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A sabedoria (nem sempre) vem com a velhice

sábado, 7 de abril de 2012

Um estereótipo da sabedoria é a figura de um velho mestre zen sorrindo de maneira benevolente ao ver as travessuras de seus alunos, se referindo a eles como pequenos gafanhotos ou coisa parecida, seguros no conhecimento de que um dia eles também terão seguido o caminho que leva à maestria enrugada. Mas é verdade que a idade traz sabedoria? Um estudo de dois anos atrás na América do Norte, por Igor Grossmann, da Universidade de Waterloo, no Canadá, sugeriu que a afirmação é verdadeira. Na medida em que é possível quantificar a sabedoria, o Dr. Grossmann descobriu que os norte-americanos idosos tinham mais sabedoria do que os jovens. Ele, no entanto, agora estendeu sua investigação para a Ásia – terra dos envelhecidos mestres zen – e, em particular, para o Japão. Lá, encontrou, num contraste com o Ocidente, que os gafanhotos são equivalentes de seus mestres quase que desde o início.

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O estudo do Dr. Grossmann, publicado recentemente na Psychological Science, recrutou 186 japoneses de vários estilos de vida e os comparou com 225 norte-americanos. Os participantes foram convidados a ler uma série de artigos de jornal falsos. Metade descreveu conflitos entre grupos, como um debate entre os residentes de uma empobrecida ilha do Pacífico sobre a possibilidade de permitir que as empresas petrolíferas estrangeiras explorem seus recursos, após a descoberta de petróleo. (Aqueles a favor a consideravam uma oportunidade de ficar rico. Aqueles contrários temiam a ruptura com antigos estilos de vida e os possíveis danos ecológicos). A outra metade tomou a forma de colunas de conselhos que tratam de conflitos entre indivíduos: irmãos, amigos e cônjuges. Depois de ler cada artigo, os participantes foram perguntados “O que você acha que vai acontecer depois disso?” E “Por que você acha que vai acontecer desta maneira?” Suas respostas foram gravadas e transcritas.

Grossmann e seus colegas removeram as informações relacionadas à idade das transcrições, e também quaisquer indícios das nacionalidades dos participantes, e depois passaram as versões editadas para um grupo de assessores. Estes avaliadores foram treinados para classificar as respostas transcritas de forma consistente, e foram testados para mostrar que suas avaliações foram estatisticamente comparáveis ​​entre si.

Os assessores marcaram as respostas dos participantes em uma escala entre um e três. Esta foi uma tentativa de capturar o grau em que se discutiu o que os psicólogos consideram os cinco aspectos cruciais do raciocínio sábio: o desejo de buscar oportunidades para resolver o conflito; vontade de procurar compromisso; reconhecimento dos limites do conhecimento pessoal; a consciência de que mais de uma perspectiva em um problema pode existir; e uma percepção do fato de que as coisas podem piorar antes de melhorar.

Metodologia

Um ponto em qualquer aspecto indicava que o participante não deu nenhuma consideração a ele. Dois pontos indicavam alguma consideração. Três pontos indicavam uma grande consideração. As pontuações de cada participante foram então somadas e transformadas matematicamente para criar um valor global dentro de uma gama de zero a cem, tanto para a sabedoria interpessoal, quanto para a sabedoria intergrupal.

O resultado foi que, como o Dr. Grossmann tinha descoberto antes, os norte-americanos se tornavam mais sábios com a idade. Sua pontuação média de sabedoria intergrupal foi de 45 para participantes com 25 anos, e de 55 para participantes com 75 anos. Sua pontuação interpessoal subiu de maneira semelhante, passando de 46 para 50. As pontuações dos japoneses, pelo contrário, dificilmente variaram com a idade. Tanto aqueles com 25, quanto os com 75 anos de idade, tinham uma sabedoria intergrupal média de 51. As pontuações na sabedoria interpessoal foram de 53 e 52.

À primeira vista, estes resultados sugerem que japoneses desenvolvem a sabedoria mais rapidamente que os norte-americanos. Mas eles também sugerem um paradoxo. Em geral, os Estados Unidos são vistos como uma sociedade individualista, enquanto o Japão é bastante coletivista. No entanto, os japoneses têm pontuações mais altas do que os norte-americanos para o tipo de sabedoria interpessoal que, em tese, seria útil em uma sociedade individualista. Os norte-americanos, por outro lado, pelo menos na maturidade da idade avançada têm mais sabedoria intergrupal do que os supostamente coletivistas japoneses. Talvez, então, você precise de habilidades individuais quando a sociedade é coletiva, e sociais quando ela é individualista. Tudo isso mostra que a verdadeira raiz da sabedoria é esta: não deduza, pequeno gafanhoto, que seus preconceitos estão corretos.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Quantos pilotos surtam atualmente em voos anualmente?

terça-feira, 3 de abril de 2012

É inevitável que o surto do comandante Clayton Osbon, do voo 191 da companhia área JetBlue esteja causando especulações desenfreadas sobre a adequação das condições mentais dos pilotos. Provavelmente haverá audiências, ações judiciais e novas normas administrativas para lidar com esses casos.

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Mas nem todo drama ou tragédia é um momento de aprendizado. Correndo o risco de parecer suave demais com relação ao último incidente, devemos simplesmente admitir que essas coisas acontecem, e reconhecer que havia um plano de emergência: o co-piloto.

A partir de depoimentos da tripulação para o FBI, Osbon estava atrasado para chegar ao aeroporto para o voo de Nova York a Las Vegas e perdeu uma reunião de equipe pré-voo. Osbon foi resmungando sobre igreja e religião, e uma vez no ar, começou a gritar com os controladores de tráfego aéreo para “ficarem quietos”. O maior sinal de sua confusão mental foi quando ele disse para o co-piloto, Jason Dowd, que o avião não estava indo para Las Vegas e “nós precisamos dar um salto de fé.”

Dowd forçou Osbon a deixar a cabine, conseguiu mudar o código de segurança da porta, trancou-a e, em seguida, pediu aos passageiros através do sistema interno do voo para conter o piloto, que estava indignado, batendo na porta para voltar para a cabine. Os passageiros, muitos dos quais se dirigiam a uma conferência de segurança em Las Vegas, incluindo ex-funcionários de segurança pública, felizmente souberam como lidar com ele, e Osbon foi contido.

Qualquer bom sistema de segurança tem redundâncias, porque nenhum sistema é perfeito. Erros, humanos ou técnicos, sempre irão acontecer. Em aviões, o pessoal adicional está na cabine para proteger os passageiros dos pilotos que sofrerem algum mal-estar médico em pleno voo: envenenamento alimentar e ataques cardíacos são os mais comuns. E este sistema é útil também para lidar com eventos imprevistos como surtos mentais ou pilotos drogados. Embora o setor aéreo tenha tido a sua dose de decisões comerciais equivocadas e falhas na relação com clientes, ela teve o melhor registro de segurança global em uma década. Os funcionários estão sob estresse – assim como os passageiros – e o setor sofreu com falências e reorganizações desde o 9 de setembro, mas isso também ocorreu em outros setores de risco.

Apesar de algumas falhas bem divulgadas, como a da JetBlue e do comissário de bordo, Steven Slater, que ficou famoso quando saiu do avião – com duas cervejas – pela rampa de emergência depois de uma discussão verbal pelo interfone com um dos passageiros, não houve um aumento nos incidentes de instabilidade mental de pilotos.

Desde 1982, em dezenas de milhões de voo, apenas quatro pilotos tiveram problemas psicológicos durante o voo. Para dar um noção sobre a singularidade do caso, a FAA confirmou que este é o primeiro exemplo de um piloto que foi trancado para fora da cabine.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Como trabalhadores mais velhos encontram a felicidade

sábado, 31 de março de 2012

Saber que você recebe menos do que seus colegas de profissão tem dois efeitos sobre a felicidade. O mais conhecido é negativo: uma remuneração menor prejudica a auto-estima. O menos conhecido é chamado de “efeito túnel”: rendimentos elevados para os colegas são vistos como uma melhoria nas suas próprias chances de riquezas semelhantes, especialmente se o crescimento da desigualdade e mobilidade forem elevados.

Um estudo de co-autoria de Felix FitzRoy, da Universidade de St Andrews e apresentado esta semana na Royal Economy Society, em Cambridge, separa os dois efeitos, usando dados de pesquisas domiciliares na Alemanha. Trabalhos anteriores mostraram que a renda dos outros pode ter um efeito pequeno, ou até mesmo positivo, sobre a satisfação das pessoas em empresas individuais na Dinamarca ou em economias bastante dinâmicas em transição, como a Europa Oriental pós-comunista. Mas a equipe de FitzRoy desenvolveu a teoria de que os trabalhadores mais velhos, que em grande parte já sabem quais serão seus rendimentos ao longo da vida, desfrutarão de um efeito de túnel muito menor.

Os dados confirmam esta hipótese. O efeito negativo sobre os níveis de felicidade registrados de se receber menos do que seus colegas de profissão não é visível para pessoas com menos de 45 anos. No oeste da Alemanha, ver os rendimentos dos pares subir realmente deixa os jovens felizes (ainda mais do que um aumento em seus rendimentos próprios, notavelmente). São só as pessoas acima de 45 anos, cujas carreiras “chegaram a uma posição estável”, que têm sua felicidade prejudicada pelo sucesso dos outros.

A perspectiva de mais de 20 anos de amargura pode fazer a aposentadoria parecer mais atraente. Mas os ganhos reais de felicidade com a aposentadoria não vão para os ofuscados, mas para os desempregados.

O desemprego é conhecido por estragar a felicidade porque não trabalhar está abaixo das expectativas sociais. Esta perda de identidade não pode ser compensada por subsídios de desemprego ou o tempo de lazer maior. Um documento apresentado na mesma conferência por uma equipe representada por Clemens Hetschko, da Freie Universität Berlin, usa os mesmos dados domiciliares alemães para mostrar que a alegria do desemprego de longa duração cresce quando eles param de buscar trabalho, se aposentam, e não entram mais em conflito com as normas sociais.

No entanto, aqueles com empregos não ficam mais felizes depois que se aposentam, talvez porque suas vidas já estejam alinhadas com as expectativas sociais. De fato, se aposentar mais cedo do trabalho pode ter efeitos colaterais desagradáveis. Outro estudo, de co-autoria de Andreas Kuhn, da Universidade de Zurique, investiga os efeitos de uma mudança nas regras de seguro de emprego na Áustria que permitiam que operários se aposentassem mais cedo em algumas regiões do que outras. A aposentadoria antecipada dos homens diminuem suas chances de sobreviver até os 67 anos de idade em 13%. Quase um terço da maior taxa de mortalidade, que parece concentrada entre aqueles que foram forçados a se aposentar por perda de emprego, foi causada pelo fumo e consumo de álcool. Se você tem um trabalho, mesmo um que pague mal, aguente firme.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Brasil terá ‘crime de terrorismo’ no Código Penal

sábado, 31 de março de 2012

O Congresso Nacional prepara para breve a tipificação no país do “crime de terrorismo”, ausente na legislação brasileira. A novidade foi aprovada pela comissão de 16 juristas convocados pelo Senado para preparar mudanças no Código Penal.

O “crime de terrorismo” foi definido pelos juristas que preparam a revisão do Código Penal brasileiro como o “ato de causar terror na população” por meio de sequestro, cárcere privado, uso de explosivos, material tóxico químico ou biológico, depredação, implosão, sabotagem, invasão e saques.

De oito a 15 anos de prisão

Sabotagens de veículos de transporte, aparatos de telecomunicação e instalações públicas de todo o tipo também passam a ser considerados atos terroristas, mas só se esses atos forem praticados para fins específicos, como o financiamento de grupos armados insurgentes. A pena prevista para quem for condenado por “crime de terrorismo” no Brasil será de oito a 15 anos de prisão.

Caso seja aprovada pelo Congresso, a nova tipificação deve implicar na revogação da Lei de Segurança Nacional, considerada obsoleta pelos juristas. O Código Penal brasileiro está perto de completar 72 anos. O trabalho de sua revisão, liderado pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça Gilson Dipp, deve terminar em maio.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Vídeo para admirar: a incrível habilidade da bela dançarina e ginasta suíça

sábado, 17 de março de 2012

Por Ricardo Setti – http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/

 

“A humanidade subestima seu risco de extinção”

quarta-feira, 14 de março de 2012

Desde a sua criação, em 1947, o Relógio do Apocalipse sempre esteve próximo da meia-noite. Este relógio simbólico, mantido pelo comitê de diretores do Bulletin of the Atomic Scientists da Universidade de Chicago, calcula, em minutos, a distância da raça humana da sua própria extinção – meia-noite representando a destruição do mundo por uma guerra nuclear. Segundo um relatório publicado pelo Bulletin of the Atomic Scientists , em janeiro, contudo, 2012 marca um ano em que avançamos mais um minuto rumo ao Juízo Final. O relógio aponta, a partir de agora, 23h55, uma progressão justificada por nossa incapacidade, nos últimos tempos, em controlar a proliferação de armas nucleares e o aumento do efeito estufa. Segundo o comunicado da universidade, o planeta avança para um caminho sem volta nas mudanças climáticas: “A Agência Internacional de Energia prevê que, se nos próximos cinco anos as sociedades não começarem a desenvolver alternativas às tecnologias de energia emissoras de carbono, o mundo está condenado a um clima mais quente, a uma subida do nível dos oceanos, ao desaparecimento das nações insulares e um aumento da acidez dos oceanos”.

