Economia

Governo veta aumento das aposentadorias acima da inflação

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A posição do governo não agradou aos representantes dos aposentados. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, João Batista Inocentini, o aumento reivindicado ajudaria a estimular a economia…

O governo federal não vai conceder aumento acima da inflação para os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem mais de um salário mínimo por mês, informou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. “Não há reajuste real”, garantiu ele, após se reunir com sindicalistas e representantes dos aposentados.

As entidades reivindicam aumento em torno de 12% para os cerca de 9 milhões de aposentados e pensionistas do país que ganham mais de um salário mínimo. O impacto do reajuste nesse patamar representaria, de acordo com o governo, uma despesa adicional de cerca de R$ 8 bilhões para a Previdência.

Carvalho ressalvou que a decisão não é definitiva e o tema voltará a ser discutido no ano que vem. “Não é uma conversa encerrada. Para ter reajuste ano que vem não precisa colocar no Orçamento. Podemos conceder reajuste depois, a conversa continua”.

Sem acordo, a categoria só terá a reposição da inflação. Até o momento, o governo propõe acréscimo de 6,3%, referente à estimativa da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) este ano.

O ministro explicou que o momento econômico de incertezas em relação à crise economica mundial exige cautela do governo federal. “Temos responsabilidade, estamos vendo a crise internacional. Para nós, a coisa mais importante é ter uma linha de política econômica. Ser governo é isso, tem que ter coragem de enfrentar e de dizer não. Até com dor no coração”, justificou.

Para o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, o veto ao reajuste dos aposentados está relacionado à sustentabilidade do sistema, que precisa passar por reformas. “A discussão é a situação da Previdência, que está precisando de uma reforma para poder pagar melhor os aposentados. Essa a minha posição”.

A posição do governo não agradou aos representantes dos aposentados. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, João Batista Inocentini, o aumento reivindicado ajudaria a estimular a economia.

“Lula, quando deu aumento para os aposentados, também ajudou o país a sair da crise. Não dá para aceitar [o veto]. Não tenho dúvida de que a presidenta vai perder o voto dos aposentados”, criticou ele.

Fonte: votebrasil.com

 

O PIB estagnou e não foi só por culpa da Europa

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Fonte: vermelhoi.org.br

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (6) uma notícia que não foi nada boa. A economia nacional estagnou no terceiro trimestre. A crise da dívida na Europa certamente contribuiu para tal resultado, mas a causa mais relevante do pífio desempenho não vem de fora. É coisa nossa. É a política econômica ancorada no tripé conservador (juros altos, superávit primário e câmbio flutuante) que cobra seu preço.

O IBGE registrou queda das atividades nos setores secundário (indústria) e terciário (serviços). Em contrapartida, o setor primário (agropecuária) cresceu 3,2%, refletindo o bom desempenho das exportações, a alta dos preços e o crescimento do consumo doméstico.

Previsões em baixa

O órgão também revisou para baixo as taxas de crescimento apuradas no primeiro e segundo trimestres (de 1,2% para 0,8% e de 0,8% para 0,7% respectivamente). O consumo do governo caiu 0,7%, o consumo das famílias foi 0,1% menor e nos investimentos recuaram 0,2%. A perspectiva é de estagnação também para o quarto e último trimestre do ano.

Nos primeiros nove meses do ano o país progrediu 3,2%. Isto fez com que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitisse que a última previsão oficial para este ano (um avanço de 3,8% no PIB) não será alcançada. Note-se que a equipe econômica já havia rebaixado a estimativa anunciada no início do ano (4,5%).

Cenário crítico

O cenário lembra o segundo semestre de 2008, quando a crise mundial, iniciada nos EUA em 2007, fez valer os seus efeitos por aqui, levando a indústria à lona e o conjunto da economia nacional à recessão, que felizmente não tardou a ser contornada. Hoje, o quadro internacional é igualmente crítico, mas a situação é diversa. Não é justo atribuir à Europa a responsabilidade maior pelos nossos infortúnios.

As diferenças parecem óbvias. Naquele ano, o crédito internacional secou bruscamente e o comércio exterior sofreu forte queda. Entre março de 2008 a março de 2009 o volume de comércio internacional caiu 18,7% e a atividade industrial declinou 10,5%. A situação atual ainda não chegou a tal ponto. Embora o financiamento externo esteja escasseando, o intercâmbio de mercadorias com o resto do mundo (excetuando o velho continente) continua em alta. Em novembro, as exportações brasileiras cresceram 73,6% para os EUA e quase 55% para a China.

Política econômica

A crise mundial certamente pesa, mas a estagnação sinalizada pelo IBGE está associada principalmente a opções de política econômica feitas pelo governo Dilma no início do ano com o objetivo deliberado de conter o ritmo de crescimento (que em 2010 chegou a 7,5%). Cabe destacar o ajuste fiscal com cortes de R$ 50 bilhões e cinco rodadas consecutivas de alta dos juros, além das chamadas medidas macroprudenciais do BC para reduzir a expansão do crédito.

Apesar dos recorrentes sinais de agravamento da crise da dívida na Europa e nos Estados Unidos, a equipe econômica cedeu às vozes conservadoras que alertavam para uma suposta escalada incontrolável da inflação e reclamavam juros estratosféricos e maior economia para pagar os juros da dívida interna.

Ao lado disto, pesou (e não menos) a política neoliberal para o câmbio, ou seja, o câmbio flutuante que por aqui virou tabu desde que o ex-presidente Lula se comprometeu com a orientação recomendada pelo FMI e pelo sistema financeiro na famosa e malfadada “Carta aos brasileiros”.

Déficit comercial da indústria

As autoridades econômicas preferem criticar a China por rejeitar o liberalismo cambial à alternativa mais sábia e prudente de controlar as cotações da moeda. Desta forma, a economia permanece refém da política monetária dos EUA, que inundou o mundo de dólares sem lastro. Os efeitos do câmbio apreciado sobre a indústria são notórios e explicam o fato de que a produção interna de manufaturados declina apesar do crescimento da demanda e das vendas.

O hiato entre produção e consumo, no caso, é preenchido por importações, o que se desdobra no déficit comercial da indústria de transformação, que nos nove primeiros meses do ano somou US$ 35,3 bilhões, com aumento de 37,1% em relação ao mesmo período de 2010. É por isto que os críticos da política econômica falam em desindustrialização.

Correndo atrás do prejuízo

A percepção de que a equipe econômica tinha exagerado na dose e mesmo no diagnóstico chegou ao Palácio do Planalto. Embora talvez um pouco tarde, o governo Dilma tem corrido atrás do prejuízo, adotando medidas de estímulo ao consumo (numa autocrítica velada da estratégia de desaceleração adotada no início do ano) e revelando uma saudável preocupação em preservar o crescimento. São ainda iniciativas tímidas, que não colocam em questão o tripé reacionário da política econômica.

A estagnação é mais um sinal da necessidade de mudar a política econômica, o que requer não só convicção como especialmente coragem política para enfrentar a oligarquia financeira. É crescente a consciência desta necessidade tanto entre representantes dos trabalhadores quanto da indústria.

Fiesp

Mesmo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que sempre foi moderada e bem comportada em suas críticas, está mudando de tom. Em nota divulgada também hoje, a entidade também atribui o desempenho medíocre da economia às medidas de contenção da demanda adotadas pelo governo no início do ano, aos juros altos e à sobrevalorização do real.

“Destaque-se que este quadro de enfraquecimento econômico é resultado das medidas de aumento de juros e restrição de crédito adotadas no final de 2010 e ao longo do primeiro semestre de 2011 e do excesso de importações. Assim, cobramos ações do governo para acelerar o processo de queda da taxa de juros, estimular a oferta de crédito e aumentar as desonerações tributárias”, sustenta a Fiesp.

Quanto ao movimento sindical, não é de hoje que cobra a redução ou o fim do superávit primário, a redução substancial dos juros, o controle do câmbio, maior taxação e restrição das remessas de lucros das multinacionais (que cresce como nunca em períodos de crise) e outras medidas que requerem mudanças de vulto na política econômica e que podem transformar a crise em oportunidade. Resta saber se o governo continuará surdo ao clamor da maioria e amarrado a compromissos (com a oligarquia financeira) hostis ao desenvolvimento nacional.

Da Redação, Umberto Martins, com agências

FMI cria instrumento de crédito para impedir a expansão de crises econômicas

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou hoje (22) um novo tipo de linha de crédito para cobrir as necessidades imediatas de liquidez de países afetados pela crise econômica global. Em comunicado, a instituição informou que os financiamentos poderão ser usados pelos governos para cobrir rombos nas transações com o exterior.

A chamada linha preventiva de liquidez (LPL) substitui uma linha de crédito criada em agosto do ano passado que só beneficiou a Macedônia. Os empréstimos anteriores só poderiam ser usados para reforçar as reservas internacionais, mas, de acordo com o FMI, as novas linhas de crédito poderão ser usadas de forma imediata.

Em princípio, a LPL poderá ser usada por apenas seis meses, mas a vigência das linhas de crédito podem aumentar para 12 ou 24 meses, dependendo de acordos entre os países e o FMI. A concessão do crédito, explicou o FMI, não será automática. Os países beneficiados terão de se comprometer com políticas de austeridade fiscal.

“As novas ferramentas nos permitirão responder mais rápida e efetivamente para o benefícios de todos os membros”, disse a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, em comunicado. A nota destacou que a instituição agiu com rapidez para “quebrar a cadeia de contágio” provocada por crises econômicas e financeiras.

O fundo também criou o instrumento rápido de financiamento (IRF), uma linha de crédito específica para atender a países atingidos por fenômenos externos que afetam a economia, como quebras de safra e desastres naturais.

O FMI informou ainda que as novas ferramentas de crédito foram acertadas na reunião dos chefes de Estado e de Governo do G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), no início do mês em Cannes, França.

Edição: Vinicius Doria

Governo anuncia novo salário mínimo de R$ 622,73

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O governo anunciou ao Congresso Nacional a elevação do valor do salário mínimo para R$ 622,73 a partir de 1º de janeiro de 2012. A previsão era R$ 619,21, com a revisão aumentou R$ 3,52. O reajuste consta da atualização dos parâmetros econômicos utilizados na proposta orçamentária de 2012. O anúncio foi enviado em ofício do Ministério do Planejamento.

O projeto orçamentário encaminhado ao Congresso, em agosto passado, foi feito com previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 5,7%. Com a atualização que elevou a inflação para 6,3%, também haverá a elevação do reajuste do salário mínimo, que era 13,62% para 14,26% em relação ao atual valor que é R$ 545,00.

