esqueceu de consultar outros países dos Brics, como a China, que detém a maioria das reservas em moeda estrangeira do bloco. Até seus compatriotas se surpreenderam com a ideia de que o Brasil poderia resgatar países como a Itália, que tem um PIB per capita três vezes maior que o seu”, diz o artigo.

O texto também diz que Brasília criticou o protecionismo apenas uma semana antes de elevar o IPI para carros importados. Ainda assim, ressalta que a “recém-descoberta voz global” do Brasil é um sinal de “maior estabilidade interna”.

 

EUA: quando o perigo do tráfico cruza a fronteira

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O conflito entre e contra as organizações de tráfico de drogas já matou mais de 40.000 pessoas no México nos últimos cinco anos. A resposta norte-americana tem sido, no entanto, distorcida pelo fato de que muitos norte-americanos veem a segurança na fronteira como o esforço para manter imigrantes econômicos não autorizados fora dos Estados Unidos, tendo o fluxo ilícito de drogas do México e armas dos Estados Unidos como problemas menores. O clamor tem crescido – particularmente no Texas, que tem a maior parte dos 3.200km de fronteira –, mas muitas coisas têm chamado a atenção dos Estados Unidos.

A primeira é que os recentes espasmos de violência são impressionantes por que as gangues de drogas agora estão ameaçando civis explicitamente. Houve também crimes altamente divulgados nos Estados Unidos. Outra razão para tentar uma nova abordagem é que a imigração não autorizada pela fronteira do sul diminuiu sensivelmente nos anos recentes, de modo que a reforma da imigração não é mais tão controversa quanto antes.

O problema é que ainda que o ímpeto político esteja lá, prescrições de políticas públicas não são tão óbvias assim. Legalizar as drogas, até mesmo só a maconha, poderia ajudar a minar os traficantes removendo sua grande fronte de lucro. Uma eventual legalização teria um grande efeito na justiça criminal norte-americana. Em 19 de setembro, o FBI divulgou seus registros criminais para 2010. De acordo com o relatório, o país tinha 13,1 milhões de prisões no último ano. A maior categoria de crimes, com pouco mais de 1,6 milhões de prisões, foram violações envolvendo drogas. Quase metade dessas prisões se deu por posse de maconha.

No lado da aplicação da lei, os Estados Unidos estão tentando novas abordagens, mas também houve erros. Em julho, uma investigação do Congresso descobriu que um programa do Departamento de Justiça, projetado para rastrear armas compradas nos Estados Unidos até seu destino final, resultou em 1.600 armas desaparecidas por um período de 15 meses. Mais de 100 delas foram recuperadas depois de crimes. Esforços mais inteligentes são necessários.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Dilma defende ingresso da Palestina nas Nações Unidas

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Em seu discurso de abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas nesta quarta-feira, 21, a presidente Dilma Rousseff, primeira mulher a abrir os trabalhos da Assembleia Geral em Nova York, saudou o ingresso do Sudão do Sul e clamou por uma cadeira para a Palestina na organização.

Ignorando o desconforto que o apoio explícito à Palestina cria entre norte-americanos e israelenses e reforçando a posição de líder internacional que o Brasil tanto almeja, a presidente disse  acreditar que é chegado o momento de a Palestina ser membro pleno da ONU.

“O Brasil defende o reconhecimento do Estado palestino e a autodeterminação do seu povo. Apenas uma palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel. Venho de um país no qual descendentes de árabes e judeus convivem em harmonia”, disse a presidente.

O discurso de Dilma tratou ainda da crise econômica, da participação cada vez maior das mulheres na política, da luta contra as violações aos direitos humanos e da necessidade de reformas no Conselho de Segurança da ONU. “As Nações Unidas precisam de um Conselho que reflita a realidade contemporânea, com uma participação maior dos países em desenvolvimento. O Brasil está pronto para assumir suas responsabilidades”, declarou a presidente.

Obama: ‘não há atalho para a paz’

Presidente palestino Mahmoud Abbas escuta pronunciamento do presidente Obama sobre o apelo palestino pelo reconhecimento como Estado na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quarta-feira, 21 (Reprodução/ New York Times) 

O presidente norte-americano Barack Obama também afirmou defender a criação de um Estado palestino em seu discurso no plenário da ONU, mas acrescentou que “não há atalhos para a paz”, e que ela só será conquistada por meio de negociações entre os próprios israelenses e palestinos. “Se fosse fácil a paz já teria sido realizada (…) Como no Sudão do Sul, as negociações entre as partes são o caminho para um Estado palestino”.

Obama salientou que os Estados Unidos apoiam o reconhecimento da Palestina e tem investido esforços para atingir este objetivo, mas lembrou também que os norte-americanos mantêm um “compromisso inabalável” com a segurança de Israel.

“Sejamos honestos”, disse o presidente. “Israel está cercado por vizinhos que têm travado guerras repetidas contra seu território. Crianças israelenses crescem sabendo que em outros países da região outras crianças são ensinadas a odiá-las. Cada lado tem de aprender a se colocar no lugar do outro. Isso é o que devemos assegurar e promover”.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Governo cubano luta para impor impostos a trabalhadores autônomos

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Quando o presidente cubano Raúl Castro anunciou, no ano passado, que o governo cortaria sua folha de pagamento em 20% e passaria a promover os profissionais autônomos, a mídia estatal celebrou o nascimento de uma “cultura de impostos”. Como muitos cubanos nunca pagaram impostos sobres suas rendas, os jornais comunistas publicaram um guia explicando o conceito. Economistas do governo previram um aumento de 400% na receita dos impostos individuais.

A experiência foi turbulenta. Em outubro, Cuba publicou um código fiscal para os trabalhadores em suas 181 novas profissões autorizadas, que vão desde marceneiros até palhaços profissionais. Como no começo dos anos 1990, a última vez em que Cuba realizou tentativas de liberalização econômica e regulação fiscal, as taxas foram severas: 10% sobre os lucros; 25% sobre o seguro social e 50% sobre a renda. Esses números desencorajaram aqueles que pretendiam se arriscar em profissões autônomas. Em maio, as licenças de emprego já se acumulavam nos escritórios do governo.

Além disso, Castro não conseguiu fortalecer o Escritório Administrativo Nacional de Impostos (ONAT), que foi rapidamente abarrotado de declarações. Isso atrasou a coleta da receita e permitiu que sonegações propositais e acidentais seguissem impunes. “Eles parecem mais confusos sobre os impostos do que nós”, diz Ernesto, um engenheiro que obteve uma licença para trabalhar como encanador em março. Ele admite que simplesmente deduz quanto ganha cada mês e então declara um décimo desse valor.

Mas Raúl Castro parece mais flexível que seu irmão e antecessor, Fidel, que culpou os autônomos por promoverem a desigualdade e taxou as firmas privadas até que elas fechassem suas portas. Ansioso para empregar um milhão de servidores que ele planeja despedir, ele conseguiu isenções dos impostos sobre o seguro social e aumentou em duas vezes o campo para deduções, além de ordenar que o ONAT treinasse sua equipe novamente e contratasse novos inspetores. “Claramente, as regras estão sendo criadas durante o processo de implementação”, diz um diplomata europeu em Havana. “Mas Raúl parece determinado a fazer seu plano funcionar”.

Mais reformas estão a caminho. No fim de 2011, cubanos poderão comprar e vender casas e automóveis. Ainda resta saber por quanto tempo eles aceitarão impostos sem representação. “Eles coletam nossos impostos”, diz Michel, um barbeiro que recentemente abriu seu próprio negócio. “Mas ainda mantêm seus segredos”.

Menino de 10 anos surpreende escola ao voltar das férias como menina

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Um menino britânico que se identifica com o sexo oposto surpreendeu seus colegas ao retornar das férias escolares vestido de menina.

O garoto de 10 anos, cujo nome tem sido mantido em sigilo, foi diagnosticado com o chamado transtorno de identidade de gênero – quando um menino ou menina sente que, na verdade, pertence ao outro sexo.

A história foi revelada pelo jornal local Worcester News, da cidade de mesmo nome onde vive a família.

Segundo o jornal, a decisão de aceitar a menina foi tomada pela família durante as férias de agosto.

“Na cabeça dela, ela é uma garota, mas no corpo de um garoto”, disse a mãe, de 36 anos de idade.

Diferenças

A condição foi diagnosticada por uma equipe de psiquiatras em Londres. Mas a família diz que percebeu as diferenças do menino desde os dois anos de idade.

“Ela prefere brincar de boneca do que de carro”, afirmou a mãe. “Ela é uma garota bem feminina. Quer se vestir de acordo com a última moda. Não tem nada de masculino.”

Desde que a história foi revelada, a criança tem recebido manifestações de apoio no Worcester News.

Segundo a mãe, o carinho dos leitores é um “alívio”.

No passado, o menino foi ridicularizado por um grupo de adultos que o chamou de “bizarro” em um shopping center.

Dirigentes espanhóis divulgam seu patrimônio. Perto dos nossos políticos, parecem pedintes…

terça-feira, 13 de setembro de 2011

 

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Zapatero, o governante socialista, e Rajoy, o líder conservador: na meia idade, patrimônios a anos-luz de congêneres brasileiros

Amigos, os espanhóis deixaram esta semana por algum tempo afastadas as preocupações sobre a capacidade de o país arcar com seus débitos – no âmbito geral da crise de alguns países da zona do euro – para discutir o patrimônio declarado de seus principais políticos, que acaba de ser divulgado.

Como brasileiro, tive vontade de rir com a reação da mídia e do público. O excelente jornal El Periódico, de Barcelona, por exemplo, trouxe como uma das manchetes sobre o tema a seguinte: “A difusão dos bens de parlamentares causa furor”.