O alerta do Bulletin of the Atomic Scientists chega num momento em que os supersticiosos lembram com temor do calendário maia, que prevê o fim do mundo para este ano. Aproveitando o frenesí em torno da data (uma ação de marketing viral já desmascarada, diga-se de passagem, por especialistas em civilizações antigas), uma onda de publicações científicas sobre o fatídico 2012 inunda as prateleiras das livrarias. Ao mesmo tempo, cientistas sérios tentam expor à sociedade as verdadeiras razões para se alertar. Para muitos deles, o temor de um fim próximo, talvez já para este século, não deve ser subestimado.

É o caso do neurocientista, físico e filósofo sueco Nick Bostrom, professor da Universidade de Oxford e diretor do Future of Humanity Institute. Bostrom, um estudioso do “risco existencial” do ser humano, deu uma entrevista alarmante para a revista The Atlantic, na qual aponta alguns dos fatores que poderiam interromper a jornada humana na Terra a curto prazo. O desenvolvimento desenfreado estaria, segundo o filósofo, oferecendo armas letais ao alcance de todos – e não apenas nucleares, como indica o Relógio do Apocalipse. Nunca antes, na história, o cidadão comum teve um acesso tão fácil a ferramentas capazes de criar vírus mutantes e outras armas biológicas.

“A curto prazo, creio que o desenvolvimento nas áreas da biotecnologia e da biologia sintética são bastante desconcertantes”, disse ele à publicação. “Estamos adquirindo a capacidade de criar agentes patogênicos modificados, e os mapas de diversos organismos patogênicos estão no domínio público: você pode baixar na internet a sequência genética do vírus da varíola ou da gripe espanhola. Até aqui, o cidadão comum só possui a representação gráfica na tela de seu computador, mas nós desenvolvemos também máquinas que sintetizam o DNA cada vez melhores, que podem pegar um destes mapas digitais e fabricar verdadeiros fios de DNA ou RNA. Em breve, tais máquinas serão potentes o bastante para recriar estes vírus. (…) A longo prazo, creio que a inteligência artificial, uma vez que ela tenha adquirido capacidades humanas, depois sobre-humanas, nos fará entrar em zona de risco maior. Há também diferentes métodos de controle populacional que me preocupam, como a vigilância e a manipulação psicológica com a ajuda de remédios”.

Ao contrário do que se pode pensar, Nick Bostrom não faz um discurso contra a tecnologia. Seu apelo é para que se tenha mais controle sobre ela, evitando que sirva, por exemplo, como instrumento de repressão de regimes totalitários. A tecnologia poderia, nesse caso, tornar-se uma inimiga das liberdades individuais – um instrumento para eliminar dissidentes e vigiar as populações em um clássico cenário de distopia totalitária em escala mundial à la George Orwell.

Nick Bostrom: deve-se temer a ação do homem, não desastres naturais

Bostrom afirma que, pelo menos a curto prazo, é preferível se preocupar com riscos antropogênicos (causados pela ação do homem) do que desastres naturais, como queda de asteroides e erupções de vulcões. Aliás, ele lembra que, se atualmente o risco de um juízo final está estimado a uma ou duas chances sobre dez, é muito em função das ferramentas ultra-potentes criadas pelo homem: “Se você voltar no tempo, verá que para fabricar uma bomba atômica no passado era preciso matérias primas muito raras, como urânio enriquecido ou plutônio, que são difíceis de conseguir. Mas suponha que haja uma técnica lhe permitindo criar uma arma cozinhando areia em um forno microondas, ou algo do gênero. Nesse caso, onde estaríamos agora? Podemos presumir que, com esta descoberta, a civilização teria sido condenada. A cada vez que fazemos alguma descoberta, colocamos nossa mão em uma urna cheia de balas e tiramos uma nova bala: até aqui, só tiramos balas brancas e cinzas, mas talvez na próxima vez sairá uma bala negra, uma descoberta que seja sinônimo de desastre. Até o momento, não temos como recolocar uma bala na urna se ela não nos agradar. Assim que uma descoberta é publicada, não há jeito de ‘despublicá-la’”.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

A corrupção e sua filosofia

terça-feira, 13 de março de 2012

Por Altamir Tojal

Um dos aspectos intrigantes da política brasileira é o silêncio nas universidades e a ausência do movimento estudantil no debate e nas manifestações contra a corrupção e a impunidade, dois pilares tradicionais do poder da oligarquia, que foram transformados agora no Brasil em política pública universalizada e em padrão de governança. Isso se tornou intolerável para uma parcela expressiva da sociedade, mas não parece sequer inquietar a juventude e o meio acadêmico.

Há duas pistas óbvias a seguir para chegar à razão dessa acomodação: a domesticação do movimento estudantil pelo governo e o aparelhamento partidário das universidades. E há outra, menos difundida, mas também relevante: o uso militante da ideia de que “o poder nasce da corrupção”. Trata-se de uma assertiva do repertório de condenação do capitalismo, da globalização e, junto com isso, da democracia representativa. Mas aqui, ela passou a servir também para legitimar a corrupção como arma política de supostos portadores da verdade transformadora da sociedade, que no caso seriam o PT e seu governo.

Esse pensamento germina num ambiente de distanciamento e mesmo aversão à política, com a expansão na juventude e no sistema de ensino de uma subjetividade ávida por competência para vencer ou sobreviver no mercado e, portanto, com pouca ou nenhuma disposição para questionamentos e muito menos para engajamento em causas difíceis e conflituosas, como é o caso da campanha anticorrupção e contra a impunidade.

Indignação e perseverança

O alarido na sociedade por uma política mais comprometida com a ética e por uma justiça mais republicana ganhou corpo no Brasil em meados de 2011, depois que o jornalista Juan Arias, correspondente do jornal El País, nos chamou às falas no artigo ‘Por que os brasileiros não reagem?’. O burburinho inicial se tornou fato político a partir dos protestos de 7 de setembro. De lá para cá, as manifestações não cessaram na rede e nas ruas.

Impulsionados, no começo, pela indignação, os movimentos se multiplicaram no país e definiram uma agenda substantiva. A perseverança na mobilização já rendeu avanços e mesmo algumas vitórias, como o reconhecimento da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, a confirmação do poder do CNJ de investigar e punir irregularidades de juízes, o veto a candidaturas com contas de campanha reprovadas, a discussão de projetos para limitar o foro privilegiado e ampliar a responsabilidade de autoridades, bem como alguns sinais de mais diligência no Judiciário para o acolhimento e julgamento de ações contra a corrupção.

Tudo isso, porém, é muito pouco frente à pandemia de corrupção que o governo empreende com seu esforço de reprodução de poder. Isso é exposto todo dia no noticiário da imprensa crítica e nas redes sociais, dando conta da multiplicação de fraudes em concorrências, desvios de dinheiro público, aparelhamento, nepotismo e tantos outros vícios e malfeitos em todos os escalões.

Apesar disso, as universidades e o movimento estudantil seguem omissos. Não se pode, porém, dizer que o problema é totalmente ignorado neste estamento crucial para a reflexão e ação da sociedade. Ouvem-se sim algumas vozes, mas não são contra a corrupção e sim contra a imprensa crítica, que veicula os escândalos. E teorias para desqualificar quem protesta, rotulando esta atitude de hipocrisia moralista. De resto, o silêncio. Por quê?

As três pistas

Sabe-se que o PT cresceu e chegou ao poder junto com os movimentos sociais e que estes passaram a compartilhar os governos junto com o partido. Há avanços que podem ser atribuídos a este processo, principalmente nas políticas sociais. Mas a contrapartida tem sido a domesticação dos movimentos. Ou seja, o preço dos ganhos sociais está sendo o enfraquecimento e o controle dos movimentos pelas oligarquias, que facilmente assimilaram o PT e lhe impuseram não só a prática da corrupção como forma de governo, mas também a neutralização ou mesmo a anulação dos conflitos em nome da governabilidade. A UNE, por exemplo, não passa hoje de uma repartição pública. É uma caricatura melancólica e decrépita da entidade que, no passado, combateu pela democracia e por todas as grand es causas da sociedade brasileira. É esta a primeira pista.

Sabe-se também da grande influência do PT nas universidades, principalmente na administração das federais. Vale lembrar o manifesto dos reitores em apoio a Dilma nas eleições de 2010. Imagine a milionária combinação de verbas, patrocínios, bolsas, oportunidades e homenagens para alunos e professores, manipuladas com esse aparelhamento. Quanta moeda de troca! Pense também no potencial de patrulhamento de vozes discordantes. Esta é a pista número dois. Frente a isso, as irregularidades na gestão das universidades, descobertas já em 13 estados, são troco na conta do prejuízo para a sociedade.

E há a referida operação intelectual de indulgência à corrupção, entrincheirada na noção que atribui “ao moralismo a idéia de que o poder pode não ser corrupto”, que é a nossa terceira pista.

Podemos segui-la, desde 2005, quanto eclodiu o escândalo do Mensalão. Naquela ocasião, o livro Global: biopoder e luta em uma América Latina globalizada ia para o prelo. E os seus autores, Antonio Negri e Giuseppe Cocco, incluíram nele uma nota mantendo a avaliação positiva do governo Lula, sustentada na obra, mesmo que a acusação de corrupção fosse demonstrada nas investigações que começavam.

Moral e ética

O argumento central é a distinção entre moral e ética. A moral, sob esta visão, afirma-se a partir de princípios abstratos, enquanto a ética é inseparável do processo e dos sujeitos que a produzem. Daí, os autores assumem que “o poder é sempre corrupto, pois é fruto da corrupção da democracia”. E concluem: “o moralismo continua afirmando que a democracia representativa deve ser ‘depurada’, quando é a própria representação que implica corrupção”.

Mais tarde, em outro livro, Goodbye Mr. Socialism, Negri formula a tese da justificativa do Mensalão com uma narrativa mais própria do vale-tudo da política: “Pagaram sistematicamente aos pequenos partidos para que apoiassem as leis propostas por Lula ao Parlamento. Quem é corrupto? O sistema. De outro modo, Lula não podia governar porque os partidos evangélicos eram pagos pela oposição de direita. Assim funciona o poder”.

Como supor, porém, que as regras do jogo da corrupção sejam ditadas pelos esclarecidos estrategistas do PT em nome da salvação do povo? E o outro da relação? Como considerar a corrupção sem o poder do corruptor? Que evidência pode ser mais forte da submissão do PT às oligarquias que o uso da corrupção como ferramenta privilegiada de reprodução do poder?

Cabe suspeitar, portanto, que temos aqui um caso de suspensão da crítica ao poder quando se trata do poder do amigo.

A influência de Antonio Negri no PT e nos setores da academia caudatários do partido, não deve ser menosprezada. A filosofia reverbera pouco e em círculos muito restritos dos partidos e mesmo da academia. Mas não se deve desconsiderar a força do pensamento sobre a ação e a inação na política. Negri é um dos principais renovadores do pensamento político contemporâneo. Lamentavelmente, sua repercussão no Brasil decorre menos do que vem produzindo de mais potente – como os conceitos de trabalho imaterial, império, multidão e comum, entre outras contribuições para dar conta das mutações na vida contemporânea – do que de sua militância.

Omissão e cumplicidade

A obra de Negri certamente persistirá e continuará produzindo ação, da mesma forma que as obras de outros pensadores importantes. Mas inocentando a corrupção no Brasil, ele dá, aos que estão sob sua influência aqui – intelectuais, professores e estudantes – pretexto e fundamentação para a omissão e, portanto, para a cumplicidade com o que há de pior na política brasileira. Ironicamente, a indiferença é também uma das marcas da subjetividade produzida por relações aviltantes, exacerbadas na economia pós-industrial, que são criticadas pela teoria anticapitalista do próprio Negri.

Texto originalmente publicado no blog Este Mundo Possível, parceiro do Opinião e Notícia

Brócolis, teias de aranha e outros remédios da antiguidade

domingo, 11 de março de 2012

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Como diretor científico do Instituto para Preservação das Tradições Médicas da Smithsonian, Alain Touwaide está compilando uma base de dados de plantas medicinais da antiguidade. Fluente em 12 línguas, ele tem um PhD em clássicos da Universidade Católica de Louvain (UCL) na Bélgica. A revista New Scientist perguntou a ele sobre sua missão de desenterrar sabedoria medicinal perdida em manuscritos antigos.

O que o médico da Grécia Antiga Hipócrates teria usado para tratar, por exemplo, uma dor de cabeça?
Um cataplasma — ou emplastro — feito de íris misturada com vinagre e perfume de rosa. E para dor de cabeça crônica, pepino-de-São-Gregório.

E se ele tivesse doença de estômago?
Tâmaras, caldo de galinha e alface cultivada.

Qual é o remédio mais memorável que você já encontrou?
Teias de aranha. Incrivelmente, eu encontrei teias de aranha e muitas outras materia medica mencionadas na literatura antiga quando minha mulher e eu visitamos a loja de um curandeiro tradicional na cidade turca Konya. Nos sentimos como se tivéssemos viajado 2 mil anos no tempo.

Como você descobriu esses remédios?
Eu os procuro em manuscritos antigos de bibliotecas de todo o mundo — a Biblioteca Britânica em Londres, a Biblioteca do Vaticano ou nas muitas coleções abrigadas em monastérios na península de Atos, na Grécia. É o que chamo de meu campo de trabalho. Mas muitos manuscritos estão também em bibliotecas menores espalhadas por toda Europa. Eu também acompanho o mercado de livros em antiquários.