A política de recuperação do salário mínimo prevê reajuste com base na inflação de 2011 mais a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010, que foi de 7,5%. Com a projeção de aumento do INPC haverá também aumento nos benefícios assistenciais e previdenciários para os que recebem acima de um salário mínimo. A previsão de reajuste para esses casos subiu de 5,7% para 6,3%.
Edição: Rivadavia Severo

Standard & Poor’s eleva nota do Brasil

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Fonte: votebrasil.com

Classificação subiu de BBB- para BBB, 2º degrau do ‘grau de investimento’. Comunicado cita ‘compromisso em cumprir metas fiscais’ de Dilma Rousseff.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s anunciou nesta quinta-feira (17) que elevou em um degrau a nota de crédito soberano do Brasil, sob a justificativa de que o governo tem demonstrado seu compromisso de atingir as metas fiscais.

Quanto maior o rating de um país, melhor ele é sob o ponto de vista de atração de investimentos.

Em comunicado, a S&P informou que elevou o rating de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil de BBB- para BBB, com perspectiva estável.

A nota representa o segundo degrau na escala considerada “grau de investimento”, dada a países avaliados como investimento seguro pelas agências.

No mercado financeiro, o rating de um país funciona como um “certificado de segurança” que as agências de classificação dão a países que elas consideram que são bom pagadores de seus compromissos.

Em comunicado que acompanhou a decisão, a agência diz que o governo Dilma Rousseff demonstrou seu compromisso em cumprir as metas fiscais, ampliando assim o escopo para usar instrumentos monetários para influenciar a economia doméstica.

A S&P também aumentou o rating de longo prazo em moeda local, de BBB+ para A -.

Ao mesmo tempo, reafirmou os ratings de curto prazo para país de A-3 para moeda estrangeira e A-2 para a moeda local. A perspectiva do país é estável.

Boa fama em meio à crise

A melhora da nota do Brasil foi anunciada em um momento em que a incerteza sobre a capacidade dos países de pagarem suas dívidas é o centro da crise financeira mundial, e a falta de confiança na saúde financeira dos governos europeus tem afugentado investidores acostumados a investir em títulos dessas nações.

A Standard & Poor’s foi a primeira agência a conceder o grau de investimento ao Brasil, em abril de 2008.

Em agosto, a agência havia anunciado perspectiva positiva de melhorar essa avaliação do país.

Após o anúncio da S&P, o Ministério da Fazenda divulgou nota em que qual avalia que a decisão é um “reconhecimento de que a política econômica encontra-se na direção correta e de que são sólidos os fundamentos macroeconômicos do país”.

“Esperamos que o governo persiga políticas monetária e fiscal cautelosas que, combinadas com a resiliência do crescimento econômico do país, devem moderar o impacto de potenciais choques externos e sustentar as perspectivas de crescimento de longo prazo”, destaca a agência.

Outras agências

A Standard & Poor’s é a terceira das grandes agências de classificação de risco a colocar o Brasil no segundo degrau do grau de investimento. Em abril, a Fitch já havia elevado a posição brasileira, de BBB- para BBB, também um nível acima do grau de investimento por essa agência. Em junho, foi a fez da Moody’s.

Entenda o que significa

A avaliação de risco de investimento é um sistema de nota desenvolvido por agências de análise de riscos para alertar os investidores de todo o mundo sobre os perigos do mercado em que eles escolhem para aplicar seu dinheiro.

A partir da nota de risco recebida por determinado país, os investidores podem avaliar se a possibilidade de ganhos (por exemplo, com juros maiores) compensa o risco de perder o capital investido por causa da instabilidade do país em questão.

O principal benefício de o país se tornar “investment grade” é atrair grandes investidores de países desenvolvidos que, por regras dos seus estatutos, só podem investir em ativos considerados de baixo risco.

Governo poderá segurar importações de veículos antes de aumento do IPI

sábado, 12 de novembro de 2011

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Para evitar um surto de importação de veículos antes do início da cobrança da alíquota maior do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o governo poderá usar o prazo máximo de 60 dias para a liberação de licenças de importação. Com esse procedimento, os automóveis podem ter a entrada no país adiada até meados de janeiro, quando o imposto mais alto estiver em vigor.

“O governo tem controle disso [das importações]. Não permitiremos um surto de importações, porque forneceremos as licenças dentro do comportamento normal do mercado, sem sobressaltos”, disse o secretário executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira.

O secretário não informou que nível de importações o governo considera acima do normal. Disse apenas que a equipe econômica tem informações diárias sobre o comportamento das compras externas e tem condições de avaliar o surgimento de um eventual surto de importações de veículos. Desde maio, os veículos que entram no país deixaram de ter a licença automática de importação.

Hoje (11), o governo editou um decreto adaptando a legislação que aumentou o IPI para os veículos importados ao prazo mínimo de 90 dias determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O reajuste entrará em vigor em 16 de dezembro, e os fabricantes do Mercosul têm até 16 de janeiro de 2012 para apresentar os documentos para obter a habilitação definitiva que permitirá o pagamento do imposto menor.

Segundo o coordenador de Tributação sobre Produção e Comércio Exterior da Receita, João Hamilton Rech, as montadoras que cumprem os requisitos para fugir do aumento do IPI atualmente têm habilitação provisória, que precisará ser convertida em definitiva a partir de 1º de fevereiro. Para serem preservados do aumento, os fabricantes devem produzir veículos com pelo menos 65% de componentes do Mercosul e cumprir pelo menos seis de 11 etapas de produção no bloco econômico.

O decreto editado hoje também poupa do reajuste de IPI as montadoras de carrocerias de caminhões. De acordo com Rech, isso foi necessário porque os caminhões costumam ser produzidos em duas etapas. Uma empresa fabrica o chassi e outra fica encarregada de acrescentar a carroceria. Pela legislação anterior, somente os produtores dos chassis que cumprem os requisitos não teriam o imposto aumentado.

Outra medida do decreto acabou com uma brecha para que fabricantes podessem usar para importar veículos com IPI menor. Pelo novo texto, somente as marcas fabricadas no Brasil não pagarão mais imposto. Segundo a equipe econômica, a versão anterior permitia que uma montadora instalada no país importasse veículos de marcas não produzidas no país com o imposto mais baixo.

Edição: João Carlos Rodrigues

Documento do G20 cita ‘solidez’ de finanças públicas brasileiras

sábado, 5 de novembro de 2011

O Brasil e outros seis países do G20 foram citados no comunicado final da reunião de cúpula do grupo, encerrada nesta sexta-feira em Cannes, na França, como economias com finanças públicas sólidas e capazes de estimular seus mercados internos se a situação global piorar.

A citação, em um anexo ao comunicado chamado “Plano de Ação para Crescimento e Empregos”, aparece em meio à definição das medidas que cada país do grupo poderá adotar para ajudar na recuperação econômica global.

Segundo o documento, Brasil, Austrália, Canadá, China, Alemanha, Coreia e Indonésia, que se encontram nessa situação, se comprometem “a deixar suas medidas automáticas de estabilização (como corte ou elevação de juros, por exemplo) funcionarem e a tomar medidas adicionais para apoiar a demanda doméstica se a situação econômica piorar”.

Os países europeus, por sua vez, se comprometem, no texto, a adotar uma série de medidas para ajudar na recuperação da crise e garantir a estabilidade da zona do euro.

Entre elas estão medidas para o saneamento das contas públicas, em especial nos países “que enfrentam dificuldades específicas em seus mercados para dívida soberana” e para aumentar a confiança no setor bancário.

O plano de ação prevê ainda que, no médio prazo, os países com superávit comercial (como a China, a Alemanha e o Japão, não citados nominalmente no documento), devem adotar medidas para estimular a demanda doméstica. Isso evitaria as distorções provocadas pelo peso excessivo que as exportações têm sobre essas economias.

O texto diz ainda que a China, criticada pela política de câmbio controlado que manteria sua moeda artificialmente desvalorizada, se compromete a “seguir para uma conversibilidade gradual do iuan e reduzir o ritmo de acumulação de reservas”.

Fonte: votebrasil.com

Consumidor pagará menos por ligação de telefone fixo para celular, decide Anatel

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A partir de fevereiro de 2012, os consumidores brasileiros pagarão menos ao fazer ligações telefônicas de aparelho fixo para celular. A decisão foi aprovada ontem (27) pelo Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A ideia é que até 2014 os usuários economizem em torno de 45% devido à redução das tarifas.

Na prática, segundo a Anatel, a queda será de aproximadamente 10% no valor de cada ligação. Mas, aos poucos, os usuários vão pagar cada vez menos, de acordo com a agência. O objetivo é que o próximo reajuste chegue a 12%. No total, a Anatel pretende promover a redução em três etapas. A última deve ficar em 7%.

Atualmente os consumidores pagam, em média, R$ 0,54 por ligação de telefone fixo para móvel. A ideia é que em 2012 eles passem a pagar R$ 0,48. Depois, em 2013, paguem R$ 0,44 e, em 2014, R$ 0,425.

A agência informou que a decisão sobre as novas tarifas será publicada em, no máximo, 80 dias. A partir da publicação, as empresas de telefonia terão 20 dias para a execução da medida. Caso a decisão não seja cumprida, a Anatel tomará providências em relação a essas empresas.

Edição: Juliana Andrade

A partir de hoje, cheques terão a data da emissão como medida de segurança

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A partir de hoje (28) as folhas de cheques passarão a ter a data de confecção impressa, na lateral esquerda. A medida foi aprovada há seis meses pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e o objetivo é aumentar a segurança, a transparência e a credibilidade nas operações.

Antes dessa decisão, apenas a data em que o correntista passava a ser cliente do banco vinha impressa nos cheques. Algumas instituições financeiras se anteciparam ao início do prazo de vigência da mudança e já incluíram a data de emissão.

O Banco Central (BC) informou que nos contratos os bancos serão obrigados a esclarecer os clientes sobre a nova medida e as alterações adotadas para liberar os talões. A medida foi adotada atendendo a pedidos de comerciantes que reclamavam sobre o uso de folhas antigas de cheques.

De acordo com o Banco Central, a alteração ajuda aquele que recebeu o cheque como pagamento e tem suspeitas de que o documento seja fraudado ou roubado. Para os especialistas, o procedimento para sustar o cheque ficará mais difícil, pois o correntista terá que apresentar um boletim de ocorrência policial sobre os motivos da sustação.