Pensei comigo: “Se eles soubessem como é no Brasil…”

Causou “furor”, entre outras informações, saber que o homem mais rico das Cortes – o Legislativo espanhol – é o presidente do Congresso dos Deputados, José Bono, cujo patrimônio é de 1,7 milhão de euros, ou algo como 4 milhões de reais. Ele chegou a ser denunciado pela imprensa de extrema direita, no passado, por suposto enriquecimento suspeito, mas o caso foi arquivado.

Não é de rir? Com certeza há centenas de prefeitos de cidades médias e até pequenas no Brasil com patrimônio de valor superior. Bem como vereadores, deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores…

Lembro-me de que, há uns bons 10 anos atrás, VEJA realizou um levantamento independente, com avaliadores confiáveis, sobre o patrimônio visível do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado. Sarney se dedica em tempo integral à vida pública há cerca de 60 anos – e, no entanto, e naquela época, VEJA chegou à conclusão de que seus bens valiam 100 milhões de reais. A valores de hoje, só Deus sabe quanto.

Há ainda mais tempo, VEJA mostrou que o falecido ex-governador Orestes Quércia, que desde seus 20 anos só fez política, havia conseguido amealhar, em bens oficialmente declarados, 52 milhões de reais – patrimônio que quando de sua morte, no ano passado, estimava-se bem superior a 1 bilhão de reais.

O falecido ex-ministro e ex-governador Antonio Carlos Magalhães, o ACM, que igualmente só se dedicou à política durante sua longa vida, faleceu em 2007 como dono de um império, que incluía emissora de TV filiada à Rede Globo, emissoras de rádio, jornal e uma plêiade de negócios.

Em comparação com os nossos, os políticos espanhóis parecem pedintes. Vejam só os 3 principais casos:

O primeiro-ministro socialista José Luís Rodríguez Zapatero ainda não tem casa própria. Seu patrimônio consiste em um imóvel ainda em construção de valor não declarado na cidade onde cresceu e se formou, León, em sociedade com a mulher, Sonsoles Espinosa, para o qual não solicitou empréstimo. Aos 51 anos, em contas bancárias e 3 diferentes planos de aposentadoria privada, acumula 158 mil euros (370 mil reais). Não tem automóvel.

O líder do principal partido de oposição, o Partido Popular (PP) e provável vencedor das eleições gerais de novembro, Mariano Rajoy, aos 56 anos possui um apartamento e 3 garagens em Madri, uma casa em Pontevedra, em sua Galícia natal, e 597 mil euros (1,4 milhão de euros) em depósitos bancários, ações e investimentos vários. Não tem automóvel.


Rubalcaba: um bom dinheiro em investimentos, mas proprietário de um só imóvel e dois carros velhos

O candidato socialista à sucessão de Zapatero, Alfredo Pérez Rubalcaba, químico de formação, ex-ministro do Interior, é dono de um apartamento em Madri, co-proprietário de uma garagem, dispõe de 984 mil euros (2,3 milhões de reais) em depósitos bancários, investimentos e ações, um automóvel Mazda 1998 e um Skoda 2000.

São os três principais políticos da Espanha no momento, todos de homem já de meia idade, fase em que pessoas de classe média/média alta na Europa, como é seu caso, amealharam tanto ou mais do que eles.

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Autor: Ricardo Setti

Família real inglesa dá exemplo e economiza

segunda-feira, 12 de setembro de 2011
 
Lucas Marchesini
Do Contas Abertas

No final de 2010 o governo da Grã-Bretanha anunciou o maior pacote de cortes de gastos públicos do país desde a Segunda Guerra. Com o objetivo de combater o déficit público recorde e conter a dívida pública, nem a família real inglesa escapou da economia.  Comparado o orçamento da monarquia britânica relativo ao período de 2009-2010 com o de 2010-2011, nota-se a diminuição de 5,3% nos dispêndios. No total, os gastos passaram de £ 33,9 milhões (R$ 90 milhões) para £ 32,1milhões (R$ 85 milhões).

O esforço realizado pelos nobres ingleses é maior do que o proposto para todo o gasto público no país. O objetivo da coalizão conservadora-liberal democrata é economizar 1% do total de gastos públicos no ano de 2010, o equivalente a £ 6,2 bilhões (R$ 16,4 bilhões).

O único tipo de gasto que cresceu no último ano foi com as viagens realizadas pela monarquia. Os valores saltaram de £ 5,4 milhões (R$ 14.3 milhões) para £ 6,1 milhões (R$ 16,2 milhões). O montante total foi gasto em 440 viagens de membros da família real ou de funcionários de suas casas.

A jornada mais cara foi realizada pela rainha Elizabeth e seu marido, o duque de Edimburgo, para Abu Dhabi entre os dias 24 e 28 de novembro do ano passado. A viagem custou cerca de £ 356 mil (R$ 943 mil). Os deslocamentos da rainha são considerados missões, que se desenvolvem dentro do papel de chefe de estado.

O erário público também financia viagens de outros membros da família real quando estão em missões de estado. Esse foi o caso da segunda viagem mais cara realizada em 2010. Entre os dias primeiro e cinco de outubro, o príncipe Charles e sua esposa, a duquesa da Cornualha, foram para três cidades na Índia, ao custo de £ 298 mil.

Monarquia mais cara da Europa

Segundo levantamento feito jornal inglês The Telegraph, a família real britânica é a mais cara monarquia do velho continente. O orçamento anual autorizado pelo parlamento inglês é de £ 40 milhões (R$ 105 milhões). Sete milhões de libras a mais do que a família real holandesa, em segundo lugar na lista.

Contudo, apesar dos gastos pagos pelos cofres públicos, a família real gerou lucro de £ 200 milhões (R$ 529 milhões) para o governo britânico no último ano fiscal. Isso acontece por que a instituição que rege as propriedades monárquicas, Crown Estate, rende £ 230 milhões (R$ 609 milhões) por ano. A empresa existe desde 1760 e surgiu da combinação feita entre o rei George III e o parlamento. O acordo estipulava que a coroa cedesse a administração de suas propriedades para o parlamento. O dinheiro gerado por ele serviria para cumprir o orçamento real, votado anualmente pelos parlamentares, e todo superávit iria para o tesouro inglês.

Curiosidade

A moeda utilizada na Inglaterra é a libra esterlina, com o símbolo £ (pound ou sterling, em inglês), uma das mais fortes moedas do mundo. A Inglaterra está entre as quatro principais economias europeias e centro líder de comércio exterior e de serviços financeiros, com o sexto maior Produto Interno bruto do mundo, próximo aos US$ 2 trilhões.

Para embaixador dos EUA, governo Lula tinha ‘corrupção generalizada’

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Declarações do diplomata norte-americano Thomas Shannon foram reveladas pelo site WikiLeaks.
 
O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, revelou em carta enviada ao procurador-geral dos EUA, Eric Holder, que a diplomacia norte-americana considerava a corrupção “generalizada e persistente” durante o governo Lula, atingindo todos os Três Poderes.  A carta, enviada há cerca de um ano e meio e revelada esta semana pelo site WikiLeaks, serviria como uma preparação para a visita de Holder ao Brasil. Nela, Shannon fez um raios-X da Justiça brasileira, acusando-a de “desesperada e disfuncional”.

Não é a primeira vez que documentos da diplomacia norte-americana expõem críticas sobre o nível de corrupção no Brasil. Documentos de 2004 e 2005 mostraram a mesma preocupação e já alertavam para o risco de os escândalos do mensalão acabarem imobilizando o governo brasileiro.

Corrupção generalizada

No último ano do governo Lula, a percepção negativa dos EUA sobre a corrupção no Brasil não se limitava apenas aos Três Poderes. De acordo com Shannon, “as forças de ordem seriam prejudicadas por falta de treinamento, rivalidades burocráticas, corrupção em algumas agências e uma força policial muito inferior para cobrir um país com quase 200 milhões de habitantes”.

Outro problema apontado pelo diplomata norte-americano em carta diz respeito à Justiça no Brasil: “Apesar de muitos juristas serem de alto nível, o sistema judiciário brasileiro é frequentemente descrito como sendo disfuncional, permeado por jurisdições que se acumulam, falta de treinamento, burocracia e atrasos”, escreveu o embaixador.

Thomas Shannon disse ainda que a “polícia, procuradores e juízes precisam de treinamento adicional no Brasil. Procuradores e juízes, em especial, precisam de treinamento básico para ajudá-los a caminhar em direção a um sistema acusatório mais eficaz”.

 Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Para oposição, Obama é um ‘fracote’ na Casa Branca

sábado, 3 de setembro de 2011

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Com Obama dependendo da permissão de John Boehner para apresentar programa de criação de empregos, EUA se perguntam se ele algum dia lutará pelas políticas em que acredita. Por Michael Tomasky*
 
Me deprime ler declarações como a do porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, que diz que “O presidente espera que os membros do Congresso voltem do recesso de agosto com o espírito do compromisso bipartidário e com a urgência necessária para atender às necessidades de nossa economia e de nossa força de trabalho”. Ou essa: “Haverá uma série de razões para pessoas em ambos os lados gostarem do plano de criação de empregos do presidente”.

É assustador que Barack Obama irá enfrentar a batalha econômica desse outono com seu repertório de clichês datados. De que provas mais ele precisa para entender que os republicanos voltarão a Washington com o espírito da hostilidade partidária? Quando Obama irá revidar?

Espero que a Casa Branca mantenha uma carta na manga, pois até agora o placar marca 2 a 0 para os republicanos (com a ameaça de suspensão do governo e o acordo da dívida) durante um período no qual a popularidade do presidente teve uma queda de 10%, um número impressionante, considerando que, no mesmo período, os Estados Unidos finalmente mataram Osama bin Laden. A tática dos republicanos tem funcionado quase que perfeitamente. Não importa que o partido tenha um alto índice de rejeição. As pessoas votam em candidatos individuais, e no momento, Obama está em apuros, empatado com nomes como Mitt Romney e Rick Perry em alguns dos maiores estados do país. Obviamente todos na casa Branca sabem disso. Eles só parecem não querer fazer nada a respeito.