Eu me especializei em literatura médico-farmacêutica antiga baseada na flora do Mediterrâneo, e estudo os textos em sua língua original— grego, latim, árabe.

Na busca por novos medicamentos baseados em plantas, o brócolis é um alvo popular. Ele já foi usado como remédio no passado?
Descobrimos a riqueza de dados sobre o brócolis na literatura antiga. Originalmente era usado principalmente para tratar desordens ginecológicas. Já no século III AC era usado também para problemas digestivos, tétano e possivelmente hidropsia (retenção de líquidos). No século I DC, infecções de pele eram as doenças mais importantes tratadas com brócolis, seguidas de problemas do sistema digestivo.

Marco Pórcio Catão, cônsul de Roma, achava que todos os cidadãos romanos deviam cultivar brócolis em seus pomares para usar como uma espécie de “remédio para tudo”, e o médico grego Galen prescrevia brócolis para tratar uma condição médica que era provavelmente câncer de cólon.

Surgiram novos remédios do estudos dos antigos?
O melhor exemplo é artemisinina— o tratamento contra malária derivado da planta artemisia. A malária era uma praga no mundo antigo, e nós encontramos mais de 70 agentes de tratamento na literatura médica grega do período clássico, do século V AC ao III DC — incluindo artemisia. Ela foi identificada recentemente por farmacologistas chineses na base de sua literatura antiga.
Atualmente, temos uma série de plantas em nosso banco de dados que devem ser testadas para o tratamento de malária.

O que você aprendeu sobre a forma como as culturas antigas usavam plantas medicinais?

Os remédios deles eram baseados em um núcleo de 45 plantas, que eram cultivadas no pomar perto das casas dos pacientes.

O que é mais interessante nos escritos atribuídos a Hipócrates é que as plantas mencionadas são muito comuns: helleborus, alho, mercurialis, aipo, alho-poró, linho, anis, beterraba e repolho, entre outros. Essa lista é significativa porque mostra que comida e remédio são duas faces da mesma moeda, e que a melhor medicina é a preventiva. Mirra também era usada como antisséptico e agente antibiótico. Se você têm um desinfetante e uma boa variedade de substâncias básicas com as quais tratar muitas doenças, você tem um bom arsenal terapêutico à sua disposição.

O seu trabalho mostrou quais doenças eram mais prevalentes muitos anos atrás?
Da literatura que encontramos o grupo mais importante de doenças eram as infecções de pele, seguidas pelas do sistema digestivo, trato urinário e doenças ginecológicas. Nós não temos informação explícita sobre a epidemiologia das populações com as quais estamos trabalhando, mas podemos reconstruí-la hipoteticamente com base nos textos e restos humanos.

Você ficou tentado a tentar algum dos remédios antigos que você estuda?
Não. Eu não praticaria a auto-medicação! Estudar esses remédios antigos é uma atividade científica para mim, não uma “busca” por estilo de vida.

Dez capas de revista ‘racistas’

domingo, 11 de março de 2012

Fonte: opiniaoenotícia.com.br

A FHM Filipinas acaba de publicar uma capa considerada racialmente insensível, que provocou uma onda de protesto dos leitores.

FHM Filipinas, março de 2012

A FHM é conhecida por suas capas provocantes e linhas ousadas, mas com sua edição filipina de março— a revista masculina mais vendida no país— não foi a foto de biquíni ou a matéria sobre lubrificantes sexuais que ofendeu os leitores. Imediatamente após a imagem da capa ser postada na internet, protestos pediam que a FHM tirasse das bancas a edição, que apresentava a atriz de pele clara Bela Padilla emergindo de um grupo de modelos negras com a frase “Saindo das sombras” logo abaixo. “Uma capa com a Bela Padilla ‘saindo das sombras’ não seria controversa, se as sombras não fossem modelos negras”, disse Victor Bautista, que criou uma petição no site Change.org.

Respondendo à indignação, a revista mudou a imagem e a frase, que virou “Quero emergir com meu próprio nome”. Padilla, por sua vez, ficou surpresa com a reação negativa: “Fiquei orgulhosa com a capa que fizemos porque racismo estava totalmente fora das nossas cabeças”, ela disse à BBC. “Então não esperávamos que receberíamos tanto feedback negativo porque não tínhamos intenção de discriminar ninguém”.

Vanity Fair, março de 2012

Se tornou uma espécie de tradição anual: assim que a Vanity Fair divulga sua edição Jovem Hollywood, artigos questionam porque não há atrizes das minorias na capa. Para a edição de 2012, apenas duas das 11 atrizes apresentadas na capa tripla são mulheres negras — Adepero Oduye de “Pariah” e Paula Patton de “Missão Impossível 4” — e elas foram obscurecidas nos dois terços que ficam escondidos na banca de jornal.

E enquanto os escritores do editorial ficam irritados quando alguém pergunta se a Vanity Fair está sendo justa, as jovens atrizes têm uma atitude mais aberta. “Nós podemos passar muito tempo criticando nosso belo país, mas não damos a ele seu devido crédito”, disse a estrela de Avatar Zoe Saldana em 2010 depois de não ter ficado na capa da revista. “Avanços podem parecer um pouco lentos, e eles podem não estar nos acompanhando como nós gostaríamos, mas ainda é um país incrível”.

Elle Índia, dezembro 2010

Alguns meses depois de a edição norte-americana da Elle ser acusada de clarear a pele da atriz Gabourey Sidbe, a edição indiana da revista enfrentou a mesma acusação com a capa da estrela de Bollywood Aishwarya Rai Bachchan. De acordo com um amigo da atriz, “A primeira reação de Ashwarya foi de descrença. Ela acreditava que essas coisas não aconteciam mais. Não na nossa época, em que mulheres são reconhecidas por seus méritos e não pela cor da pele. Ela está atualmente verificando a alegação de clareamento da pele. Se houver prova disso, ela pode até tomar uma medida”. A revista, no entanto, nega a acusação. “Nós não clareamos o tom de pele da Ashwarya nas fotos”, disse a editora-chefe da Elle Índia, Nonita Kalra.

Elle Estados Unidos, outubro 2010

Retoques escandalosos são comuns em revistas de moda, mas eles normalmente envolvem reduzir uma cintura ou limpar um defeito. Em outubro de 2010, Elle foi criticada por clarear a pele da atriz indicada ao Oscar Gaborey Sidibe na capa da sua edição de aniversário de 25 anos. Mas a revista negou as críticas. “Temos quatro capas separadas este mês, e a capa da Gabby não foi retocada nem mais nem menos do que as outras”, disse um porta-voz sobre a edição.

Se você olhar o portfólio, cada uma das mulheres foi fotografada em diferentes formas e por diferentes razões. Mas a imagem também foi elogiada por críticos que notaram que Sidibe não tinha sido chamada para a capa da edição Jovem Hollywood da Vanity Fair— uma controvérsia que a própria atriz achou exagerada. “Eu venho de um mundo em que não estou nas capas e não estou nas revistas em geral”, disse Sidibe. “Então fiquei feliz por estar na revista.”

Nationa Review, junho 2009

Quando a edição de junho de 2009 da National Review apresentou uma ilustração na capa da juíza Sonia Sotomayor como Buda com olhos puxados e a frase “A sábia latina”, muitos perguntaram por que a publicação tinha contornado um campo minado racial pisando em outro. Mas o editor da revista, Rich Lowry, apontou aqueles que não tinham entendido a imagem como os que eram ignorantes. “Me parece bastante auto-explicativo”, ele disse ao Salon sobre o pensamento por trás da capa. “Ela mesma se caracterizou como uma latina sábia, então fizemos uma caricatura dela em uma pose associada a equilíbrio extraordinário, paz e — sim — sabedoria…”

The New Yorker, julho 2008

A ilustração de capa da edição da The New Yorker de julho de 2008 mostrando a comemoração dos Obamas no Salão Oval foi um exemplo clássico de sátira ou foi racismo flagrante? A imagem, do ilustrador Barry Blitt, mostrava o então candidato vestido em traje muçulmano, enquanto sua mulher tem um cabelo afro e está carregando uma metralhadora (e um retrato de Osama Bin Laden está pendurado acima da lareira, onde uma bandeira norte-americana está claramente queimando).

“Acho que ela sustenta um espelho para o preconceito sobre o passado e as políticas de Barack Obama — dos dois Obamas”, disse o editor do Huffington Post David Remnick sobre a imagem. “A ideia de que publicaríamos uma capa dizendo essas coisas literalmente, eu acho, simplesmente não está no vocabulário do que fazemos e do que somos… Publicamos muitas, muitas capas políticas satíricas. Pergunte à administração Bush quantas.”

Vogue, abril 2008

Em 2008, quando LeBron James se tornou o primeiro negro a aparecer na capa da Vogue, um debate surgiu sobre se a imagem da estrela da NBA abraçando Gisele Bündchen era racista. Críticos sugeriram que a fotografia de Annie Leibovitz lembrava muito um pôster de filme mostrando o King Kong com a atriz Fay Wray nas suas mãos. Mas a revista defendeu a imagem: “Nós achamos que LeBron James e Gisele Bündchen ficam lindos juntos”, disse o porta-voz Patrick O’Connell, “e nós estamos honrados de tê-los na nossa capa”. O próprio James não ficou ofendido. “Tudo em que meu nome está vai ser criticado de forma boa ou ruim”, ele disse ao USA Today. “Quem se importa com o que dizem?”

Golfweek, janeiro 2008

Na época em que Tiger Woods ainda era o número um do golf, dois analistas no Golf Channel estavam discutindo seu domínio. Depois que Nick Faldo disse que “para derrubar Tiger, [os outros golfistas] talvez devessem se juntar [contra ele] por um tempo”, a âncora Kelly Tilghman respondeu com uma risada, “linchá-lo em um beco escuro”. Tilghman foi suspensa por duas semanas pelo comentário, mas pouco tempo depois a revista Golfweek colocou a controvérsia na sua capa com a imagem de uma corda e a frase “Preso em uma corda”. O editor da revista foi imediatamente demitido e a Turnstile Publishing se desculpou pela capa ofensiva.

Time, junho 1994

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois de a Time publicar uma foto do registro policial de O. J. Simpson em junho de 1994, a revista foi difamada por escurecer a pele de Simpson (A Newsweek publicou a mesma imagem na mesma semana, mas deixou a foto sem retoque). Enquanto a capa da Time foi claramente rotulada como uma foto ilustração pelo artista Matt Mahurin, o editor da revista rapidamente se desculpou por ter ofendido os leitores.

“Parece-me que seria possível argumentar que é racista dizer que mais negro é mais sinistro, mas seja como for: na medida em que isso ofendeu alguém, eu obviamente me arrependo” , disse Jim Gaines em uma declaração, acrescentando, “Serei um pouco mais cuidadoso sobre fazer um retrato ou foto ilustração com prazo muito apertado, que foi o caso aqui”.

Esquire, junho 1934

Com sua segunda edição, em 1934, a Esquire apresentou seu mascote Esky, um bigodudo de olhos saltados que definia o homem da Esquire. Em cada capa pelas primeiras quatro décadas, o Esky representava uma fantasia de um homem sofisticado — ou apenas olhava uma menina do coral. Em junho de 1934, a revista publicou uma imagem aparentemente ofensiva de Esky tentando bater em uma bola de golfe enquanto um menino negro extremamente estereotipado observava. Mas em uma virada irônica, o próprio Esky foi criado por E. Simms Campbell, o primeiro cartunista negro a aparecer em uma revista nacional e colaborador de longa data da Esquire.

Do ilusório gene egoísta ao caráter cooperativo do genoma humano

domingo, 11 de março de 2012

Por Leonardo Boff – congressoemfoco.com.br

Tempos de crise sistêmica como os nossos favorecem uma revisão de conceitos e a coragem para projetar outros mundos possíveis que realizem o que Paulo Freire chamava de o “inédito viável”.

É notório que o sistema capitalista imperante no mundo é consumista, visceralmente egoísta e depredador da natureza. Está levando toda a humanidade a um impasse pois criou uma dupla injustiça: a ecológica por ter devastado a natureza e outra social por ter gerado imensa desigualdade social. Simplificando, mas nem tanto, poderíamos dizer que a humanidade se divide entre aquelas minorias que comem à tripa forra e aquelas maiorias que se alimentam insuficientemente. Se agora quiséssemos universalizar o tipo de consumo dos países ricos para toda a humanidade, necessitaríamos, pelo menos, de três Terras, iguais à atual.

Este sistema pretendeu encontrar sua base científica na pesquisa do zoólogo britânico Richard Dawkins que há trinta e seis anos escreveu seu famoso O gene egoísta (1976). A nova biologia genética mostrou, entretanto, que esse gene egoísta é ilusório, pois os genes não existem isolados, mas constituem um sistema de interdependências, formando o genoma humano que obedece a três princípios básicos da biologia: a cooperação, a comunicação e a criatividade. Portanto, o contrário do gene egoísta. Isso o demonstraram nomes notáveis da nova biologia como a prêmio Nobel Barbara McClintock, J. Bauer, C. Woese e outros. Bauer denunciou que a teoria do gene egoísta de Dawkins “não se funda em nenhum dado empírico”. Pior, “serviu de correlato biopsicológico para legitimar a ordem econômica anglonorteamericana” individualista e imperial (Das kooperative Gen, 2008, p.153) .