Pelas normas do BC, se o cheque foi roubado, poderá haver uma sustação provisória, mas em dois dias úteis o boletim de ocorrência terá de ser apresentado ao banco.

Edição: Juliana Andrade

Argentina cresce 9,2% com juro de -0,8%, enquanto o Brasil patina

sábado, 22 de outubro de 2011

Fonte: horadopovo.com.br

Com uma taxa real de juros de -0,8%, a economia argentina acumulou um crescimento de 9,2%, nos primeiros nove meses do ano, impulsionada pelo consumo interno, pela indústria e pelo comercio internacional, informou o Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC-equivalente ao nosso IBGE).

 

O órgão oficial, ao difundir os números do Estimador Mensal da Atividade Econômica (EMAE), mostrou que no mês de agosto a economia apresentou um aumento de 0,6 % em relação a julho e que cresceu 8,6% em agosto em relação ao mesmo mês de 2010.

 

O fator chave para turbinar o crescimento econômico foi o consumo interno. Segundo os dados do INDEC, nos supermercados as vendas de agosto foram 18,5% maiores que as correspondentes a igual mês de 2010. Nos grandes centros, o aumento foi de 33,7%, impulsionado pela elevação do crédito ao consumo.

 

A indústria, que vem mostrando importante crescimento, durante agosto teve um aumento de 5,5%, alentado por um aumento de 17% na produção automotriz, de 10,2% no setor metal-mecânico, e de 11 % na elaboração de produtos ligados à construção.

 

As exportações somaram 8,25 bilhões de dólares, com um crescimento de 25%, enquanto que as importações atingiram US$ 7,6 bilhões.

 

O governo avaliou para este ano um crescimento do PIB em torno de 9,0%.

 

Uma pesquisa difundida na semana passada constatou que oito de cada dez empresários consideram que a situação econômica do próximo ano será igualmente produtiva, e ponderam que a atual crise econômica dos EUA, da Europa e outros países poderá mesmo beneficiar o país.

 

Durante o fechamento da campanha para as eleições de domingo próximo, a presidente Cristina Kirchner, candidata à reeleição, afirmou que “pela primeira vez em muito tempo e frente à crise global, a Argentina se encontra numa posição que nos permite pensar a médio e longo prazo. Sempre havia um plano salvador que se produzia fora do país e respondia, claro, a interesses que não eram os nossos e que fracassava. Hoje, nós pensamos com as nossas próprias cabeças e defendemos os nossos interesses que são a construção de um país mais justo, mais desenvolvido e mais independente”.

 

Apesar de divergentes em vários aspectos, todas as pesquisas eleitorais assinalam que Cristina vencerá no primeiro turno. O percentual de votos é estimado acima de 50%. O segundo na preferência dos eleitores é o socialista Hermes Binner, que têm entre 12% e 15,6% das intenções de voto. Binner foi governador da província de Santa Fé, onde se encontra o maior complexo agroexportador do país.

 

Agravamento da crise mundial já afeta emergentes, diz Mantega

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Fonte: vermelho.org.br

O agravamento da situação de economias como a grega e a espanhola vai desacelerar o crescimento europeu e americano, e os efeitos disso já estão sendo sentidos nos países emergentes, disse nesta sexta-feira, 21, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante evento na faculdade de Campinas (Facamp).
“Os [países] mais dinâmicos, principalmente, não estavam sendo afetados por essa crise, mas agora começam a perceber reflexos em suas economias. Há sinais incipientes de que a China possa ter alguma desaceleração. Se diminuírem as importações, afetam emergentes. Mas isso é fenômeno muito recente, que ainda não está bem detectado”, afirmou o ministro.

Desaceleração

Ainda de acordo com Mantega, a previsão para os próximos anos, no caso de a crise na zona do euro se agravar, é de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo de 2% nos países desenvolvidos, sem geração de emprego e grande déficit fiscal. Para os emergentes, o cenário é de um crescimento um pouco menor do que o previsto anteriormente, com o Brasil avançando 3,8%. No entanto, o ministro acredita que o país não será muito afetado com a piora do cenário internacional. “Estamos preparados para um aprofundamento da crise mundial.”

No caso do Brasil, Mantega prevê uma taxa de crescimento média de 5% no período de 2012 a 2015. O ministro reafirmou que há necessidade de manter os “fundamentos econômicos” sólidos. Citou como exemplo o fortalecimento da política fiscal, que é onde outros países estão registrando problemas. “Aqui, nós implantamos uma política fiscal sólida. Nesse sentido, nós vínhamos perseguindo um superávit primário de 3%, aumentamos a meta com mais R$ 10 bilhões e fecharemos este ano superávit de 3,3% do PIB”, disse o ministro ao acrescentar que 75% da meta para este ano já foi alcançada.

O ministro destacou também que o ajuste fiscal abre espaço para redução de taxa de juros no Brasil e lembrou que na última quarta-feira o Banco Central cortou a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 11,50% ao ano. Ainda assim, segundo ele, a taxa de juros no Brasil é uma das maiores do mundo, o que oferece vantagens e desvantagens para as autoridades econômicas em relação a outras economias. A vantagem é que o Banco Central brasileiro tem espaço para cortar juros e a desvantagem é ainda termos juros elevados.

Segundo Mantega, a dívida brasileira em relação ao PIB tem diminuído, enquanto em outros países está aumentando. Ele lembrou que a dívida na proporção do PIB caiu de 40,2% no ano passado para cerca de 39% em 2011.

Com agências

 

Senado aprova projeto que redistribui royalties

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Senado aprovou hoje (19) o substitutivo do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) sobre o projeto de redivisão dos royalties do petróleo. Além do texto-base apresentado pelo relator, também foram aprovadas duas emendas que suprimiam artigos colocados por ele. Foram retirados do projeto que seguirá para a Câmara dos Deputados o trecho que permitia parcerias público-privadas na exploração do petróleo e o trecho que definia as áreas de cada estado no mar.

Os senadores também aprovaram emenda que suprimiu do texto artigo que vinculava 3% dos royalties da União para as Forças Armadas. Também foi aprovado o destaque que retirou 2 pontos percentuais da parte que caberia aos estados e municípios não produtores para repassar à União, que assim receberá 22% do total dos royalties do petróleo que for extraído sob o regime de partilha. Estados e municípios não produtores receberão 49% e os estados e municípios chamados “confrontantes” ficarão com 29%.

Derrotados, os senadores do Espírito Santo e Rio de Janeiro brigaram em vão ao longo de todo o dia por mudanças no texto. Alegando prejuízos aos seus estados – que produzem a maior parte do petróleo extraído hoje e onde estão os campos do pré-sal – os senadores propuseram a criação de um novo imposto de exportação, de mais cobrança sobre as petroleiras e a transferência de parte dos recursos da União para os chamados “produtores”.

Nenhuma das emendas relacionadas a essas propostas, contudo, foi aprovada. “Temos que respeitar. Perdemos uma batalha, mas não a guerra. Ainda há recursos para reverter, recursos ao Supremo Tribunal Federal”, disse o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). “Ainda haveremos de construir um consenso que não prejudicará os estados produtores”, completou.

Foram apresentadas 54 emendas ao substitutivo, das quais 51 foram rejeitadas. O projeto seguirá para a Câmara dos Deputados onde a expectativa de votação rápida não deverá ser atendida. O líder do governo na Casa, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), anunciou hoje que o projeto deverá seguir o trâmite normal, levando pelo menos 30 dias para ser votado definitivamente no plenário da Câmara. Ele atendeu à solicitação de deputados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, que reclamaram a falta de tempo para que possam apresentar contribuições ao texto.

Edição: Aécio Amado

Copom mantém processo de redução dos juros e baixa Selic para 11,5% ao ano

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a política de redução da taxa básica de juros (Selic), iniciada no final de agosto, e, em decisão unânime, baixou os juros básicos de 12% para 11,5% pelos próximos 45 dias. A próxima reunião do colegiado de diretores do BC está agendada para os dias 29 e 30 de novembro.

Foi a sétima reunião do Copom neste ano. Nas cinco primeiras, a taxa Selic acumulou altas de 1,75 ponto percentual (saiu de 10,75% em dezembro de 2010 para 12,5% em julho deste ano) e, nas duas últimas reuniões, os diretores do BC optaram pela redução de 1 ponto percentual na taxa como forma de reduzir os efeitos da estagnação das economias desenvolvidas no mercado doméstico.

Em nota divulgada logo após a reunião, o Copom explicou a decisão de baixar a Selic para 11,5%. “Ao, tempestivamente, mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012.”

Na decisão da reunião anterior, o BC justificou que a redução da Selic tinha o objetivo de proteger o Brasil dos efeitos da crise econômica internacional que atinge, particularmente, os Estados Unidos e os países da Europa.

Edição: Lana Cristina

Justiça proíbe Caixa de negar crédito para quem deixou de pagar empréstimo há mais de cinco anos

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Clientes que deixaram de pagar empréstimos há mais de cinco anos não podem ter o crédito restringido pela Caixa Econômica Federal. Por unanimidade, a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) determinou que qualquer informação negativa de correntistas inseridas em cadastro ou banco de dados interno antes desse prazo não pode ser usada na concessão de empréstimos e financiamentos. Caso o cliente tenha o crédito rejeitado, o banco também terá de apresentar uma justificativa.

A decisão é válida para todo o país e tem como base o Código de Defesa do Consumidor. A legislação, de acordo com o tribunal, estabelece que os cadastros de consumidores não podem conter informações negativas de mais de cinco anos e garante acesso a esses dados pelos clientes. O Ministério Público Federal, autor da ação, alega que essa norma tem como objetivo impedir que o consumidor seja eternamente punido por fatos antigos, o que configura pena de caráter perpétuo, proibida pela Constituição Federal.

O processo teve origem na 8ª Vara da Justiça Federal no Ceará, que condenou o banco em primeira instância. A Caixa recorreu no TRF-5, onde também perdeu a ação, mas decidiu contestar novamente a sentença por meio de embargos de declaração. Para o TRF-5, a decisão não prejudica os riscos de negócio da Caixa, porque a instituição pode continuar a avaliar o perfil, a renda e o endividamento do cliente, desde que não sejam considerados dados de mais de cinco anos. Procurado pela Agência Brasil, o banco não informou se foi notificado nem se recorrerá da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Edição: João Carlos Rodrigues

 

Entradas de dólares no país superaram saídas em US$ 8,48 bilhões em setembro

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Brasília – As entradas de dólares no país superaram as saídas em US$ 8,484 bilhões, em setembro, segundo dados do Banco Central (BC), divulgados hoje (5). No mesmo período do ano passado, o fluxo cambial também foi positivo, mas com saldo maior maior: US$ 13,726 bilhões.