A declaração sobre o plano de criação de empregos mostra, novamente, que a Casa Branca se recusa a entender o tipo de oposição que está enfrentando. Foi uma tolice agendar a discussão no mesmo dia do debate do Partido Republicano, já que o único canal simpático ao governo, a MSNBC, é a patrocinadora do debate. Qualquer que seja o resultado final, a disputa é um bom exemplo da falta de astúcia política da Casa Branca, e a esperança é a de que Obama reflita sobre o fato de John Boehner ter sido o primeiro presidente do Congresso da história a recusar uma data escolhida pelo presidente do país, e comece a perceber a realidade ao seu redor.

A julgar pelas informações que vazaram, o programa é um tanto modesto, com um provável corte de impostos para empregadores, um benefício fiscal para os empregadores de veteranos militares e mais nada. Eu esperava uma proposta de infraestrutura bancária, que fizesse com que corporações norte-americanas trouxessem os negócios de volta do exterior, e que usasse esse dinheiro para financiar os bancos. Essa é uma ideia que circula por Washington, e até mesmo Tom Donahue, da Câmara de Comércio, já se mostrou favorável a ela.

Os liberais querem que Obama vá mais longe – como, por exemplo, uma proposta de US$ 227 bilhões para um programa de empregos públicos financiado por um imposto extra em famílias com rendas acima de US$ 1 milhão. Eles querem que Obama anuncie ideias grandes e claras, capazes de cativar o povo. Deixe que os republicanos as bloqueiem, e então os culpe, para que a população veja quem está impedindo a criação de empregos. Tenho certeza de que Obama afirmaria que nunca iria propor algo que ele soubesse que não seria aprovado, e preferiria vitórias menores que poderiam produzir alguns empregos que pudessem lhe garantir alguns pontos politicamente.

É justo – exceto pelo fato de que não há porque acreditar que ele vá conseguir nem ao menos as pequenas vitórias. Os republicanos tratarão qualquer coisa que ele faça como um novo plano fracassado de estímulo, a propaganda de direita colocará uma fatwa sobre a cabeça de qualquer congressista ou senador mais ousado, e nenhum plano com “Obama” no nome será aprovado no Senado, muito menos na Câmara, e é assim que será. Sabemos disso.

Por isso é tão desesperador ler declarações como as de Carney. O plano pode ser ousado ou modesto. O importante é que ele terá que lutar com todas as forças, mas não o fará. Ao invés de culpar ambos os lados, ele não culpa nenhum. Ele fala em acabar com os impasses partidários como se falasse de uma ato divino, como o furacão Irene, que poderia ser superado se todos unissem forças.

Mas a verdade é que o impasse é um ato dos homens. McConnell, Boehner e Cantor nunca são criticados pelo presidente. São duas sílabas a mais do que “Martin, Barton e Fish”, o trio de obstrucionistas republicanos denunciados por Franklin Roosevelt, mas o presidente é um homem articulado, que certamente não teria dificuldade em pronunciar esses nomes.

Lembre-se, Obama. Você foi o homem eleito sob a plataforma da mudança. É hora de mudar.

* Correspondente da Newsweek e editor do Democracy: A Journal of Ideas

 

Estado de saúde de Fidel Castro se deteriora, diz jornal da Venezuela

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Segundo Noticia Al Dia, cubano estaria na UTI; rumores sobre morte circulam na internet.

O jornal venezuelano Noticia Al Dia assegura que o estado de saúde do ex-presidente cubano, Fidel Castro, deteriorou nesta terça-feira (30) e que ele estaria em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nada foi divulgado ainda pelo governo e a imprensa oficial.

A origem dos boatos seria um e-mail circulado pelo site de notícias chileno 24 Horas. Em uma imagem do e-mail divulgada na internet mostra a manchete: “Exclusivo: na tarde de hoje morreu em sua residência em Laguito o ditador cubano Fidel Castro”.

Nas redes sociais e correntes de e-mails os rumores já circulam sobre a morte do líder da Revolução Cubana. No entanto, sites de tecnologia da informação dizem que a mensagem do 24 Horas seria, na verdade, um spam.

A famosa blogueira dissidente Yoani Sánchez fez um comentário em seu Twitter sobre o boato forte que circula entre os cubanos.

- Não só os ventos frescos de setembro tocam Havana. Certo rumor de NOTICIA foi largamente divulgado. Será verdade?

Minutos mais tarde, Yoani postou que seu telefone “não parava” com todos perguntando se o estado de Fidel realmente é grave.

- Não sei, e se for isso mesmo nós cubanos seremos os últimos a saber.

A saúde de Fidel Castro se deteriorou nos últimos anos e esse foi um dos motivos que o fizeram entregar suas atividades no governo cubano ao irmão, Raúl, em 2006.

 

Oposição anuncia recompensa de US$ 1,7 milhão para quem ajudar a capturar Khadafi

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Internacional
Agência Lusa

Brasília – A oposição na Líbia anunciou hoje (24) que pagará aproximadamente US$ 1,7 milhão para quem prestar informações e der pistas que levem à captura do líder líbio, Muammar Khadafi. A recompensa será paga se Khadafi for encontrado vivo ou morto.

O valor da recompensa foi sugerido por empresários e pelo Conselho Nacional de Transição (CNT) – órgão que tem funcionado como governo paralelo no país.

O presidente do conselho, Mustafa Abdeljalil, avisou ainda que será concedida anistia ampla a todos os parentes e amigos de Khadafi que colaborarem para a captura do líder. “O regime de Khadafi só estará acabado no momento em que ele for capturado vivo ou morto”, disse ele.

Segundo Abdeljalil, as tropas leais a Khadafi mantêm os ataques de dentro do complexo residencial do líder líbio, no bairro de Bab Al Aziziya, em Trípoli. “Vão continuar a disparar até que Khadafi seja capturado”, disse. “O comportamento [do líder líbio] nos faz temer uma catástrofe”, acrescentou.

Na segunda-feira (22), Abdeljalil havia dito que a expectativa era que Khadafi fosse capturado vivo. “Esperamos que Muammar Khadafi seja capturado vivo para que possa ter um julgamento justo”, disse ele.

 

Chávez ameaça estatizar os bancos privados

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

 

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta terça-feira que não tem problema algum em determinar a nacionalização dos bancos privados.
Segundo ele, a medida pode ser adotada caso as diretorias dos bancos não cumpram as metas de financiamento para alguns projetos, especialmente aqueles considerados de pequeno porte. Ele desafiou a oposição a discutir os planos econômicos em curso no país.
“Se eles (os banqueiros) não vão cumprir a lei, vamos fazer com que cumpram. Do contrário, nacionalizamos os bancos. Não tenho problema algum com isso, que cumpram e nada mais. Essa é a questão”, disse Chávez durante reunião do Conselho de Ministros.
De forma enfática, o presidente acrescentou que “o governo da Venezuela não pode mais cumprir o papel de tolo”. Em seguida, disse que os bancos privados não podem deixar de “responder ao financiamento de projetos para os pequenos produtores.”
Chávez ainda desafiou a oposição a apresentar seu plano econômico para ser discutido antes das eleições do próximo ano, quando tentará a reeleição. “Temos o nosso plano e vamos debater”, disse ele.

Em 70% dos acidentes com motos, a culpa é do motociclista, diz OMS

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O aumento do número de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas no Brasil preocupa não só os órgãos de trânsito do país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) está convencida de que os motociclistas são os principais responsáveis pelos acidentes. “Consideramos que 70% das causas [de acidente] são devidos a fatores humanos. E, agora, temos o problema das motocicletas: com o aumento da frota de motocicletas aumentou muito o número de acidentes devido a má condução do veículo”, disse Mercedes Maldonado, representante da OMS no Brasil.

O tema foi discutido na tarde de hoje (24) no Fórum Paulista de Prevenção de Acidentes de Trânsito e Transportes, promovido pelo Conselho Estadual para Diminuição de Acidentes de Trânsito e Transportes (Cedatt)

Mercedes Maldonado apresentou números para mostrar que as principais causas de acidente de trânsito no Brasil são excesso de velocidade (26%), infraestrutura rodoviária (20%) e motocicletas (16%).

Segundo o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Ailton Brasiliense, as maiores vítimas de acidentes de trânsito no Brasil ainda são os pedestres, mas os motociclistas já ocupam a segunda posição. “Metade das pessoas que morrem anualmente é pedestre. Em segundo lugar, e crescendo enormemente, estão os motociclistas. Há também uma questão que envolve o excesso de velocidade com ou sem alcool e a da má habilitação”, disse ele.

Já o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Mauro Ribeiro, alerta: “temos lugares no país onde 50% dos óbitos são de motociclistas”.

Um dos problemas apontados por especialistas é o uso do chamado “corredor”, o espaço estreito entre uma faixa e outra da via. Brasiliense explicou que, ao usar o corredor para ultrapassar os carros, o motociclista deixa de ser visto por, pelo menos, um dos três espelhos retrovisores que o motorista de automóvel tem à disposição, “aumentando enormemente a possibilidade dele se acidentar”.

Segundo José Guedes Pereira, presidente do Sindicato das Auto Moto Escolas e Centro de Formação de Condutores no Estado de São Paulo, o elevado número de acidentes envolvendo motocicletas deve-se, principalmente, ao veto do artigo 56 do fato de o Código Nacional de Trânsito. O artigo proibia expressamente a circulação de motocicletas nos corredores.