Disso se deriva que se quisermos atingir um modo de vida sustentável e justo para todos os povos, aqueles que consomem muito devem reduzir drasticamente seus níveis de consumo. Isso não se alcançará sem forte cooperação, solidariedade e uma clara autolimitação.

Detenhamo-nos nesta última, a autolimitação, pois é uma das mais difíceis de serem alcançadas devido à predominância do consumismo, difundido em todas classes sociais. A autolimitação implica uma renúncia necessária para poupar a Mãe Terra, para tutelar os interesses coletivos e para promover uma cultura da simplicidade voluntária. Não se trata de não consumir, mas de consumir de forma sóbria, solidária e responsável face aos nossos semelhantes, a toda a comunidade de vida e às gerações futuras que devem também consumir.

A limitação é, ademais, um princípio cosmológico e ecológico. O universo se desenvolve a partir de duas forças que sempre se auto-limitam: as forças de expansão e as forças de contração. Sem esse limite interno, a criatividade cessaria e seríamos esmagados pela contração. Na natureza funciona o mesmo princípio. As bactérias, por exemplo, se não se limitassem entre si e se uma delas perdesse os limites, em bem pouco tempo ocuparia todo o planeta, desequilibrando a biosfera.

Lonardo Boff

* Doutor em Teologia e Filosofia pela Universidade de Munique, nasceu em 1938. Foi um dos formuladores da “teologia da libertação”. Autor do livro Igreja: carisma e poder, de 1984, que sofreu um processo judicial no ex-Santo Oficio, em Roma, sob o cardeal Ratzinger. Participou da redação da Carta da Terra e é autor de mais de 80 livros nas várias áreas das ciências humanísticas.

Um robô-cirurgião de código aberto

sábado, 10 de março de 2012

A cirurgia assistida por robôs, hoje em dia, é dominada pelo Da Vinci Surgical System, um dispositivo que miniaturiza os movimentos das mãos de um cirurgião de modo a permitir que ele faça incisões minúsculas. Isso leva a menos danos a tecidos, logo a uma recuperação mais rápida do paciente. Quase 2 mil Da Vincis já foram feitos e são usados por todo o mundo em cerca de 200 mil operações ao ano, com mais frequência em histerectomias e remoções de próstata.

O Da Vinci, contudo, não é perfeito. Ele é imóvel e pesa mais de meia tonelada, tornando-o uma carga de difícil entrega, além de custar US$ 1,8 milhão, o que o torna acessível apenas às instituições mais ricas. Além disso, o seu software não é aberto. Ainda que pesquisadores dispostos a experimentar com novas tecnologias robóticas e tratamentos pudessem bancar o custo de uma dessas máquinas, eles não poderiam manipular seu sistema operacional.

Nada disso se aplica ao Raven (O Corvo, em tradução literal), um novo tipo de robô médico com braços parecidos com asas, originalmente desenvolvido para o Exército norte-americano pelos Drs. Blake Hannaford e Jacob Rosen da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, como um protótipo para a prática de cirurgias robóticas no campo de batalha. Ao custo unitário de US$ 250 mil, eles são compactos, leves e relativamente baratos. Mais importante ainda para acadêmicos, o Raven é o primeiro robô cirurgião a usar um software de código aberto. Seu sistema operacional baseado em Linuxpermite a qualquer um modificar e aprimorar o código original, criando uma nova maneira para pesquisadores colaborarem e experimentarem.

Universidades pelos Estados Unidos receberam a primeira leva de Ravens em fevereiro. Em Harvard, Rob Howe e sua equipe esperam utilizar um Raven na operação de um coração pulsante, equilibrando automaticamente a sua pulsação. Hoje em dia, cirurgias cardíacas requerem que a pulsação seja interrompida.Enquanto isso, na Universidade da Califórnia, Los Angeles, Warren Grundfest trabalha em modos de dar ao robô uma sensação de toque que por sua vez seria comunicada ao cirurgião. Pieter Abbeel e Ken Goldberg da Universidade da Califórnia, Berkeley, tentarão fazer com que os robôs operem com autonomia ao imitar os gestos de cirurgiões. E o Dr. Rosen trabalhará em pesquisas para permitir que cirurgiões humanos e robóticos trabalhem em conjunto.

Ainda que laboratórios individuais retenham os direitos para suas inovaçõesparticulares, o resultado desses estudos e as melhorias sugeridas por eles serão armazenados num repositório online disponível a todos. Hannaford espera que pesquisadores de robótica e amadores irão então cooperar na procura e conserto de problemas na programação do sistema de código aberto.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Por que a Bíblia termina no Apocalipse?

sábado, 10 de março de 2012

A Bíblia, como todo bom frequentador de escola dominical sabe, tem um final Hollywoodiano. Não um final feliz, certamente, mas aquele onde todos os pontos soltos da trama dramática – deixados em aberto para a incerteza sussurrada do público (“Eu não entendo, quando mesmo ele disse que ia voltar?”) –, são resolvidos de repente, e um confronto final e emocionante entre o herói da ação e os caras realmente maus ocorre.O fim do Livro do Apocalipse tem todos os elementos que permeiam os sonhos de qualquer diretor de cinema: dragões, bestas do mar de sete cabeças, enormes animais terrestres com dois chifres , batalhas épicas envolvendo centenas de milhares de anjos e demônios e até mesmo, em Jezebel a tentadora, uma parte para Megan Fox.

Embora o Apocalipse quase não tenha entrado na Bíblia canônica (ele foi mal em pré-estréias e foi enterrado pelas autoridades apostólicas até que um dos chefões importantes da Igreja favoreceu a sua publicação), desde sua incorporação o Livro tem sido um grande hit. Todo mundo lê o Apocalipse; todo mundo fica animado com ele, e gerações após gerações têm insistido que ele pode até estar certo sobre o que está por vir no próximo Natal.

O que está por vir

Em seu novo livro sobre as páginas finais da Bíblia, Revelações: visões, profecia e política no Livro do Apocalipse, Elaine Pagels se arrisca, com cuidado, a trazer os devotos do livro sagrado de volta à Terra. Ela aceita que o Apocalipse foi provavelmente escrito até o final do primeiro século depois de Cristo por um refugiado místico chamado João, na pequena ilha de Patmos, na costa da Turquia (embora este não seja, ela insiste, o discípulo João de Zebedeu, a quem Jesus amava, ou o autor do Evangelho). Ela ordenadamente resume a ação espetacular: João, encontrando-se diante do trono de Deus, vê um cordeiro, uma imagem de Cristo, que recebe um livro selado com sete selos. Os selos são quebrados em ordem, cada um revelando uma visão mística: 144 mil fieis eventualmente são salvos como servos de Deus, no famoso “arrebatamento”. Sete trombetas em seguida soam, sinalizando a chegada de várias catástrofes – estrelas caem, o sol escurece, montanhas explodem, bestas aparecem. Ao som da sexta trombeta, duzentos milhões de cavaleiros aniquilam um terço da humanidade. Isso tudo leva ao Milênio, que não é o fim de todas as coisas, mas o reinado de mil anos de Cristo na Terra, que, por sua vez, finalmente leva ao fim de Satanás em um lago de fogo e ao verdadeiro clímax da narrativa: o Céu e a Terra que conhecemos são destruídos e substituídos por outros melhores.

Pagels revela que o Apocalipse, longe de ser concebido como uma profecia alucinógena, é realmente um conto codificado dos eventos que estavam acontecendo no momento em que João escrevia. É essencialmente uma charge sobre a crise no movimento de Jesus no final do primeiro século, quando Jerusalém já havia caído, o Templo destruído e o Salvador, apesar de suas promessas, ainda não havia retornado. Todas as imagens do êxtase e do arrebatamento, além do que os outros livros já haviam oferecido para formar a base da fé cristã, representam pessoas e eventos contemporâneos, os quais eram bem entendidos nestes termos pelo público da época. O Apocalipse realmente é um daqueles desenhos editoriais onde, por exemplo, o “Trabalho” é representado por um macacão e um martelo, “Capital” é um saco de dinheiro de smoking e cartola, e “Justiça Econômica” é uma mulher de tûnica fluida e um olhar preocupado.

“Quando João diz que ‘a besta que vi era semelhante a um leopardo, seus pés eram como os de um urso e sua boca era como a boca de um leão’, ele está editorializando a visão de Daniel para retratar Roma como o pior império de todos”, escreve Pagels. “Quando ele diz que a besta de sete cabeças eram ‘sete reis’ , João provavelmente se refere aos imperadores romanos que governavam a partir da época de Augusto até seu próprio tempo”.

Quanto ao assustador 666, o ‘número da besta’, o texto original acrescenta, “quem tem entendimento que calcule o número da besta, pois é o número de uma pessoa”. Isso provavelmente se refere, na Gematria — o sistema de numerologia judaico –, ao contemporâneo imperador Nero. Até mesmo a visão de João de uma grande montanha explodindo é uma referência pontual à erupção do Vesúvio, no ano 79 depois de Cristo. O Apocalipse, então, é um retrato altamente colorido de fatos e eventos ocorridos da época em que foi escrito, não uma profecia do futuro.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Carros que se dirigem: mais seguros a qualquer velocidade?

sexta-feira, 9 de março de 2012

Novos carros estão saindo das fábricas com dispositivos que auxiliam motoristas a manobrar e frear e, em alguns casos, a máquina prevalece sobre o homem com o intuito de prevenir um acidente. Nesta semana, o presidente da Ford, Bill Ford, afirmou que as montadoras devem se apressar em relação aos veículos autônomos. Ele está convencido de que estes desafogarão o trânsito. E o mesmo tipo de automatização que pode colocar mais carros nas estradas pode também reduzir o número de acidentes (eles mesmos responsáveis por muitos congestionamentos).

O novo Volvo V40 basicamente dirige a si mesmo num engarrafamento, mantendo-se a uma distância segura dos seus vizinhos e permanecendo na mesma faixa, assim como a nova minivan B-max da Ford. Estes pilotos automáticos apareceram em alguns veículos caros há alguns anos, mas agora estão disponíveis em modelos mais baratos. A Nissan está trabalhando num software que antecipa a próxima direção do motorista, ajustando a posição e a velocidade do veículo numa curva, por exemplo. No meio do ano, a agência de segurança do tráfego norte-americana colocará 3 mil carros equipados com esses dispositivos de direção assistida em estradas em Michigan.

No curto prazo, novidades em dispositivos de segurança podem ajudar as montadoras a espremer mais lucros de seus compradores. Os compradores, todavia, assim como os reguladores, logo encararão esses equipamentos como básicos, como aconteceu com cintos de segurança e airbags. O controle eletrônico de estabilidade acabou de se tornar obrigatório para novos carros nos EUA e o mesmo ocorrerá na Europa a partir de 2014. Quando isto acontecer, tais traquitanas se tornarão apenas outro custo de produção.

E o perigo de que todos esses mecanismos de prevenção a acidentes estimularão os motoristas a dirigirem de forma mais arriscada? Só o tempo dirá, mas pelo menos um estudo mostra que sistemas de freios antitravas costumavam encorajar uma direção mais agressiva. Os carros estão ficando mais inteligentes, mas ainda falta muito para que eles possam compensar a estupidez de alguns motoristas.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

A universidade a serviço do mercado?

sexta-feira, 9 de março de 2012

Por Bolivar Torres – opiniaoenoticia.com.br

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) anunciou que irá acrescentar duas novas abas para divulgação pública no Lattes, plataforma eletrônica que exibe currículos e atividades de 1,8 milhão de pesquisadores de todo o país. A partir de agora, os cientistas brasileiros também deverão descrever, além de informações básicas pessoais e acadêmicas, iniciativas de divulgação e de educação científica – o que significa, na prática, fazer a promoção de seus projetos ao público não especializado e, segundo a instituição, “ligar o trabalho a inovações que contribuam com as políticas públicas e até mesmo para a criação de novos produtos a serem lançados no mercado”. Apresentada como um grande benefício à sociedade, a obrigação de prestar contas não agradou a diversos pesquisadores e professores, que veem nas novas abas um sintoma dos rumos da pesquisa no país.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do CNPQ, Glaucius Silva, justificou o proposta: “No século 21, o cientista reconhece seu papel de engajamento na sociedade. Ele sabe que está sendo pago e financiado e que deve uma prestação de contas sobre o que faz. Ainda há um fosso grande entre aqueles que fazem ciência e aqueles que consomem e financiam a ciência. A sociedade não conhece com profundidade toda a riqueza com que a ciência brasileira tem contribuído para o desenvolvimento nacional”.

Em outras palavras, o cientista deverá se explicar para a sociedade, justificando o seu financiamento. Seria a nova proposta um passo importante para uma relação mais transparente entre os cientistas e o grande público, ou, ao contrário, uma inoportuna intromissão no trabalho científico?

“A tendência geral é subordinar a ciência a uma lógica de mercado e produtividade. Acho isso fortemente desaconselhável”, avalia o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, professor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Se for opcional não vejo porque não fazê-lo, desde que não se julgue o pesquisador por não fazer a auto-propaganda. O fundamental é que não percamos tempo demais promovendo e vendendo a pesquisa a tal ponto de não termos mais tempo de fazê-la. Esse é o maior problema”.

Já para Bruno Gripp, professor de Letras da UFF, a proposta, longe de “ajudar a ciência”, vai de encontro à própria noção de universidade.