No período, o segmento financeiro (registro de investimentos em títulos, ações, remessas de lucros e dividendos ao exterior, entre outras operações) ficou negativo em US$ 274 milhões, enquanto o comercial (relacionado a operações do comércio exterior) registrou saldo positivo de US$ 8,758 bilhões.

De janeiro a setembro, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 68,298 bilhões, ante US$ 17,122 bilhões de igual período do ano passado. Nos nove meses do ano, o fluxo financeiro ficou positivo em US$ 30,425 bilhões e o comercial em US$ 37,872 bilhões.

Com a alta da moeda norte-americana, o BC interrompeu, no último dia 14, as compras de dólares no mercado à vista. Assim, as compras de dólares do Banco Central no mercado à vista ficaram em US$ 327 milhões, em setembro.

Os dados do BC também mostram que, em setembro, os bancos ficaram com posição de câmbio comprada em US$ 1,296 bilhão, uma mudança de estratégia das instituições financeiras. Em agosto, os bancos fecharam em posição vendida de US$ 6,257 bilhões, o que indicava aposta na queda do dólar. As instituições não ficavam em posição comprada desde de março de 2010 (US$ 453 milhões).

Edição: Juliana Andrade

Procuradores federais pedem ao Ministério da Fazenda investigação sobre alto preço dos automóveis

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Um grupo de procuradores do Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Ministério da Fazenda que investigue a suspeita de prática de lucro abusivo pelas montadoras de automóveis instaladas no país. O pedido partiu depois que o órgão percebeu que um carro no Brasil pode custar o dobro do que um do mesmo modelo nos Estados Unidos.

Os procuradores também pediram que o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) faça um estudo para verificar se regulação do setor está obsoleta. Segundo eles, uma lei de 1979, conhecida como Lei Ferrari, que dispõe sobre a distribuição de concessões comerciais entre montadoras e distribuidoras de veículos, pode estar prejudicando a estrutura de preços.

O pedido de investigação foi aprovado em voto coletivo pela 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, órgão do MPF responsável pela defesa dos direitos do consumidor. “A Lei Ferrari pode ter tido algum papel, há 30 anos, na época da reestruturação dos mercados de veículos no Brasil, em uma época em que vigia uma economia de controle de preços. Mas, hoje, existem fortes suspeitas de que essa lei é desnecessária e até prejudicial”, destaca o voto.

A Lei Ferrari delimitava áreas territoriais para a atuação das concessionárias de veículos. Em 1990, sete artigos foram modificados e um, revogado. No entanto, a atual regulação continua a impor restrições às distribuidoras de veículos. O conceito de área territorial foi substituído por área operacional, mas uma concessionária não pode atuar fora da sua área. Segundo os procuradores, essa limitação pode inibir a livre concorrência entre os comerciantes.

O Ministério Público estabeleceu 180 dias para que o Ministério da Fazenda conclua a investigação. Por meio da assessoria de imprensa, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), responsável por coordenar as ações judiciais e demandas de outros órgãos que envolvem o ministério, informou que só poderá tomar providências após ser notificada oficialmente, o que poderá levar semanas.

Edição: Vinicius Doria

Mantega admite que governo pode reduzir impostos para combater crise, mas a prioridade é o uso de medidas monetárias

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – A diminuição de tributos está entre as medidas que o governo poderá adotar caso a crise econômica mundial sofra um agravamento ainda maior. “Podemos reduzir tributos, por exemplo. Mas só se a situação piorar”, disse hoje (3) o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele, no entanto, destacou que o governo tem muita munição para combater as consequências da crise e que vai priorizar a adoção de medidas monetárias, como a redução de juros. “Temos muito armamento guardado, muita munição, que pode ser usada em caso de necessidade. E vamos preferir usar mais instrumentos monetários que fiscais”, declarou.

Outros instrumentos que podem ser usados em caso de piora da situação econômica mundial são a redução na taxa de juros e a utilização das reservas em leilões de crédito. “Se faltar crédito para o comércio internacional podemos usar as reservas para dar esse crédito”, disse ainda o ministro após se reunir com empresários em um almoço promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O governo brasileiro, segundo o titular da Fazenda, tem atualmente mais fôlego para enfrentar os problemas gerados pela crise do que tinha em 2008. “O que vim dizer aqui para os empresários da Fiesp é que o Brasil está preparado seja para [enfrentar] uma crise crônica, mais leve e de crescimento mais lento dos países avançados e também para um agravamento da crise”, disse. Isso se deve, segundo Mantega, às reservas cambiais maiores, à situação fiscal sólida e a “uma política monetária com muitos graus de liberdade”.

Sobre a situação do câmbio, que neste momento passa pela valorização do dólar em relação ao real, o ministro disse que não existe um dólar ideal para o país e que o governo não pretende retirar, neste momento, a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Quanto à taxa de juros ideal para o país, Mantega disse que ela deveria ser semelhante a de outros países emergentes, com taxa real em torno de 2% a 3%, mas que não se pode atingir esse patamar de uma hora para outra . “É óbvio que isso não dá para ser atingido da noite para o dia. E é o Banco Central que vai decidir quando isso vai ser possível, sempre olhando para a inflação. A inflação alta é tão ruim quanto o juro alto. Não queremos nem uma coisa, nem outra”.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, declarou que, para os industriais, é “mais saudável” que o dólar esteja cotado em R$ 1,80. “O [dólar] de R$ 1,50 era uma sobrevalorização do real que roubava a competitividade brasileira, barateando as importações, encarecendo as exportações e que não fazia bem para o Brasil”, disse Skaf.

Durante a reunião com o ministro da Fazenda, os empresários falaram com Mantega, segundo o Skaf, sobre o custo Brasil, que impede a competitividade. Os setor quer que o governo aproveite o vencimento de alguns contratos de concessão de energia, em 2015, para tentar reduzir os custos de energia. “É uma distorção totalmente injusta o Brasil, que tem 77% de sua matriz energética em hidreletricidade, que é a forma mais barata de se produzir energia, ter a terceira conta mais cara do mundo”, disse. Mantega respondeu que o governo pretende continuar implementando medidas para reduzir custos de infraestrutura, de energia e tributário.

 

Edição: Aécio Amado

Dilma quer muralha contra crise e plano será corte na taxa básica de juros

sábado, 1 de outubro de 2011

São Paulo — Só uma a construção de uma muralha, com a participação do governo, de empresários e da sociedade civil, será capaz de proteger o Brasil da crise econômica que assombra o mundo.

A estratégia de defesa, que começa pela redução da taxa básica de juros (Selic), hoje em 12% ao ano, foi defendida ontem pela presidente Dilma Rousseff diante de uma plateia recheada de executivos. “Isso não é um trabalho só do governo. É da sociedade civil como um todo”, afirmou.

“Não vamos fechar os olhos para uma crise lá fora pelo fato de não haver uma crise aqui dentro”, emendou. Otimista e com popularidade em alta — 71% de aprovação pela pesquisa CNI/Ibope —, Dilma pediu tranquilidade e reforçou que a equipe econômica está tomando todas as medidas para afastar os efeitos das turbulências sobre o país.

“Estamos adotando as medidas necessárias para nos proteger, tanto das consequências financeiras como da competição desleal”, ressaltou Dilma. A presidente nunca foi tão clara a respeito da determinação do país em reduzir os juros. A seu ver, o país deverá aproveitar a crise internacional para acentuar a queda da Selic e, por consequência, assegurar um crescimento mais robusto do Produto Interno Bruto (PIB).

“Estamos abrindo espaço para que o Banco Central, diante da crise e da ameaça de deflação e depressão nas economias desenvolvidas, possa iniciar um ciclo cauteloso e responsável de redução da taxa básica de juros”, ressaltou.

As declarações da presidente reforçam receios de analistas do mercado sobre a interferência política no BC. Em agosto, a autoridade monetária surpreendeu e cortou a Selic em 0,5 ponto percentual. Na ocasião, esperava-ve um corte menor, de 0,25 ponto.

Diante da guinada na política econômica e monetária de Dilma, analistas refizeram as contas e há, entre eles, quem espere que a Selic atinja os 9% ao ano no fim de 2012. Não é um cenário descartável.

De acordo com a presidente, quanto mais a deflação ameaçar a economia internacional e a situação financeira mundial se agravar, “mas vamos aproveitar para levar as condições monetárias do nosso país ao nível que a conjuntura internacional permitir”.

Plano de emergência

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçou o discurso. Assegurou que a equipe econômica dispõe de um plano de emergência que pode ser colocado em prática a qualquer momento, tão logo o governo perceba ameaças mais contundentes da crise externa sobre o Brasil.

Numa alusão direta à atuação do Banco Central, Mantega disse que não está destacada a utilização de “instrumentos” de política monetária contra a crise. Aos olhos do ministro, o país reúne “todas as condições fiscais e monetárias” para fazer frente ao quadro de redução da atividade econômica internacional.

O titular da Fazenda lembrou ainda que o Brasil tem cerca de R$ 400 bilhões em compulsórios que poderão ser acionados em caso de necessidade.

“Temos toda a munição monetária, coisas que Estados Unidos e Europa não dispõem. Temos, por exemplo, a taxa de juros mais alta do mundo, e podemos reduzi-la”, gabou-se. Para o ministro, o Brasil goza ainda de alta confiança de seus parceiros.

Ele também lembrou medidas já adotadas pelo governo para impedir alavancagem e a desoneração da folha de pagamentos de quatro setores da economia, um programa experimental que deve ser estendido a outros setores, como a indústria têxtil.

Responsabilidade

A muralha de Dilma não será, contudo, erguida a qualquer preço. A presidente fez questão de esclarecer que a redução dos juros em meio à crise será feita com muita responsabilidade. “O governo não vai baixar os juros básicos movido simplesmente pela reivindicação de agentes econômicos.

Vamos manter a trajetória de redução de juros de acordo com as condições econômicas do país”, destacou. Ela admitiu que o governo vem se beneficiando do cenário deflacionário causado pelo baixo crescimento das economias centrais. “Com coragem e ousadia, vamos atuar de forma defensiva.

Queremos garantir que nossa competitividade real não seja manchada por mecanismos informais de redução de nossa atividade econômica, sejam cambiais, financeiros e de qualquer tipo”, frisou.