“Isso fez com que o motociclista mudasse o comportamento. Como temos as motos circulando muito entre os veículos, criamos uma situação de mobilidade diferente, de massa diferente e de velocidade diferente. Isso expõe uma situação de risco muito grande. Já estamos chegando a acidentes de moto com moto”, disse Ribeiro, que defende a proibição do tráfego de motos nos corredores.

Outro problema apontado no encontro é a má formação dos motociclistas. Segundo Wilson Kenji Yasuda, coordenador da Comissão de Segurança Viária da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), uma pesquisa recente feita com acidentados no trânsito revelou que 70% dos motociclistas envolvidos em acidentes não tinham carteira de habilitação.

Para reforçar a informação dada pelo representante da Abraciclo, o presidente do sindicato das motoescolas apresentou um dado preocupante: “Mais de 90% das pessoas que procuram uma autoescola para obter a carteira de moto já são motoqueiros, ou seja, aprenderam de alguma forma, não sabemos como”, disse José Guedes Pereira.

Apesar da gravidade do problema, as políticas públicas que poderiam ajudar a reduzir os índices de acidentes envolvendo motocicletas esbarram na falta de informações confiáveis. Mauro Ribeiro, da Abramet, reclamou que não há dados anuais sobre acidentes de trânsito no país e os poucos números disponíveis não refletem a realidade do país, pois ignoram características particulares de cada região, de cada estado ou município, e nem levam em consideração o que causa os acidentes.

Edição: Vinicius Doria

 

Brasil quer garantias da oposição na Líbia para reconhecê-la como legítima, indica Patriota

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, atribuiu hoje (23) à necessidade de a oposição na Líbia apresentar garantias que assegurem a união nacional no país para ser reconhecida como legítima representante do governo de transição no país. Segundo ele, o governo provisório exercido pelo Conselho Nacional Transição – controlado pelos rebeldes – deve apresentar-se como capaz de estabelecer a unidade e reconciliação.

O chanceler disse ainda que há o receio da comunidade internacional em relação à Líbia também está associado à fragilidade das instituições públicas no país, assim como a ausência de uma Constituição.

“A Líbia é muito frágil em termos de instituições, sem uma Constituição propriamente dita, e que tem um longo caminho a percorrer em termos de progressos institucional e democratização. O Brasil está acompanhando de perto, como membro do Conselho de Segurança, examina quais as medidas necessárias”, disse Patriota.

O chanceler falou sobre a situação da Líbia, depois de almoçar com o secretário dos Negócios Estrangeiros das Filipinas, Albert Del Rosario, no Itamaraty. Na conversa, eles trataram sobre a questão da Líbia porque Rosario foi três vezes ao país e contou que há inúmeros imigrantes filipinos vivendo no país.

“O Conselho representa uma região da Líbia [a cidade de Benghazi], então seria fundamental aos olhos para a União Africana que se estabelecesse um governo de união nacional, que tivesse controle sobre todo o território e legitimidade aos olhos da população e evidentemente representasse uma transição para uma situação mais democrática”, disse o chanceler.

Patriota lembrou que o Brasil acompanhou a decisão da Organização das Nações Unidas (ONU) condenando a violência promovida pelas forças aliadas a Khadafi. “O Brasil apoia as aspirações por democracia e melhores oportunidade [defendidas pela população líbia]”, disse o chanceler, informando que na quinta-feira (25) o assunto será tema de uma reunião extraordinária das Nações Unidas.

O chanceler acrescentou também que a decisão de adotar medidas militares na Líbia, como a área de exclusão aérea sob controle da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), gera tensão e vítimas. Segundo Patriota, é “problemático” apelar para as armas em nome da defesa dos civis.

“Acho que é um elo muito problemático você associar a promoção de democracia e direitos humanos a iniciativas militares. Nós vimos quantas mortes isso provocou no Iraque, por exemplo, quantos inocentes civis pereceram naquele contexto, no Afeganistão continua aumentando o número de mortos civis”, disse o ministro, em repreensão à parte da comunidade internacional que apoiou as operações militares na Líbia.
 

 

Edição: Rivadavia Severo

 

Consumidor dos EUA não confia no desempenho da economia

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Novos indicadores publicados nesta sexta-feira (12) continuam mostrando a gravidade da crise norte-americana. O índice de confiança do consumidor dos EUA preliminar de agosto, divulgado pela agência de notícias Reuters e a Universidade de Michigan, caiu vertiginosamente de 63,7 para 54,9 –o menor índice desde maio de 1980.
O resultado ficou muito abaixo da estimativa de analistas, que era de 62, atribuído aos temores com a alta taxa de desemprego (9,1%), de uma recuperação econômica muito lenta e preocupação com o impasse político e sua influência na tomada de decisões para a economia.

O índice de confiança sobre as condições econômicas atuais ficou em 69,3 e o índice que avalia as expectativas no curto prazo foi a 45,7.

“Nunca antes na história das pesquisas tantos consumidores mencionaram de maneira espontânea aspectos negativos do papel do governo [na economia]“, disse o diretor da pesquisa Richard Curtin, em comunicado.

O presidente Barack Obama reconheceu recentemente que os EUA perderam parte da confiança do mercado e dos americanos com o impasse político sobre a aprovação do novo pacote fiscal para elevar o teto da dívida.

O plano, que elevou o teto em US$ 900 bilhões para US$ 15,2 trilhões, com o compromisso de um corte nos gastos e aumento na arrecadação equivalentes, foi aprovado no último dia do prazo dado pelo Tesouro americano para o Orçamento americano e levou o mercado ao pânico com a possibilidade de um calote da maior economia do mundo.

A demora foi resultado de uma disputa entre democratas –que queriam aumentar impostos dos ricos e evitar cortes nos programas sociais– e os republicanos –que rejeitam historicamente aumento de taxas sobre os ricos. Os dois lados queriam evitar problemas com os eleitores nas eleições gerais de 2012.

Maus indicadores

Nas últimas semanas, foram divulgados vários indicadores da indústria e do consumo dos americanos que mostraram os piores resultados em dois anos. Economistas já dizem que é de 50% a chance de os EUA mergulharem em uma nova recessão.

As preocupações sobre a economia americana é agravada ainda pelo resultado do PIB do primeiro semestre, que teve um crescimento muito fraco, 0,9%, abaixo do necessário para acelerar a criação de empregos.

Dois terços dos consumidores consultados disseram que a economia piorou recentemente e apenas um em cinco anteciparam quaisquer ganhos durante os próximos 12 meses.

Um futuro ruim para a economia americana está na expectativa de 75% de todos os consumidores consultados no começo de agosto, pouco abaixo do pico de 82% registrado em 1980.

Fonte: vermelho.org.br -
Com agências

Mulher pula de janela para escapar de fogo durante distúrbios

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Uma fotógrafa britânica capturou o momento em que uma mulher se jogou da janela de um prédio em chamas na região de Croydon, ao sul de Londres, durante os distúrbios que atingiram a capital britânica nos últimos dias…

Os moradores do prédio, em cima de uma farmácia, ficaram presos quando o prédio foi incendiado e pularam da janela do primeiro andar, segundo o jornal The Telegraph.

A foto de uma das moradoras saltando ocupou a primeira página de vários jornais britânicos nesta terça-feira.

A fotógrafa, Amy Weston, deu uma entrevista ao jornal The Guardian contando sobre os distúrbios em Croydon. A fotógrafa estava se dirigindo para uma área central quando ouviu gritos, pessoas avisando que algumas lojas tinham sido incendiadas.

“Havia seis ou sete pessoas gritando e chorando do lado de fora, parecia que eles moravam nos apartamentos que estavam em chamas. Os apartamentos acima eram lojas pequenas e independentes”, disse a fotógrafa da agência londrina Wenn ao The Guardian.

“Um homem em uma camisa branca estava gritando, alertando que uma garota estava na janela e que ela estava prestes a pular. Ele correu em direção à ela, mas a tropa de choque apareceu e o puxou de volta, e foram na direção dela.”

Weston disse ao jornal que, assim que ela caiu, as multidões voltaram a se juntar no local da queda e não foi possível ver o que aconteceu com a mulher.

“Lembro de ouvir as pessoas gritando que havia outros dentro do prédio. A multidão começou a brigar, com um grupo culpando o outro pelo incêndio”, disse.

A fotógrafa então ouviu alertas de que a tropa de choque estava disparando cilindros de gás contra a multidão e resolveu sair do local.

“Não consegui chegar ao meu carro, então tive que andar, escondendo minha câmera nas roupas para evitar ser roubada”, contou Weston ao The Guardian.

Os tumultos que começaram em Tottenham, no norte de Londres, no sábado, se espalharam pela capital e para outras partes do país, como Birmingham, Liverpool, Bristol e Manchester.

Grupos de jovens mascarados destruíram lojas e restaurantes e atearam fogo a carros, prédios, pontos de ônibus e até delegacias.

As forças de segurança da capital britânica e de outras partes do país estão em massa nas ruas para tentar conter novos episódios de quebra-quebra, que já atingiram partes do norte, sul, leste e oeste de Londres.

 

Fonte: votebrasil.com

É proibido fumar’ nas residências

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Condomínios estão aplicando multas a moradores que fumarem dentro dos apartamentos.
 
Alguns condomínios em Nova York criaram novas restrições contra os cigarros, proibindo o fumo dentro dos apartamentos. Em um deles, os moradores que fumarem nas dependências da sua própria residência podem ser multados em US$ 150. A polêmica alteração do regimento interno do condomínio foi aprovada por 43 dos 68 proprietários.

Não se trata, no entanto, de um caso isolado. Em um outro condomínio, sensores instalados no interior dos cômodos dos apartamentos são acionados quando um cigarro é aceso. A multa é de US$ 100 mil.