“Não se estuda, por exemplo, física teórica ou filosofia analítica na busca de um produto palpável, de um resultado que a sociedade pode ver”, argumenta . “É impossível para pesquisadores de áreas mais áridas como essa simplesmente serem compreendidos por seus pares, quanto mais atingirem o grande público. É bom notar que, por mais nobre que seja, a divulgação científica não é ciência em si, é apenas algo que fica no lugar da ciência, serve para introduzir, entreter e motivar ao estudo, mas apenas para isso”.

A ‘utilidade’ da ciência

Gripp acredita que há um erro muito comum em todos os lados do espectro político, de tentar ver na educação uma “função” e um “objetivo”.

“Educa-se a população para ‘crescimento econômico’, ‘justiça social’ ou qualquer dessas palavras de ordem que um governo elege para si e é eleito por elas. Mas na verdade essa maneira de ver a educação impede de ver aquilo que ela realmente é: formadora de pessoas. E isso é válido em todos os escalões do sistema educacional, desde o primário até a pós graduação. A exigência de que o pesquisador traga resultados palpáveis é desprezar uma das características mais importantes do conhecimento: ele é um objetivo por si só”.

Alguns acadêmicos também veem na proposta uma submissão perversa à lógica de mercado. Desiludido com os rumos da universidade brasileira, um professor de filosofia da Universidade Federal do Paraná, que preferiu não se identificar, acredita que o “engajamento na sociedade” proposto pela instituição é interpretado segundo “o modelo político-econômico da relação entre produção e consumo”, como se os resultados da pesquisa científica pudessem assumir a forma da mercadoria sem se desfigurar completamente.

“Isso se manifesta de forma bem evidente na vida acadêmica”, explica. “Os cursos de graduação e pós-graduação têm se tornado inteiramente dependentes da adesão à lógica mercadológica imposta pelas agências financiadoras da pesquisa. Sem isso, eles simplesmente não dispõem de recursos para funcionar. Concretamente, essa condição influencia o trabalho de professores e estudantes de forma decisiva: as atividades burocráticas se assomam às da pesquisa, de forma a sobrepor-se a estas, o professor tendo de atuar como administrador de recursos financeiros destinados à pesquisa, e o estudante, como funcionário da ‘empresa’”.

Estabeleceria-se assim, segundo ele, um tipo de hierarquia claramente mercadológica, uma “mentalidade desenvolvimentista” que, ao excluir agentes formadores não quantificáveis, provocaria uma homogeneização do trabalho acadêmico e um consequente decréscimo da qualidade das pesquisas.

“É incrível como, atualmente, o grande assunto entre os professores que trabalham na pós-graduação (falo, a princípio, a partir de minha própria experiência na área de ciências humanas) é a competição entre os programas por verbas e prestígio institucional”, desabafa. “O foro em que se decide essa competição são as cúpulas e as coordenações das áreas de pesquisa no CNPq, onde entram em disputa, inclusive por parte de pesquisadores-líderes, interesses políticos e fisiológicos externos à pesquisa acadêmica, sem que nisso os projetos de pesquisa sejam avaliados preferencialmente segundo o mérito e, como seria ainda mais desejável, conforme um espírito pluralista de respeito e cultivo da diversidade das perspectivas teóricas. Mesmo quem discorda desse sistema, e não são todos, é constrangido a colaborar, para manter seu posto na pós-graduação como pesquisador e orientador dos trabalhos dos estudantes”.

Libânio Cardoso, professor de filosofia, da Unioeste (Paraná), acredita que os pressupostos errados têm produzido efeitos nocivos em todos os níveis, inclusive na formação escolar.

Educar vs. profissionalizar

“É decisivo lembrar que esta ideia de produção e consumo, de quantificação e avaliação de resultados objetivos, e agora de ‘prestação de contas’, corrói o ensino fundamental e o ensino médio, porque lança sobre eles valores e conceitos que nada têm a ver com a paixão pelo estudo e pela investigação científica livres. Já há escolas para crianças que ‘se’ divulgam como formadoras de líderes, de empreendedores, como se fossem campos de profissionalização. Isto deveria ser imediatamente objeto de escândalo e de intervenção pública e é, no entanto, chancelado pela concepção errônea de educação que temos operado, no ensino superior. Educar não é profissionalizar, nem formar líderes sociais, empreendedores, pesquisadores utilizáveis para fins – não é formar gente como instrumento social. Educar é fazer ver que o grande problema do Homem, em qualquer época e situação, é tornar-se integralmente humano. Só depois desse aprendizado alguém pode assumir uma profissão”.

Ainda em entrevista à Agência Brasil, o presidente do CNPq defendeu outra medida polêmica, em vigor desde junho de 2011: a exigência de que os relatórios eletrônicos de concessão científica sejam escritos em “linguagem para não especialistas”, apresentando-os de forma atraente e simplificada.

“Com isso, eu passo a ter um banco fantástico para alimentar [com os dados] os jornalistas”, disse Silva.

A exigência, porém, poderia implicar um outro efeito nocivo, o de nivelar a pesquisa de acordo com a demanda. Não haveria o risco de se fomentar, por causa disso, um vício jornalístico em buscar e publicar informações “mastigadas”, praticamente cópias de release? Para Eduardo Viveiros de Castro, seria muito mais útil o CNPq promover cursos e formação para jornalistas científicos do que transformar pesquisadores em jornalistas.

“Não acho que criar bancos de dados para jornalistas seja uma necessidade urgente do sistema”, pontua. “Dependendo da pesquisa, em áreas de matemática avançada e física avançada, não vejo como tornar a linguagem acessível sem trair a pesquisa. E o talento para divulgação não é dado a todo mundo. Há cientistas que sabem fazê-lo, mas é um mérito secundário, não um pré-requisito. Um cientista não deve ser julgado pelos seus talentos de divulgação. O que ele tem que fazer bem é aquilo que não é inteligível ao leigo. Se o que tem para dizer fosse acessível a todos, então, para que dizê-lo?”

Procurado pelo Opinião e Notícia, o presidente do CNPq, Glaucius Silva, não retornou o pedido de entrevista.

A união faz a força

sexta-feira, 9 de março de 2012

Nos últimos anos, surgiu um ar de superioridade nas maiores economias da América do Sul. O Brasil não foi apenas o B dos BRICs, mas também teve uma coisa ou outra a ensinar ao mundo sobre como comandar uma economia modernizadora. A Argentina teve um crescimento quase igual ao da China nos últimos dois anos. Agora, de repente, a confiança está dando lugar ao medo. A América do Sul teme que competidores da Ásia estejam roubando seu lugar no mercado.

Moedas sul-americanas têm sido fortes e os custos da região têm aumentado. Embora já não seja tão avarenta como antes, a China continua a ser um competidor formidável, e vem ocupando espaços na indústria local, especialmente no Brasil e Argentina. E os industriais brasileiros estão começando a perder terreno em toda a América, seu principal mercado de exportação.

Os governos do Brasil e da Argentina, apavorados com a desindustrialização, estão recorrendo à proteção. As autoridades argentinas agora exigem que alguns importadores criem uma equivalência entre seus pediso e as exportações, um absurdo que levou montadoras automobilísticas a venderem vinho. O governo argentino já não concede licenças automáticas de importação para as empresas brasileiras, transformando em piada as regras do Mercosul, ao qual ambos os países pertencem e que no passado aspirou ser uma verdadeiras união aduaneira. De uma forma mais limitada, o Brasil também pegou o vírus protecionista, e ameaça quebrar um acordo com o México que permite o livre comércio de automóveis entre os dois países.

Sul-americanos estão certos em se preocupar com a desindustrialização. Tem sido quase impossível para os grandes países se tornarem economias desenvolvidas sem uma indústria forte. Mas atacar os sintomas, e não as causas mais profundas, pode piorar o problema. Os principais perdedores com o aumento de barreiras comerciais serão os consumidores que terão de pagar preços mais altos para carros e outros produtos, enquanto industriais coletam lucros não merecidos.

É hora de ressuscitar a ALCA

O Brasil e a Argentina devem olhar para o México. Depois de ver os trabalhos de produção migrarem para a China, a indústria do México voltou a crescer. Isso é em parte devido à sua ampla rede de acordos comerciais, incluindo o norte-americano Acordo de Livre Comércio Norte-Americano (NAFTA) com os Estados Unidos. É também porque os salários mais elevados e custos de transporte estão tornando os produtos chineses mais caros. Há uma década Brasil saiu das negociações para transformar NAFTA em um bloco de 34 países das Américas. Muitos industriais em São Paulo agora se arrependem disso. Afinal, seu principal mercado é nas Américas, e ele pode e deve ficar maior. Mas isso não vai acontecer se os governos colocarem mais barreiras comerciais.

A vida começa aos 45

segunda-feira, 5 de março de 2012

Quando se trata de reprodução, para os homens é tudo fácil. Praticamente até o fim da vida a maioria tem uma ampla reserva de esperma. Mulheres não são tão sortudas. Elas nascem com um estoque de óvulos que tipicamente acaba quando elas alcançam a meia idade. Isso pode estar prestes a mudar, no entanto. Pesquisadores confirmaram que mulheres possuem células-tronco ovarianas, e que elas podem produzir novos óvulos.

Células tronco têm a habilidade de se dividir continuamente e de se transformar em diferentes tipos de células. Células tronco de adultos podem produzir uma variedade de tipos de células, além das que formam o tecido no qual se encontram.

Em 2004, Jonathan Tilly da Escola de Medicina de Harvard e seus colegas descobriram células tronco em ovários de ratos. Desde então, tem sido demonstrado que essas células tronco ovarianas podem desenvolver óvulos, ser fertilizadas e produzir filhotes de rato perfeitamente saudáveis. Mas pesquisadores têm relutado em acreditar que algo similar poderia ser possível em humanos.

Provar que este era o caso na verdade, foi difícil. Tecido ovariano humano — especialmente de doadoras jovens e saudáveis — não é fácil de achar. A grande descoberta de Tilly veio quando ele descobriu que um ex-colega, Yasushi Takai, da Universidade de Medicina de Saitama, no Japão, tinha em seu freezer tecido ovariano saudável de 30 pacientes que haviam mudado de sexo.

Usando uma sofisticada técnica de separação de células, os pesquisadores desenvolveram uma forma de identificar células tronco ovarianas que funciona tanto para ratas quanto para humanas. Eles então pegaram as células tronco ovarianas, rotularam-nas com uma proteína verde fluorescente e as colocaram de volta em uma fatia de ovário humano (enxertada em uma rata viva, para que funcionasse de forma similar a um ovário normal). As células verdes brilhantes em seguida produziram uma safra de óvulos humanos novinha em folha, de acordo com suas descobertas publicadas essa semana na revista Nature Medicine.

Fertilização no exterior

Fertilizar esses óvulos para pesquisa é proibido nos Estados Unidos. A Autoridade Britânica de Fertilização Humana e Embriologia, no entanto, permite em certos casos. Então, no próximo mês Tilly vai levar parte da sua equipe para Edimburgo para colaborar com Evelyn Telfer, que desenvolveu uma técnica para cultivar óvulos humanos desde uma fase precoce. Ela possui uma licença para fertilizá-los experimentalmente.

A descoberta pode revolucionar o tratamento da infertilidade para mulheres de várias formas. Para início de conversa, a pesquisa mostrou que em ratas, até mesmo ovários mais velhos continham células tronco. E quando essas células são colocadas em um ovário mais jovem, elas geram óvulos saudáveis. Isso levanta a hipótese de que, um dia, mulheres de idade mais avançada poderiam ter filhos biológicos. Atualmente, muitas mulheres acima de 45 têm que se contentar em fazer fertilização in-vitro usando o óvulo de uma mulher mais jovem.

Alternativas

Outros tratamentos estarão à disposição mais cedo. A Ova Science, uma empresa especializada em fertilidade em Boston, que tem os direitos exclusivos de explorar a pesquisa de Tilly em células tronco ovarianas de mamíferos, começará a oferecer um novo tratamento em julho. Este usa as células tronco de uma mulher para lhe fornecer óvulos com mais energia ao criar novas mitocôndrias — organelo existente dentro das células fornecendo a elas energia. Elas também podem ficar mais escassas e menos produtivas com a idade. Estudos anteriores mostraram que aumentar mitocôndrias pode aumentar drasticamente o sucesso de fertilizações in-vitro. Quando se trata de reprodução, tudo ainda vai ser mais fácil para os homens por algum tempo. Mas, mulheres estão os alcançando.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

A bordo, álcool, drogas e prostituição

quinta-feira, 1 de março de 2012

Dois antigos funcionários da Costa Cruzeiros descreveram uma atmosfera de deboche a bordo dos navios da empresa, segundo testemunhas do inquérito ao naufrágio do Costa Concordia, em janeiro, publicadas pelo jornal italiano La Stampa. A empresa nega.

“Os oficiais e tripulantes estavam muitas vezes alcoolizados”, afirma Mery G., que trabalhou no Costa Concordia durante dois meses em 2010 antes de se demitir. “Durante as festas pensamos muitas vezes sobre quem salvaria o navio se houvesse uma emergência”, acrescentou a antiga funcionária da Costa Cruzeiros num testemunho que o jornal não conseguiu confirmar de fonte independente.

O segundo testemunho é o da ex-enfermeira Valentina B. que, também em 2010, trabalhou sob as ordens do comandante Francesco Schettino, mas a bordo do Costa Altlantica.