Ao elencar algumas ações do governo que serão adotadas para enfrentar a crise, Dilma citou algumas já anunciadas, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no mercado de derivativos — contratos futuros de dólar. “Sabemos que vamos enfrentar muitos desafios, mas temos instrumentos para zelar pela competitividade.

Temos instrumentos para garantir o Brasil competitivo. Nós somos fortes para enfrentar os efeitos da crise”, reforçou, ao arrancar aplausos de cerca de 400 empresários. A presidente descartou ações como manipulação cambial, diminuição de salário e precarização do mercado de trabalho. Não vamos para o vale-tudo da competição de mercados que estão fora de controle, fora do país”, afirmou.

Retração atinge fábricas chinesas

A atividade manufatureira se contraiu ligeiramente na China em setembro pelo terceiro mês consecutivo, de acordo com um índice publicado pelo banco HSBC, calculado em 49,9 em setembro. Uma cifra superior a 50 indica uma expansão da atividade manufatureira, e uma cifra inferior a esse patamar indica uma contração.

Para a pesquisa, o HSBC interrogou os diretores de compras de mais de 420 empresas na China. Em agosto, o índice se situou também a 49,9, após cair a 49,3 em julho. “O crescimento da produção foi freado por um recuo na demanda dos clientes chineses e estrangeiros”, disse o banco.

A média do índice é a mais débil desde o primeiro trimestre de 2009, quando as exportações chinesas se viram golpeadas pela crise financeira e pelo derretimento da demanda.

Quem protege o consumidor?

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Por Diogo Costa e Reginaldo Faria – opiniaoenoticia.com.br

Aumento do IPI sobre carros importados prejudicará os milhares de brasileiros que terão suas opções de consumo diminuídas.

Em mais uma tentativa de ajudar a economia brasileira segundo a cartilha protecionista, o governo brasileiro decidiu aumentar o IPI sobre a importação de veículos. O imposto maior deve elevar em até 28% o preço dos carros importados no Brasil.

Chama-se de protecionismo a crença de que a imposição de obstáculos ao comércio externo conduz ao sucesso doméstico da economia. Quando os consumidores são forçados a comprar de produtores locais, afirma a teoria protecionista, movimenta-se a indústria nacional e estimula-se a geração de emprego e renda.

Se existe uma coisa que os economistas concordam, é que a crença protecionista está fundamentalmente errada. Na verdade, essa redução do comércio internacional acaba criando obstáculos ao desenvolvimento econômico. Um dos mais populares manuais de economia da atualidade aponta que 93% dos economistas concordam que “tarifas e quotas de importação geralmente reduzem o bem-estar econômico geral”. A equipe econômica do governo brasileiro parece fazer parte dos outros 7%. Acreditam que encarecer o preço dos carros importados irá garantir, nas palavras do ministro Guido Mantega, “a expansão dos investimentos no Brasil, o desenvolvimento tecnológico e a expansão da capacidade produtiva no Brasil”.

Investimentos como o de US$ 600 milhões da JAC Motors não devem estar entrando na equação de Mantega. A montadora chinesa anunciou que um IPI mais alto pode levá-la a rever seu projeto no Brasil. O aumento do imposto prejudicará concessionárias, locadoras de veículos, canais de publicidade e todo o mercado advindo da comercialização de importados. Principalmente, prejudicará os milhares de brasileiros que terão suas opções de consumo diminuídas.

Nos primeiros oito meses de 2011, foram emplacados 129.281 automóveis importados no Brasil. É um aumento de 112,4% em comparação ao mesmo período de 2010. Sem a expectativa de aumento significativo da produção interna e com menos opções de compra, nossa crescente demanda doméstica poderá exercer maior pressão inflacionária.

Como alertou o economista Guilherme Loureiro no jornal britânico Financial Times, “ao conter a expansão de importações, o risco é que a inflação uma vez mais terá de pagar a conta”.

O melhor alerta para os riscos do protecionismo continua sendo nossa própria história. Até o início dos anos 1990, o Brasil seguiu obedientemente a cartilha protecionista. Os resultados para a economia foram desastrosos: “protegida” do ambiente externo, a indústria se torna muito pouco competitiva e sem incentivos para inovação. Acaba cobrando preços muito mais altos por produtos de qualidade inferior aos internacionais.

Protecionismo é um termo enganador. Não se protege o desenvolvimento econômico de um país obstruindo a cooperação econômica internacional. O que tarifas mais altas fazem é proteger setores politicamente influentes da economia contra as escolhas dos consumidores. Enquanto a crença no protecionismo informar nossa política econômica, é o consumidor brasileiro que estará sem proteção.

Brasil corre risco de desindustrialização, dizem economistas

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O Brasil ainda corre o risco de se desindustrializar, mesmo com a economia apresentando boas condições de reagir a um acirramento da crise econômica mundial, disseram hoje (26) economistas que participaram da abertura do 8º Fórum de Economia, promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

A desindustrialização é o processo pelo qual a produção local é substituída pelos importados, enfraquecendo a indústria nacional e afetando as contas externas.

Para Benjamin Steinbruch, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e presidente da Companhia Siderúrgia Nacional (CSN), a indústria brasileira sofre um grande risco de desindustrialização, não por incompetência da indústria, mas porque o país está muito caro. Ele disse que tem sido especialmente difícil para a indústria exportar. “Hoje, nenhum produto brasileiro industrial manufaturado tem condições de ser exportado, não por deficiência da indústria, mas por causa dos juros distorcidos, com carga fiscal absurda, salários irreais e atraso nas mudanças”.

Steinbruch elogiou a decisão do BC em reduzir a taxa básica de juros, a Selic, antevendo os efeitos da crise econômica mundial na economia brasileira, decisão que foi tomada no final do mês passado. “Acho que o BC tomou uma atitude corajosa que poderia ter tomado muito antes. A verdade é que o fez, sob críticas, mas deve continuar fazendo”, observou o vice-presidente da Fiesp, referindo-se à próxima reunião do colegiado que define a taxa, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, marcada para outubro.

Ele considera que o “Brasil nunca esteve tão bem, enquanto os outros [países] nunca estiveram tão mal”. Steinbruch avalia que a economia brasileira é apoiada num modelo que prioriza emprego, renda, consumo e desenvolvimento e, atualmente, não se pode prescindir de nenhum desses fatores. “Estamos hoje sob ameaça severa de diminuição de atividade econômica e um eventual começo de diminuição do emprego, que quebraria essa corrente, o que seria muito prejudicial”, disse Steinbruch.

Análise semelhante foi feita pelo presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Pedro Luiz Barreiras Passos. Ele destacou que o “Brasil está muito melhor diante do cenário” de crise mundial, com a possível recessão e afundamento da economia norte-americana e com os problemas da União Europeia, e lembrou que a redução dos juros pode ajudar a diminuir os efeitos da crise aqui. “O Banco Central fez uma redução expressiva de juros, antevendo e anunciando o que seria a crise internacional. Foi uma medida bastante acertada que pode ajudar a mitigar efeitos da crise internacional no país e pode retomar uma trajetória de queda na taxa de juros recolocando os preços mais importantes da economia no lugar”, disse.

No entanto, Passos enfatizou que o governo precisa ampliar esforços para melhorar a situação da indústria nacional, que “é crítica” pelo fato da indústria vir perdendo competitividade. Para ele, o governo tem sido sensível ao apoiar indústria nacional, mas ainda é necessário que se adote uma política industrial mais consistente, de mais longo prazo e com melhor orientação de investimentos.

“O setor manufatureiro já não cresce há algum tempo. O problema continua grave [apesar das medidas tomadas pelo governo]. Em médio prazo, não vejo como restabelecer a capacidade do produto manufaturado nacional concorrer com o produto produzido no exterior se não tiver, definitivamente, um forte incentivo à inovação, um aumento e um forte impulso à produtividade e uma ação consistente para redução de custos sistêmicos no país. O Brasil é país muito caro. Precisamos trabalhar fortemente na redução de custos porque, senão, estamos diante de inevitável perda da indústria nacional”, observou o presidente do Iedi.

Para o professor de economia da FGV e ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, que coordena o fórum, a crise mundial pode afetar o Brasil, mas o país está preparado para enfrentá-la. “O fato de que estamos com uma situação de reservas elevadas e com dívida pública em relação ao PIB [Produto Interno Bruto] baixa, [acredito] que a economia brasileira não será muito atingida. Deveremos continuar crescendo enquanto a Europa está em uma dificuldade muito grande.”

Bresser destacou que esta não é a primeira crise financeira no mundo moderno. De acordo com o ex-ministro, a crise atual teve início com a crise da Bolsa de Nova York, em 1987, e novas crises foram, então, se sucedendo, até 2008, com a quebra do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers. “Evidentemente a crise de 2008 não terminou”, disse.

A crise do momento, em que os Estados Unidos têm que cortar os gastos públicos e rever sua dívida e a Europa tem vários países igualmente endividados, colocou, na opinião de Clemente Ganz Lúcio, diretor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), um novo problema para o qual ninguém tinha antes atentado, a sustentabilidade. “Isso vai exigir urgência nas decisões políticas.”
Edição: Lana Cristina

Impostos ficaram com um terço da riqueza do país em 2010

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Cerca de um terço de tudo o que o brasileiro ganhou em 2010 foi para os cofres públicos. Segundo números divulgados há pouco pela Receita Federal, a carga tributária no ano passado correspondeu a 33,56% do Produto Interno Bruto (PIB), crescimento de 0,42 ponto percentual em relação a 2009, quando a carga havia atingido 33,14%.

O número corresponde à arrecadação da União, de estados e municípios, dividida pelo PIB, que é a soma de tudo aquilo que o país produz. De acordo com a Receita Federal, o crescimento da carga tributária resultou da combinação do crescimento de 7,5% do PIB no ano passado e da expansão real (descontada a inflação) de 8,9% da arrecadação tributária nos três níveis de governo.

Apesar do aumento da arrecadação, a Receita alega que o incremento da carga tributária decorreu muito mais do crescimento da economia do que da elevação de impostos e contribuições. De acordo com o Fisco, isso pode ser comprovado pelo fato de o aumento da receita tributária ter se concentrado em tributos vinculados ao faturamento ou ao valor agregado, como a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A Cofins e o IPI foram os tributos cuja receita registrou as maiores variações em relação ao PIB, com crescimento de 0,14 ponto percentual cada um.