Multa de até US$ 1 milhão
Um brasileiro que mora em Manhattan há mais de 20 anos disse em entrevista ao jornal O Globo que há lugares da ilha “onde a multa pode chegar a US$ 1 milhão, dependendo das circunstâncias em que o fumante for pego. Fumar na janela, então, em certos locais de Nova York, é algo impossível de ser aceito”.

O advogado Arnon Velmovitsky, também em entrevista ao Globo, diz que atualmente no Brasil o morador pode se defender da fumaça do cigarro do vizinho pelo artigo 1270 do Código Civil. “A fruição pelo condômino do seu bem não poderá prejudicar o sossego, a salubridade, a segurança e os bons costumes, sob pena de inviabilizar o convívio dentro da comunidade e fazê-lo sofrer as sanções legais e, portanto, se a fumaça prejudica o morador, este pode reclamar defesa através da convenção”, explica o advogado.

 

O incerto futuro dos Estados Unidos

domingo, 7 de agosto de 2011

 
Essa deveria ter sido uma boa semana para a economia norte-americana. Os líderes do país finalmente deram fim ao irresponsável debate fiscal, removendo a ameaça de um apocalipse financeiro global, e concordando com o aumento do teto da dívida federal. No entanto, ao invés de respirarem aliviados, os investidores continuam nervosos. Bolsas de valores caíram ao redor do planeta e o índice S&P 500 registrou sua maior queda em um ano, enquanto a taxa de juros dos títulos de dez anos do Tesouro caiu para 2,6%, seu nível mais baixo em nove meses.

Nem tudo é culpa dos Estados Unidos: a zona do euro está em caos e o setor manufatureiro está em declínio no resto do mundo. Mas as possibilidades norte-americanas parecem subitamente mais sombrias. Revisões estatísticas e novos números nada animadores revelaram uma recuperação mais fraca do que o divulgado sem condições de ser interrompida. Uma vez que isso aconteça, a economia tem grandes chances de voltar ao período recessão, especialmente se for atingida por um novo choque – como os Estados Unidos estão prestes a ser, graças a uma enorme dose de controle fiscal piorado pelo acordo da dívida.

A recuperação norte-americana de uma recessão sempre tende a ser difícil e frágil. E seus dilemas não rebaixaram a economia mundial, graças à força dos mercados emergentes. Mas a inconsequência do acordo da dívida – em especial sua falta de habilidade para combater os problemas fiscais do país – geram uma preocupação ainda maior. Seriam os políticos do país, ferozmente polarizados e dispostos a fazer apostas com a economia, confiáveis o suficiente para não transformar o que seria um inevitável período de turbulência em uma longa estagnação?

Se isso acontecer, a culpa recairá sobre os políticos. Sua receita para uma economia fraca é um longo período de austeridade. O acordo da dívida, que só prevê cortes novos e modestos, de curto prazo, não pode ser responsabilizado. Mas o Congresso poderia, e deveria, ter evitado esse trajeto potencialmente desastroso. Havia um caminho, que seria a manutenção dos gastos por um curto prazo, com ênfase nos investimentos de infraestrutura, e uma extensão temporária dos cortes de impostos, em troca de uma redução de médio prazo no déficit, concentrada nas obrigações governamentais e na reforma fiscal.

O Congresso fez exatamente o oposto, deixando de apoiar a economia agora e falhando na tarefa de encontrar cortes suficientes na próxima década para estabilizar a dívida norte-americana. Você construiria uma fábrica hoje se soubesse que os impostos aumentariam eventualmente, mas não soubesse exatamente quais?

Para piorar, a política venenosa das últimas semanas criou um novo tipo de incerteza. Agora que os membros do Tea Party usaram a moratória como uma arma política com sucesso, é bem possível que ela seja usada novamente. A recusa em assumir compromissos está tendo consequências terríveis por todos os lados, fechando parcialmente a Administração Federal de Aviação e procrastinando leis comerciais. Na melhor das hipóteses, os políticos terão atrasado uma expansão apressada; na pior delas, terão matado a recuperação e dado o golpe de misericórdia na maior máquina de prosperidade do mundo.

 Fonte: opiniaoenoticia.com.br

China exige garantias dos Estados Unidos

domingo, 7 de agosto de 2011

 
A China condenou neste sábado, 6, as “míopes” disputas políticas nos Estados Unidos quanto aos problemas de dívida norte-americana e afirmou que o mundo precisa de uma nova moeda de reserva mundial estável. “A China, o maior credor da única superpotência do mundo, tem todo o direito agora de demandar dos EUA que enfrentem os problemas estruturais da dívida e garantam a segurança dos ativos chineses em dólar”, afirmou a agência estatal Xinhua.

Os comentários foram feitos após a agência de classificação de risco Standard & Poor”s rebaixar, pela primeira vez na história, a nota dos papéis da dívida dos EUA, de AAA para A+, citando preocupações com o crescente fardo da dívida federal de longo prazo. A medida foi tomada três dias depois da sanção da lei que evitou a suspensão de pagamentos pelo governo americano que esboçou o plano de ajuste de US$ 2,1 trilhões nas contas públicas federais nos próximos dez anos, e a S&P advertiu que pode haver novo rebaixamento do rating nos próximos dois anos.

A China, que possui mais de US$ 1 trilhão investidos em títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), está entre os países que seriam mais imediatamente afetados por qualquer calote ou rebaixamento dos EUA.

“Para curar esse vício das dívidas, os Estados Unidos devem restabelecer o princípio do bom senso e viver dentro de suas possibilidades”, afirma a Xinhua, acrescentando que os EUA “também deveriam interromper sua velha prática de deixar a política interna eleitoral tornar a economia mundial refém e contar com os bolsos profundos dos países superavitários para compensar seus déficits perenes”.

Tesouro aponta erro de US$ 2 trilhões

A S&P havia notificado a Casa Branca sobre a decisão antes de anunciá-la, como sempre, de surpresa e após o fechamento dos pregões das bolsas americanas. O Tesouro americano argumentou à agência ter havido falha de US$ 2 trilhões nos cálculos sobre as projeções das contas públicas do país. Porém, nem o Tesouro nem a S&P se manifestaram publicamente sobre o possível erro de cálculo.

Por meio de um comunicado emitido na noite de ontem, a S&P advertiu sobre a possibilidade de novo rebaixamento, para AA, nos próximos dois anos, “se virmos que o corte menor das despesas em relação ao acertado, o aumento nas taxas de juros ou novas pressões fiscais durante o período resultam em uma trajetória mais elevada da dívida governamental do que a atualmente sugerida pela nossa base de dados”. “O panorama sobre a avaliação de longo prazo é negativo”, acentuou.

A agência atribuiu sua decisão às medidas fiscais acordadas entre o Congresso e a Casa Branca para garantir a estabilização da dívida em médio prazo. Para a S&P, elas são insuficientes para garantir a estabilidade fiscal do país e sua capacidade de pagar as dívidas. O governo dos EUA acumula US$ 14,3 trilhões em dívidas, o equivalente a mais de 90% do Produto Interno Bruto (PIB).

 Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Os Estados Unidos perdem o status de porto mais seguro do mundo

domingo, 7 de agosto de 2011

A qualificação dos títulos do Tesouro norte-americano passou de “AAA” para “AA ”, diante do crescente endividamento da maior economia do mundo, que chegou a US$ 15,1 trilhões…

Washington — O que todos temiam aconteceu. A agência de classificação de risco Standard and Poor’s (S&P) rebaixou ontem a nota da dívida pública dos Estados Unidos, fato inédito desde 1941.

A qualificação dos títulos do Tesouro norte-americano passou de “AAA” para “AA ”, diante do crescente endividamento da maior economia do mundo, que chegou a US$ 15,1 trilhões, e do pesado deficit no orçamento do país. Com esse selo, os EUA ficam abaixo do Reino Unido, Alemanha, França e Canadá.

A S&P avisou que colocou os EUA sob “perspectiva negativa”. Ou seja, pode fazer uma nova avaliação da situação fiscal do país, também para baixo.

“O rebaixamento reflete a nossa opinião de que o plano de consolidação fiscal com que o Congresso e o governo concordaram recentemente fica aquém do que, em nossa visão, seria necessário para estabilizar a dinânima de médio prazo da dívida”, frisou.

A Casa Branca reagiu à decisão e alegou “falhas profundas e fundamentais” no processo de avaliação da agência.

O rebaixamento, que também reflete a disputa política nos EUA, veio logo depois do fechamento dos mercados, mas seus reflexos serão sentidos com vigor na próxima segunda-feira, mesmo com os títulos norte-americanos continuando como principal parâmetro para a formação de preço dos papéis emitidos pelos governos de todo o planeta.

A medida afetará, ainda, a imagem já desgastada do presidente dos EUA, Barack Obama, que aproveitou, ontem, o primeiro bom número da economia em várias semanas — a criação de 117 mil postos de trabalho no país — para mandar um recado: “Quero que o povo norte-americano e os nossos sócios em todo o mundo saibam que vamos superar todas as dificuldades. As coisas vão melhorar”.

Ciente de que a sua liderança ficou abalada diante das dificuldades da Casa Branca em aprovar o aumento do teto da dívida do país no Congresso, ele ressaltou que, apesar de um “ano tumultuado”, a economia registrou saldo positivo no mercado privado de trabalho pelo 17° mês consecutivo.

Com isso, a taxa de desemprego caiu 0,1 ponto percentual, para 9,1%, um alívio em meio em pessimismo que tomou conta do planeta nas últimas semanas.

Apesar da comemoração, Obama reconheceu que ainda há muito por fazer, pois 8 milhões de trabalhadores no país estão sem ocupação desde que foram vitimados pela recessão iniciada no fim de 2007 e agravada depois da quebra do Banco Lehman

Brothers, em setembro de 2008. “Precisamos criar um ciclo autossustentável, no qual as pessoas estejam gastando, as companhias estejam contratando e nossa economia esteja crescendo”, afirmou.