Segundo a ex-enfermeira, “a corrupção, a droga e a prostituição” eram comuns a bordo. “Vi com os meus olhos membros da tripulação usando cocaína”, garante.

A Costa Cruzeiros garante praticar uma política de “tolerância zero” em relação a drogas a bordo e afirma fazer controles regulares. Depois do naufrágio do Costa Concordia, em janeiro, que fez 32 mortos junto à ilha italiana de Giglio, a Costa Cruzeiros voltou a ser notícia esta semana quando um incêndio num motor deixou o seu navio Costa Allegra à deriva junto às Seicheles.

Em fevereiro, os exames do capitão do navio que naufragou, Francesco Schettino, apresentaram resultado negativo para uso de drogas e álcool, segundo declarações de seus advogados e de uma associação de consumidores. Uma amostra do seu cabelo e o envelope que a continha, contudo, revelaram vestígios de cocaína.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Sob tensão, PSDB adia prévias para esperar Serra

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Após um encontro que durou três horas e que foi marcado pela tensão, a executiva municipal do PSDB decidiu adiar as prévias do partido para as eleições municipais de São Paulo para o dia 25 de março. A consulta interna esta prevista para o próximo domingo, 4.

Leia também: FHC diz que Serra volta ‘com força’ Leia também: PT revê alianças após Serra anunciar candidatura

A decisão, que ocorreu após o ex-governador José Serra ter oficializado sua intenção de entrar na corrida eleitoral em São Paulo, não agradou outros dois pré-candidatos, José Aníbal e Ricardo Trípoli, que eram contra o adiamento das prévias.

A entrada de Serra na disputa já havia sido aprovada por unanimidade pela cúpula do PSDB. O prazo formal para ser inscrever nas prévias do partido terminou no dia 14 de fevereiro.

Uma ‘palhaçada’

Durante o encontro na noite desta terça-feira, 28, houve gritos e confusão. O vice-presidente do PSDB-SP, João Câmara, disse que o resultado da reunião era uma “palhaçada” e que a culpa da desunião era de Serra.

“Se Serra quisesse, ele tinha tempo hábil para ter se inscrito nas prévias. Às vésperas do pleito ele põe o nome dele e impõe como condição adiar para o dia 25. Para ele ter mais tempo para quê? Ele tem é medo das massas. Serra veio para rachar o partido”, ressaltou Câmara.

Pessoas ricas tendem a trapacear mais do que as pobres

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Seriam as pessoas mais ricas as mais nobres da sociedade? Essa questão levou Paul Piff, candidato ao Ph.D em psicologia na Universidade da Califórnia, Berkeley, a explorar se classes sociais mais altas são ligadas a ideais mais altos. A resposta que Piff encontrou após conduzir sete diferentes experimentos é: não. A busca do ganho pessoal é um “motivo fundamental entre a elite da sociedade e a vontade cada vez maior associada com maior riqueza e status pode promover comportamentos errados”, escreveram Piff e seus colegas na segunda-feira, 27, no Proceeding of the Natural Academy of Sciences.

A “classe alta”, como definida no estudo, era mais inclinada a quebrar leis ao dirigir, tomar doce de criança, mentir em negociação, trapacear para aumentar suas chances de ganhar um prêmio e apoiar comportamento antiético no trabalho, descobriu a pesquisa. A solução, disse Piff, é encontrar uma forma de aumentar a empatia entre as pessoas ricas.

“Não é que os ricos sejam inatamente maus, mas à medida em que ascende, você  se torna mais focado em si mesmo, diz Piff. “Você pode mudar isso lembrando aos ricos das necessidades dos outros. Isso pode ser suficiente para aumentar seus padrões de comportamento altruísta”. Essa teoria será a base do seu próximo estudo. Piff está curioso para saber como mudar padrões de ganância e egoísmo quando eles emergem.

Cursos de ética

Pesquisas prévias mostraram que estudantes que fazem aulas de economia têm maior chance de descrever ganância como boa. Parear cursos de ética com economia pode ser benéfico, disse Piff.

A tendência é provavelmente resultado de educação, independência pessoal e os recursos que os ricos têm para lidar com consequências potencialmente negativas, escreveram os autores. Enquanto os testes mediram apenas “infrações menores”, esse fator tornou os resultados ainda mais surpreendentes”, disse Piff.

Um experimento convidou 195 adultos usando o site Craigslist para jogar uma brincadeira na qual o computador “rolava dados” pela chance de ganhar um vale compras de 50 dólares. Os números que cada participante obteve foram os mesmos, qualquer um dizendo ter obtido um total maior do que 12 estava mentindo sobre a pontuação. Aqueles nas classes mais altas tinham mais chance de mentir, disse Piff.

Em outra experiência 129 pessoas ficaram em frente a um pote de doces que os pesquisadores disseram ser de crianças que estavam próximas. O resultado foi que os participantes que se disseram mais ricos pegaram mais doces do que os que se declararam pobres.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

A prisão do futuro

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Por Rodrigo Constantino*
Fonte: ordemlivre.org

O ano é 2030, e o novo presidente do Gabão veio ao Brasil aprender com o PT como ficar 27 anos no poder. Sabendo que as prisões andavam abarrotadas de gente, e que este era um dos grandes segredos do governo, qual seja, manter a população refém de leis arbitrárias, o presidente decidiu fazer uma visita ao presídio de Bangu, um dos mais famosos. Acompanhando o presidente, o Ministro da Justiça, Cesare Battisti, ia explicando cada caso dos prisioneiros:

– Aquele senhor foi preso porque deu uma palmada no filho. Parece que o garoto se recusou a estudar, xingou a mãe e bateu no irmão mais novo. O pai, um selvagem, em vez de conversar com o filho e lhe dar uma educação mais livre, deixando o pobrezinho se expressar nos moldes ensinados pela cartilha do governo, apelou para a violência física e deu uma palmada no garoto. Por sorte uma testemunha viu e denunciou o bandido. Pegou dez anos.

– Aquele outro ali tem concessão para um canal de TV por assinatura, mas se recusou a cumprir a cota estabelecida de 90% de conteúdo nacional e sócio-educativo. Resolveu, em vez disso, passar em horário nobre um enlatado de Hollywood, louvando as conquistas do imperialismo estadunidense. Os nossos ilustres burocratas da Ancine, muito atentos, detectaram o crime no ato, e minutos depois o empresário estava atrás das grades. Doze anos de xilindró para valorizar o interesse nacional.

– O que está no canto, cabisbaixo, foi preso em flagrante pelos nossos Agentes da Saúde, tentando comprar uma aspirina sem receita médica na farmácia. Ele alegou que sofria de fortes dores de cabeça, mas não tinha dinheiro para ir ao médico. Como se isso fosse justificativa para cometer um crime! Pegou cinco anos.

– O ruivo alto do canto direito foi pego em nossa famosa Lei Seca, que há décadas vem salvando vidas (ano passado, por exemplo, morreram somente 80 mil pessoas em acidentes de carro). Ele disse que tomou apenas uma taça de vinho, informação que batia com o teor etílico do bafômetro. Por este crime, ficaria preso só dois anos. Mas resolveu gritar com o policial, e por desacato pegou outros dois anos.

– Aquele branquelo da esquerda foi enquadrado na lei contra o racismo. Foi surpreendido por um de nossos agentes à paisana contando piada de negro em plena praça pública! Tentou argumentar que era apenas uma piada, que na roda tinha até um amigo negro que também ria da piada, mas claro que nada disso serviu para livrar a cara do racista safado. Sabemos como uma piada pode ser subversiva e espalhar o ódio racista de forma sub-reptícia. São sete anos para o branco azedo!

– O malandro deitado ali foi preso por calúnia, difamação e atentado contra a ordem pública. Escreveu uma coluna para aquele jornal de oposição acusando nosso governo de viés autoritário. Os juízes aproveitaram para condenar os donos do jornal também, que terão de pagar uma multa de cem milhões. O articulista vai ver o sol nascer quadrado por oito anos, para aprender a não inventar coisas absurdas.

– Está vendo aquele obeso jogado ali no canto esquerdo? Pois é, esse pegou treze anos por desobedecer à rotina de exercícios diários e, ainda por cima, ser pego comendo fritura e gordura em local público. Só falta agora querer resgatar aquela imagem proibida de um Papai Noel gorducho!

– Aquele outro ao lado dele foi punido pela lei anti-homofobia. Testemunhas o viram afirmar aos quatro ventos que ele preferia ter um filho heterossexual em vez de um homossexual ou bissexual. Onde já se viu uma coisa dessas? Vai ficar preso seis anos para ver se supera este preconceito pequeno-burguês.

– O magrinho ali no meio foi preso quando desafiava a lei da garupa, levando sua namorada, segundo ele diz, na garupa da moto. E se fosse um assaltante? Não podemos tolerar estes abusos sob risco de cair na barbárie. Todos sabem que muitas motocicletas são usadas para a prática de assalto pelo comparsa da garupa. Desde 2014 esta prática está proibida. As taxas de assalto teriam subido bem mais do que os 13% ao ano sem esta medida!

– O mais novinho foi preso por descumprir o toque de recolher. Ousou ficar vagando pelas ruas depois das onze da noite. E o garoto não tem nem 25 anos! Prendemos seus pais também, por irresponsabilidade. Um aninho só para aprenderem como educar direito o filho.

– O moreninho foi pego em uma clínica clandestina para bronzeamento artificial. Depois que a Anvisa vetou esta prática, surgiram algumas clínicas de fundo de quintal com aparelhos de péssima qualidade. Agora o narciso terá que tomar banho de sol natural no pátio do presídio!

Os dois caíram na gargalhada. Enquanto o ministro contava cada caso, o presidente do Gabão anotava tudo com a maior atenção, preocupado em não perder nenhum detalhe. Ele sabia estar diante de uma mina de ouro, de uma receita infalível para se perpetuar no poder. Chegou a vez do último preso daquela unidade:

– O careca ali foi preso por fumar um cigarro dentro de casa, na presença de sua empregada! Mesmo depois de tantas campanhas, dos cadáveres estampados nos maços do cigarro, o imbecil ainda tem a cara-de-pau de acender um cigarro com sua pobre empregada em casa! Colocando em risco um fumante passivo! Expondo a coitada ao risco enorme de um câncer mortal. Vai passar duas décadas na cadeia para aprender o que é bom para a tosse! Até porque o desgraçado não para de tossir por causa do pigarro…

Nova gargalhada. Enquanto Cesare Battisti ciceroneava seu convidado pelo presídio, um subalterno preparava os comes e bebes na sala de visitas, com direito a uma enorme carreira de cocaína para animar a festa.

PS: Para quem acha a ironia absurda demais, recomendo o filme “O Homem do Futuro”, com Wagner Moura e Alinne Moraes. Há uma cena que capturou minha atenção. Zero, o personagem de Wagner Moura, entra em um bar no passado, em 1991, e pergunta ao barman se pode fumar ali. O atendente faz cara de espanto e rebate algo assim: “Isso aqui é um bar, meu amigo, claro que pode fumar!” Pois é. Passaram-se apenas duas décadas, e o que era inimaginável e absurdo de se pensar na época, tornou-se realidade agora. Um bar onde fumar é proibido! Alguém ainda acha a distopia acima tão inacreditável mesmo?

Sobre o Autor

Rodrigo Constantino é economista pela PUC-Rio, com MBA de Finanças pelo IBMEC e trabalha no mercado financeiro desde 1997. É articulista e autor de diversos livros, dentre os quais o novo Liberal com orgulho.

Homens dizem que mulheres pesam demais

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Homens subestimam seu próprio peso, enquanto mulheres são vistas como mais gordas do que realmente são — por elas próprias e por seus companheiros, mostra um estudo.

O instituto de pesquisa dinamarquês AKF recentemente entrevistou mais de mil pessoas sobre seu peso e altura. Elas deveriam se colocar em uma das seguintes categorias de peso: abaixo do peso, normal, um pouco acima do peso, obesa ou severamente obesa.

Auto-imagens diferentes

Os resultados mostraram algumas diferenças claras em como homens e mulheres se enxergavam:
• Homens geralmente subestimam o próprio peso. Muitos dos homens cujos IMCs sugeriam que eram obesos viam seu peso como normal.
• Houve uma tendência de homens e mulheres muito acima do peso subestimarem seu próprio sobrepeso.
• Por outro lado, mulheres cujos IMCs mostravam que estavam abaixo do peso ou que tinham peso normal apresentaram uma tendência a superestimar o próprio peso. Muitas delas descreveram seu peso como normal, ainda que estivessem abaixo do peso, ou como acima do peso, ainda que seu peso estivesse normal.

“Mulheres são provavelmente mais rigorosas com si mesmas, enquanto homens são mais inclinados a pensar que sua aparência está boa”, diz a socióloga Vibeke Tornhøj Christensen, que conduziu o estudo.

Homens também são rigorosos com as mulheres

O estudo ainda mostrou que apesar de a escala de IMC se aplicar igualmente a homens e mulheres, os dois sexos tendem a se medir sob parâmetros muito diferentes — uma tendência que já foi bem demonstrada em estudos similares. Uma das novidades do estudo, no entanto, foi que Christensen também pediu aos participantes para estimar o peso de seus parceiros.

Aqui a pesquisa mostrou que enquanto mulheres tendem a subestimar um pouco o peso dos parceiros, os homens mostraram uma clara tendência a superestimar o peso de suas mulheres quando estas estavam ou abaixo do peso ou com peso normal. De forma geral, um IMC de 22,59 já foi suficiente para que os homens começassem a avaliar suas mulheres como acima do peso, apesar de que é preciso um IMC de 25 ou mais para ser considerado acima do peso.