No caso do IPI, além do crescimento da produção, o fim das desonerações para automóveis e eletrodomésticos interferiu no aumento da arrecadação. O segundo maior crescimento em relação ao PIB ocorreu com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cuja arrecadação subiu 0,12 ponto percentual em relação ao PIB. Conforme a Receita, essa variação foi provocada pela elevação das alíquotas sobre operações cambiais no ano passado, para conter a queda do dólar.

O crescimento também decorreu da revisão da carga tributária de 2009, feita pela Receita. No ano passado, o Fisco havia divulgado que o indicador tinha atingido 33,58% do PIB, dois anos atrás. Agora, esse número passou para 33,14%. A maior carga tributária havia sido registrada em 2008, quando o percentual alcançou 34,11% do PIB.

Os tributos federais foram os que mais pesaram no bolso do brasileiro, correspondendo a 23,46% do PIB em 2010. Em 2009, esse percentual havia atingido 23,14%. Os tributos estaduais representaram 8,47% do PIB, índice praticamente estável em relação a 2009, quando os tributos estaduais haviam alcançado 8,48% do PIB. A carga tributária dos municípios subiu de 4,58% do PIB, em 2009, para 4,87% no ano passado.

De acordo com a Receita Federal, a carga tributária brasileira é mais baixa que a média dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo composto principalmente por países desenvolvidos. Como os dados dos outros países estão desatualizados, a Receita Federal fez a comparação com 2009, quando a média da carga tributária nos países da OCDE somou 34,8% do PIB, 1,7 ponto percentual acima da brasileira naquele ano.

Apesar disso, o peso dos impostos sobre a economia brasileira é maior do que nos Estados Unidos, onde a carga tributária somou 24% em 2009, e em países emergentes como o México, cuja carga atingiu 17,5% do PIB.

Edição: Lana Cristina//Alterada para acréscimo de informações às 17h25

Alta no preço dos combustíveis pode frear crescimento brasileiro

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fonte: votebrasil.com

A oferta limitada e o aumento no preço dos combustíveis nos próximos anos podem desacelerar o crescimento da economia brasileira em 0,42 ponto percentual a cada ano desta década, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira pela Ernst & Young…

A oferta limitada e o aumento no preço dos combustíveis nos próximos anos podem desacelerar o crescimento da economia brasileira em 0,42 ponto percentual a cada ano desta década, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira pela Ernst & Young Terco e a Fundação Getúlio Vargas.

O impacto será ainda maior no resto do mundo, que começa a sentir os efeitos da alta nos combustíveis já neste ano.

Segundo o estudo da série “Brasil Sustentável”, o preço internacional do barril petróleo deve encarecer 43,1% até 2020. O etanol terá variação ainda maior, de 125,9%.

A escalada nos preços fará a economia mundial crescer em média 0,52 ponto percentual a menos, a cada ano. Em países onde a dependência do petróleo é alta, como os Estados Unidos, a freada pode ser ainda maior: 0,61 ponto percentual ao ano.

No Brasil, a produção interna de petróleo e etanol (e a capacidade da Petrobras de influenciar o preço) fará com que a alta no preço seja inferior à média mundial: 18,7% e 7%, respectivamente.

“O fato de a Petrobras exercer um controle sobre os preços da gasolina e do etanol põe o Brasil numa situação privilegiada”, disse à BBC Brasil Elizabeth Ramos, sócia de tributos da Ernst & Young Terco.

“Hoje a gente tem conseguido controlar a inflação. Mas pode ser que o governo mude a política da Petrobras no futuro. E nós precisamos estar preparados para este cenário”, diz.

O estudo considera, no entanto, que cedo ou tarde a política de preços do governo será alterada. Caso os preços nacionais acompanhem a tendência mundial, a previsão do estudo é de que o litro da gasolina custe R$ 3,53 em 2020 – valor 41% maior à média praticada hoje.

O estudo é feito a partir de um modelo computacional que mede diversas variáveis, como limitações econômicas, tecnológicas e políticas na oferta dos combustíveis.

Pré-sal

A escalada dos preços dos combustíveis já começa a ser sentida neste ano, segundo o estudo. No Brasil, a previsão que o impacto seja maior a partir de 2015, por causa da política de preços para a gasolina praticada pelo governo.

Fernando Blumenschein, coordenador da FGV Projetos, diz que “de 2017 em diante, o movimento começa a arrefecer com a entrada gradativa em operação de novas reservas e com medidas de substituição e eficiência energética começando a surtir efeitos”.

Entre essas reservas estão as descobertas recentes no pré-sal brasileiro. Para Elizabeth Ramos, os novos poços de petróleo não são garantia, no entanto, de que o Brasil terá gasolina barata.

“A alta dos preços acompanha um crescimento mundial. Nesse sentido, o pré-sal coloca o Brasil em uma posição de muito mais conforto. Mas quando as reservas começar a operar, não vão atender a demanda crescente no mundo”, diz.

A alta na demanda por combustíveis é puxada pelos países emergentes, como o Brasil, que em 2020 será responsável por 4% do consumo mundial e 5% da produção (tornando-se, então, um país exportador).

Elizabeth também chama a atenção para os desafios do Brasil na exploração do pré-sal. Um dos maiores problemas apontados pelo estudo é a falta de mão-de-obra especializada para a exploração.

A exploração do pré-sal deve atrair ao país no próximo dez anos US$ 250 bilhões em investimentos estrangeiros.

Etanol e gás

A substituição do petróleo por fontes de energia alternativa também causará impacto no preço desses combustíveis, como o etanol.

O estudo prevê que o consumo mundial pelo produto irá crescer 148% até 2020. Já o preço deve aumentar 125,9%, mas no Brasil o aumento será muito menor (7%). O preço médio do litro poderá variar entre R$ 1,37 e R$ 2,03.

“Esse cenário de deslocamento entre as cotações nacional e internacional tornará cada vez mais o mercado consumidor brasileiro desinteressante para o produtor local”, diz Elizabeth.

Brasil e Estados Unido também devem continuar liderando a produção. Em 2020, a previsão é que os dois países concentrem 90% da produção mundial de etanol.

A participação do gás natural na matriz energética brasileira também deve aumentar. Dos 50 milhões de metros cúbicos consumidos hoje devemos chegar a 169 milhões de metros cúbicos em 2020.

 

Parlamentares retomam discussões sobre partilha de royalties do petróleo

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Os estados que ficam com a maior parte dos royalties não admitem qualquer negociação que passe pela redistribuição do que recebem na extração do óleo na camada pós-sal, em alto-mar …

Sem qualquer perspectiva de entendimento, parlamentares representantes de estados produtores e não produtores de petróleo participam, na tarde desta terça-feira (20/9), de mais uma rodada de negociações sobre a redistribuição dos royalties de petróleo.

Os estados que ficam com a maior parte dos royalties não admitem qualquer negociação que passe pela redistribuição do que recebem na extração do óleo na camada pós-sal, em alto-mar e deixam a cargo da União a tarefa de solucionar o repasse de recursos aos estados não produtores.

O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) lembrou que, durante o governo Lula, foi feito um acordo, “que recebeu o aval da ministra [da Casa Civil] Dilma Rousseff e do ministro [de Minas e Energia] Edison Lobão”.

Segundo Dornelles, pelo acordo, os estados produtores abririam mão de parte dos royalties que receberiam com a exploração na camada pré-sal, desde que o Executivo não alterasse as regras de recebimento dos royalties pagos pela extração do óleo do pós-sal.

“Vítima de violência cada pessoa pode ser, conivente nunca. O Rio de Janeiro pode ser vítima, mas conivente não”, disse o senador. Para ele, o problema não está com os estados não produtores, mas com a União que, a seu ver, deveria usar parte do que recebe a título de participação especial para repassar a esses estados.

Também representante da bancada fluminense no Senado, Lindbergh Farias (PT) destacou “o crescimento gigantesco” na arrecadação da Receita Federal e o aperto que os estados enfrentam. Assim como Dornelles, Lindbergh entende que a União deve “absorver” os custos do pagamento dos royalties aos estados não produtores.

Lindbergh Farias disse que o Rio de Janeiro e o Espírito Santo “não aceitarão nada que signifique mexer nos contratos já em vigor”. Segundo o senador, os dois estados procuram uma aliança com as demais unidades federativas em torno de uma solução que não seja prejudicial a seus cofres.

“Precisamos estabelecer um pacto federativo que questione essa concentração de recursos com a União”, disse Lindbergh, que é vice-líder do governo no Senado.

Já os representantes dos estados não produtores querem receber de imediato as parcelas dos royalties retirados do alto-mar, na camada pós-sal.

O senador e ex-governador do Amazonas Eduardo Braga (PMDB) reconheceu a dificuldade de um acordo com a União e os estados produtores “sem pressão para o Congresso votar o veto do presidente Lula que previa a distribuição igualitária dos royalties”, com base nos fundos de Participação dos Estados e dos Municípios.

Na semana passada, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse a cerca de 1.500 prefeitos que não abrirá mão de convocar o Congresso no dia 5 de outubro para votar o veto do ex-presidente Lula.

“Se for votado, ele cai por um placar de goleada”, disse Eduardo Braga. São três estados – Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo – contra 25 (não produtores), explicou Braga.

Wellington Dias (PT-PI), que integra o grupo parlamentar de negociação com o Executivo, defendeu a União nesse processo de tentativa de acordo.

O senador piauiense ressaltou que, para evitar que o veto presidencial vá a voto, as três partes terão que ceder. “A União fez um gesto importante ao abrir mão de um terço da receita dos royalties a que teria direito”, destacou.

Fonte: votebrasil.com

Invasão de produtos chineses tem provocado fechamento de indústrias no País

domingo, 18 de setembro de 2011

Fonte: votebrasil.com

Levantamento da Comissão de Defesa da Indústria Brasileira (Cdib) aponta que, na última década, várias indústrias fecharam as portas após o avanço das importações chinesas.

Brasília – Produtores nacionais estão preocupados com a desindustrialização provocada pela invasão dos produtos chineses nos últimos anos. Levantamento da Comissão de Defesa da Indústria Brasileira (Cdib) aponta que, na última década, várias indústrias fecharam as portas após o avanço das importações chinesas.

No segmento de escovas, por exemplo, das 40 empresas que há dez anos estavam no mercado, apenas duas mantêm as atividades industriais.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Vassouras, Escovas, Pincéis e Similares (ABVEP) e membro fundador da Cdib, Manolo Canosa, a desativação do parque industrial significa a “morte” do setor com perdas irreparáveis, incluindo de empregos.

“Quando se desativa uma indústria, independentemente do setor, perde-se toda a mão de obra técnica porque o setor morreu. Daqui a pouco não vai existir indústria para gerar empregos. A cada produto comprado da China, se exclui um emprego aqui [no Brasil] e se cria um na China”, lamenta.

Das três empresas brasileiras produtoras de ímã de ferrite (material utilizado na fabricação de alto-falante), apenas uma continua com as atividades industriais. Segundo o diretor da companhia Roberto Barth, a valorização do real diante da desvalorização do yuan (moeda chinesa) torna a concorrência impraticável e desleal. “As nossas indústrias não têm como concorrer com essa invasão predatória chinesa. A defasagem cambial inviabiliza qualquer tipo de concorrência”, comenta.

Na tentativa de reduzir a entrada ilegal dos produtos chineses, Barth denunciou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) a manobra feita por indústrias da China que declaravam produzir em Taiwan para driblar o pagamento de taxas antidumping. “O próprio exportador chinês me ofereceu a compra desses produtos com entrada ilegal a preços mais baratos”, conta.

Após investigação da denúncia, pela primeira vez, o governo federal proibiu a entrada de um produto estrangeiro utilizando as medidas de defesa comercial que fazem parte do Plano Brasil Maior, política industrial do governo federal lançada no início de agosto. “Já é um começo. Quando pensarem em burlar a lei, vão pensar mais de uma vez”, completa.

Para o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto Castro, a desindustrialização provocada pelo aumento das importações chinesas representa uma tendência.

Com o dólar em baixa, os produtos importados ficam mais baratos e as mercadorias nacionais perdem espaço no mercado interno. “O governo deixou claro que a preocupação maior é manter a inflação baixa e não com o comércio exterior. As medidas de estímulo são bem-vindas, mas são insuficientes”, avalia.

Castro destacou ainda que o problema cambial é agravado pela falta de apoio governamental às indústrias nacionais. “O câmbio é um problema por causa da nossa infraestrutura insuficiente e onerosa. O sistema tributário arcaico, a elevada tributação, o alto custo financeiro e a burocracia são fatores que tornam o problema cambial ainda maior”, afirma.

Principais mudanças na lei do Super Simples

sábado, 17 de setembro de 2011

Juliano Ryzewski* - congressoemfoco.com.br

O Projeto de Lei Complementar 87/11, que altera a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (Lei Complementar 123/06), foi aprovado por unanimidade (316 votos) pela Câmera dos Deputados e encaminhado ao Senado Federal

Se aprovado, as duas principais mudanças que acontecerão na lei são as seguintes.

1) Elevação do valor da tabela de faturamento para que as empresas se enquadrem no programa do Super Simples passando aos seguintes valores: empreendedores individuais – o faturamento anual passaria de R$ 36 mil para 60 mil; para as micro empresas o valor do faturamento anual passaria de R$ 240 mil para 360 mil; empresas de pequeno porte – o faturamento anual passaria de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões;

2) Possibilidade de parcelamento dos débitos tributários relativos ao Simples Nacional em até 60 vezes;

Com a possibilidade do pagamento das dívidas tributárias do Simples Nacional em 60 pagamentos, o próprio governo federal vem sanar uma lacuna que havia deixado quando criou a Lei Geral da Micros e Pequenas Empresas, na medida em que a legislação em vigor não prevê nenhum tipo de parcelamento.

Na realidade, essa lacuna já vinha sendo preenchida pelo Poder Judiciário, sendo que já existem diversos julgados aonde os magistrados, em sede de pedido liminar, já reconhecem o direito das micros e pequenas empresas em parcelarem os seus débitos relativo ao Simples Nacional, inclusive determinando a reinclusão das empresas excluídas por inadimplência no referido programa.

Em resumo, os escritórios de advocacia têm se baseado em dois fundamentos para obtenção de tais decisões: falta de vedação explícita na Lei Geral das Micros e Pequenas Empresas quanto ao deferimento ou não de parcelamentos dos débitos do Simples Nacional; e a possibilidade de parcelamento destes por força da Lei 10.522/2002 e os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da isonomia, já que tal lei possibilita o parcelamento ordinário de débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional em até 60 parcelas mensais, podendo ser utilizado por qualquer empresa em dificuldade e com pendências tributárias, sendo que a mencionada lei não faz qualquer distinção entre empresas ou suas opções por regime de tributação (lucro presumido, lucro real ou Simples Nacional).

Interpretar esta norma ordinária restritivamente às empresas de grande porte implicaria ferir os comandos constitucionais do princípio da isonomia, razoabilidade e proporcionalidade. Por força de tais princípios, o parcelamento é uma medida que se impõe. Uma vez que se até um contribuinte sonegador – débitos provenientes de sonegação, “crime tributário” – pode ser incluído no parcelamento previsto na Lei 10.522/2002, é óbvio e certo que as empresas com débitos do Simples Nacional também devem gozar deste mesmo direito.

Assim, vislumbra-se a inconstitucionalidade de tal situação, justamente porque contraria os princípios constitucionais da razoabilidade e da isonomia, bem como o próprio artigo 179 da CF/88, o qual estabelece que às micros e pequenas empresas deve ser concedido um tratamento fiscal mais benéfico e não ao contrário.

Vale frisar, ainda, que vários parcelamentos já foram criados por meio de leis ordinárias, como por exemplo: Lei n. 9.964/2000 (Lei do Refis), Lei n. 10.684/03 (Refis 2), Lei n. 11.941/09 (Refis da Crise), sem que houvesse qualquer diferenciação entre as empresas optantes por esses parcelamentos.

Assim, se inexiste dispositivo legal que vede o almejado parcelamento, e a generalidade das empresas pode parcelar os seus débitos fiscais, não há sentido em se colocar obstáculo para que as micros e pequenas empresas também o façam, sob pena de se desrespeitar o princípio da isonomia, previsto no artigo 5ª da Constituição Federal: “As Micros e Pequenas Empresas devem ter tratamento diferenciado, favorecido e de incentivo fiscal, conforme determina a Constituição Federal.”

Vale referir que a criação do regime tributário do Simples Nacional foi forjado sob as expectativas de redução da informalidade, integração entre as administrações tributárias e de uma melhoria de negócios para o pequeno empreendedor, deixando de lado a conhecida burocracia e optando por um sistema único, com procedimentos célere, enxuto e coeso para estas empresas.

Denota-se, portanto, que o fomento da micro e da pequena empresa foi elevado à condição de princípio constitucional, de modo a orientar todos os entes federados a conferir tratamento favorecido aos empreendedores que contam com menos recursos para fazer frente à concorrência, em consonância com as diretrizes traçadas pelos artigos 170, IX, e 179 da Constituição Federal.

Deste modo, percebe-se que a Constituição Federal de 1988 procurou privilegiar as microempresas e as empresas de pequeno porte, dispensando-as tratamento diferenciado e favorecido em relação as demais sociedades empresárias de médio e grande porte, a fim de que elas pudessem sobreviver e se desenvolver na economia de mercado que vivencia o país.

Assim, todas as interpretações de normas devem ser feitas à luz da Constituição Federal, não se revelando coerente com o princípio da justiça tributária, negar às empresas optantes pelo Simples Nacional o direito de parcelas os seus débitos.

Por fim, conclui-se que a premente alteração na Lei Geral das Micros e Pequenas empresas chega em ótima hora, vindo a preencher uma lacuna que existe na Lei, possibilitando os pequenos e micros empreendedores parcelar seus débitos com o Simples Nacional, corrigindo, desta forma, uma distorção e uma injustiça que havia com estes empresários, ao mesmo tempo em que a Receita Federal se “livra” de uma enxurrada de processos.

*Advogado, especializado em direito tributário, do escritório Nagela Advocacia. http://www.nagelaadvocacia.com.br

 

Reajuste de imposto sobre carros importados pode ser questionado na OMC

sábado, 17 de setembro de 2011

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O reajuste de 30 pontos percentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre carros importados, anunciado na última quinta-feira (15) pelo governo, abre brechas para contestações na Organização Mundial do Comércio (OMC), dizem especialistas. Eles, no entanto, ressaltam que vários países adotam medidas semelhantes e ponderam que o questionamento depende mais de vontade política dos governos do que das empresas.

Para os especialistas, a elevação do imposto é um sintoma da guerra comercial que tomou conta do mundo depois do agravamento da crise econômica global. Com o mercado interno enfraquecido, diversos países estão despejando mercadorias nas economias emergentes, que ampliam as restrições comerciais para se defender e proteger as indústrias locais.

A pesquisadora do Centro de Comércio Exterior do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) Lia Valls Pereira destaca que a elevação do IPI para os carros de fora do Mercosul contraria um dos princípios da OMC ao criar discriminação de produtos importados. “Um dos pilares da OMC consiste na isonomia de tratamento entre o produto nacional e o estrangeiro”, diz. À exceção do Imposto de Importação, ressalta Lia, a tributação não pode diferenciar produtos pela origem.

O advogado Rabih Ali Nasser, especializado em comércio internacional e também professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), ressalta outro problema: a exigência de 65% de componentes nacionais nos veículos como requisito para fugir do aumento de imposto. “O estabelecimento de conteúdo local pode ferir a isonomia de tratamento”, adverte.

Na última quinta-feira, o governo anunciou a elevação do IPI em 30 pontos percentuais para montadoras que não investirem em tecnologia, não produzirem veículos com pelo menos 65% de conteúdo nacional e não cumprirem pelo menos seis etapas de produção no Mercosul. A medida originalmente se destinava a promover a inovação na indústria automobilística brasileira, mas na prática pune os carros de fora do bloco econômico. Isso porque os carros e caminhões de fora do bloco comercial passaram a pagar imposto maior.

Apesar de considerar que a diferenciação tributária fere regras da OMC, Lia Valls Pereira ressalta que a contestação no organismo internacional não é automática. “A OMC não tem função de polícia. Ela só atua se outro país se sentir prejudicado e questionar”, explica. “Vários países adotam medidas parecidas para proteger a indústria automotiva e podem não querer questionar para não se tornarem vítimas posteriormente.”

Para o advogado Rabih Ali Nasser, uma eventual contestação do Brasil na OMC depende mais de decisão política do que econômica. “Os países só vão recorrer se considerarem que vale a pena, até porque a medida é temporária”, declara. O reajuste de IPI vigora até 31 de dezembro de 2012. Ele, no entanto, acredita que o governo brasileiro se arriscou: “A equipe econômica fez uma análise de custos e benefícios e, pelo visto, considerou que o desenvolvimento industrial justifica os riscos”.