Não satisfeito, acrescentou: “A minha preocupação agora, o meu foco, é o povo norte-americano. Temos de levar os desempregados de volta ao emprego, aumentar seus salários e reconstruir a sensação de segurança que desapareceu nos últimos anos”.

O setor público, no entanto, continuou cortando vagas pelo nono mês consecutivo. Foram fechados 37 mil postos, quase todos no estado de Minnesota.

Ainda mais vulnerável

Washington — A dívida pública dos Estados Unidos já superou um patamar em que deixará o país mais vulnerável e sujeito a sofrer uma forte redução no ritmo do crescimento econômico. Segundo os economistas Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, um Estado que atinge um nível de endividamento superior a 90% do Produto Interno Bruto (PIB), não importa com que tipo de modelo econômico, verá seu ritmo de expansão diminuir fortemente.

Eles chegam a essa conclusão no livro Oito séculos de delírios financeiros, publicado em 2009, no qual fazem um levantamento das crises de endividamento ocorridas em todo o mundo desde o fim da Idade Média.

Na quarta-feira, o Tesouro americano informou que a dívida bruta do país havia ultrapassado o PIB de 2010 (US$ 14,52 trilhões de dólares). Atualmente, a dívida chega a US$ 14,57 trilhões, segundo dados oficiais.

Nos últimos cinco anos, o PIB avançou relativamente pouco, cerca de US$ 1,7 trilhão, uma alta de 12,5%, enquanto a dívida pública se acelerou, superando os US$ 6 trilhões neste mesmo período, quase 73% a mais.

Ajuda para alimentos

Washington — Um total recorde de 46 milhões de norte-americanos, 15% da população dos Estados Unidos, recebeu ajuda do governo para comprar alimentos neste ano, segundo o Departamento de Agricultura.

O número foi impulsionado pelo estado do Alabama, no sul do país, duramente atingido por desastres naturais, incluindo os devastadores tornados dos últimos meses. Cerca de 1,7 milhão de pessoas receberam cupons para alimentos em maio, mais do que o dobro dos 808 mil beneficiados no mesmo período de 2010.

Outros estados com mais de 1 milhão de atendidos pelo governo sãos os que têm grande população de imigrantes, como Arizona (Sudeste), Califórnia (Oeste), Flórida (Sudeste) e Texas (Sul). Estados populosos, como Nova York, e os atingidos pelas dificuldades econômicas, como Michigan, também registraram mais de 1 milhão de beneficiários.

Para receber a ajuda, uma família não pode ter renda superior a US$ 2 mil, incluindo as economias bancárias, e não pode ter ganho que supere em 30% o patamar de pobreza fixado pelo governo ( US$ 1.174 por mês para uma pessoa e US$ 4.010 para uma família de oito pessoas). Os estrangeiros que não têm a cidadania norte-americana, mas estão legalmente nos EUA, também podem receber cupons.

 Fonte: votebrasil.com

Política russa: uma farsa ensaiada

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Pode ser que os moradores de Moscou não tenham percebido dois novos anúncios dentre os muitos outdoors chamativos espalhados pela cidade. Um deles retrata Dmitry Medvedev, o presidente russo, como um “Capitão Rússia” musculoso. A imagem, baseada nos anúncios para o novo filme do “Capitão América”, mostra um supostamente tecnológico Medvedev empunhando um iPad ao invés do escudo característico do superherói. O segundo exibe Vladimir Putin, o primeiro-ministro, como um James Bond de smoking e revólver à mão. Os anúncios servem como uma observação precisa da farsa teatral que a política russa se tornou.

O primeiro mandato de Medvedev como a pessoa formalmente mais poderosa do país está chegando ao fim. Alguns observadores ainda levam a sério suas chances de exercer o poder em algum momento. Ele faz um grande esforço para fundamentar essas esperanças, como no mês passado, quando instou líderes empresariais a escolherem entre ele e Putin nas próximas eleições presidenciais de março. Seu pedido foi prontamente atendido. Uma semana depois da convocação de Medvev, Igor Komarov – presidente da fabricante de carros AvtoVAZ -, disse que a resposta “obviamente era … Putin”.

A sequência de eventos dificilmente poderia ser considerada surpreendente num país em que Putin permanece tanto como líder supremo quanto como favorito para retornar ao Kremlin nas próximas eleições presidenciais em março.

Enquanto isso, dois dos conselheiros mais graduados de Medvedev afirmaram que a Rússia entraria numa “grande crise” se o seu patrão não fosse re-eleito em 2012. A lógica deles vai de encontro à longa série de promessas não cumpridas do presidente, como a de reforçar o estado de direito e a de uma modernização agressiva, apesar de seus apelos estridentes por reformas radicais tenham em geral sido apenas jogo de cena para a performance de Putin.

Outros oficiais dizem, privadamente, que a saída de Putin seria catastrófica para o sistema que ele mesmo construiu. Aconteça o que acontecer, a única certeza é que o resultado da eleição será acertado de antemão. Como um comentarista expressou recentemente, toda a política russa acontece dentro da cabeça de Putin.

*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

Michelle Bachmann na mira dos gays

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Fonte: opiniaoenoticia.com.br 

Nas semanas iniciais de sua campanha presidencial, Michele Bachmann evitou se aventurar pelo polêmico terreno da política social, mas os grupos de direitos dos homossexuais pretendem mudar isso. Mesmo com sua disciplinada campanha se afastando de suas raízes como uma guerreira conservadora para abraçar sua nova imagem como uma defensora fiscal do Tea Party, líderes gays querem colocá-la novamente na berlinda.  

Saboreando a vitória em Nova York no mês passado, eles dizem que a campanha de Bachmann será o foco de sua atenção no auge da campanha presidencial durante o verão de 2011. O motivo para isso: a congressista de Minnesota e seu marido, o terapeuta Marcus Bachmann, têm um histórico de combater os direitos dos grupos homossexuais no estado. “Buscaremos oportunidades de expor seus registros e sua retórica”, diz Michael Cole-Schwartz, diretor de comunicações da Human Rights Campaign.

O primeiro comercial de campanha de Michelle Bachmann não menciona questões sociais, e ela certamente tomará cuidado para não repetir sua frase de 2004, na qual declarou que o casamento gay era “a maior questão a impactar a nação nos últimos 30 anos” ou a de que o lesbianismo de sua meia-irmã era “uma obra de Satã”.  A visão de Bachmann, de que o homossexualismo é uma escolha, e não uma identidade, é compartilhada por seu marido, que defende a ideia de que gays podem ser “curados” por meio de “terapia reparadora”. Sua clínica foi alvo de críticas até mesmo da cantora Cher. “Vou estrangulá-lo com meu boá”, disse a cantora no Twitter.

Já os aliados de Bachmann dizem que ela e o marido suavizaram sua visão sobre a questão, e acreditam que os ataques por parte de grupos gays podem ajudá-la a vencer a primária de Iowa. “A população local é bastante avessa ao casamento gay”, diz Maggie Gallagher, presidente da Associação Nacional pelo casamento, uma admiradora de Bachmann desde 2004.

 

Acordo da dívida é um mal necessário para os EUA

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Editorial do ‘New York Times’ compara negociação entre Congresso e Casa Branca a extorsão*
 
O acordo entre os líderes do Congresso e a Casa Branca pode evitar uma catastrófica moratória governamental até o fim de 2012. Para isso, os democratas não terão escolha a não ser engolir sua raiva, aceitar o acordo e lutar com mais afinco na próxima oportunidade. 

Durante semanas, desde que os republicanos da Câmara anunciaram que não aumentariam o teto da dívida sem enormes cortes nos gastos, os democratas se ativeram a alguns princípios básicos, alegando que caberia à população mais rica do país arcar com parte do fardo para garantir que programas como a Medicare não fossem afetados.  Esses princípios foram deixados de lado para garantir um acordo que cortasse cerca de US$ 2,5 trilhões do déficit nos próximos dez anos. O primeiro trilhão viria diretamente de programas de gasto opcional (cerca de um terço viria do Pentágono), e não incluiria novas receitas. O restante seria determinado por um “supercomitê” formado por 12 legisladores que poderiam recomendar receitas, mas que dificilmente o farão, já que metade de seus membros será de republicanos.

Se o comitê esbarrar em um impasse, ou se suas recomendações forem rejeitadas por alguma das câmaras do Congresso, a temida guilhotina de cortes descerá: US$ 12 trilhões em amplas reduções de gastos que entrariam em vigor a partir do início de 2013.

Negociadores tentaram tornar esse mecanismo de punição o mais desagradável possível para garantir um incentivo para que o supercomitê e o governo evitem esse cenário a qualquer custo. Para os democratas, a penalidade incluiria cortes no financiamento da Medicare. Para os republicanos, a punição deveria envolver novas receitas fiscais, mas eles se recusarem a considerar essa opção e conseguiram o que queriam. Ao invés de mudanças nas receitas, o desafio para os republicanos está na tentativa de evitar grandes cortes no orçamento militar. 

Muitos esperam que formações futuras do Congresso desfaçam esses cortes arbitrários. Infelizmente, em um ambiente político tomado pela insanidade, alguns republicanos estavam ansiosos pela moratória, que poderia causar um terremoto econômico capaz de abalar Washington e o governo de Obama de maneira irreversível. Os democratas estavam certos ao temer a moratória e o impacto de uma nova recessão sobre a população norte-americana. 

Obama poderia ter sido mais incisivo ao lidar com os republicanos, talvez ameaçando usar poderes constitucionais para ignorar o teto da dívida se o Congresso abrisse mão de sua responsabilidade de aumentá-lo. Agora, os democratas terão que esperar o término da validade dos cortes fiscais da era Bush no ano que vem, e terão que lutar nas eleições de 2012 para eleger novos legisladores que sejam capazes de consertar o estrago. No fim, o acordo demonstra o poder da extorsão. Pessoas razoáveis são forçadas a ceder àqueles dispostos a pôr em risco os interesses nacionais.

*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

 

Obama confirma fracasso de negociações sobre dívida e critica republicanos

sábado, 23 de julho de 2011

O presidente americano falou em uma coletiva de imprensa improvisada após o presidente da Câmara de Representantes, o republicano John Boehner, anunciar que seu partido se retirava do diálogo com a Casa Branca para buscar uma saída …

WASHINGTON – O presidente americano, Barack Obama, confirmou nesta sexta-feira que fracassaram as negociações de última hora com os republicanos para ampliar o limite da dívida e evitar um default.

Obama criticou os republicanos por não aceitar um “pacto extraordinariamente justo” e convocou os líderes do Congresso a novas negociações no sábado, às 11H00 local (12H00 de Brasília).

O presidente americano falou em uma coletiva de imprensa improvisada após o presidente da Câmara de Representantes, o republicano John Boehner, anunciar que seu partido se retirava do diálogo com a Casa Branca para buscar uma saída para o problema da dívida, e que mais à frente trabalhará com o Senado para alcançar um acordo.

“Decidi pôr fim às negociações com a Casa Branca e começar as negociações com os líderes do Senado em um esforço para encontrar uma saída”, disse Boehner em uma carta aos membros da Câmara.

O anúncio alimenta as dúvidas sobre o destino dos esforços para aumentar o limite da dívida dos Estados Unidos, de 14,3 trilhões de dólares, antes de 2 de agosto, quando o governo da nação mais rica do mundo ficará sem dinheiro para pagar suas contas. “Basicamente o que havíamos oferecido ao presidente da Câmara Boehner foi mais de um trilhão de dólares em cortes ao gasto discrecional, tanto interno quanto de defesa”, disse Obama a jornalistas.

“É difícil entender porque o presidente da Câmara Boehner rejeitaria este tipo de acordo e, francamente, há um monte de republicanos que perguntam porquê não poderia ser implementado”.

Obama acrescentou que o povo americano está “farto” das posturas políticas, e disse que estava disposto “a assinar uma extensão do limite da dívida até 2013″. “Estou disposto a assumir a responsabilidade”.

Apesar do fracasso das negociações, o presidente destacou que está “certo” de que os EUA não descumprirão seus compromissos de dívida.

 Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Juiz abertamente gay entra para a história nos EUA

terça-feira, 19 de julho de 2011

Paul Oetken se tornou o primeiro homossexual a ser confirmado para presidir um tribunal federal sem nunca ter escondido sua orientação sexual. Do ‘Washington Post’.
 
A coisa mais notável sobre o que aconteceu no plenário do Senado norte-americano na noite de segunda-feira, 18, foi que o episódio passou praticamente despercebido.

O acontecimento –a nomeação do primeiro juiz abertamente gay para  presidir um tribunal federal – causaria, alguns anos atrás, uma grande polêmica. Mas a nomeação de Paul Oetken foi confirmada sem uma palavra de protesto no plenário do Senado e nenhuma menção dos comentaristas.

Até mesmo alguns dos conservadores mais fervorosos da Câmara votaram pela confirmação de Oetken. Quando o desequilibrado resultado da votação foi anunciado –  80 votos a favor e 13 contra – não houve entusiasmo ou qualquer outro tipo de reação da plateia. Senadores continuaram suas conversas como se nada de anormal ou inédito tivesse acontecido.

Seria prematuro acreditar que a fácil confirmação de Oetken representa uma nova era pós-sexual na política norte-americana, afinal, a luta em torno do casamento gay continua a todo vapor. Mas foi um momento importante. A orientação sexual do candidato foi considerada sem nenhuma importância – ou, pelo menos, menos importante do que sua política moderada e sua reputação pró-negócios (ele foi um advogado corporativo).

“Como o primeiro homem abertamente gay a ser confirmado como um juiz federal,” disse o senador Chuck Schumer (democrata de Nova York) antes da votação, “ele será um símbolo do nosso progresso nas últimas décadas. E mais importante, ele  dará esperança a muitos jovens e talentosos advogados que até agora pensavam que seus caminhos seriam limitados devido à sua orientação sexual. Quando Paul Oetken se tornar juiz, ele será a prova viva para todos aqueles advogados de que a vida está ficando melhor”.

Mas, como Schumer observou corretamente, este pedaço da história foi um “momento tranquilo” para o Senado. O republicano no Comitê Judiciário do Senado, Chuck Grassley (Iowa) deu um breve discurso em apoio à Oetkin, mencionando suas raízes, mas nada sobre sua homossexualidade.

Gays não assumidos provavelmente serviram como juízes federais desde o início da República. E uma lésbica, Deborah Batts, é juíza federal desde 1994. Mas durante a nomeação de Batts perante o Comitê Judiciário, sua homossexualidade não foi mencionada nas audiências de confirmação.

Oetkin, por outro lado, não escondeu sua orientação sexual: seu trabalho com organizações em defesa dos direitos homossexuais e sua coautoria de um relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal criticando uma proposta de lei antigay foram amplamente discutidos. Em sua audiência de confirmação, Oetken também apresentou seu  parceiro a outros advogados.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

 

Umberto Martins: Dívida e decadência do império americano

sábado, 16 de julho de 2011

Por Umberto Martins – vermelho.org.br

A novela da dívida americana teve um novo e dramático capítulo nesta sexta-feira (15), protagonizado por Barack Obama. Durante entrevista coletiva, a segunda da semana, o presidente dos EUA renovou o apelo ao Congresso para elevar o teto da dívida pública, hoje em US$ 14,3 trilhões, e advertiu que “o tempo está se esgotando”. Se o Parlamento não autorizar a ampliação do endividamento até 2 de agosto, o governo não terá como pagar suas despesas e incorrerá em moratória.

O impasse foi reiterado hoje no Capitólio, onde democratas e republicanos não conseguiram chegar a um acordo. Já se fala num plano B para evitar o calote. Seguindo o caminho da Moody’s, outra agência de classificação de risco, a Standard & Poor’s, anunciou a revisão da nota de crédito dos EUA e a possibilidade de rebaixá-la.

Um problema mundial

Na quinta (14), a China manifestou preocupação com a possibilidade de moratória e cobrou do governo estadunidense maior “responsabilidade” na relação com os investidores estrangeiros. O gesto é emblemático das mudanças em curso na economia mundial. O gigante asiático é o maior credor da Casa Branca. Possui mais de 1 trilhão de dólares em títulos do Tesouro dos EUA e tem razões de sobra para ficar apreensivo.

Embora menosprezada por muitos economistas, a dívida estadunidense, pública e privada, vai se revelando um sério problema para a economia mundial. Ela reflete, ao mesmo tempo em que impulsiona, o processo histórico de declínio do poderio econômico relativo dos Estados Unidos.

De credor a devedor

Ao contrário do que muitos imaginam tal declínio não começou com a chamada Grande Recessão, iniciada em dezembro de 2007, nem terá desfecho em curto prazo. É certo que o fenômeno se tornou mais agudo e transparente ao longo dos últimos anos. Mas teve início décadas atrás.

Um marco no processo de declínio foi precisamente a transformação dos EUA de país credor (o maior do mundo) em devedor (líquido), o que ocorreu na segunda metade dos anos 1980. Desde então, a dívida não parou de crescer, de forma que Tio Sam é hoje, de longe, o maior e mais perdulário devedor do planeta.

Pano de fundo

O problema não se resume à dívida governamental, que já está em torno de 100% do PIB. É preciso levar em conta também os débitos privados (de empresas e indivíduos), que são pelo menos três vezes superiores ao do setor público e fomentaram a bolha e a crise imobiliária.

O pano de fundo da decadência, e também da dívida, é o acúmulo de déficits na balança comercial, recorrentes desde o fatídico ano de 1971, quando o ex-presidente Richard Nixon deu um fim ao acordo monetário de Bretton Woods, que estabelecia a convertibilidade do dólar em ouro.

Exportação de capitais

Durante anos o déficit no intercâmbio de mercadorias foi coberto com folga pelos lucros das multinacionais estadunidenses, extraídos em outros países e remetidos às matrizes. Embora a balança comercial registrasse saldos negativos a conta corrente continuava positiva e o país mantinha a posição de credor.

Conforme notou Lênin em suas análises sobre o imperialismo, a exportação de capitais, ao permitir a apropriação de excedentes gerados no exterior, cria as condições para o florescimento do parasitismo – a arte de viver à custa alheia. O déficit comercial é a medida mais precisa do quanto a sociedade norte-americana consome o produto do trabalho alheio além dos próprios meios que produz, é o que confere a todo o processo de reprodução do capital na maior potência capitalista do mundo um caráter parasitário.

Contaminando a conta corrente

Mas isto foi mudando na medida em que crescia o passivo externo decorrente do excesso de importações. Este passivo, que na outra ponta é ativo de empresas e governos estrangeiros, também demanda remuneração. Ao longo dos anos 1980, o rombo comercial se transformou em déficit da conta corrente, refletindo o fato de que os lucros extraídos no exterior já não eram suficientes para cobrir o saldo das importações.

Tio Sam teve de recorrer a um crescente endividamento externo para financiar o consumismo e a decorrente deterioração das transações correntes. Por isto deixou de ser credor (líquido) e, desde então, vem acumulando dívidas.

Desindustrialização

Políticos norte-americanos e apologistas do império não perceberam os riscos embutidos no comportamento da balança comercial, concebida apenas como um artifício contábil, que ano após ano e sem muito alarde foi corrompendo a competitividade da indústria e ampliando o parasitismo da sociedade.

Era como se o país não mais precisasse produzir para sobreviver. Comprando fiado no exterior, Tio Sam fomentou o consumismo enquanto a indústria local perdia terreno para as importações e empresas se deslocaram para outros países. Um lento processo de desindustrialização teve curso, mas foi apresentado como resultado exclusivo do desenvolvimento objetivo das forças produtivas – um sinal de progresso, caminho seguro para a sociedade pós-industrial.

Roda da fortuna

Bem mais que um mero artifício contábil, o déficit na conta de mercadorias denuncia a carência de poupança interna (contrapartida do excesso de consumo) e se revela a principal via de valorização e realização de capitais estrangeiros. Pelo déficit americano girou a roda da fortuna mundial. Primeiro foram Alemanha e Japão os principais beneficiários do desequilíbrio comercial. Depois, a China. Daí se infere o entrelaçamento do déficit com o processo de reprodução do capital em escala mundial.

A forma aparentemente fácil e segura de financiamento da dívida (a transmutação dos superávits obtidos pela China e outros países em títulos públicos e outros ativos dos EUA, incluindo aquisição de empresas) reforçava a aparência de que tudo estava em ordem, a China poderia continuar produzindo, Tio Sam consumindo. Temos, então, uma perfeita simbiose de interesses e – vamos que vamos! – não há razão para se preocupar com déficits e débitos. Esta percepção enviesada da realidade não sobreviveu à crise.

Sem final feliz

A dívida deslocou os EUA da condição de maior exportador de capitais do mundo para a desconfortável posição de importador líquido de capitais, virou um país dependente da injeção maciça de capitais estrangeiros, com uma necessidade de financiamento externo que, antes da crise, oscilava em torno de US$ 1 trilhão de dólares (por ano). Conforme notou o historiador Eric Hobsbawm, é aí que se esconde o segredo da decadência do império, que deixou de ser o ator principal no concorrido jogo das fusões e aquisições, pelo qual corre o processo de concentração e centralização do capital na atualidade.

A novela da dívida promete novos capítulos até 2 de agosto. É provável que governo e parlamentares cheguem a um acordo, mas isto não significará necessariamente um final feliz. O processo de declínio da liderança econômica dos EUA no mundo (e, por decorrência, da decomposição do padrão dólar e da ordem imperialista mundial), do qual a dívida é apenas um reflexo, promete rolar durante muitos anos e dificilmente terá um desfecho pacífico, mesmo porque as coisas, neste nível, não se resolvem no plano da economia. Há que se levar em conta a política e o poder militar, onde a supremacia norte-americana, por hora, é quase absoluta.

A um passo do abismo

sábado, 9 de julho de 2011

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Em momento que deveria ser de expansão, o Programa Mundial de Alimentos da ONU é obrigado a fazer grandes cortes.
 
Barrigas inchadas contrastando com braços e pernas extremamente finos, e grandes olhos que veem tudo isso. Mães igualmente magras amamentando bebês em seios murchos. O mundo acreditou nunca mais ver estas cenas novamente. A fome na África, ausente por muitos anos, pareceu ter seguido o mesmo caminho de tantas doenças que hoje são evitadas por vacina ou rapidamente curadas.

Entretanto, pouco depois da pior seca em 60 anos, mais de 10 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar em caráter de emergência. O gado foi aniquilado. Milhares de pessoas saem dos campos de refugiados em busca de ajuda. As taxas de desnutrição em algumas localidades estão cerca de cinco vezes maiores do que as agências de ajuda usam como parâmetro para definir uma crise. Milhares de crianças já morrem de fome.

As áreas mais afetadas pela seca são o norte do Quênia, o sudeste da Etiópia, o sul da Somália e Djibouti. Os rios e poços estão secando, as pastagens tradicionais se reduziram a pó, as duas últimas temporadas de chuvas foram escassas. Mais de 60% dos rebanhos de gados e cabras, responsáveis pela renda de milhares de famílias, estão com seus esqueletos espalhados por toda a África. Em áreas um pouco mais verdes, cada vez mais pastores armados competem violentamente por recursos cada vez menores. Apenas no Quênia, mais de 100 deles morreram.

“Em algumas áreas vemos uma situação que não acontecia há 25 anos. Estamos em fase de emergência e a tendência é ficar pior”, explica Gabriella Waaijman, chefe do leste da África no escritório da ONU para Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA). Funcionários de ajuda norte-americanos já falam na “mais grave emergência de segurança alimentar do mundo atual”.

O Quênia já declarou a seca como um desastre nacional. Ninguém pode dizer que o aviso não foi dado. O OCHA tem emitiu diversos alertas de fome para a região desde o ano passado, implorando por recursos. Mas os doadores ocidentais, paralisados pelos efeitos da crise, foram lentos, e até mesmo relutantes em responder. Apenas metade da ajuda solicitada foi fornecida. Em um momento que deveria ser de expansão, o Programa Mundial de Alimentos da ONU precisa fazer grandes cortes.

 

Egito não quer o FMI em sua casa

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Por Emad Mekay – revistaforum.com.br

O Egito rechaçou as condições impostas pelo Fundo Monetário Internacional para conceder-lhe o empréstimo solicitado de US$ 3 bilhões, por entender que violam a soberania nacional e atendendo a pressão exercida por manifestações populares.

O general Sameh Sadeq, integrante do conselho militar governante, afirmou que foram suspensos outros pacotes que estavam sendo negociados com o Banco Mundial em razão de “cinco condições que atentavam contra os princípios de soberania nacional”, informaram vários jornais locais. Mas, não foram dados mais detalhes sobre o assunto.

Se houvesse aceitado, o Egito seria o primeiro país a receber dinheiro do FMI no Oriente Médio após a Primavera Árabe, levante popular contra os regimes autoritários apoiados pelo Ocidente iniciado no ano passado. O FMI anunciou em maio, durante a cúpula do Grupo dos Oito países mais ricos do mundo, que poderia emprestar US$ 35 bilhões aos Estados do Oriente Médio nos próximos anos.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, anunciou nesse mesmo mês que poderia conceder US$ 6 bilhões em dois anos ao Egito e à Tunísia para contribuir com a modernização de suas economias. Cairo teria recebido US$ 4,5 bilhões desse pacote. Os movimentos revolucionários começaram nesses dois países antes de se espalhar pela região.

A declaração feita no dia 28 pelo general Sadeq contradiz as do primeiro-ministro Essam Sharaf e do ministro das Fianças Samir Radwan, sobre os empréstimos não estarem acompanhados de condições. Os funcionários ocupam os cargos interinamente desde a queda do presidente Hosni Mubarak em 11 de fevereiro deste ano. Ambos defenderam publicamente a necessidade de empréstimos para espantar o fantasma do déficit, principal argumento de muitos países que solicitam ajuda das duas instituições multilaterais de crédito.

A decisão foi anunciada pelos governantes militares que assumiram após a queda de Mubarak. Algumas das condições impostas pelo FMI e pelo Banco Mundial incluíam a privatização de bancos e uma maciça redução dos subsídios para energia e alimentos e já haviam desagradado a população.

O ministro das Finanças teve que voltar atrás e escreveu em seu site que a decisão de rejeitar os empréstimos ocorreu após “debate público e consultas ao Conselho Supremo das Forças Armadas” (CSFA), à frente do governo interino. Também informou que após modificar o déficit orçamentário este ficou em US$ 22,4 bilhões, em relação aos US$ 28,4 bilhões previstos antes de aceitar o empréstimo do FMI.

O CSFA, que cumpre funções presidenciais até ser eleito o novo parlamento em setembro, disse que os fundos locais e regionais permitem não recorrer às instituições multilaterais de crédito. “Pode-se cobrir o déficit com o mercado local e com empréstimos e assistência de nações amigas e outras instituições internacionais”, diz a declaração do Ministério das Finanças.

Nas últimas semanas, Arábia Saudita, Estados Unidos e Catar, entre outros, prometeram grandes somas de dinheiro ao Egito. Os bancos locais podem cobrir facilmente o déficit, afirmou Moustapha Abdelsalam, especialista do jornal de negócios Al Alam Alyoum. O governo conseguiu US$ 20 bilhões internamente.

A decisão do CSFA acompanhou os protestos populares. Vários ativistas alertaram que, com os novos empréstimos o Egito poderia ficar sujeito às condições do Banco Mundial e do FMI, bem como à pressão externa, o que muitas pessoas esperam que tenha acabado com a revolução.

“Os empréstimos do exterior contradizem os princípios da revolução que reclamavam ser livres de toda pressão, local e estrangeira”, diz uma declaração do Conselho de Administração Revolucionária, uma organização não governamental formada após a queda de Mubarak por defensores da democracia que enfrentaram as forças de segurança do regime. “O povo egípcio, que está por começar uma nova era, não quer fazê-lo com novos empréstimos. Preferimos passar fome a mendigar a essas instituições”, afirma o comunicado.

Surpreendeu a solicitude do governo de Sharaf por ser interino e não ter suficiente autoridade. Foi criticado por tomar essa decisão carecendo de representação popular.

O Banco Mundial, o FMI e outros bancos multilaterais de desenvolvimento anunciaram a “Associação Deauville para o Oriente Médio” para conceder empréstimos a outros países da região, no contexto da cúpula do G-8 realizada em maio nessa cidade francesa. O Banco Mundial prometeu US$ 4,5 bilhões ao Egito nos próximos dois anos para compensar a queda das reservas e o orçamento, e financiar as mudanças econômicas a fim de fortalecer seus projetos de investimento e créditos.

Agora é esperar para ver se desta vez os países da região seguirão o exemplo do Egito.