“Quando homens começam a avaliar mulheres como acima do peso antes que elas estejam, isso vai contra a ideia geral de que homens gostam de mulheres curvilíneas”, diz a pesquisadora. Ela não tem dúvidas de que, se tanto homens como mulheres tendem a superestimar o peso feminino, existe uma clara influência vinda dos ideais femininos de muita magreza mostrados na mídia.

Concepções irreais de peso afetam a saúde

Christensen não está surpresa pela diferença em ideais físicos entre os sexos: “Homens devem ser musculosos e fortes protetores, então é aceito que eles sejam grandes — se é por gordura ou músculo pode ser de menor importância”, ela explica. “Ao mesmo tempo parece haver um ideal que associa feminilidade com magreza”.

Mas subestimar ou superestimar seu peso ou o do seu parceiro pode ser problemático. Por um lado é um sinal de um problema de saúde geral quando homens e mulheres superestimam seu próprio sobrepeso — e essa é uma tendência que vem crescendo, de acordo com um estudo norte-americano de 2008. “Se você não pensa que está acima do peso, há uma chance menor de você fazer um esforço para perder peso”, ela diz.

Por outro lado, uma imagem corporal distorcida pode colocar pressão desnecessária em mulheres: “Pode significar que algumas mulheres ficam se preocupando com o peso sem razão e podem acabar infelizes por não conseguirem se encaixar nos ideais atuais”.

Christensen encoraja pais e autoridades de saúde a fazerem um esforço para distinguir entre o que é saudável e o que são meramente distorções da mídia. “Mas não é fácil, pois existem pessoas que realmente têm que lidar com a obesidade”, ela admite.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Fora do armário e dentro de um cubículo

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

O mundo corporativo não é completamente amigável aos gays, mas as atitudes mudaram dramaticamente. Cerca de 86% das empresas no topo do ranking da revista Fortune hoje proíbem a discriminação com base na orientação sexual. Estas representavam 61% das empresas em 2002. Cerca de 50% também proíbem a discriminação contra transsexuais, comparado com 3% em 2002.

A Campanha por Direitos Humanos, um grupo de pressão norte-americano, mede as políticas corporativas para as minorias sexuais no seu “índice de igualdade” anual. Das 636 companhias que responderam a este questionário este ano, 64% oferecem os mesmos benefícios médicos para parceiros do mesmo sexo e para casais heterossexuais. Cerca de 30% marcaram fabulosos 100% no índice do grupo.

Este progresso também aconteceu em uma vasta gama de setores da economia. O grupo de empresas que receberam a nota mais alta no índice de igualdade previsivelmente contém várias empresas que contratam com base no talento, como bancos e consultorias. Mas também inclui gigantes industriais como a Alcoa, Dow Chemical, Ford, Owens Corning e Raytheon.

Lord Browne, o chefe da BP que renunciou após sua vida sexual virar manchete em 2007, disse que ele sempre se manteve no armário porque “era óbvio para mim que era simplesmente inaceitável ser gay nos negócios, e de maneira ainda mais definitiva no setor do petróleo”. Hoje a Chevron, um dos competidores mais ferrenhos da BP, tem uma avaliação de 100%.

O que causou essa revolução coorporativa? Grupos de pressão podem arrogar parte do crédito. Mas em grande parte ela aconteceu porque a mudança de atitudes na sociedade em grande escala reduziu o custo de ser amigável aos gays e ampliou as recompensas. Há uma geração no Ocidente, criar um ambiente de trabalho amigável aos gays poderia ofender a equipe heterossexual. Hoje, provavelmente, isso não vai acontecer. Mas deixar de tratar os gays com igualdade pode fazer com que eles procurem trabalho em outro lugar. Já que eles representam talvez de 5 a 10% do total de talentos globais, a intolerância torna uma companhia menos competitiva.

A revolução está longe de chegar ao fim. Quase metade dos entrevistados na pesquisa do Center for Work-Life ainda está no armário. E mesmo as companhias mais progressistas não podem compensar a intolerância no resto do mundo. É difícil chegar ao topo de uma companhia grande sem uma experiência no exterior. Mas a homossexualidade ainda é ilegal em 76 países – incluindo economias vibrantes como Dubai e Cingapura – e é punida com a morte na Arábia Saudita, Irã e em partes da Nigéria.

Ainda assim, a revolução gay no ambiente de trabalho é notável. Na maioria dos lugares as empresas são mais liberais que os governos. Nos EUA, por exemplo, até o ano passado os soldados podiam ser expulsos do Exército por serem gays; 29 estados ainda permitem a discriminação com base na preferência sexual. Nos próximos anos a revolução deve ganhar ainda mais espaço.

Estamos ficando mais burros?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Se você ligar a TV, fizer testes padronizados ou passar uma hora de bobeira no YouTube, é difícil não imaginar: a nossa espécie está regredindo? As pessoas estão ficando mais burras? Por James Flynn

Em um teste de QI, uma pessoa comum estaria hoje 30 pontos acima dos seus avós, então não estamos ficando mais burros. Mas será que somos mais inteligentes? Essa é uma questão mais complicada. Na verdade, é o tema do meu próximo livro: Estamos ficando mais inteligentes? Aumento do QI e o Século XXI.

Se a pergunta é “Temos um cérebro com maior potencial ao nascer?” ou “Nossos ancestrais eram muito estúpidos para lidar com o mundo concreto do dia-a-dia?”, a resposta é não. Se a pergunta é “Vivemos em um tempo que representa uma maior variedade de problemas cognitivos do que nossos ancestrais encontraram?” e “Será que desenvolvemos novas habilidades cognitivas e o tipo de cérebro que consegue lidar com elas?”, a resposta é sim.

Eu preferiria dizer que nossas mentes são ‘mais modernas’ do que aquelas dos nossos ancestrais. Eles viviam em um mundo que era concreto e utilitário. Em 1900, crianças na escola eram perguntadas “Quais são as capitais dos estados do país?”. Hoje, elas são perguntadas “Se representantes rurais dominassem a legislatura estadual, onde colocariam a capital?” (a resposta é que, por eles odiarem grandes cidades, colocariam a capital do estado em Albany ao invés de Nova York, por exemplo). Em outras palavras, nós levamos a aplicação de lógica a situações hipotéticas a sério, além disso, claro, jogamos vídeo games que nos levam a mundos hipotéticos e simbólicos.

Como resultado, estamos mais bem preparados para aprender sobre ciência, que lida com hipóteses e abstrações, e até para pensar melhor sobre ética. Se você perguntasse ao meu pai, “E se você acordasse um dia e fosse negro?”, ele diria que isso é ridículo. Mas um racista moderno teria que levar a questão mais a sério. Ele teria que dizer que negros são dignos de discriminação não apenas por serem negros, mas por causa de algum defeito genético. Imediatamente, a objetividade da ciência entra no debate e o leva a um nível superior.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Cientistas recriam planta de 32 mil anos na Rússia

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cientistas russos anunciaram ter conseguido recriar uma planta, encontrada no Ártico, que estaria congelada há 32 mil anos durante a última Era do Gelo. A equipe de pesquisadores conseguiu o feito graças a sementes de uma flor encontradas em uma toca escondida em um pergelissolo (ou permafrost: solo composto por terra, gelo e rochas congelados permanenetemente) na margem do rio Kolyma, no nordeste da Sibéria. O trabalho foi publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

As sementes da espécie Silene stenophylla haviam sido armazenadas na toca por esquilos pré-históricos há mais de 30 mil anos. Apesar de a S. stenophylla ainda existir na Sibéria, trata-se da planta mais velha a ter sido regenerada com sucesso. Pesquisadores canadenses já conseguiram recriar plantas bem mais jovens a partir de sementes fossilizadas.

Dentro das 70 tocas de esquilos encontradas entre 20 e 40 metros abaixo da cobertura de gelo do permafrost, cientistas acharam ainda ossos de mamute e outros animais além de milhares de frutas e sementes preservadas graças ao frio e a impermeabilidade do ambiente. Esta é a primeira vez que uma planta foi regenerada com sucesso a partir de sementes preservadas pelo gelo. Nas tentativas prévias as sementes germinavam, porém morriam logo depois.

Procedimento

Os cientistas utilizaram amostras de tecido da placenta, que é responsável por fixar as sementes no interior dos frutos, de exemplares atuais da planta unindo-o às sementes preservadas pelo gelo. Com essa técnica as plantas cresceram e se desenvolveram. Segundo os pesquisadores da Academia de Ciências Russa, elas são o mais velho organismo multicelular vivo da Terra.

As plantas geradas pela técnica já produziram sementes férteis, que por sua vez, geraram uma segunda geração de plantas também férteis. Os cientistas observaram diferenças entre as versões antiga e atual da espécie. A antiga produziu mais brotos, porém demorou mais para se enraizar à terra do que os exemplares modernos. Eles acreditam que a planta antiga era mais adaptada ao ambiente extremo da última Era do Gelo.

O sucesso da experiência abre caminho para que outras espécies antigas, até mesmo extintas, possam ser regeneradas. O ecossistema do Hemisfério Norte durante a Era do Gelo que era coberto por campos áridos e frios, desapareceu há 13 mil anos. Os cientistas acreditam que é possível encontrar tecidos de plantas ainda mais antigas, cujo estudo pode ajudar a compreender mudanças evolutivas em uma linha do tempo maior e a ecologia de períodos distantes.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Mitos e verdades sobre a bebedeira

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Saiba quais as atitudes mais adequadas em caso de excesso no consumo de álcool.

 Café, azeite, leite. Qual é o melhor remédio para curar a bebedeira? O senso comum costuma usar essas técnicas para amenizar os efeitos da embriaguez, mas será que algum deles funciona de fato? “O consumo de álcool em excesso pode gerar diversos riscos, e não há nada que possa diminuir os efeitos que ele acarreta”, afirma o Dr. Francis Fujii, médico de família e patologista clínico do Bronstein Medicina Diagnóstica/ DASA.
 
Um dos perigos do consumo abusivo de bebidas alcoólicas está relacionado à hipoglicemia, baixa na taxa de glicose sanguínea, que pode levar uma pessoa a desmaios ou ao coma alcoólico. “O uso do álcool, principalmente em momentos festivos, como o carnaval, pode ser agradável. Mas as consequências, principalmente se houver abusos, podem ser graves”, explica o especialista.
 
Ficar alcoolizado está relacionado à ingestão (quantidade) e metabolização do álcool, ou seja, sua eliminação do organismo. Isso acontece principalmente pelos rins, que fazem 90% do trabalho, mas também pelos pulmões e pele.
 
Segundo o patologista clínico, costumes como o de beber muita água antes do álcool, ingerir azeite, leite ou refrigerantes não ajuda a diminuir os efeitos do consumo excessivo de álcool.
 
“A ingestão dessas substâncias podem ajudar a combater os sintomas como desidratação e hipoglicemia, mas não corta a embriaguez”, afirma Dr. Fujii. No entanto, tomar uma xícara de café forte ajuda a deixar o corpo mais alerta, fazendo com que, aos poucos, os efeitos do álcool diminuam.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Sete pessoas que não deixarão sua herança para os filhos

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Bill Gates

O fundador da Microsoft, Bill Gates é o segundo homem mais rico do mundo, com um patrimônio de 56 bilhões de dólares. No entanto, segundo declarações de Gates à imprensa, seus três filhos receberão apenas uma “minúscula” fatia dessa herança. Estima-se que Jennifer Katharine, Phoebe Adele e Rory John receberiam 10 milhões de dólares cada.

“Não acho que essa quantidade dinheiro faria bem a eles. Eles terão que encontrar o próprio caminho”, disse Bill Gates em entrevista ao jornal britânico Daily Mail. A maior parte do seu patrimônio irá para a fundação filantrópica Bill & Melinda Gates, que ele fundou junto com a mulher.

Warren Buffett

99% do patrimônio de 50 bilhões de dólares de Warren Buffet serão doados, sendo 85% destinados à Bill & Melinda Gates Foundation, projeto filantrópico do fundador da Microsoft. A seus três filhos — Susie, Howard e Peter — Buffet disse querer dar “o suficiente para que eles sentissem que podem fazer qualquer coisa, mas não tanto que eles sentissem que não precisam fazer nada”.

Michael Bloomberg

Os 19,5 bilhões de dólares do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, devem ir quase integralmente para a caridade. Ele declarou uma vez que “o melhor planejamento financeiro termina com o cheque do coveiro voltando”.

Emma e Georgina, as duas filhas de Bloomberg, foram personagens de um documentário chamado “Born Rich”, sobre a vida de crianças nascidas em famílias extremamente ricas.

Ted Turner

Aos 24 anos de idade Ted Turner transformou a companhia de outdoors que herdou após o suicídio do pai em 1963, em um império bilionário da mídia, incluindo a rede de notícias CNN. Estima-se que Turner, que já doou mais de 1 bilhão de dólares para projetos ligados à ONU, teria uma fortuna de 2 bilhões de dólares.

Em entrevistas recentes ele disse ter apenas alguns milhões na conta bancária e que esperava ter o suficiente para pagar seu enterro quando morrer. Os cinco filhos de Turner deverão dividir o que restar do seu patrimônio.