Edição: Juliana Andrade

Mantega: governo fiscalizará montadoras para que preço de veículos nacionais não suba

sábado, 17 de setembro de 2011

Luciene Cruz e Wellton Máximo
Repórteres da Agência Brasil

Brasília – A decisão de manter em patamares mais baixos o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para montadoras que invistam em inovação e usem uma proporção mínima de componentes nacionais não vai causar aumento no preço final dos automóveis, disse hoje (15) o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Vamos fazer fiscalização dos preços do setor, de modo a garantir que os produtos nacionais não tenham essa elevação. Foi um compromisso da indústria que os preços não subiriam”, garantiu.

A isenção do aumento no IPI vale para as montadoras que usarem componentes nacionais em pelo menos seis etapas das 11 do processo de produção. Quem não atender a esse requisito, vai pagar até 30 pontos percentuais a mais na alíquota do imposto. Segundo Mantega, o benefício deve beneficiar de 12 a 15 empresas. No entanto, a quantidade total de montadoras só será conhecida após avaliação que será feita nos próximos 60 dias.

Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, “metade dos veículos importados que hoje são comercializados no Brasil vai ficar de fora desse benefício”. De acordo com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, a medida tem o objetivo de estimular a competitividade industrial e de não aumentar a arrecadação. “O objetivo não é fiscal. O objetivo é defender a produção, o emprego e a inovação tecnológica em um cenário internacional em que há desequilíbrio das moedas e uma pressão crescente dos produtos que estão sobrando em outros países”, disse Mercadante. Ele observou que essa sobra, em geral, tem sido canalizada para mercados que estão se mantendo em crescimento. “É medida defensiva e indispensável para preservar a produção, o emprego e o crescimento econômico de uma cadeia que é uma das mais importantes da indústria brasileira”, completou.

Para José Luiz Gandini, presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), entidade que representa 30 empresas, a medida vai afetar o investimento de futuras montadoras estrangeiras no Brasil. “No primeiro momento, vai ter parada de investimento.” A preocupação maior, segundo ele, é com os veículos já comprados. “As empresas estão trazendo carro de fora, tem carros no navio, tem carro pago e ficaram invendáveis. Vamos perder muito dinheiro ou ficar com eles em estoque”, disse. De acordo com Gandini, as vendas das importadoras representadas pela Abeiva representam 6% do comércio nacional, o que significa um volume de 18 mil carros por mês.

Edição: Lana Cristina
 

Novas mudanças no IOF são apenas operacionais, diz Mantega

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, procurou tranquilizar o mercado financeiro ao dizer há pouco que as alterações na cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) terão implicações apenas operacionais. As mudanças foram publicadas hoje (16) no Diário Oficial da União.

“Não muda praticamente nada. E só uma uma mudança operacional para quem faz o recolhimento do IOF, que antes seria feito pela BM&F [Bolsa de Mercadorias e Futuros] e pela Cetip [Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos]. Como é complicado para eles, a responsabilidade mudou para o agente financeiro, que [agora] vai fazer isso”, disse Mantega, ao chegar hoje ao Ministério da Fazenda.

Outra mudança, segundo ele, tem a ver com os sistemas informatizados que farão o recolhimento do IOF nessas operações. O governo tinha dado o prazo inicial de 5 de outubro para que o recolhimento, por meio desses sistemas, passasse a funcionar, mas mudou para 14 de dezembro, de acordo com a Receita Federal.

“Como eles têm dificuldade em montar o sistema que fará o pagamento, prorrogamos mais uma vez o [prazo de] recolhimento do IOF para dezembro, que antes era 5 de outubro. Isso não significa que eles ficarão um período sem pagar. Eles estão pagando desde o dia em que a medida entrou em vigor. Eles apenas vão pagar [recolher] a posteriori”, informou Guido Mantega.

Os derivativos, cujo nome vem do fato de o preço derivar de outro ativo negociado no mercado financeiro, são contratos que empresas e investidores usam para se proteger contra flutuações inesperadas da taxa de câmbio ou para especular com o dólar no mercado futuro.

Em julho, Mantega anunciou as primeira medidas de elevação de IOF como forma de cobrar uma espécie de pedágio sobre determinadas operações e dificultar a ação de especuladores, que tem apostado cada vez mais na valorização do real e na queda do dólar.

Edição: Juliana Andrade

Economia mundial entrou em nova fase perigosa, diz diretora do FMI

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Fonte: votebrasil.com

Em seu primeiro grande pronunciamento em Washington desde que assumiu o comando do FMI (Fundo Monetário Internacional), em julho deste ano, a francesa Christine Lagarde disse nesta quinta-feira que a economia mundial entrou em uma nova fase “perigosa”.

“Exatamente três anos após o colapso do (banco de investimentos) Lehman Brothers (considerado um marco da última crise econômica mundial), os horizontes da economia estão agitados e turbulentos, à medida que a atividade global desacelera e os riscos aumentam”, disse a diretora-gerente do FMI.

“Nós entramos em uma perigosa nova fase da crise. Sem determinação coletiva, a confiança de que o mundo precisa tanto não vai retornar.”

Lagarde citou a crise de dívida e deficit que atinge diversos países da zona do euro e a lenta recuperação da economia americana e disse que esses países precisam deixar de lado a indecisão política e agir logo para evitar uma nova recessão, que teria consequências em todo o mundo.

Segundo a diretora do FMI, o alto nível de dívida afeta tanto entre os bancos europeus quanto os lares americanos, e o fraco crescimento aliado à fragilidade das contas públicas são combustíveis para uma crise de confiança que acaba retendo a demanda, os investimentos e a criação de empregos.

“Esse círculo vicioso está ganhando força e, francamente, tem sido agravado pela indecisão das políticas e pela disfunção na política”, disse.

Estados Unidos

Ao mencionar o caso específico dos Estados Unidos – que enfrenta alta taxa de desemprego, deficit recorde e o temor de nova recessão –, Lagarde disse que as propostas recentes apresentadas pelo presidente Barack Obama são “bem-vindas”.

Na semana passada, Obama propôs um plano de US$ 447 bilhões (cerca de R$ 765 bilhões) para combater o desemprego nos Estados Unidos.

A proposta, porém, precisa ser aprovada pelo Congresso, em um momento de grande divisão política e com a Câmara dos Representantes (deputados federais) sob o controle da oposição republicana.

Segundo Lagarde, apesar de o plano ser bem-vindo, é “crucial” que as autoridades esclareçam seus projetos de médio prazo para colocar a dívida pública em uma trajetória sustentável.

Ao ressaltar a necessidade de “forte vontade política ao redor do mundo”, Lagarde disse ainda que os líderes devem estender suas agendas “para além das próximas eleições”.

No caso dos Estados Unidos, as discussões sobre a economia têm ocorrido já em um clima de campanha para as eleições presidenciais do ano que vem, com troca de acusações e com os republicanos que buscam a indicação do partido para disputar a Presidência aproveitando a crise como munição para críticas a Obama, que concorre a reeleição.

Emergentes

Lagarde ressaltou que um fracasso em reequilibrar a economia mundial irá afetar a todos.

“Se as economias avançadas sucumbirem à recessão, os mercados emergentes não vão escapar”, disse. “Reequilibrar (a economia) é de interesse global, mas também de interesse nacional.”

O reequilíbrio é um dos “quatro Rs” propostos pela diretora do FMI para abordar os problemas da economia mundial. Ou outros são reparar, reformar e reconstruir.

Segundo Lagarde, o reequilíbrio envolve uma mudança na demanda global, de países com déficit externo para países com superávit.

“A ideia aqui é simples. Com menor gasto e mais poupança nas economias avançadas, mercados emergentes cruciais deverão preencher o espaço e começar a fornecer a demanda necessária para alimentar a recuperação global.”

Sem citar nenhuma economia em particular, Lagarde mencionou ainda o fato de “alguns países” prejudicarem o reequilíbrio com políticas que mantêm a demanda doméstica muito lenta e a apreciação da moeda muito modesta – crítica geralmente feita à China.

“Outros mercados emergentes estão enfrentando os perigos dos fluxos de capital”, disse.

No Brasil, a entrada excessiva de capital estrangeiro é uma das preocupações, por provocar a valorização do real frente ao dólar e, consequentemente, a perda de competitividade das exportações nacionais.

O discurso de Lagarde foi feito uma semana antes de ela presidir pela primeira vez a reunião anual do FMI e do Banco Mundial, na capital americana.

Também se reunirão em Washington os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 – grupo que reúne as principais economias avançadas e emergentes, do qual o Brasil faz parte.

 

Inflação medida pelo IGP-10 registra alta com taxa de 0,63% em setembro

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Thais Leitão
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) subiu 0,63% em setembro. A taxa foi maior do que a registrada um mês antes (0,20%). De acordo com dados divulgados hoje (15) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), no ano, o índice acumula elevação de 4,02%; e de 7,79% no período dos últimos 12 meses.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) passou de 0,26% em agosto para 0,73% em setembro. Ficaram mais caros no período alimentos in natura (de -2,53% para 1,56%); café em grão (de -3,09% para 6,88%); minério de ferro (de -0,31% para 2,69%) e soja em grão (de 2,60% para 4,02%).

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que havia registrado deflação de 0,03% em agosto, subiu para 0,58% em setembro. Cinco das sete classes de despesa componentes do índice apresentaram aumento, com destaque para alimentação (de -0,57% para 1,23%), especialmente hortaliças e legumes (de -6,90% para -1,71%), frutas de (-0,13% para 8,47%) e carnes bovinas (de -0,22% para 2,19%).

Também apresentaram acréscimo em suas taxas de variação os grupos: vestuário (de -0,25% para 0,86%), educação, leitura e recreação (de -0,15% para 0,17%), saúde e cuidados pessoais (de 0,35% para 0,46%) e transportes (de 0,14% para 0,19%).

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou, em setembro, taxa de 0,10%, abaixo do resultado do mês anterior, de 0,31%. Os três grupos componentes do índice tiveram redução em suas taxas: materiais e equipamentos, de 0,26% para 0,13%; serviços, de 0,44% para 0,31% e mão de obra, de 0,32% para 0,04%.

Para calcular o IGP-10, a FGV coletou preços entre os dias 11 de agosto e 10 de setembro.

 

Edição: Lílian Beraldo