T. Boone Pickens

T. Boone Pickens é dono de um patrimônio de 1,4 bilhão de dólares que conseguiu por meio de uma agressiva estratégia de aquisições. Ele começou a ganhar seu próprio dinheiro entregando jornais aos 12 anos, por isso não é de se estranhar que não vá deixar a maior parte da sua herança para os quatro filhos. A metade do dinheiro ele já se comprometeu a doar para caridade. Em entrevista ele disse não ser “um grande fã de fortunas herdadas. Normalmente faz mais mal que bem”, disse.

William Barron Hilton

Hoje com 2,5 bilhões de dólares, William Barron Hilton herdou do pai, Conrad Hilton, apenas 500 mil. O herdeiro da rede de hotéis Hilton recorreu à justiça para exigir uma parcela maior do patrimônio do pai, que havia decidido doar 97% do seu dinheiro para caridade.

Ele conseguiu aumentar sua herança recebendo 4 milhões de ações da companhia, mas já decidiu seguir os passos do pai e deixar 97% da sua fortuna para a Conrad N. Hilton Foundation. Seus oito filhos e muito netos, entre eles a socialite Paris Hilton, irão dividir os demais 3%.

Bernard Marcus

Bernard Marcus, um descendente de russos que fundou a Home Depot, tem um patrimônio de 1,9 bilhão de dólares. Mas a maior parte desta fortuna não será deixada para os seus três filhos, e sim para a sua fundação, a Marcus Foundation, que é voltada para a educação e o cuidado de deficientes.

Vídeo de arrepiar: um Jumbo Boeing 747 é atingido por um raio — e segue firme, como um navio

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Por Ricardo Setti – veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/

Imagens de arrasar: um gigantesco avião Jumbo 747 da Boeing é atingido por dois raios em uma decolagem, e segue voo, como se nada tivesse acontecido.

O incidente aconteceu no Aeroporto Internacional de Narita, em Tóquio, no Japão, e não se deu uma tragédia horrível porque a carcaça do avião comporta-se como um condutor elétrico de forma a que o raio prossiga sua trajetória rumo ao solo, onde será descarregado.

Ao fenômeno dá-se o nome de “gaiola de Faraday”: a descarga elétrica permanece no exterior, até encontrar o equilíbrio necessário para continuar sua trajetória, enquanto no interior a eletrização é nula.

Tal artifício é usado para proteção de instalações perigosas, como armazenagem e preparação de explosivos, por exemplo.

Brasil: de empresa a sociedade biocentrada

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Por Leonardo Boff – congressoemfoco.com.br

Há interpretações clássicas sobre a formação da nação-Brasil. Mas esta do cientista político Luiz Gonzaga de Souza Lima é seguramente singular e adequada para entender o Brasil no atual processo mundial de globalização: A Refundação do Brasil: rumo a uma sociedade biocentrada (Rima,São Carlos 2011). Seu ponto de partida é o fato brutal da invasão e expropriação das terras brasileiras pelos “colonizadores” à base da escravidão e da superexploração da natureza. Não vieram para fundar aqui uma sociedade, mas para montar uma grande empresa internacional privada, uma verdadeira agroindústria, destinada a abastecer o mercado mundial. Ela resultou da articulação entre reinos, igrejas e grandes companhias privadas como a das Índias Ocidentais, Orientais, a Holandesa (de Mauricio de Nassau), com navegadores, mercadores, banqueiros, não esquecendo as vanguardas modernas, dotadas de novos sonhos, buscando enriquecimento rápido.

Ocupada a terra, para cá foram trazidas matrizes (cana de açúcar e depois café), tecnologias modernas para a época, capitais e escravos africanos. Estes eram considerados “peças” a serem compradas no mercado e como carvão a ser consumido nos engenhos de açúcar. Com razão, afirma Souza Lima: “O resultado foi o surgimento de uma formação social original e desconhecida pela humanidade até aquele momento, criada unicamente para servir à economia; no Brasil nasceu o que se pode chamar de ‘formação social empresarial’”.

A modernidade no sentido da utilização da razão produtivista, da vontade de acumulação ilimitada e da exploração sistemática da natureza, da criação de vastas populações excluídas, nasceu no Brasil e na America Latina. O Brasil, neste sentido, é novo e moderno desde suas origens.

A Europa só pôde fazer a sua revolução, chamada de modernidade, com seu direito e instituições democráticas, porque foi sustentada pela rapinagem brutal feita nas colônias. Com a independência política do Brasil, a formação social empresarial não mudou sua natureza. Todos os impulsos de desenvolvimento ocorridos não conseguiram diluir o caráter dependente e associado que resulta da natureza empresarial de nossa conformação social. A tendência do capital mundial global ainda hoje é tentar transformar nosso eventual futuro em nosso conhecido passado. Ao Brasil cabe ser o grande fornecedor de commodities para o mercado mundial, com parco valor agregado.

A empresa Brasil é a categoria-chave, segundo Souza Lima, para se entender a formação histórica do Brasil e o lugar que lhe é assinalado no processo atual de globalização desigual. O desafio consiste em gestar um outro software social que nos seja adequado, que nos desenhe um futuro diferente. A inspiração vem de algo bem nosso: a cultura brasileira. Ela foi elaborada pelos escravos e seus descendentes, pelos indígenas que restaram, pelos mamelucos, pelos filhos e filhas da pobreza e da mestiçagem. Gestaram algo singular, não desejado pelos donos do poder que sempre os desprezaram e nunca os reconheceram como sujeitos e filhos e filhas de Deus.

O que se trata agora é refundar o Brasil, “construir, pela primeira vez, uma sociedade humana neste território imenso e belo, o que nunca ocorreu em toda a era moderna, desde que o Brasil foi fundado como empresa; fundar uma sociedade é o único objetivo capaz de salvar nosso povo”.Trata-se de passar do Brasil como Estado economicamente internacionalizado para o Brasil como sociedade biocentrada.

Enquanto sociedade humana biocentrada, o povo brasileiro deixará para trás a modernidade, apodrecida pela injustiça e pela ganância, e que está conduzindo a humanidade a um abismo. Não obstante, a modernidade entre nós, bem ou mal, nos ajudou a forjar uma infra-estrutura material que pode permitir a construção de uma biocivilização que ama a vida em todas as suas formas, que convive pacificamente com as diferenças e com capacidade de sintetizar os mais diferentes fatores.

É neste contexto que Souza Lima associa a refundação do Brasil às promessas de um mundo novo que deve suceder a este agonizante, incapaz de projetar qualquer horizonte de esperança para a humanidade. O Brasil poderá ser um nicho gerador de novos sonhos e da possibilidade real de realizá-los em harmonia com a Mãe Terra e aberto a todos os povos.

Por que zebras são listradas?

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

“Como a zebra conseguiu suas listras” soa como o título de uma história infantil. Mas não é, e a pergunta foi, ao invés disso, deixada aos zoólogos. Mas eles também deixaram suas imaginações viajarem. Alguns especularam camuflagem (Charles Darwin ridicularizou essa ideia, apontando que zebras pastavam em campo aberto, não em meio à vegetação espessa, onde uma série de listras poderia confundir seus contornos). Outros sugeriram que elas eram uma forma de chamar a atenção de outras zebras do sexo oposto. Listras irregulares não produziriam muito interesse em parceiros em potencial. Um pesquisador propôs que as listras são para as zebras o que rostos são para pessoas, permitindo a elas reconhecerem umas as outras, já que cada animal tem um padrão único. Outro até especulou que predadores poderiam ficar tontos olhando um rebanho de zebras galoparem.
 
Eis que surge, no entanto, uma outra ideia: as listras são uma forma sofisticada de repelente de moscas. Isso foi originalmente proposto nos anos 80, mas nunca foi provado. Agora, um grupo de pesquisadores liderados por Gabor Horvath, da Universidade Eotvos, em Budapeste, relataram no Journal of Experimental Biology que eles acreditam terem conseguido comprovar a tese.
 
A sugestão original era que as listras repeliam especificamente as moscas tsé-tsé. Esses insetos carregam a doença do sono, que é uma maldição tanto de ungulados (animais com casco) quanto para pessoas. Mas as tsé-tsés não são os únicos inimigos dípteros das zebras e, já que são raramente encontradas nos prados da Hungria, Horvath estudou uma alternativa quase tão desagradável: o moscardo.
 
Moscardos também transmitem doenças. Eles também mordem incessantemente, atrapalhando dessa forma os animais de pastoreio a comerem. De fato, estudos anteriores mostraram que ataques de moscas a cavalos e gado reduziam suas gorduras corporais e a produção de leite. Tais estudos também mostraram algo estranho: moscardos atacam preferencialmente cavalos pretos a cavalos brancos. Esse fato levou Horvath a se perguntar como eles reagiriam a um cavalo listrado — em outras palavras a uma zebra.
 
O experimento
 
É difícil fazer experimentos com zebras de verdade. Elas insistem em ficar se mexendo e balançando seus rabos. A equipe, portanto, conduziu o estudo usando objetos inanimados. Alguns eram pintados uniformemente claros e alguns tinham listras de largura variada. Alguns eram bandejas de plástico enchidas de óleo de salada (uma armadilha para qualquer inseto que pousasse). Alguns eram quadros cobertos de cola. E alguns de fato eram modelos de zebra. Eles colocaram esses objetos em um campo infestado de moscardos e contaram o número de insetos que eles prenderam.
 
Sua primeira descoberta foi que listras atraem menos moscas do que cores sólidas e uniformes. Mais intrigante, no entanto, foi a descoberta de que o padrão menos atraente de listras é precisamente o tipo encontrado nas zebras. Listras de zebras, portanto, parecem repelir moscardos.
 
Exatamente o porquê ainda não está claro. Mas Horvath acredita que pode estar relacionado à habilidade do moscardo de enxergar luz polarizada, que impõe um senso de horizontal e vertical em uma imagem. Sabe-se que moscardos preferem luz polarizada horizontal. Possivelmente, as listras na maioria verticais confundem o minúsculo cérebro da mosca e assim a impedem de ver o animal.
 
Outra questão óbvia, no entanto, é por que outras espécies não evoluíram essa elegante forma de repelente de moscas, e quais seriam as consequências se elas tivessem. Se humanos, por exemplo, fossem listrados de preto e branco, a história da violência entre comunidades que ocorreram quando diferentes raças se encontraram poderia não ter sido tão ruim. Uma para Kipling ter ponderado, talvez? (mais…)

Baseado em fatos reais

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
 
 
Por Percival Puggina
 
 
O que vou contar aconteceu numa cidade do interior. Por uma questão de prudência que os leitores certamente entenderão e desculparão, será preciso omitir detalhes e nomes dos personagens.Havia nessa cidade uma importante empresa que respondia por muitos empregos e tinha peso significativo na vida da comunidade. Era uma organização antiga, que atuava em diversos segmentos, sob o comando centralizado e pessoal do diretor-presidente. Certa feita (para mim, relato sem “certa feita” situa-se fora do tempo), chegou ao município uma senhora, com formação na área de economia, especialidade bem incomum naquelas bandas onde passou a lecionar e a escrever artigos com análises das características, potencialidades e gargalos do desenvolvimento local.

Com o tempo, tornou-se consultora requisitada, trabalhou para a prefeitura, e foi conquistando a confiança da comunidade malgrado certas reticências que circundavam e envolviam o seu passado. Quando o peso dos anos (“peso dos anos” é outra expressão boa e verdadeira) começou a incidir sobre o diretor-presidente da organização, ele se lembrou da economista e resolveu convidá-la para assumir uma função gerencial a ser exercida em conjunto com ele. Antevia-se uma mudança na estrutura da empresa e uma profissionalização de sua gestão.

O arranjo funcionou durante vários anos, ao longo dos quais a gerente foi ampliando seu raio de ação e seu poder, passando, na prática, a dirigir tudo com mão de ferro. Ficou conhecida, no âmbito interno e externo, como pessoa dura no trato, inflexível, exigente, detalhista e centralizadora. Tudo passava por ela que, infatigável, parecia nascida para aquelas minuciosas tarefas. Diplomacia e política não eram peças de seu cardápio. Pão, pão e queijo, queijo. A empresa, num mercado pouco competitivo, ia bastante bem, com desempenho positivo sob o impulso de ventos favoráveis da economia. Assim, quando o diretor-presidente decidiu se afastar em definitivo, resultou consensual que caberia a ela assumir oficialmente o posto.

Poucos meses mais tarde, surgiram boatos. Havia algo errado. De início era apenas um zum-zum interno. Mas o zum-zum chegou às ruas, e rapidamente atingiu aquele lugar onde não poderia entrar sem causar comoção: o café da cidade. Dali para o jornal local era só meia quadra. E o diretor do periódico não era do tipo que sentasse em cima das matérias. Aliás, é assim mesmo que as coisas funcionam. O problema vai para a rua e quando retorna das ruas, em letra de forma, já é encrenca grossa. Resultado: começaram as investigações, as auditorias e o que se ficou sabendo estarreceu a todos. Havia muito tempo a empresa vinha sendo rapinada internamente. Roubava-se no almoxarifado, na tesouraria, no setor de compras, no comercial, na manutenção, no pessoal. Onde quer que mexessem, apareciam falcatruas dos encarregados.

Naquele santuário da comunicação social – o café da cidade – as pessoas mais esclarecidas se perguntavam: como pode alguém ter adquirido fama de boa gestora enquanto a organização que “dirigia com mão de ferro” vivia esse completo descontrole? Só os tolos não se davam conta disso.

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* Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões