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Um carnaval de cinzas!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

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Por Claudio Schamis
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Peço desculpas, mas aproveitando a quarta-feira de cinzas e já fazendo uma analogia de cinzas e do que foi esse carnaval, principalmente no Rio, hoje a coluna será um pouco egoísta e vai falar do que restou do Rio de Janeiro.

Eu fugi do Rio. Não pensei duas vezes, imagine três. Como muitos sabem, hoje tenho um trabalho, não um emprego. Sou motorista de aplicativos de mobilidade, justamente por falta de emprego e de uma oportunidade de voltar ao mercado formal de trabalho. E poderia estar animadíssimo em trabalhar no carnaval, que é supostamente uma época em que se pode ganhar um bom dinheiro — há controvérsias — dirigindo um Uber, um Cabify, um 99 Pop. Mas a minha experiência do carnaval de 2017 e o aumento impressionante da violência foram determinantes em me fazer,  como disse, fugir do Rio.

Mesmo vendo os relatos de amigos motoristas, tenho a plena certeza de que fiz a escolha certa.

Aqui do alto da serra, mais precisamente em Teresópolis, num condomínio chamado Fazenda da Paz, assisti ao show de horror que foi esse carnaval.

Fiquei enojado — na verdade mais ainda — da cidade (que já foi) maravilhosa cantada por Caetano Veloso, na famosa marchinha de carnaval “Cidade Maravilhosa”.

A cidade do Rio de Janeiro é linda realmente, mas vista do alto do Corcovado ou do Pão de Açúcar. Aqui no asfalto ela está podre, nojenta, irreconhecível e feia.

O Rio de Janeiro é um dos cartões postais do Brasil. Quem não conhece o Rio de Janeiro, mesmo que de ouvir falar? Só que o que aconteceu nesse carnaval é algo que temos que parar tudo e exigir uma solução.

Não é fácil, eu sei. Mas a violência no Rio está num nível que é até difícil de se definir. Ainda mais com a cidade falida do jeito que está, tudo tende a piorar mais ainda. E será que pode ficar pior? Sim, pode.

Estamos entrando numa era em que nós que trabalhamos para ter mais conforto, poder ter um bom celular, um bom carro, sair para se divertir, ter coisas que nos deem prazer. Estamos sendo obrigados a fazer opções somente porque não podemos ter isso, fazer aquilo, pois é perigoso.

Os arrastões, os assaltos e  as agressões, dentro e fora dos blocos, deram as cores desse carnaval. Perdeu-se totalmente a essência da festa em si. Da confraternização de ideias, povos e culturas. Conseguiram banalizar a cidade.

As cenas que vi e que o mundo viu são dantescas. São cenas que têm obrigação de envergonhar cada carioca que clama por paz. Turistas (e cariocas) agredidos, assaltados, vão cada vez mais fazer com que o Rio de Janeiro deixe de ser uma opção de turismo nas próximas férias. Ou uma opção de morar, principalmente no caso dos cariocas. Muitos estão fugindo do Rio.

E enquanto isso, as autoridades fazem pouco caso, quando tentam minimizar os acontecimentos. O prefeito do Rio, que foi para a Alemanha, diz para não bebermos e não tirarmos muitas selfies. O governador diz que o carnaval terá um reforço grande de policias e que será tudo maravilhoso. E ainda acusa a imprensa de fazer um alarde maior sobre a violência do que ela realmente é.

Governador! É fácil falar de dentro de um blindado, com segurança e podendo se locomover de helicóptero. Queria ver você enfrentando engarrafamento na Linha Vermelha, naLinha Amarela e na Avenida Brasil, as principais vias da cidade que foram fechadas algumas vezes por causa dessa mesma violência que você afirma que não é bem assim.

O Rio está sitiado. Estamos numa guerra civil. Bandidos assaltam indiscriminadamente a qualquer hora do dia e em qualquer bairro. Não existe mais fronteiras de onde é mais ou menos perigoso. Zona Sul, norte ou oeste… é tudo igual. E tudo a qualquer hora e momento. Até marmita eles estão roubando — e com equipamentos de guerra.

Somos uma cidade sitiada não declarada. Ainda não temos toque de recolher oficial, mas nós mesmos criamos um. As nossas rotas do nosso ir e vir não são muitas vezes pelo caminho mais rápido, e sim pelo menos perigoso.

E assim vamos sobrevivendo a cada dia. Rezando ao sair de casa e ao chegar com vida.

A violência não é um privilégio do Rio. Acredito que ela esteja presente no país inteiro com intensidades diferentes. Mas o grande problema é que um espirro no Rio de Janeira pode virar notícia internacional, não querendo desmerecer as demais cidades do Brasil.

E se o turismo no Rio de Janeiro pode ajudar a aquecer a economia com todos os desdobramentos que podemos ter, mais empregos, mais consumo e mais investimentos em empreendimentos, o que acaba refletindo no país como um todo, temos que exigir do governo estadual e federal uma solução. Tolerância zero.

Temos que nos conscientizar que a brincadeira de carnaval acabou e não devemos nos iludir que estamos em ano de Copa do Mundo. Vamos focar mais na nossa realidade e em nossas vidas, pois o resto é o resto.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão.

Fechado para reforma!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

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O ano está acabando — Graças a Deus — e o presidente Michel Temer continua articulando a compra de votos de deputados para a famigerada reforma da previdência. Como fez com relação à votação sobre a sua denúncia. Nessa ocasião foram liberados perto de R$ 6 bilhões que ele distribuiu entre seus comprados. Fora os cargos.
Vale explicar que o termo fechado para reforma não é exatamente do verbo fechar, mas sim da expressão “estar fechado com alguém ou alguma coisa”. Que é o que acontece em Brasília. Ou seja, se você não fecha um bom acordo, o seu projeto, por pior ou melhor que seja, não avança e vai para a gaveta. Como se houvesse muito deputado realmente preocupado em lutar por nós. Uma vez em Brasília, o povo que se exploda.

O deputado Tiririca, por exemplo, em entrevista ao repórter Roberto Cabrini, contou sobre os bastidores do mundo podre da política. Disse que era convidado para jantares secretos e que ofereciam dinheiro em troca de um voto. Disse que apresentou projetos, mas que não foram para frente, pois em Brasília existe a moeda do escambo. O toma lá, dá cá. Incompreensível para ele, o que dirá para nós! Tive uma outra visão do palhaço Tiririca.

E cheguei a uma conclusão: ou trocamos tudo, ou 2018 será mais um ano perdido.

Tínhamos que aproveitar esse único momento em que o Congresso tem a pior reprovação da história com um índice chegando a 60% e se unir em um propósito maior.

Mas com o histórico do povo votante, sabe-se que não se pode esperar grandes mudanças nos caciques que mandam por lá. Mesmo que essa rejeição seja a maior até hoje conseguida por puro mérito deles próprios.

Eu sinceramente não acredito em grandes mudanças. Nem no Congresso, nem no Planalto. E temo muito por esse último. Não temos ainda muita coisa definida, mas temos um veio podre de lama se desenhando. Se é que podemos considerar a existência de um veio. Mas tenho certeza que você entendeu o recado.

Não sei como as pessoas conseguem ficar paralisadas diante dessa “Black Friday” que poderia se chamar “Black Week”, onde a figura mais poderosa do país vai às compras na cara de tudo e de todos e ninguém simplesmente faz nada para anular a compra de votos.

Talvez só aqui no Brasil um presidente denunciado que conseguiu escapar agora de uma investigação sobe em suas tamancas, cospe na cara de cada um de nós, apresenta seu discurso de pobre coitado e salvador da pátria — que pátria mesmo estamos falando? — e continua sua podre presidência querendo sair lindo na foto enquanto o seu país — que deixou de ser nosso há muito tempo — apodrece e se afunda a cada dia mais, apesar de integrantes do seu governo virem dizer justamente o contrário.

Nós que estamos sendo massacrados pela falta de emprego, inflação e aumentos abusivos temos que ouvir e tentar sorrir. Será? Mas como pode o país estar crescendo, a inflação estar baixando, se eu estou sobrevivendo como posso para pagar as minhas contas? Como o gás de cozinha pode subir de novo se o último ainda nem esquentou ainda, pois foi no último dia 5 de novembro, lembrando que em 10 de outubro, esse mesmo gás sofreu também reajuste? E a luz? Bandeira vermelha. E a incompetência de vocês em gerar energia de outra forma num país que tem sol praticamente o ano todo?

Como é isso? Isso é como é. E é assim. Ame-o ou não, melhor deixá-lo. O tal do ame-o ou deixe-o nem deveria existir mais. Qual a vontade que tenho para ficar aqui? Sol? Grande coisa. Tá frio? Compro um casaco. Tá nevando? Ótimo, vamos fazer um boneco de neve. Que qualidade de vida posso ter aqui? Como posso pensar em criar um filho nessa selva? (ainda mais morando no Rio de Janeiro). Mude do Rio. Poderia ser, se não tivesse o problema macro: o governo, os políticos e a forma deles trabalharem. Ou seja, eu me mudando para Uberlândia, BH, SP ou para o Acre, o problema macro iria me acompanhar onde fosse. Em outras palavras, não ia resolver a minha QUESTÃO.

Então fico me questionando, e agora?

Até quando Gilmar Mendes?

Tenho outro questionamento. Até quando vão permitir que o ministro Gilmar Mendes faça o que bem ele quer com presos que lutamos tanto para ver atrás das grades?

Como ninguém até agora colocou Gilmar Mendes no seu devido lugar e até o considerou impedido de julgar certos casos? Ou pelo menos a suspeição de Gilmar. Falta o quê, um homem? Mas temos uma mulher! A presidente do STF, a ministra Carmem Lúcia, que quer na verdade julgar logo o impedimento de Gilmar que já concedeu três habeas corpus para liberar Barata e Lélis Teixeira. Alguém prende e ele faz o favor — para alguém — de soltar. Fora que esse mesmo Gilmar Mendes negou que o presidiário de alcunha Sérgio Cabral (que por acaso foi governador do estado do Rio de Janeiro) fosse transferido para um presídio federal bem longe do Rio que ele destruiu. Eu na verdade, esperava francamente que o próprio ministro se considerasse impedido por suas relações pessoais com os presos. Mas como estamos falando de Gilmar, difícil isso acontecer.

Abro aqui um parênteses para dizer que na verdade temos outra mulher, a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Então, mulheres, por favor, mostrem o poder e a força de vocês!
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Salve as baleias. Não jogue lixo no chão.

 

Autor: Claudio Schamis

Lista de desejos para Papai Noel!

domingo, 3 de dezembro de 2017

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Por Claudio Schamis
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Ainda faltam alguns dias para o Natal, mas se já é natal na Leader Magazine, resolvi me antecipar com meus pedidos. Vai que o bom velhinho me atende? Na verdade, nos atende, pois acredito que meus desejos seja o de muitos de vocês!

Gostaria que alguns dos presos da Lava Jato, cujas sentenças somam mais de 300 anos de prisão, voltassem ao cárcere e deixassem suas mansões e suas tornozeleiras eletrônicas.

E que não possam, já no próximo ano, fazer viagens até para o exterior como é o caso de Fernando Baiano, o lobista do PMDB que pegou 22 anos de prisão; de Alberto Youssef, o doleiro que pegou 120 anos e 6 meses de prisão, mas que cumpre pena em seu apartamento milionário no Ibirapuera; e de Paulo Roberto Costa, que foi sentenciado a 75 anos de prisão, mas cumpre a pena em sua casa milionária.

Isso na verdade é um presente para quem matou milhares de pessoas com seus roubos. Estamos falando além do crime de quadrilha, corrupção, assassinatos (indiretos, mas assassinatos). A Lava Jato não está aí para distribuir presentes. A Lava Jato não é o Baú da Felicidade. A Justiça sim, o é.

Gostaria que fosse obrigatório aos candidatos não terem seus nomes envolvidos nem em investigação. Seria algo antes mesmo da ficha limpa. Está sendo investigado? Chama o próximo.

Gostaria que fosse criada oficialmente uma cota de corrupção. Já que eles fazem assim mesmo, que tenhamos pelo menos uma cota e um teto. Oficiais. Agora, se o partido X, o partido Y teriam a mesma cota, aí é outra questão. Isso poria fim a hipocrisia de que teríamos um país livre de corrupção. Isso não existe. Acho que nem em Contos da Carochinha. Resta saber se os políticos de plantão iriam respeitar a cota, ou iriam burlar o sistema.

Gostaria que crimes cometidos por políticos fossem julgados por um júri popular e nunca mais pelos próprios políticos. Essa de um político lava outro político tinha que acabar. (Fazendo um trocadilho com “uma mão lava a outra”).

Gostaria que as regalias exageradas dadas aos políticos fossem revistas. Auxílio moradia? Auxílio paletó? Se os mortais têm que se virar para se vestir apropriadamente para o trabalho sem que se ganhe auxílio para tal, que nossos políticos também tenham o mesmo tratamento. Auxílio combustível? Por que político tem que ter carro e gasolina? Que usem os próprios carros, que paguem pelo seu combustível. Muito caro? Vai de Uber, de Cabify, de 99. Ainda caro? Ônibus. Metrô. BRT. VLT. Bicicleta.

Gostaria que a Receita Federal olhasse com bons olhos os patrimônios de todos os políticos e fizessem contas; se um deputado ganha R$ 33 mil, como ele pode ter um patrimônio matematicamente difícil de explicar e nada compatível com o que entra oficialmente. Isso é pedir muito? Tô exagerando?

Gostaria que o governo assumisse a culpa de seu déficit sem que seja imputado ao povo o dever de cobrir esse rombo através do aumento de impostos ou até da criação de novos impostos. Na verdade a culpa do déficit atende pela alcunha de Incompetência.

Gostaria que se limitasse em 2 mandatos a vida política de deputados, senadores, o que obrigaria que eles andassem na linha para depois não ficarem desempregados. Difícil dar emprego a um ladrão.

Gostaria de um green card, ou que Portugal, Austrália, Canadá, me aceitassem como cidadão.

Gostaria de um emprego normal, com carteira assinada.

Gostaria de ser alguns centímetros mais alto.

Gostaria que meu plano de saúde tivesse um preço decente.

Gostaria…

São tantas outras coisas, mas para não deixar Papai Noel numa saia justa, preferi parar por aqui minha humilde lista de desejos.

Será que pode ser, Papai Noel?

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão.

Estudo associa terremotos à desaceleração da Terra

domingo, 3 de dezembro de 2017

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Uma pesquisa elaborada por dois cientistas americanos indica uma relação entre a diminuição da velocidade de rotação da Terra com o aumento de terremotos de grande intensidade e alerta que pode haver mais tremores devastadores em 2018.

A desaceleração do movimento de rotação é um fenômeno comum, que faz com que o planeta demore um pouco mais de 24 horas para dar uma volta completa em torno do seu próprio eixo. Entretanto, os pesquisadores descobriram que essa pequena mudança pode intensificar a atividade sísmica do planeta.

Segundo o estudo, a Terra tende a registrar mais terremotos de grande impacto em períodos que está girando mais lentamente. Os pesquisadores ainda apontam que esse aumento é periódico e costuma aparecer a cada 30 anos, aproximadamente.

A pesquisa foi feita após os dois cientistas observarem os registros históricos de grandes terremotos desde 1900. A partir daí, identificaram picos de atividade sísmica de grande intensidade em 1910, 1943, 1970 e 1998. Nesses anos de pico, o número de terremotos de grande impacto chegou até 20, enquanto em anos comuns ocorriam cerca de 15 tremores desse patamar.

Em seguida, os cientistas procuraram um fenômeno com periodicidade semelhante a dos terremotos e detectaram que a desaceleração da Terra ocorria com um intervalo de tempo parecido. Bendick compara os terremotos durante o pico com “células nervosas ou baterias, que requerem alguma carga antes que possam descarregar”. Para a pesquisadora, a rotação mais lenta funcionaria como essa “carga”.

Entretanto, os cientistas apontam que o efeito não é imediato e o aumento nos terremotos costuma ser sentido após cinco anos do início da desaceleração. Como o planeta começou a desacelerar entre 2012 e 2013, o estudo indica que o próximo aumento será em 2018.

“Nós não podemos prever a desaceleração ou aceleração na rotação da Terra, mas podemos detectá-la através de observações astronômicas e relógios atômicos. E, se nossa hipótese estiver correta, isso pode ser capaz de nos alertar sobre o aumento no número de terremotos cinco anos antes”, afirmou à BBC a pesquisadora Rebecca Bendick, da Universidade de Montana. Ela desenvolveu o estudo em conjunto com Roger Bilham, da Universidade do Colorado.

Por se tratar de uma hipótese, o estudo não tem uma prova científica de que os dois fenômenos estejam relacionados. Ainda assim, os resultados da pesquisa foram apresentados no encontro anual da Geological Society of America, nos Estados Unidos, no final de outubro.

 

Fonte: Opinião&Notícia

Conceito atual de casamento é mais amplo que no passado

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

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A ideia do casamento como a união entre duas pessoas para o resto da vida está mudando com mais rapidez do que em qualquer momento de sua história. Em quase todos os lugares a relação dos casais é mais livre, com menos diferenças entre os sexos e mais prazerosa.

O número de casamentos infantis, nos quais as meninas casam-se muitas vezes antes da puberdade, está diminuindo. Assim como o casamento entre primos, por causa do risco de problemas genéticos, embora ainda seja bastante comum no Oriente Médio e em algumas regiões da Ásia. Com o ingresso das mulheres no mercado de trabalho mais bem remunerado e sem o estigma do divórcio, mais homens conscientizam-se que não podem tratar as esposas como criadas ou, pior, sujeitá-las a maus-tratos, porque correm o risco de serem abandonados.

Em alguns países, a mudança foi surpreendentemente rápida. Na Índia, a proporção de mulheres casadas com a idade de 18 anos caiu de 47% para 27% em apenas dez anos. Os “casamentos por amor” ainda são vistos como desonrosos na Índia e as famílias continuam a escolher os futuros maridos e esposas dos filhos. Mas, assim como em muitas sociedades tradicionais, os jovens se rebelam. Alguns se recusam a aceitar a escolha das famílias; outros fazem suas próprias escolhas, independente da opinião dos pais. No mundo inteiro, os sites de relacionamentos estão oferecendo mais opções aos solteiros.

Além disso, nos países desenvolvidos o casamento está mais seletivo. Os jovens ambiciosos e com mais poder aquisitivo esperam consolidar uma carreira antes de casarem, mas se casam antes de terem filhos e, em geral, escolhem parceiros com perfis semelhantes aos seus. Por sua vez, as pessoas da classe trabalhadora tendem, mais do que nas gerações anteriores, a casarem só depois do nascimento dos filhos. Entre os estudantes com formação universitária nos EUA, apenas 12% dos nascimentos são de mães solteiras. Entre os que abandonaram o ensino médio, a taxa é de 70%, bem acima da taxa de 43% no início da década de 1980.

O casamento não é apenas um pedaço de papel, que formaliza uma união. Embora um casamento não possa transformar um relacionamento frágil em uma união sólida, ele ajuda a unir pessoas que se gostam e têm interesses comuns, mas que ainda têm dúvidas se devem fazer uma vida juntos.

Os fatores que reformularam o conceito tradicional de casamento nos países desenvolvidos, como o individualismo crescente, a educação e a emancipação econômica das mulheres, estão se difundindo no mundo inteiro. Não é apenas uma tendência ocidental. No Japão, mulheres executivas e independentes economicamente resistiam mais à ideia de se casarem. Agora, a situação se inverteu e poucas se divorciam.

A revolução no casamento estendeu-se à legalização, em muitos países, de casamentos entre homossexuais, que têm os mesmos direitos dos casamentos heterossexuais. A adoção de crianças por casais do mesmo sexo é permitida na maioria dos países onde o casamento homossexual é legalizado. Novas formas de amar e se relacionar estão sendo construídas para responder às exigências de uma sociedade em constante evolução.

MIOPIA COLETIVA

domingo, 26 de novembro de 2017

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Do Brasil em Foco
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A inércia e o silêncio do povo brasileiro são tão ou mais preocupantes quanto os atos de corrupção, o corporativismo da classe política e a impunidade gerada por uma justiça paternalista.

Até quando continuaremos ignorando os que colocaram o Brasil entre os países mais corruptos do mundo e mais desrespeitado pela comunidade internacional.

A grande culpa por tudo isso, é nossa, pois, ao contrário dessa nossa inércia, sempre nos fizemos ouvir e respeitar, basta lembrar os movimentos que resultaram no fim da ditadura, muitas vezes as custas de vidas humanas; os que levaram ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor e, mais recentemente, os grandes protestos contra os desmandos que estavam acontecendo em Brasília, durante o Governo da ex-presidente Dilma.

Esquecemos ou fingimos não lembrar que dos nossos últimos cinco presidentes, quatro foram denunciados pela justiça, um já está condenado em primeira instância.

No Rio de Janeiro, os últimos quatro governadores foram denunciados, três se encontram presos, desses um já condenado em primeira instância, isso em contar que os dos últimos presidentes da Assembleia Legislativa, também estão presos.

Em 2018, no silêncio das urnas, teremos, provavelmente, a última oportunidade para mostrar para a grande maioria dos nossos políticos que não somos os “idiotas” que pensa que somos.

Para isso vamos deixar bem claro que não trocaremos nossos votos por um espeto de churrasco, por uma dentadura, uma promessa de emprego e que não basta ser um amigo do meu amigo para merecer o nosso voto.

Faz tempo que temos praticado a inversão de valores, basta lembrar que quando pretendemos adquirir um carro, um eletrodoméstico ou um simples aparelho celular, levamos horas e horas pesquisando na internet os detalhes técnicos, porém somos incapazes de fazer o mesmo quando vamos escolher a quem vamos confiar o destino do Brasil.

Com um detalhe, os bens que adquirimos, caso apresentem defeitos dentro do prazo de validade, podemos até trocá-lo. Já os políticos que elegemos, dentro de quatro voltarão para nos fazer, mais uma vez de “idiotas”.

Nossos partidos não passam de simples siglas. Sem ideologias e preocupados, principalmente, em se manterem no poder; barganhar cargos políticos e fazerem negociatas com o propósito de aprovarem matéria polêmicas, como a que evitou que o presidente Michel Temer pudesse ser investigado por suposto crime de corrupção.

Em 2018, vamos mostrar que, ao contrário do que eles pensam, não somos nem “idiotas” e nem “marionetes”.

O STF em tempos de crise política

quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Por  Leando Aguiar – Opinião&Notícia
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Na sexta-feira, 17 de novembro, um dia após a Justiça determinar a prisão preventiva e o afastamento do mandato de Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e dos deputados estaduais Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB, a própria Alerj decidiu por revogar tais medidas.

Os três deputados, para o Ministério Púbico, compõem uma quadrilha que recebeu propinas milionárias para atuar em favor de interesses escusos de empresas privadas que prestam serviços ao Estado do Rio.

A maioria dos deputados da Alerj se fiou na decisão recente do STF referente ao caso Aécio Neves (PSDB). Após suspender o mandato e determinar o recolhimento noturno do senador mineiro, flagrado ao telefone pedindo dinheiro ao empresário Joesley Batista, o Supremo definiu que medidas cautelares contra parlamentares – como o afastamento de mandato e a prisão preventiva – devem ser submetidas ao legislativo.

Para alguns analistas políticos, como o jornalista Luis Costa Pinto, está aí um dos “legados” do STF à República: “a transformação de mandatos parlamentares em trincheira para refúgio de bandidos”. Outros analistas, por sua vez, como João Domingos, colunista do Estadão, viram na decisão do plenário do STF uma forma de evitar “uma crise institucional com o Senado que, se viesse, poderia ter efeitos devastadores”.

Seja como for, é inegável que a recente crise política e institucional brasileira tem lastros jurídicos – basta lembrar das discussões sobre o abrangente conceito de “crime de responsabilidade” que justificou o impeachment de Dilma Rousseff para se dar conta disso. E, em Direito, como a última palavra cabe ao STF, muitos apontam a influência desta Casa na presente crise.

O protagonismo do STF

Em um artigo publicado recentemente na Folha de S.Paulo, o professor de Direito da USP José Reinaldo de Lima traça um panorama da atuação do STF em algumas das principais crises republicanas do Brasil.

Para o professor, o momento atual, embora guarde particularidades, não é uma exceção na história do tribunal. Já nos primórdios da República, exemplifica Lima, foram os juízes do STF quem determinaram os limites do Poder Executivo durante o estado de sítio baixado pelo presidente Floriano Peixoto, que governou entre 1891 e 1894.

Já durante a era Vargas (1937-45) e a ditadura militar (1964-85), o tribunal “agiu” por omissão, mantendo-se silenciado ante os excessos ditatoriais. Um ano após a queda de Getúlio, também, foi por decisão do STF que o Partido Comunista Brasileiro teve seu registro cassado, mantendo-se por décadas na clandestinidade.

Assim, conclui o professor, o Supremo “sempre se envolveu em questões de inegável impacto político”, de forma que a alegada “judicialização da política” atual não constitui um desvio na atuação do STF.

O que há de inédito na atual conjuntura, analisa Lima, é, por um lado, a maior pressão popular para que o tribunal assuma uma postura de intransigência para com a corrupção, ainda que ao prejuízo das regras constitucionais. E, por outro lado, uma maior porosidade do tribunal para acolher questões que, por serem polêmicas e de alto impacto eleitoral, não encontram espaço no Congresso, como a união civil homoafetiva ou a legalização do aborto em casos de estupro.

O STF e a crise atual

Muitos juristas atribuem o início da nova “fase” de atuação do STF à Ação Penal 470, o chamado “mensalão”. Conduzida pelo ministro Joaquim Barbosa em 2012 e julgada pelo plenário do Supremo, a ação consumiu 53 sessões no tribunal e condenou 24 réus, entre eles políticos, empresários e dirigentes partidários de vulto, como o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o publicitário Marcos Valério e o ex-ministro José Dirceu.

Mas, na opinião dos editores do site especializado em Direito Conjur, foi com a operação “lava jato” que “o Supremo se deu conta de que talvez seja a única instância estatal com legitimidade para desatar nós complicados”. O caso paradigmático se deu em 2015, com a ordem de prisão do senador Delcídio do Amaral, então líder do PT na Casa.

Delcídio fora gravado combinando um pagamento para se ver livre de menções numa das delações premiadas. Embora contasse com imunidade parlamentar, a 2a turma do STF entendeu que, já que a acusação contra o senador era a de integrar uma organização criminosa, tratando-se  pois de um crime permanente, a gravação constituía flagrante. Assim, o petista se tornou o primeiro senador da história preso no exercício do mandato sem condenação.

Como no caso de Aécio Neves, a questão foi levada ao plenário do Senado, que decidiu por manter preso o senador, ao contrário do que decidiriam dois anos depois em relação também a Aécio.

Imbróglios do tipo, enfim, se multiplicaram nos anos que sucederam a prisão de Delcídio. Por decisão monocrática de Gilmar Mendes em 2016, por exemplo, Lula foi impedido de assumir o cargo de ministro Chefe da Casa Civil; então, Mendes julgou que houve “desvio de finalidade” na indicação de Lula ao ministério, considerando que o objetivo real de Dilma era conferir foro privilegiado ao líder petista.

Um ano depois, outro ministro do tribunal, Celso de Mello, proferiu decisão liminar a favor da nomeação de Moreira Franco como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, caminhando na direção contrária a de Gilmar Mendes.

Outras duas situações emblemáticas foram as do afastamento e prisão de Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, e o confuso afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado – este último chegando, inclusive, a desobedecer a determinação do STF, que foi obrigado a recuar de sua decisão.

Uma mala é uma mala e nada mais!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

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Por Claudio Schamis
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O novo chefe da Polícia Federal, o doutor Fernando Segovia, que tomou posse e teve na cerimônia a presença (nem um pouco) ilustre do presidente Michel Temer, já chegou dando o seu recado e mostrando a sua linha de pensamento.

E não foi qualquer recado. Já deu o primeiro golpe criticando a ação da Procuradoria–Geral da República e da própria Polícia Federal no caso da investigação e das negociações que beneficiaram os irmãos Batista e a JBS. Mas não parou por aí. Disse ainda que “alguns aspectos do caso se tornaram um ponto de interrogação que fica no imaginário popular brasileiro”, como se fosse preciso elucubrar muito a respeito do assunto. E para fechar com chave de ouro não se deu por rogado e soltou: “Uma única mala talvez não desse toda essa materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes e se haveria ou não corrupção”.

Por essa linha de pensamento, se uma cueca tiver uma marca de batom, ele iria argumentar que não necessariamente se configura um batom na cueca. A marca pode ser outra coisa. Pode ser o que parece, mas não é. Ou pode até ser um batom, mas que não necessariamente tenha sido deixado por um homem, por uma mulher. Seria mesmo isso uma cueca? E se o acusado nem for do tipo que usa cueca? Vai que ele usa calcinha?

Então seguindo essa mentalidade, uma mala entregue na calada da noite numa pizzaria para um deputado com R$ 500 mil, pode ser um milhão de coisas. Aliás, não. Podem ser quinhentas mil coisas. Pode ser a conta fiada dele na pizzaria, pode ser um presente, pode ser um empréstimo, pode ser um pagamento de um empréstimo. Pra que no século XXI usar algum meio eletrônico? Coisa retrógrada. A moda é “cash”.

Nessa hora começam as grandes questões. Com um chefe assim na Polícia Federal não precisamos de mais nada. Aliás, precisamos de um presidente igual ao que temos, que compra sua alforria por R$ 6 bilhões de forma escancarada e em plena luz do dia. Precisamos de deputados corruptos, precisamos de uma ALERJ (no caso do Rio de Janeiro) que manda soltar (tudo bem que já prenderam de novo) seu presidente, Jorge Picciani e dois outros deputados, todos da escuderia, do time de Michel Temer, o PMDB, precisamos também de ter estômago para ouvir em horário nobre a propaganda sem vergonha, nojenta, promíscua, vulgar do PMDB enaltecendo as coisas boas que ele fez e que ainda fará. Meu Deus!!!

Precisamos de um Senado igual ao que temos. Precisamos disso tudo, e de todo esse resto que temos, pois parece que sem isso, não vivemos. Sabemos viver só assim. Nessa ilegitimidade, nessa corrupção. Nesse desmando e nesses acordos, enquanto pessoas do bem morrem em filas de hospitais, crianças não conseguem ir para a escola, a população sofre no transporte público, sofrem na fila em busca de emprego quando há, pessoas que buscam a única solução no subemprego.

Imagina se conseguiríamos viver num país onde quando a Companhia de Trens vem a público pedir desculpas pelos transtornos causados, pois a composição saiu 22 segundos antes do horário, como aconteceu no Japão. Imagina se conseguiríamos viver num país (Dinamarca) onde um gari ganha R$ 10 mil e tem a chave da casa das pessoas para pegar o lixo? Fora outros exemplos espalhados pelo mundo.

Acredito que muitos começariam a reclamar. Que saudades daquela nossa bagunça.

Tenho quase pela certeza de que se consertar alguma coisa isso iria causar problemas sérios de ordem psicológicas nas pessoas. Como se perdessem a identidade. Iam ficar perdidos.

A ordem aqui é ainda, samba, futebol, feriado e caos.

Sei que não é para todos, mas é para a grande maioria. Pois se eles realmente quisessem mudar alguma coisa, eles mudariam sim. Começando pelas eleições.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão.

Brasil bate recorde mundial de feriados

terça-feira, 21 de novembro de 2017

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Depois de desfrutar, neste mês de novembro, dos feriados de Finados e da Proclamação da República, o brasileiro sonha com o Natal sem saber que, no Rio de Janeiro, outra data paralisa as atividades de trabalho já nesta segunda feira (20), quando os fluminenses – e não somente os cariocas – comemoram o dia dedicado a Zumbi dos Palmares.

O Worldwide Benefit and Employment Guidelines – instituição que analisa o trabalho global e mão de obra – calculou na ponta do lápis e demonstrou que Índia e Colômbia lideram a lista de países com mais feriados: são 18. Mas, se analisarmos detalhadamente os dois estados considerados mais importantes de nosso país, veremos que São Paulo tem dois feriados estaduais e mais quatro na capital, enquanto que o Rio de Janeiro é pródigo na “gazeta” ao trabalho com mais seis feriados estaduais e outros três na capital – segundo o site feriadosmunicipais.com.br.

Graças a paulistas e fluminenses, se pusermos na conta os nove feriados nacionais com datas fixas – Dia da Confraternização Universal, Paixão de Cristo, Tiradentes, Trabalho, Independência, Nossa Senhora Aparecida, Finados, Proclamação da República e Natal – e ainda os pontos facultativos – Quarta-feira de Cinzas, Corpus Christi e Dia do Servidor Público – e mais os “três dias de folia e brincadeira” do Carnaval, deixaremos colombianos e indianos “no chinelo”. Tailândia e Coreia do Sul ainda conseguem um lugar no pódio com 16 feriados.

Cada feriado gera prejuízo de bilhões

Sobre este assunto, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) se bate há mais de uma década – sem receber o devido apoio dos colegas do estado mais rico e populoso do país. Segundo o estudo “O Custo Econômico dos Feriados Nacionais para a Indústria”, as paralisações na atividade industrial provocam uma grande perda de arrecadação tributária para o governo federal. “Estima-se que a perda de arrecadação poderá chegar a R$ 27,6 bilhões este ano, o equivalente a R$ 2,5 bilhões a cada feriado nacional, considerando os tributos federais, estaduais e municipais”, diz o estudo feito pela instituição sobre as receitas e impostos para este ano que caminha para o final. Detalhe: os “enforcamentos” (ou pontes) – quando se ganha mais um dia para prolongar o descanso – não foram considerados nos cálculos. Como costuma dizer o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, “isso não é banal”.

“Em um contexto de forte recessão econômica – como o atual – essa discussão se torna ainda mais grave” destaca o estudo. E mais, a disposição do calendário tem forte influência nos resultados: quanto maior o número de feriados em dias de semana, maiores são as perdas para a indústria. Com onze dos 12 feriados nacionais ocorrendo este ano em dias de semana – um a mais que em 2016 – estima-se que em 2017 as perdas para a indústria brasileira podem atingir R$ 66,8 bilhões, o equivalente a 4,4% do PIB Industrial brasileiro. Já a Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) sugere que o prejuízo total pode passar dos R$ 100 bilhões.

Para tentar amenizar o prejuízo deste “Custo Brasil”, o Sistema FIRJAN propõe que os feriados que caírem no meio de semana sejam deslocados para segunda-feira ou sexta-feira, evitando assim os “enforcamentos”. “Além disso, que em meses com a ocorrência de dois ou mais feriados, estes ocorram no mesmo dia, de forma a preservar o número de dias úteis”. A entidade sustenta sua proposta na “urgente necessidade de estimular a atividade produtiva e, ao mesmo tempo, ajustar as contas públicas”.

No próximo ano, haverá nove feriados nacionais e cinco pontos facultativos – um deles, o Dia do Servidor Público, será comemorado em um sábado, dia 28 de outubro. Isso sem considerar que, segundo a Lei federal 9.093/95 alterada pela lei 9.335/96, cada um dos 5.570 municípios brasileiros pode declarar até quatro feriados religiosos. O dia do município também poderá ser considerado feriado desde que o número total não seja superior a quatro. Faça você mesmo, leitor, a conta do prejuízo.

 

Fonte: Opinião&Notícia

Proclamação da República, o que comemorar?

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

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Por Claudio Schamis

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Sinceramente, essas datas têm me deprimido muito, principalmente o dia 7 de setembro. Mas voltemos à nossa república, que está mais para republiqueta do que outra coisa.

Como deixamos a coisa chegar a esse ponto? Algum de vocês já se perguntou isso? Você já fez esse exame de consciência?

Acho que muitos seriam reprovados! E a realidade é essa, estampada nos jornais todos os dias nos últimos anos.
Nada do que possamos nos orgulhar. Muito pelo contrário. Nunca tive tanta vergonha em ser brasileiro quanto agora. Se você é ainda nacionalista, bom pra você. Se você está se perguntando o que então eu ainda faço aqui, diria que é uma ótima pergunta. Mas estou trabalhando para lhe dar a resposta que mais sonho: “Já estou de partida!”. É um sonho. É uma meta. É um trabalho de construção junto à minha esposa, que ainda reluta em ficar no Brasil, mas hoje em dia, longe do Rio de Janeiro, onde ainda moramos.

Evoluímos muito desde 1889 quando foi proclamada a nossa República, mas sinto que estamos no processo inverso e em pleno século XXI.

É nessa República dos dias atuais em que a cada dia um deputado aparece em mais um escândalo, e que sabemos de mais alguns milhões que foram desviados, que matam pessoas comuns nas filas de hospitais, que colocam mais jovens no mundo do crime, que tem a questão da violência sendo algo que tem fugido do controle, principalmente no Rio de Janeiro, que deixou sem sombra de dúvida de ser a Cidade Maravilhosa que um dia foi, que nos apresenta (praticamente) zero possibilidades de uma melhora diante dos possíveis candidatos das próximas eleições presidenciais, que nos dá somente o instinto de sobrevivência que tem sido a nossa sofrida meta de todos os dias: apenas sobreviver mais um dia.

Tínhamos e temos ainda o principal nas mãos: um país com reservas naturais, com um clima propício, um país gigantesco, mas com a doença política entranhada em fase de metástase que corrói todos os partidos, instâncias e poderes. O que faz a missão de termos um país melhor muito difícil de alcançar. Por mais fases da Operação Lava-Jato que estão acontecendo o que vemos é que quanto mais se cava, mais se acha lama, podridão, corrupção, numa teia infinita que parece não ter mais fim.

Fico me perguntando até quando vamos suportar isso? Fico perguntando onde estão as grandes mobilizações nas ruas? Onde estão os movimentos lutando para que alguma coisa mude? Onde estão as pessoas clamando por alguma opção menos pior para as próximas eleições? Será que haverá mesmo, ou vamos ter que novamente votar no A para o B não entrar? Isso é votar com consciência? Sempre me perguntei isso. Sou um pouco contra o pensamento de que alguém vai entrar de qualquer maneira, então melhor que seja o A do que o B! Mas e a sua vontade real? E a sua convicção? E os seus princípios?

Juro que queria assistir a uma eleição em que as urnas dissessem o que realmente as pessoas pensam. As eleições para prefeito aqui do Rio tiveram uma taxa bem alta de votos nulos, em branco e abstenções, o que foi um alerta, mas não o suficiente para barrar a entrada do atual prefeito (que parece que ainda não assumiu o cargo), mas que também para mim não faria a mínima diferença entre o que assumiu e o que ficou em segundo. Ambos seriam um desastre pro Rio na minha (humilde) opinião.

Mas enfim…

Independência ou Morte! (Acho que estamos mortos!)
Salve as baleias! Não jogue lixo no chão! E tenho dito!

Quadro de Da Vinci é leiloado por preço recorde

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

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Um quadro do artista italiano Leonardo da Vinci foi vendido nesta quarta-feira, 15, por um valor recorde de US$ 450,3 milhões em um leilão de arte contemporânea da Christie’s.

Trata-se da obra “Salvator Mundi” (“Salvador do Mundo), a única do artista mantida em coleções privadas. O quadro chegou a pertencer ao Rei Carlos I da Inglaterra, ficou desaparecido durante um período e por fim foi adquirido por um bilionário russo, que o comprou em 2013 por US$ 127,5 milhões.

A casa de leilões Christie’s, que não identificou o comprador, informou que o valor alcançado representa um recorde mundial para qualquer peça de arte vendida até hoje. O recorde anterior era de US$ 300 milhões, valor pago pelo quadro “Interchange”, do artista holandês Willem de Kooning, em 2015.

O preço inicial da obra “Salvator Mundi” foi de US$ 70 milhões e o leilão durou aproximadamente 20 minutos. A parte final do leilão foi protagonizada por dois participantes. O preço do martelo foi de US$ 400 milhões. O restante do valor representa o ágio atribuído ao comprador.

 

Fonte: Opinião&Notícia

A conta, por favor!

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

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Brasileiros e brasileiras se preparem, pois a conta vai acabar chegando à sua casa. A menos que você se mude dessa província chamada Brasil.

Se você acha que se a reforma da Previdência não sair como eles querem, se é que eles querem mesmo, vai ficar tudo como está e eles vão cortar a própria carne para minimizar esse rombo? Você realmente acha que eles são idiotas? Óbvio que não. Idiotas somos nós. Que vamos acabar no final do mês recebendo um boleto com a conta da incompetência, da ganância, da improbidade, do roubo, que eles produziram.

Não tem conversa. Se a bomba for estourar – ela não estourou? – eles não terão outra alternativa senão aumentar impostos. É a matemática deles. Para o mundo deles. Para o bem estar deles.

Ledo engano pensar que eles vão cortar despesas. Não cortaram até hoje, não será agora que o farão. Apesar dos meus lindos – é o que dizem – olhos verdes.

Tanto é verdade, que somente para ilustrar, que eles não estão muito preocupados em cortar gastos, o deputado federal, Celso Jacob do PMDB-RJ, que foi condenado a sete anos de prisão em regime semiaberto. Ou seja, ele vai trabalhar normalmente na Câmara dos Deputados e volta para dormir na cadeia. Só que ele continua ganhando seus R$ 4 mil e poucos de auxílio moradia. Oi? É isso mesmo? Auxílio moradia? Sim, auxílio moradia. Ou seja, pagamos duas vezes. Pela sua estadia na cadeia e pela sua estadia na cadeia.

Outro exemplo, é o da conta de luz. A bandeira vermelha no patamar 2 veio cobrando R$ 5,00 a cada 100 Quilowatt-hora (KWh), por pura incompetência deles. Não culpem a falta de chuva. Não vejo por aí. Um país como o Brasil que tem sol praticamente o ano todo, como não conta ainda com outras fontes de energia, para em casos da falta de chuva, podermos não ser obrigados a recorrer às termoelétricas que tem o custo da energia muito mais cara e que naturalmente é repassado para nós.

Resumindo, em toda a nossa história, o governo nunca mexeu no que é deles. Eles sempre fazem um teatro, cortam uma coisa aqui ou outra ali, mas na mesma hora conseguem uma manobra para repor esse corte.

Eles não jogam para perder. Quem sempre perde somos nós.

E esse jogo vai continuar até o dia em que os eleitores perceberem que podem fazer alguma coisa. Mas não fazem. Não adianta depois de eleger, ir para as ruas para tirar.

Façam o dever de casa. E não votem por votar. Tínhamos que fazer entender que nós somos poderosos. Mas, os nossos políticos, manipuladores de carteirinha parecem que sabem ainda iludir, enganar, e principalmente manipular o eleitor a deixa-lo lá em Brasília, por mais uma temporada.

Onde está o povo na rua? Acabou aquela crença de que juntos podemos? E aí eu fico me perguntando mesmo: “Será que podemos mesmo?”.

Enquanto isso não mudar, no final do mês se dirija ao caixa mais próximo e efetue o pagamento. Lembrando que não é aceito cartão de crédito.

E PT, PMDB, PSDB, P….P….. saudações. E os políticos mais uma vez agradecem a preferência.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão.

O Alto Percentual de Indicações Políticas na Administração Pública Brasileira

domingo, 12 de novembro de 2017

 

 

Autor: Felipe Puccioni*

“A discussão sobre o Brasil que queremos passa, irremediavelmente, por uma análise profunda de seu aparato estatal”

Esse artigo visa a evidenciar o alto grau de contratações, sem concurso público, realizadas na administração pública brasileira. Segundo a visão de Peter Evans (2004), uma burocracia mais próxima ao modelo de Weber seria um ingrediente básico para uma organização ter mais autonomia e eficiência na sua atuação. Assim, o grande número de admissões nos governos federal, estaduais e municipais sem qualquer processo de seleção por mérito seria uma das causas marcantes do clientelismo, do nepotismo, da corrupção e da ineficiência do aparato estatal no Brasil, sendo, portanto, uma barreira ao desenvolvimento. Buscar-se-á demonstrar o pressuposto com base em dados extraídos da Secretaria de Gestão Pública do Ministério do Planejamento para o governo federal. A partir desses dados evidencia-se que ainda há grandes diferenças com relação à utilização de seleções racionais entre os governos federais dos EUA, do Japão e do Brasil, com informações extraídas de Evans (2004) e Nascimento (1967).  Os estudos intitulados Perfil dos Estados Brasileiros 2013 e Perfil dos Municípios Brasileiros 2013, ambos realizados pelo IBGE, fornecerão dados que, em comparação com o governo federal, mostrarão a maior adequação do governo federal à utilização do mérito para entrada nos seus quadros de servidores em confronto com estados e municípios.

INTRODUÇÃO

O tema utiliza como premissa do problema enfrentado pelo Brasil que “é a falta de burocracia no sentido de Max Weber que afeta o desenvolvimento, e não sua prevalência” (EVANS, 2004). A contratação de funcionários de forma a escolher o mais competente e especializado para exercer determinada função é um requisito da organização burocrática idealizada por Weber. No Brasil, as contratações para os cargos ou empregos públicos, de acordo com o artigo 37, incisos I e II, da CF/88, devem ser realizadas por concurso público de provas ou de provas e títulos. O concurso público é a única forma de seleção racional para ocupação dos cargos no Estado brasileiro. É o procedimento administrativo que tem como objetivo avaliar as aptidões de cada concorrente e escolher os melhores para o exercício dos cargos e funções públicas. As exceções são: o ingresso nos cargos em comissão (art. 37, II); nas funções de confiança desde que seja servidor ocupante de cargo efetivo (art. 37, V); nomeação dos membros dos tribunais (art. 73 § 2º, 94, 101, 104, p. único, II, 107, 111, § 2º, 119, II, 120, III e 123); e os servidores contratados temporariamente com base no art. 37, IX.

O pesquisador Kleber Nascimento, ao fazer referência à tentativa do governo brasileiro de instituir de forma geral alguma forma de seleção por mérito para contratação de pessoal na administração pública, assim afirmou:

“Ao longo desses trinta e tantos anos de esforço reformista, não há como negar a distância entre os objetivos e as conquistas da reforma, em todas as áreas. Em administração de pessoal, por exemplo, o sistema de mérito, apesar de constitucionalmente prescrito desde 1934, não chega ainda a abranger, segundo estatísticas insuspeitas do DASP, mais que 10% do funcionalismo civil.  Tivesse o mandamento constitucional sido observado, e tendo em vista as aposentadorias, mortes, demissões, exonerações e outras formas de vacância, pelo menos 90% do funcionalismo atual teriam ingressado no serviço público mediante alguma forma de concurso. (Nascimento, 1967, p. 3)”

O concurso público foi definido como regra de seleção de funcionários para o poder público desde a Constituição de 1934. Entretanto, nas administrações públicas federal, estaduais e municipais ainda há grande margem para contratações livres de qualquer seleção meritória. Essas nomeações sem qualquer seleção, minam a eficiência do Estado brasileiro. Ao invés de ter um aparato técnico, eficiente e profissional para o atendimento dos anseios da população, a administração pública torna-se um nicho de práticas imorais como o clientelismo e o nepotismo.

GOVERNO FEDERAL

O total de funcionários da União em junho de 2014, de acordo com a Tabela 1 abaixo, chegava a 1.184.169, sendo que desse total apenas o Poder Executivo Federal somava 1.031.526 de servidores. Ou seja, 87,11% do total de servidores da União. Por economia de recursos e de tempo, e pelo peso demonstrado em relação ao total, concentra-se a análise sobre esse Poder.

Os cargos de Direção e Assessoramento Superior – DAS, no Poder Executivo Federal, são de livre nomeação e exoneração do Presidente. De acordo com Gráfico 1 abaixo, o Presidente da República Federativa do Brasil, em 2014, tinha o poder de indicar mais de 22 mil funcionários só levando em conta os cargos de DAS (alta direção). O aumento em relação ao ano de 1998 foi de 32,3%. Isso mostra que o número de livres nomeações realizadas pelo Chefe do Poder Executivo brasileiro, utilizando-se desses cargos, tem crescido bastante com os anos.

A título de comparação, o pesquisador Ben Schneider (1987a, p. 5, 212, 644 apud EVANS, 2004, p. 95) afirma que os primeiros-ministros japoneses tem poder de indicar apenas dezenas de dirigentes e os presidentes americanos centenas.

Se levarmos em conta, além dos cargos de DAS, os outros tipos de nomeação sem necessidade de qualquer seleção como as funções de confiança e outros tipos de cargos em comissão e gratificações, o número de indicações, sem qualquer seleção, chega a 97.048 (junho de 2014) de acordo com dados da SEGEP (s.d.). O aumento em relação ao ano 1998 chega a 42%.

No sentido oposto, em menos de 2 anos – em 2012 havia 187.645 cargos efetivos vagos e em 2014 havia 223.120 – houve um aumento de quase 20% no número de cargos efetivos vagos (providos por concurso).

 

Os dados acima demonstram o grande número de funcionários públicos do Poder Executivo Federal – sejam os de cargo em comissão do alto escalão (DAS) ou os dos outros tipos, as funções de confiança e as gratificações – nomeados sem qualquer espécie de seleção meritória.

Em que pese ser quantitativamente alto o número de cargos de livre nomeação em âmbito federal, conforme as informações da Tabela 2 acima, pode-se inferir que 91,7% dos funcionários ativos (excluindo os funcionários das empresas públicas e sociedades de economia mista) do Poder Executivo Federal, em junho de 2014, tinham passado por concurso público.

ESTADOS

Os estados brasileiros no ano de 2013, de acordo com o Gráfico 2 abaixo, tinham 115.589 funcionários apenas com cargo em comissão[1]. E os funcionários sem vínculo permanente[2] somavam 475.718. De acordo com IBGE (2014), de um total de 3.163.272 de pessoas ocupadas nas administrações direta e indireta dos estados, em torno de 80% eram estatutários ou celetistas (regidos pela CLT) e, obrigatoriamente, passaram por concurso público[3]. Os funcionários públicos estaduais somente comissionados eram 3,6% do total e os sem vínculo permanente 15%. Conclui-se que aproximadamente[4] 20% dos funcionários públicos dos estados não passaram por uma seleção racional.

De acordo com dados de IBGE (2014), de 2012 a 2013 nas administrações diretas e indiretas estaduais houve um aumento nos conjuntos de funcionários sem vínculo permanente (13,6%), estagiários (10,7%) e somente comissionados (9,9%), ou seja, um aumento nos funcionários que, em geral, não passam por nenhuma espécie de seleção por competência. Entretanto houve redução de estatutários (-1,7%) e dos celetistas na administração pública estadual (-17,1%).

MUNICÍPIOS

Os municípios brasileiros em 2013 empregavam 6.358.130 de pessoas nas administrações diretas e indiretas, e desse total 72,58% eram estatutários ou celetistas conforme infere-se da Tabela 1 abaixo e, portanto, passaram por concurso público. Assim, o total de pessoal ocupado no setor público dos municípios, sem ter provavelmente passado por alguma seleção meritória, chega a mais um milhão e meio (1.743.212). Número assustador.

Uma análise da Tabela 3 revela que o número absoluto dos funcionários sem vínculo permanente era de 756.384 em 2005 e passou 1.118.284. Já os somente comissionados que eram, em números absolutos, 399.003 em 2005, chegaram a 515.549 em 2013.

CONCLUSÃO

O governo federal está muito atrás de países como os EUA – em que o Chefe do Executivo federal pode indicar centenas de agentes públicos – e como o Japão, onde o poder de indicação do primeiro-ministro não chega a uma centena de cargos. O número de cargos de DAS chega a quase 23 mil, e se levarmos em conta outros tipos de cargos em comissão, funções de confiança e gratificações, que independem de qualquer seleção racional, o poder de nomeação livre do Presidente chega a 97 mil.

Entretanto, a União está à frente dos estados e municípios quando o quesito é o uso do mérito na contratação de funcionários. No Poder Executivo Federal, 91,7% de seus funcionários ativos passaram por concursos públicos. Nos estados e municípios o percentual de funcionários que passaram por concurso público é de 80% e 72,58% respectivamente. Entretanto, no governo federal o número de cargos de DAS chega a quase 23 mil, e se levarmos em conta outros tipos de cargos em comissão, funções de confiança e gratificações, que independem de qualquer seleção racional, esse valor chega a 97 mil.

A partir dos dados coletados percebe-se que em todas as esferas há uma grande margem para contratações sem a necessidade de qualquer seleção racional. Apesar de o governo federal ter um percentual maior de servidores concursados em seus quadros quando comparado a estados e municípios, continua sendo um enorme poder nas mãos do Chefe do Executivo e fonte contínua de concentração de forças pelo Poder Executivo.

Levando-se em conta que estados e municípios juntos têm 9 vezes mais funcionários públicos que a União, ao se contabilizar de forma unificada todos os entes, chega-se a triste realidade de que há, na média, um elevado espaço para indicações políticas no estado brasileiro acima de 20% do total de funcionários. Isto é, aproximadamente 2 milhões de agentes públicos adentraram nas administrações diretas e indiretas por meio de indicações políticas. Não à toa o Estado brasileiro é conhecido como um grande cabide de empregos em que o clientelismo e o nepotismo são utilizados como moeda de troca política.

 

*Quem é Felipe Galvão Puccioni
Aos 35 anos (idade mínima, segundo a Constituição, para ocupar o cargo de Conselheiro de Tribunal de Contas), tomou posse no cargo de Conselheiro da Corte de Contas carioca, no dia 23 de março de 2017. Foi o primeiro Conselheiro do Tribunal de Contas da Cidade do Rio advindo da carreira de Conselheiro-Substituto (Auditor Magistrado do art. 73, § 4º da CF/88), após aprovação em primeiro lugar em concurso público.
Mestre em Administração Pública (EBAPE/FGV, 2016). Especialista em Políticas Públicas (Instituto de Economia/UFRJ, 2011). Cursou Engenharia de 2001 a 2005 na UFRJ. É Bacharel em Matemática Pura (UFRJ, 2008) e graduando em Direito na Escola de Direito da FGV-Rio.

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Fontes:

> ENAP. -Servidores Públicos Federais: Perfil 2013. [S.l.]. 2013.
> EVANS, P. – Autonomia e Parceria: Estados e transformação industrial.
> EVANS, P. – In Search of The 21st Century Developmental State. Centre for Global Political Economy.
> FILHO, J. D. S. C. – Manual de Direito Administrativo.
> IBGE – Perfil dos Estados Brasileiros 2013.
> IBGE – Perfil dos Municípios Brasileiros 2013.
> NASCIMENTO, K. – Reflexões sobre Estratégia de Reforma Administrativa: a experiência federal brasileira. Clássicos da Revista de Administração Pública, 1967.
> SEGEP – Anexos da Lei de Diretrizes Orçamentárias.
> SEGEP – Boletim Estatístico de Pessoal e Informações Organizacionais.

 

 

 

 

É mais fácil entender o ladrão do que o Juiz

domingo, 12 de novembro de 2017

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Por Percival Puggina
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No último dia 2 de novembro, durante um show em Brasília, prenderam um homem com 29 celulares roubados. Carregava os objetos até dentro da cueca. Lavrado o flagrante, foi levado à presença de um juiz para audiência de custódia. O meritíssimo impôs fiança no valor de um salário mínimo e o devolveu às ruas para aguardar julgamento. Não duvido que à noite, ao repassar mentalmente sua atividade, o juiz se tenha considerado bom, justo e magnânimo. “Afinal, eram apenas bens materiais…”, talvez tenha pensado. No entanto, desconsiderou: 1º) a segurança da sociedade que lhe paga os subsídios; 2º) as futuras vítimas das ações criminosas daquele meliante; 3º) a sensação de impunidade que, no mundo do crime, se inclui entre as mais eficazes causas da perpetuação desses mesmos atos; 4º) o crescente desrespeito, entre nós, ao direito de propriedade.

 

Em vista do grande número e da frequência com que se verificam, são os crimes contra o patrimônio os que mais contribuem para o que deveríamos designar como real percepção da população sobre sua insegurança. Afinal, estamos falando de milhões de eventos anuais.

Os latrocínios são os crimes que mais apavoram a população. Embora, na prática, os 2514 casos ocorridos em 2016 representem apenas 4% dos homicídios, eles são uma ameaça presente em centenas de milhares de ações. Todo crime contra o patrimônio em saída de banco, estacionamento, porta de garagem, estabelecimento comercial aberto ao público é praticado sob a ameaça do gatilho ou da lâmina da faca, exibidos ou insinuados. Eis o grande terror. E a sociedade pressente que eventos dessa natureza podem acontecer a qualquer momento porque o número de ladrões em operação no país assumiu proporções demográficas.

Como chegamos a essa situação? Por um imprudente e ostensivo desrespeito legislativo, político e judicial ao direito de propriedade. Se quisermos restabelecer o respeito à lei, a ordem pública e a segurança da população, é importante recolocá-lo no devido lugar. O direito de propriedade não é uma coisa qualquer. Somente insidiosos motivos ideológicos podem explicar o crescente descaso para com ele dentro das nossas instituições. Ao privar alguém de algo, o ladrão está tomando produto do trabalho, meio de vida, material de estudo, conhecimento adquirido e rompendo gravemente a ordem! Quando a Justiça trata como irrelevantes os crimes contra o patrimônio está, simultaneamente, servindo injustiça aos cidadãos de bem e alimentando com liberdade de ação a cadeia produtiva do crime.

Por maligna que seja a ação do meliante, ele me é mais compreensível do que o juiz. Mais difícil ainda é entender aqueles tantos que, apenas por motivos ideológicos, não sendo uma coisa nem outra, defendem a ambos: o ladrão que vive dos bens alheios e o juiz que o devolve às ruas.

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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

O que muda com a nova legislação trabalhista

domingo, 12 de novembro de 2017

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Fonte: Opinião&Notícia
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A nova legislação trabalhista entra em vigor no próximo sábado, 11. Aprovada em julho deste ano, ela é a maior alteração nas leis trabalhistas desde a criação da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), em 1943.

Confira abaixo as principais mudanças que a nova legislação trará para a relação entre empresas e funcionários.

Acordo coletivo

Considerado a espinha dorsal da nova legislação, o acordo coletivo passa a prevalecer sobre a CLT. Isso permite que pontos como redução do intervalo do almoço para trinta minutos, jornada de trabalho, parcelamento de férias, entre outros, possam ser decididos em negociação entre empresa e funcionário.

Mudanças em contratos de trabalho

A nova legislação cria dois novos tipos de contrato de trabalho: o trabalho intermitente e o trabalho à distância. No primeiro, o trabalhador é convocado sob demanda, com três dias de antecedência, e recebe por hora trabalhada, sem garantia de uma jornada.

No caso do trabalho à distância (teletrabalho), a contratação deverá especificar as atividades prestadas e definir como será feita a manutenção dos equipamentos usados de forma remota pelo trabalhador.

Outro ponto proíbe que trabalhadores autônomos que prestam serviço exclusivo para uma empresa possam ser considerados funcionários da mesma.

Horário de almoço

A lei anterior previa o mínimo de 1 hora de almoço. A nova regra não exclui essa determinação, mas abre espaço para um acordo de almoço de 30 minutos.

Férias

As férias poderão ser fracionadas em até três períodos, mediante negociação, sendo que um deles não poderá ser inferior a 14 dias corridos e os demais não poderão ser inferiores a 5 dias corridos, cada um.

Ações trabalhistas

Trabalhadores que entrarem na Justiça contra o empregador não poderão faltar nenhuma audiência.

Além disso, o custo da ação na Justiça do Trabalho com honorários, atualmente pagos pelo poder público, ficará ao encargo do trabalhador. Caso ele perca a ação, terá de arcar também com os custos dos advogados contratados pela parte contrária.

Se for considerado que o trabalhador agiu de má-fé, alterando a verdade dos fatos ou gerando resistência ao andamento do processo, ele arcará com uma multa de 1% a 10% da causa, além de indenização da parte contrária.

Demissão de comum acordo

A nova regra permite a demissão em comum acordo entre empregado e empregador. Nesse acordo, o empregador paga somente a metade do aviso prévio. O trabalhador ganha o direito de movimentar 80% do FGTS, mas perde o direito ao seguro-desemprego.

Tempo de deslocamento

O tempo de deslocamento entre a casa e o trabalho de empregados que moram em áreas de difícil acesso ou sem serviços de transporte deixará de ser considerado como parte da jornada de trabalho. Antes, se o transporte era fornecido pela empresa, o trajeto poderia ser considerado parte da jornada.

Fim do imposto sindical

A nova legislação elimina a contribuição sindical, cujo valor equivale a um dia de trabalho descontado direto na folha de pagamento e remetido a sindicatos da área do trabalhador em questão, seja ele sindicalizado ou não. A reforma torna essa contribuição facultativa.

Insalubridade e gestantes

Antes, grávidas e lactantes eram automaticamente afastadas das atividades consideradas insalubres. Com a nova legislação, o afastamento automático só será feito em casos de “grau máximo” de insalubridade. Em outros casos, o afastamento será apenas mediante apresentação de laudo médico.

Demissão

A reforma trabalhista cria a chamada demissão por comum acordo. É um meio termo entre a demissão sem justa causa e o pedido de demissão por parte do empregado, que prevê pagamento de metade da multa estabelecida na CLT, que é de 40%.

Comunicação dos pássaros vai além do bico

domingo, 12 de novembro de 2017

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O pai do evolucionismo, Charles Darwin, era fascinado pela comunicação dos pássaros. Em seu livro “A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo”, o autor dedicou-se tanto a estudar os sons que saem dos bicos dos pássaros, quanto os ruídos que o animal faz com outras partes do corpo, sejam com as patas ou as asas.

Porém, anos após a morte de Darwin, ornitólogos acreditavam que ele estava errado e a comunicação seria apenas através do seu grunhido. Fato esse que Trevor Murray, da Universidade Nacional Australiana, em Canberra, provou estar errado.

Isso porque o pesquisador descobriu que a espécie rola-de-crista, que não produz nenhum som vocal, mas consegue emitir sons através de suas asas. Quando foge do perigo, o pássaro fecha suas asas rapidamente, fazendo um assobio diferente dos outros animais. Dessa forma, outros pássaros são induzidos a fugir também, servindo como um sinal de alerta de que algo ruim pode estar acontecendo.

Uma razão para acreditar que a evolução está envolvida é que uma das penas das asas tem um formato incomum. O aglomerado de penas que compõe o oitavo primário das asas (ao todo são dez, contando de trás para frente) é visivelmente mais estreito do que outros, assim como também é mais estreito que o oitavo primário de outras espécies relacionadas a rola-de-crista. Sendo assim, Murray e sua equipe teorizaram que, se a oitava primária fosse a responsável pelo apito, então o alarme é intencional, não acidental.

Para testar a teoria, os pesquisadores utilizaram 68 rolas-de-crista divididas em quatro grupos.  No primeiro, os cientistas retiraram a oitava primário de penas. No outro, foi tomada o nono primário. No terceiro, eles cortaram o sétimo. Por fim, no último, nada foi feito. Sendo assim, todos os pássaros foram libertados e tiveram seus apitos gravados, visto que deixaram o ambiente com pressa, assobiando enquanto fugiam.

Ao analisar as gravações, os cientistas perceberam que dois aglomerados de penas das asas estavam envolvidos: o oitavo, que emitia uma nota aguda, e o nono, que fazia um som mais baixo. Com isso, os pesquisadores usaram as gravações para servir como parâmetro e colocaram para outras rolas-de-crista, que fugiram. Por isso, a teoria de Darwin foi comprovada e, realmente, existe um tipo de pássaro que se comunica com outros através de partes do seu corpo que não seja o bico.

 

Fonte: Opinião&Notícia

A vida de Muhammed Ali

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Muhammad Ali dizia com frequência que era o melhor pugilista da história do boxe. E estava certo. Em 1999, a revista americana Sports Illustrated elegeu-o “O Desportista do Século”. Quando Ali morreu em 3 de junho de 2016, aos 74 anos, ele foi lembrado não só como o pugilista peso-pesado mais homenageado e famoso do mundo, mas também por sua recusa em servir o Exército dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, o que lhe custou a condenação de cinco anos de prisão, suspensa pela Suprema Corte, e três anos de proibição de lutar.

Hoje, os atletas negros são unânimes em protestar contra o governo. Mas Ali foi um rebelde solitário. Após sua morte, Barack Obama, que guardava um par de suas luvas na Casa Branca, comparou-o a Martin Luther King e a Nelson Mandela em sua luta pelos direitos civis dos negros.

O livro, Ali: A life, de Jonathan Eig, é a primeira grande biografia escrita depois da morte de Ali. Como outros acasos da vida, escreveu Eig, aos 12 anos Cassius Clay foi surpreendido por um policial e técnico de boxe, Joe F. Martin, quando batia em um ladrão que tentava roubar sua bicicleta. Martin aconselhou-o a aprender boxe. E assim começou a história do lendário boxeador Muhammad Ali.

Eig retrata um homem que agia por instinto dentro e fora do ringue. Apesar da ambição pela fama, Ali não poupava críticas agressivas aos brancos e chamava seus opositores negros de Pai Tomás. Ele também era ávido por dinheiro e gostava de passar as mãos pelas pilhas de notas à sua frente. Em 1974, atraído pelos US$5 milhões oferecidos por Mobutu Sese Seko, ditador da República Democrática do Congo, Ali protagonizou a maior e a mais espetacular luta de boxe do século, ao derrotar o campeão mundial invicto George Foreman e reconquistar seu título de campeão do mundo em Kinshava, capital do Congo.

Na década de 1960, Ali converteu-se ao islamismo ao se juntar ao movimento islâmico negro de Malcolm X. Por fim, rejeitou seu nome, Cassius Clay, e adotou o nome de Muhammad Ali, que lhe foi dado por Elijah Muhammad, o fundador da Nação do Islã, um movimento negro extremista. Enfim, Ali: A life, é a história de um homem que desafiou as convenções sociais de sua época sem medo e lutou por seus ideais de liberdade pessoal.

 

Fonte: Opinião&Notícia

Sete destinos onde os turistas não são bem-vindos

segunda-feira, 12 de junho de 2017
Entenda por que, em algumas cidades, os turistas podem encontrar uma recepção menos cordial
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Sete destinos onde os turistas não são bem-vindos
Amsterdã acredita que qualidade de turistas é melhor que quantidade (Foto: Pixabay)

O turismo é um setor que movimenta a economia e gera renda. Ao redor do mundo, empresas e governos desenvolvem cada vez mais estratégia para atrair turistas, incentivando-os a gastar dinheiro no comércio local.

Nestes sete destinos abaixo, porém, a história é um tanto diferente. Seja por razões ambientais, políticas ou simplesmente relutância em aceitar forasteiros, tais lugares podem oferecer uma recepção não muito calorosa. Confira a lista abaixo, compilada pelo jornal britânico Independent:

Ilhas Koh Khai, Tailândia

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Há cerca de um ano, o governo tailandês decidiu restringir o acesso de turistas em três famosas ilhas do país: Koh Khai Nok, Koh Khai Nui e Koh Khai Nai. As ilhas, muito populares, já atraíram milhões de turistas de diferentes partes do mundo por conta de seus corais e biodiversidade marinha. Esse excesso de gente fez com que o Departamento de Recursos Marinhos e Costeiros do país tomasse uma drástica decisão: nada de turistas por lá.

Butão

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Há pouco mais de 40 anos, o país, do sul da Ásia, abriu seus portões para visitação. Mesmo assim, não é tão fácil passar dias agradáveis por lá. Para conhecer a região, inúmeras exigências são impostas aos turistas, entre elas uma taxa de permanecia diária no país que gira em torno de 800 reais por pessoa.

Barcelona, Espanha

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Barcelona tem dificultado cada vez mais a visitação de turistas. Desde 2015, Ada Colau i Ballano, prefeita da cidade, busca alternativas para que a região receba menos gente de fora, entre elas o veto a licenças de novos hotéis e imóveis de temporadas e impostos que façam as pessoas pensarem duas vezes antes de querer conhecer a cidade.

Amsterdã, Holanda

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O diretor de marketing da cidade, Frans van der Avert, afirmou que muitas cidades europeias estão morrendo com o turismo. Para ele, aumentar a qualidade dos visitantes faz mais sentido do que receber milhares de turistas que estão interessados apenas em fazer de Amsterdã palco de festa.

Onsen, Japão

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A região de Onsen é famosa por suas águas termais e casas de banho. Porém, o Japão ainda é um país onde tatuagens são um tabu, e pessoas com o corpo tatuado são terminantemente proibidas de usufruir dos benefícios de Onsen.

Santorini, Grécia

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Colorful Oia Village at Santorini Greece

O número diário de visitantes que podem desembarcar em Santorini foi limitado a 8.000 turistas, por conta das centenas de cruzeiros que aportam na cidade todos os dias. Antes da medida, o movimento exagerado de turistas sobrecarregava a região.

Cinque Terre, Itália

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Cinque Terre é considerada Patrimônio Mundial da Unesco e o incrível número de turistas fez com que autoridades locais repensassem formas de diminuir a visitação. Um dos planos é introduzir cobrança aos turistas que querem conhecer a área costeira.

Cada um tem o Temer que merece!

sexta-feira, 9 de junho de 2017

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Por Claudio Schamis
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Enquanto no TSE é travada uma batalha para ver se a chapa Dilma-Temer é cassada, o país segue sem saber o que vai acontecer.

E essa espera é mortal para quem ainda acredita que podemos nos recuperar, e é mortal também para quem espera o golpe final para depois decidir o que irá fazer.

E nessa novela o protagonista, o presidente Michel Temer, aparece em seu pedestal dizendo e reafirmando que irá chegar até o fim de 2018.

Sinceramente não sei mais se chega, não sei mais se é melhor chegar, não sei tampouco se é melhor termos eleições diretas já. Não sei de mais nada.

Só sei que essa incerteza toda foi criada pelo próprio Temer, que insiste em dizer que não sabia, que foi vítima, que não é bem assim, que não quis dizer o que disse, que a fala está fora de contexto, que blá, blá, blá.

E esse seu blá blá blá é tão irritante que faz com que sua fala se torne difícil de ouvir. Sua voz começa a irritar, sua figura começa a dar náuseas.

O pior é que ele e todos esses políticos aparecem sempre como vítimas de uma (outra) quadrilha que quer acabar com o partido X, com o partido P, com o partido T, com o partido P (de novo), com o partido M, com o partido D, e com o partido B. Que tudo é uma orquestração de um golpe. Que a imprensa… Os coxinhas… E virão os rissoles e as empadas. Sempre seremos “os apontados” como inimigos.

Tudo é nojento. Tudo é uma mentira combatida com outra mentira e com outra mentira.

Temer, por exemplo, disse que não sabia de quem era o jatinho. Mas, ao mesmo tempo, liga para Joesley para saber de flores no avião. E somos taxados de idiotas. Para que mentir?

Todos esses últimos 14 anos de governo do PT eu bati de frente. Critiquei. Gritei. Fui xingado, criticado e chamado de tudo quanto é coisa ruim. Fui também apoiado. Mas no fundo nunca achei que fosse encerrar minha patrulha. Nunca confiei muito no PMDB, até porque alguns de seus representantes me dão pavor e asco.

Sou na verdade apartidário. Queria ver um país melhor. Um país mais decente. Mais honesto. Mais igual. Mais humano.

Não torço por nenhum partido, torço para que quem nos governe, o faça com amor, honestidade e hombridade.

Mas está difícil crer que isso vá acontecer pelo menos com essa geração de políticos que aí se encontra.

E qual seria a solução? Não faço a mínima ideia. Sei que é preciso uma renovação total. Mas isso é totalmente utópico.

Não me parece que os políticos aprenderam ainda a lição de casa. Parece estarem sempre em recuperação. Mas a maioria é irrecuperável. Só jogando fora e substituindo por um novo. Resta saber se o novo é novo mesmo, ou se está apenas “vestido” com uma capa nova, e por baixo ainda carrega os vícios do que temos aí no mercado.

E, enquanto isso não acontece, temos que rezar e ficar na cola de quem ainda está por aí. E marcar cada passo. Cada atitude. E brigar por justiça num país que teima em mostrar que a justiça ainda é falha e se deixa levar.

Só que a nossa vida não pode ser a mesma cantada por Zeca Pagodinho. Não podemos deixar a vida simplesmente nos levar. Temos que tomar o rumo dela.

Olha a cabeleira do Loures!

Se isso é uma piada não me disseram para que eu começasse a rir. Está nas mãos do ministro relator da Operação Lava-Jato, Edson Fachin, o pedido para que o corredor da mala, o ex-deputado e ex-assessor especial do
presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, tenha o direito de preservar sua vasta cabeleira quando ingressar no complexo penitenciário da Papuda.

O discurso é tão surreal quanto a situação toda em si. É pedido com urgência que seja assegurado o máximo respeito aos direitos e garantias fundamentais, e que não seja imposto tratamento desumano e cruel, e que se respeite a integridade física e que não raspem o seu cabelo como feito com Eike Batista.

Agora a pergunta que não quer calar: o que será que Rocha Loures esconde embaixo de suas madeixas? Os registros de propinas, a lista com o nome e codinome de envolvidos no escândalo?

Diante de todo esse quadro grave, que desmantelou um governo, que abalou as bolsas, que fez o dólar subir, que fez o nosso risco como país aumentar, como podem perder tempo preocupados com as aparências? E me admira o próprio Rocha Loures preocupado com isso e não com o fato em si de sua prisão.

Poderiam então negociar. O seu cabelo pela verdade plena.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. E se beber ou não me chama na Uber, na Cabify ou na 99.

Herdeiros incompetentes

sexta-feira, 2 de junho de 2017

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Por Percical Puggina
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Senhores leitores. De denúncias estamos mais do que abastecidos. Estamos lotados. Não há mais espaço, seja nas gavetas, seja no HD. Dispenso-me de mencionar a saturação dos também repletos estômagos e suas náuseas. Penso que já passamos da hora. É tempo de começarmos a nos preocupar com a explicação que daremos a nossos filhos e netos quando nos questionarem sobre o que fizemos com o país em que lhes toca viver.

Aos que têm tantas respostas certas para perguntas erradas, chegará certamente o dia em que alguém fará as perguntas corretas: “Por que, diabos, vocês perseveram no mesmo erro, eleição após eleição, crise após crise? Por que, mais de um século após a Proclamação da República, vocês insistem em manter um sistema de governo que nunca funcionou direito?”. E eu ainda dirijo a mim mesmo esta outra pergunta: “Já não estás cansado, escriba, de escolher, a cada eleição, quem te parece menos pior? O mal menor?”. Sim, estou! E como estou!

Em 1891 decidimos seguir, em parte, o modelo adotado nos Estados Unidos. Se funcionava lá, nos parecia razoável supor que funcionasse aqui. Mas o que era razoável aos olhos de Benjamim Constant e seus companheiros, há muito revelou não ser! Um inteiro século de evidências o comprovam. Eis por que observo atentamente os acontecimentos do Tio Sam. Pela primeira vez percebo os eleitores norte-americanos um pouco frustrados com algo que nos acompanha a cada eleição presidencial e na maior parte dos pleitos majoritários que nos são disponibilizados: forte rejeição aos dois candidatos e, como consequência, a nação legitimamente confiada a mãos imperitas e desacreditadas. Não seria diferente com uma vitória da Sra. Clinton. Se enfrentarem um processo de impeachment, verão o quanto dói uma saudade…

A irracionalidade do nosso presidencialismo berra nas páginas dos livros de história. Somos uma nação de condenados. Por imposição de um modelo institucional, somos sentenciados a suportar, longamente, governos incompetentes, corruptos, a respeito dos quais se acumulam suspeitas que se transformam em evidências e cujos males vamos tolerando em nome de uma governabilidade de regra capenga, negocista e inconfiável.

Se há algo que me amaina a consciência é saber que nos últimos 30 anos, nos meios de comunicação do Rio Grande do Sul, ninguém mais insistentemente do que eu combateu o presidencialismo. Aprendi a rejeitá-lo, primeiramente, nos ensinamentos do meu pai, o deputado Adolpho Puggina, e nos artigos de Mem de Sá, de Carlos de Brito Velho e Raul Pilla; posteriormente, no convívio com o dileto amigo e mestre prof. Cézar Saldanha Souza Júnior. Os primeiros morreram sem ver os infortúnios destes anos de bruma e tormenta. Mas sei o quanto padeceu seu discernimento, nas dificuldades dos em que viveram, escutando o silêncio suscitado por seus clamores. O que sentiram não terá sido diferente do que sinto agora, nesta quadra da minha existência, tendo vivido os abalos de 1961, 1964, 1969, 1992, e os audíveis e inaudíveis ruídos destes últimos desregrados e corrompidos anos. O mundo avança e o Brasil se arrasta em seus emaranhados institucionais. Sinto como se as centenas de palestras e programas de rádio de que participei tivessem entrado por um ouvido e saído pelo outro; como se o que escrevi em centenas de artigos e, pelo menos, em dois capítulos de livros recentes, tivessem entrado por um olho e saído pelo outro.

Sim, estou cansado desse presidencialismo, cuja maior competência consiste em gerar crises sem lhes dar solução que não as agrave. Sim, estou cansado de ver a nação fechar os olhos ao mal que vê porque a medicina institucional – sabe-se – pode matar o paciente. Então, vivemos da denúncia. Quanto bem nos faz denunciar! Mas isso não desfaz o que somos: herdeiros incompetentes … (a íntegra do artigo está disponível em http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/percival-puggina/noticia/2017/05/herdeiros-incompetentes-9801207.html)
Especial para ZERO HORA, em 27/05/2017
NOTA ADICIONAL DO AUTOR: Em 2 de junho de 1988, ocorreu na Assembléia Nacional Constituinte uma negociação que visou beneficiar Sarney com um mandato de cinco anos. Foi uma espécie de primeira PEC. O projeto da Constituição que seria promulgada em 22 de setembro fixava mandatos presidenciais de quatro anos, mas Sarney queria cinco. E não queria parlamentarismo. Queria o poder com kit completo, tipo combo, como ocorre no malfadado presidencialismo. Naquela sessão, junto com a decência política da maioria parlamentar de então, morreram os dispositivos para introdução do parlamentarismo e modernização de nossas instituições. O episódio ficou conhecido como a “Festa das mãos espalmadas” (festa dos constituintes que queriam dar cinco anos àquele desastroso governo).  Daí a imagem que deveria acompanhar esta matéria e que pode ser vista aqui, por quem não a viu na postagem que fiz no Facebook.

‘Momentum’ Reflexão!

sexta-feira, 2 de junho de 2017

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Por Claudio Schamis
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Em meio ao caos, me veio à mente um provérbio português: “Quem não te conhece que te compre!”. E fiquei pensando no Temer, na Lava-Jato e em toda essa safra de corruptos que a partir do governo Lula aflorou de forma nunca vista antes na história da nossa província. Isso porque estamos longe de ser um país.

Fiquei esses dias pensando em como deixamos tudo chegar aonde chegou. Será que eles lá de Brasília nunca deram na pinta que algo estava errado? Será mesmo que eles estavam fazendo a coisa tão bem que se não houvesse uma denúncia íamos passar por idiotas, otários por mais sei lá quantos anos?

Dirigindo meu Uber e agora também Cabify e 99 POP, e conversando com meus passageiros das mais variadas classes sociais, consigo obter um desenho feio do que a grande maioria espera. Na verdade, a grande maioria não espera mais nada. E aí fico me perguntando: e agora? Se nós estamos perdendo as forças — se é que já não as perdemos — como podemos pensar numa mudança?

Acho que antes de tentar mudar o mundo, e no nosso caso, o Brasil, teríamos que tentar mudar a nós mesmos. O que vejo no dia-a-dia, por mais banal que seja, acaba refletindo na situação que estamos vivendo. E digo e posso afirmar, vai piorar. Infelizmente.

No trânsito, por exemplo, dificilmente você vê gentileza. Por mais simples que seja, ela não existe. E se não existe gentileza fica claro o sentimento do eu individual. E se há o eu individual, como queremos resolver o coletivo?

Não existe mais — é claro que há exceções, mas não suficientes — o ajudar ao próximo, o se preocupar com o próximo. E tiro como exemplo situações “idiotas” do dia-a-dia, como não vou estacionar aqui dessa forma porque senão esse motorista não vai conseguir sair. Ou vou colocar aqui na vaga de deficiente, mas é só um minutinho. E por aí vai. E foi. Estamos no limbo, desacreditados no país, nas entidades, nos políticos, na espécie humana.

Aqui no Brasil não temos o radicalismo dos atentados terroristas, mas em contrapartida o que os políticos fizeram e parece que continuam fazendo não deixa de ser um “atentado terrorista” contra o próprio povo que os colocaram lá dentro para nos representar e lutar por nós.

Quando um Sergio Cabral rouba da maneira que ele fez, alguns ainda não perceberam, mas ele já matou muitos. A diferença é que num atentado com um carro bomba morrem x pessoas na hora, no caso do roubo que Sergio promoveu, as mortes se dão gradativamente. Você leitor, quantos acha que já não morreram porque não tinha leito no hospital, não tinha remédio, não tinha médico?  E por aí vai.

Como alguém pode ficar sem receber seu salário por meses? E as contas? E suas vidas? E a vida de seus dependentes?

Eles roubam, eles administram mal o dinheiro, eles não cortam uma vírgula das regalias, eles continuam ganhando seus altos salários em dia e em contrapartida pedem paciência e criam essa novela de que estão se esforçando para equilibrar o caixa, e faz reunião, aí a coisa vai para ser votada, aí explode uma bomba, param tudo, pedem paciência. E as pessoas continuam largadas e abandonadas.

Por que então eles não ficam sem receber um, dois meses, três meses? Vão morrer de fome? Tem contas a pagar? Tem que comer? Pois é, a “ralé” também. Aí começam a mexer nas alíquotas de impostos, falam em aumento de impostos o que acaba se refletindo em nós diretamente, porque não existe almoço grátis e a vida segue.

Mas que vida? Será que isso que estamos vivendo é vida? Não, não é. Estamos sobrevivendo como podemos.

Então meus caros, seria mais do que hora de revermos conceitos de forma sincera e assumir o que queremos para as próximas gerações. Pois essas gerações que já estão aí dificilmente vão ver um país melhor. Podem ver alguma coisa mudando, mas um país do jeito que gostaríamos, isso vai demorar e muito.

Blá-Blá-Blá-Blás de Temer!

Esse último discurso do presidente Michel Temer no encontro privado dos Chefes de Estado e de Governo do BRICS, só me fez embrulhar mais o estômago e ficar com mais nojo dele. Ele dentro de toda a sua prepotência disse que ficará até 2018 e que o Brasil começa a entrar nos trilhos.

Só se for nos trilhos do desastre total. Mas infelizmente o que temos assistido é o governo fazendo manobras para adiar o inadiável, para tentar apagar o incêndio causado por eles mesmos e fazendo com que tenhamos que assistir tudo estarrecidos e com as mãos totalmente atadas.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. Se beber ou não, chama o meu Uber, meu Cabify.

Ou me oferece um emprego no Canadá, nos EUA, na Austrália, em Portugal ou até em Israel. Mas se esforcem para me tirar daqui.

Tudo o que o Roberto Carlos gostaria de saber sobre o grupo JBS

quinta-feira, 25 de maio de 2017

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Empresa brasileira de capital aberto com um total de mais de 217 mil funcionários em cinco continentes – exceto África – a JBS se tornou a maior entre as maiores indústrias de alimentos de proteína animal no mundo com um faturamento estimado, em 2015, de R$ 163 bilhões e atuação empresarial em 22 países.

Fundada no longínquo ano de 1953, no estado de Goiás, pelo pequeno empresário José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, a empresa cresceu e, já neste milênio, graças a manobras que envolveram benesses do governo Lula e empréstimos suspeitos do BNDES, se transformou num gigante na produção e exportação de proteína animal.

Subvertendo a tese de que a empresa precisa crescer para depois tomar empréstimo bancário para expandir, com a JBS se deu exatamente o contrário: a empresa tomou muito dinheiro do BNDES em diversos financiamentos – de forma tão inédita quanto curiosa – para se tornar a maior do segmento fora do país, sem gerar receita ou um único emprego sequer em nosso território. Destaque-se que a liberação de um financiamento do BNDES demora, em média, nunca menos que oito meses. Para a JBS, a bufunfa chegou a sair em apenas 22 dias.

Com o envolvimento de seus principais executivos – os irmãos Wesley e Joesley, filhos de José Batista – nas mais escusas manobras de compra de políticos e corrupção jamais vistas no país, as ações e o prestígio da JBS desabaram da noite para o dia – e isso não é uma força de expressão. A operação “Carne Fraca” – ocorrida há pouco mais de dois meses – e a recente delação premiada de Joesley – que fez desabar o que restava de paciência com o governo Temer – desossaram a estrutura da empresa.

Imediatamente, começou no país – especialmente nas redes sociais – a busca para identificar quais são exatamente as marcas sob o guarda-chuva da JBS. O objetivo único e explícito de tanta curiosidade era boicotar toda a gama de produtos, numa tentativa cidadã de revide financeiro como forma de compensar o prejuízo político e de imagem que a empresa causou ao país ao fazer delação e especular financeiramente sobre ela.

Rei da Jovem Guarda processa irmãos Batista

Para atender a esta “demanda reprimida” – digamos assim – tivemos a ideia de levantar os segmentos e marcas sob o comando da grife JBS. Além de controlar marcas como a Friboi, Swift e Seara, consagradas no segmento de proteína animal, a JBS detém ainda os nomes fantasia Anglo, Angus, Bordon, Company, Do Chef, Excelsior, Frangosul, Lebon, Maturatta e Reserva Friboi. A gigante atua ainda setor de laticínios (Amélia, Carmelita, Danúbio, Doriana, Faixa Azul, Franciscano, Itambé, Leco, Mesa, Serrabella e Vigor). Tem ainda os produtos de limpeza (Assim, BioBriz, Brisa, Flora, Fluss, Lavarte e Minuano). O leitor talvez pisasse na JBS sem saber: são deles a marca Alpargatas – aquela das Sandálias Havaianas – a Dupé, o tênis Mizuno e a bota Sete Léguas. O azeite e o óleo de soja Carmelita, o inseticida MatInset e os sabonetes Albany, Francis, os fixadores capilares Karina, Kolene, Neutrox e Ox, a linha de colônias Phytoderm, o Canal Rural (emissora de TV) e a fábrica de celulose Eldorado pertencem aos irmãos Batista. O grupo controla também a Osklen – marca fashion criada por Oskar Metsavaht. Encerra a lista o Banco Original.

Não somente os desconhecidos das redes sociais nutrem um misto de desconfiança e antipatia pela JBS. O cantor Roberto Carlos também anda insatisfeito com os irmãos Batista. Ele busca na Justiça uma indenização de R$ 7,2 milhões porque a companhia rescindiu contrato com o Rei da Jovem Guarda que, em 2014, atuou como garoto propaganda da marca Friboi. A JBS alegou que Roberto – diferentemente de Tony Ramos – não deu o retorno comercial que dele se esperava. A pendenga tramita na 38ª vara cível de São Paulo.

Claudio Carneiro para Opinião&Notícia

Namoro ou amizade?

terça-feira, 23 de maio de 2017
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Campanha contra erotização precoce das crianças ganha grande repercussão nas redes sociais e levanta debate polêmico, porém fundamental para a educação infantil
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No fim de mais um dia de trabalho, um grupo de pais conversa enquanto aguarda seus filhos saírem da escola. Em meio ao bate-papo, um dos responsáveis conta, divertindo-se, que a filha adora entregar “quem é namorado (a) de quem” na turminha de apenas três anos, em média. Todos sorriem e acham graça.

Mas criança namora? Na verdade, “nem de brincadeira”, estampa em seu slogan uma recente campanha lançada pela Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) do Amazonas, em parceria com o blog Quartinho da Dany.

Desde que foi divulgada, no dia 5 de abril, a campanha “Criança não namora. Nem de brincadeira” ganhou uma grande repercussão, principalmente nas redes sociais. A ação, que visa conscientizar pais e responsáveis “quanto aos riscos de expor as crianças aos relacionamentos afetivos próprios da fase adulta”, o que pode “adultizar e até mesmo estimular a erotização precoce”, já foi curtida mais de 100 mil vezes e compartilhada mais de 400 mil vezes, atingindo pelo menos 28 milhões de internautas em todo o país.

Em entrevista ao Opinião e Notícia, o psicólogo Luiz Coderch, coordenador da campanha, explica que “o objetivo inicial era apenas realizar uma conscientização a nível regional”. A ação, no entanto, cresceu de forma significativa, surpreendendo a própria secretaria: “Não esperávamos a repercussão, ficamos muito satisfeitos com a demanda, pois revela que a população está interessada em realizar discussões sobre as melhores formas de educar e proteger as crianças, e a mídia tem papel fundamental nesse processo”.

Luiz Coderch disse ainda que o retorno da campanha tem sido “excelente”, com pais e ou responsáveis procurando os profissionais da Seas para tirar dúvidas e buscar orientação sobre seus filhos. “No Facebook também temos recebido várias histórias interessantes de todo o Brasil, mas creio que as melhores histórias que tenho ouvido são as dos próprios funcionários. Apesar de sermos profissionais da área, também somos pais e mães, e alguns dos comportamentos, como beijar na boca dos filhos, também são cometidos por nós, e isso faz com que o processo de reflexão e busca por melhores condições para as crianças seja uma busca de todos. Somente nessas conversas abertas seremos capazes de desenvolver medidas de melhoria na educação intrafamiliar, bem como na educação formal”.

A reação de muitas pessoas contrárias à campanha “Criança não namora” ajuda a ilustrar a dificuldade em abordar o assunto. Nas redes sociais é possível encontrar perfis que criticam a ação, apontando um excesso de “politicamente correto”.

A professora, mestre e doutora na área de infância Maria Inês Delorme, uma das autoras do blog Papo de Pracinha, ressalta, também em entrevista ao Opinião e Notícia, que encorajar “o ‘namoro’ entre crianças é mais uma ‘das brincadeiras’ que os adultos fazem que não respeitam, as vezes até desagradam as suas crianças”.

‘Estou namorando’

Luiz Coderch ressalta que muitas vezes as crianças, mesmo não tão pequenas, não conseguem diferenciar totalmente uma amizade de um “namoro”. Não se deve, no entanto, reprimir as expressões de afetividade da criança. Por outro lado, não é preciso transformar relações de respeito e carinho em namoro.

“Os pais devem ficar tranquilos e estimular através da valorização dos princípios da amizade, como por exemplo explicar para a criança quais os comportamentos da verdadeira amizade como lealdade, sinceridade e parceria. E ao explicar esses valores tenha certeza que a criança assimilará que possui um amigo e não um namorado”, diz o psicólogo.

Inês destaca também que “o tema exige de pais e professores um conhecimento ampliado e destituído de preconceitos na área da sexualidade”.

“Crianças saudáveis são curiosas em relação ao seu corpo e ao corpo dos amigos, quando percebem que os corpos são diferentes, por exemplo, e isso nada tem a ver necessariamente com interesse sexual. Agir com naturalidade e sem deixar que ‘as experiências adultas’ invadam e tomem a cena é o melhor. Já sabemos de crianças bem pequenas com comportamentos bastante ‘sexualizados e perturbadores’ mas, quando se busca entender o contexto de vida e as experiências delas, em 99% dos casos há elementos que se apresentam para ela, cotidianamente, como corriqueiros e como valorizados. Os adultos precisam ter noção sobre suas responsabilidades em todos os casos”, ressalta a pedagoga.

Além disso, segundo Inês, a erotização infantil se sustenta na cultura do consumo. Pautar desejos e comportamentos das crianças por um viés sexual que ainda não lhes pertence é cruel, “exatamente porque existe alguma valorização por parte dos adultos que a cercam”. Comprar maquiagens, tirar fotografias e expor as crianças em redes sociais, muitas vezes com roupas insinuantes, semelhantes às dos adultos, são “modos simples de tornar invisível a vida das crianças, seus direitos, desejos e suas culturas próprias”, explica.

O tema é polêmico, importante e, muitas vezes, desconcertante. Talvez tudo seria mais fácil se ficássemos com “a pureza das respostas das crianças”.

 

Autor: Priscila Fagundes – Fonte: Opinião&Notícia

Fentanil, a droga da vez

segunda-feira, 22 de maio de 2017

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Mortes relacionadas ao consumo abusivo de opioides nos EUA — categoria que vai dos analgésicos à heroína — quase quadruplicaram nas últimas duas décadas. Em alguns estados, a proporção de bebês que nascem com sintomas de abstinência aumentou em 300% desde 1999. Pelo menos 8 mil crianças nasceram com a doença em 2013. Diariamente, 91 americanos morrem de uma overdose envolvendo opioides.

Boa parte dessa tragédia está relacionada à prescrição excessiva de analgésicos permitidos. Em 2015 cerca de 650 mil receitas por dia foram entregues a pacientes. Mas quando as receitas acabam, os dependentes muitas vezes recorrem a substâncias ilícitas. A droga da vez é um opioide sintético chamado fentanil, que é cerca de 50 vezes mais potente do que a heroína e 100 vezes mais potente do que a morfina.

A maior parte do fentanil que chega aos EUA é produzida, muitas vezes legalmente, em fábricas na China. Depois, a droga é enviada a redes criminosas no México e no Canadá e, em seguida, contrabandeada pela fronteira americana. Desde 2013, milhares de americanos morreram de overdose de fentanil.

Em março, o governo chinês, sob pressão dos Estados Unidos e da ONU, concordou em tornar ilegais quatro variantes do fentanil. No entanto, a medida não vai reverter a crise dos opioides nem a ameaça do fentanil. A crise é grave demais para que a criminalização funcione como um impedimento. O país tem pelo menos 2 milhões de viciados em opioides. Eles precisam de tratamento e ambientes controlados para consumir drogas.

Mas a criminalização também é fútil por razões mais profundas. Uma lei inviolável do mercado de drogas, seja para opioides ou maconha, é que a demanda cria a oferta. Fentanil é particularmente atraente para criminosos porque é tão potente — apenas 2 mg do material é suficiente para provocar uma overdose. É fácil esconder esse montante em cartas e pequenos pacotes que são enviados por correio. As recompensas são enormes também: 1 quilo de fentanil custa cerca de US$ 4 mil na China e rende lucros de US $ 1,6 milhão nas ruas dos EUA.

O fentanil e suas variantes estão entre as centenas de novas drogas sintéticas que inundaram o mercado de drogas ilícitas na última década. Novas drogas têm surgido ao ritmo de uma por semana. De 2012 a 2017, 20 novas versões de fentanil apareceram. Um mercado tão diversificado não pode ser apagado. Pressione a China, e laboratórios aparecerão no México.  Proíba uma substância, e outra aparecerá.

É preciso coragem para legalizar drogas quando tantos estão morrendo por causa delas. Mas é melhor que os viciados tomem doses seguras de substâncias familiares sob condições controladas do que se arrisquem enquanto enriquecem criminosos. A Suíça optou pela legalização após uma epidemia de heroína nos anos 80 e passou a tratar as drogas como um problema de saúde pública. Desde então, o consumo de drogas e as mortes relacionadas às drogas caíram. Os EUA deveriam seguir este caminho.

Fonte: Opinião&Notícia

Steve Jobs: um modelo de gestão a não copiar

domingo, 21 de maio de 2017

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Steve Jobs é considerado o maior gênio que o mundo já viu e o melhor CEO desta geração. No entanto, ele também é o mesmo homem acusado de gritar com sua equipe por 30 minutos seguidos, interromper a hora de refeição de seus funcionários, criticar severamente anfitriões e equipes de restaurantes, estacionar em vagas para deficientes, afirmar que pessoas ligadas a direitos humanos têm mentalidade medíocre e dizer o quanto sua equipe é terrível.

Chefes sempre foram vistos como pessoas autoritárias, mas nos últimos anos parece que ser um tirano se tornou uma característica almejada. Isso não surpreende. Walter Isaacson, autor da biografia de Jobs, não criou em sua obra apenas um best-seller, mas também um manual para todos aqueles que buscam um “passe livre” para seus ataques de raiva.

Junto aos relatos do comportamento fervoroso de Jobs e sua ânsia por colocar as pessoas para baixo, Isaacson ressalta que aqueles que não se deixaram abater se tornaram mais fortes e que os funcionários que mais sofreram com Jobs acabaram realizando coisas que nunca sonharam serem possíveis graças ao tratamento duro que receberam. Em algum ponto, o Vale do Silício concluiu que a conexão à internet é mais importante do que a conexão humana. Afinal, se funcionou para um gênio como Jobs, não pode ser tão ruim.

Entretanto, pode. Embora esse tipo de gestão funcione em curto prazo, os funcionários não funcionam bem trabalhando por longo período para um chefe narcisista e tirano. A própria biografia de Jobs afirma que muitos de seus funcionários foram levados ao esgotamento. Além disso, um chefe como Jobs corre o risco de perder talentos excepcionais que pedem demissão ou se recusam a trabalhar para ele por conta de seu temperamento.

Novos estudos apontam que uma liderança extremamente crítica gera funcionários desmotivados e discussões no ambiente de trabalho. Além disso, leva a sérios problemas de saúde como hipertensão depressão, sobrepeso, abuso de substâncias e até mesmo morte prematura.

A questão é simples: quanto mais a pessoa se sente mal sobre ela mesma, menos decisões boas ela consegue tomar para aproveitar ao máximo seu potencial. Fazer com que seus funcionários se sintam terríveis não é somente uma ferramenta de gestão ineficaz, mas também preguiçosa. Não é necessária nenhuma habilidade especial para gritar com alguém. Em contraponto, liderar uma equipe com gentileza, dignidade e postura requer empenho e maturidade, duas características não tão comuns na maioria das pessoas.

 

Fonte: Opinião&Notícia

Está chegando a hora

segunda-feira, 15 de maio de 2017

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Por Carlos Brickmann
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Lula finalmente prestou depoimento a Sérgio Moro. Encontraram-se em pessoa, falaram olhos nos olhos. Nada aconteceu de espetacular. Não houve briga de torcidas em Curitiba, nem troca de ofensas entre depoente, juiz e promotores. Quem achava que Lula é culpado continua achando, quem achava que Lula é inocente não mudou de ideia. Assunto encerrado.

 

Encerrado, pois a disputa hoje é menos no campo jurídico do que no eleitoral. É difícil acreditar que tantos delatores diferentes façam descrições tão parecidas do método petista de redistribuir a renda dos outros se algo não for verdade – e sabendo que, se mentirem, perderão as vantagens que já obtiveram e ficarão na cadeia. Lula, no depoimento, vacilou algumas vezes: garantiu que não tem influência no PT, nem no Instituto Lula, e que sua esposa decidia negócios de centenas de milhares de reais sem consultá-lo. Moro, um juiz duro, certamente esteve atento a esse tipo de detalhe.

 

A sentença de Moro, com possível condenação, deve sair em junho. Lula terá uns 13 meses até que o PT o lance candidato à Presidência da República. Mas, nesse período, se o Tribunal Regional Federal confirmar uma eventual condenação, Lula vira ficha suja e fica inelegível. Os magistrados poderão até permitir que se defenda em liberdade até o processo transitar em julgado, mas ele não poderá ser candidato. E, com o número de processos que sofre, eleger-se presidente é sua única boa saída.

 

Nus, em segurança

 

Detalhe saboroso da delação do marqueteiro João Santana e de sua esposa, Mônica Moura: o líder do PT no Senado, Delcídio do Amaral, exigiu que parte das contribuições de empreiteiras à sua campanha fosse depositada em conta clandestina no Exterior. A negociação foi feita na sauna da casa de Delcídio, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

 

Justo: na sauna, nenhum negociador teria como ocultar gravadores ou câmeras.

 

Vantagem extra

 

E ninguém teria como botar a mão no bolso dos outros.

 

Odebrecht? Café pequeno

 

Marcelo Odebrecht e seus 77 diretores fizeram uma radiografia notável da circulação de dinheiro não só em campanhas eleitorais, mas também como retribuição a atitudes amigáveis dos poderosos da época. Mas nada foi tão espetacular como a delação premiada de João Santana e Mônica Moura: enquanto a Odebrecht se aproximava dos cofres públicos de maneira protocolar – heterodoxa, sim, mas protocolar – João Santana e Mônica Moura é como se fossem da família, conheciam tudo por dentro.

 

Surgiram então as bombas: a narrativa de Mônica segundo a qual o ministro da Justiça de Dilma, José Eduardo Cardozo, contava à presidente tudo que conseguia saber – e não deveria saber, quanto mais espalhar – sobre as ações da Polícia Federal na Lava Jato; e como Dilma, operando um e-mail falso, passava as informações sigilosas aos marqueteiros. Nas duas delações, ambos garantiram que Lula e Dilma sabiam tudo sobre as doações premiadas, e que Lula era o comandante-chefe do esquema – “a instância final”, como o chamavam. E que Dilma, quando tinha uma informação sigilosa a passar-lhes, sem risco de ser interceptada, levava Mônica para passear numa varanda ou nos jardins do palácio.

 

Detalhes saborosos

 

Algumas despesas que, conforme Mônica Moura, Dilma Rousseff lhe pediu para pagar: ao cabeleireiro, R$ 40 mil; a uma dama de companhia, R$ 4 mil mensais durante quase um ano; a um operador de teleprompter, (aquele vídeo em que corre o texto para quem fala na TV) R$ 95 mil. A Secretaria de Comunicações tem operadores de teleprompter, a EBC tem operadores de teleprompter, mas Dilma só aceitava um, e pagava por fora.

 

Carne queimando

 

A Operação Bullish (referência ao nome em inglês de manobras para elevar o preço de ações em bolsa) atinge a J&F, dona do JBS, maior produtor mundial de carne bovina. Mas a Polícia Federal investiga principalmente como é que o BNDES Participações entrou com mais de R$ 8 bilhões para financiar o crescimento do grupo.

 

É operação para ir longe.

 

Sem fantasia

 

O programa de TV do PSDB foi muito interessante: insistiu na ética. Um dos políticos que mais destaque obtiveram foi o presidente nacional do partido, senador Aécio Neves, atingido por delações premiadas. E, segundo depoimento de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, foi apontado por José Dirceu como responsável pela nomeação de uma pessoa de sua confiança numa diretoria da empresa.

 

Aécio não falou sobre isso. O partido, ao que se saiba, ainda não buscou apurar como um dos principais dirigentes da oposição conseguiu nomear gente sua num Governo petista. A troco de que? A propósito, quem é que Aécio teria indicado?

SUPREMA VAIDADE

segunda-feira, 15 de maio de 2017

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Por Percival Puggina

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Há pessoas que invertem a expressão popular. Nem sete palmos de terra lhes cobrirá a vaidade e ingressarão no além com a mesma fatuidade do aquém. Há poucos dias, votando a favor da libertação de José Dirceu, Gilmar Mendes se referiu aos procuradores federais da Lava Jato como jovens que não teriam “vivência institucional”. E complementou, dirigindo-se a um colega: “Se nós cedêssemos a esse tipo de pressão, nós deixaríamos, ministro Lewandowsky, de ser supremos”.

Chega a assustar! Pode um ministro de presumível sabedoria, encarapitado no cume do poder onde atua, justamente quando fala sobre o valor da vivência institucional, adjetivar-se e a seus pares dessa maneira? Não. E não concebo que Gilmar Mendes faça isso em estado de exaltação. Vejo a frase como ato tão falho quanto simbólico do patrimonialismo incrustado em nossa cultura política, a contaminar as instituições e suas práticas. Num dos desvios por onde esse mal nos conduz, o ato de posse vira uma espécie de escritura de propriedade lavrada em favor do titular. No entanto, tomar posse não equivale a ser dono do cargo; antes, significa ser formalmente possuído pelos encargos que lhe são inerentes.

Foi tudo muito paradigmático, nas concessões daqueles polêmicos habeas corpus pela 2ª Turma do STF. É impossível não perceber, nos votos vencedores, os olhos fixos nos calhamaços de papel, tendo a nação, de quem se diz ser “soberana”, como estática paisagem, em cujo agravo os habeas corpus foram sendo concedidos. Jayme Eduardo Machado, com a autoridade de quem já foi Subprocurador-geral da República, em ZH do dia 5 deste mês, qualificou essa desatenção à sociedade como “autofágico desvio”, capaz de minar de descrédito o poder.

Posteriormente, ao indignar-se com a atividade do colega Fachin, que deslocou para o Pleno a decisão sobre o habeas corpus de Antônio Palocci, Gilmar Mendes revelou a intenção de impor sua vontade com base na maioria de 3 x 2 que se formou na 2ª Turma do STF. Serão razões e fundamentos tão retos e jurídicos quanto os que fizeram seu colega Lewandowsky, brandindo a Constituição, fatiar a pena imposta pelo Senado à ex-presidente Dilma? É uma surpreendente indignação essa dos ministros que resolveram soltar meliantes prudentemente encarcerados pela Lava Jato. Talvez tenham pensado: “Quem esse juiz e esses garotos do MPF pensam ser para andarem por aí criminalizando criminosos tão incomuns?

Por fim, vale lembrar que o STF não é o poder supremo da República. Ele ocupa a cobertura no edifício do Direito, justaposto ao qual, mas não subordinado a ele, está o edifício da Política. Cuide o STF de ser um bom Supremo em seu condomínio e não se meta a Poder Moderador, supremo sobre os demais, como reiteradamente vem tratando de ser. Tal figura não existe em nossa Constituição. Investir-se nela é usurpação. Contudo, não era a vaidade o pecado favorito do personagem John Milton em O Advogado do Diabo?

Do jeito que as coisas vão, a vaidade acabará senhora suprema do Supremo. Sob seus influxos se dilatam as demasias, se ampliam os votos, perde-se tempo, a justiça se arrasta, se rebusca a linguagem e as frases, não raro, parecem uma bandeja de petit fours glacés. A vaidade se nutre da lisonja. A admiração se alimenta do serviço à nação. No campo da justiça, a nação se submete ao STF. Mas admiração, reverência, presta a Sérgio Moro e à Lava Jato. (A íntegra do artigo pode ser lida em http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/noticia/2017/05/suprema-vaidade-9791801.html)

Maior obstáculo para criatividade é estar ocupado

segunda-feira, 15 de maio de 2017

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A história mostra que os inventores costumavam ter suas grandes ideias quando deixavam sua mente fluir. Em 1881, quando Nikola Tesla ficou doente durante uma viagem para Budapeste, seu amigo Anthony Szigeti o levava para longas caminhadas para ajudá-lo a se recuperar. Durante um desses passeios, Tesla teve um insight sobre os campos magnéticos rotativos que levariam ao desenvolvimento do atual mecanismo de corrente elétrica. Segundo a autora de “The Happiness Track”, Emma Seppälä, em um artigo publicado no Quartz, ideias de tirar o fôlego costumam vir do relaxamento.

A criatividade acontece quando a mente não está focada. Este é o motivo pelo qual temos grandes ideias no chuveiro. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia indicou que as pessoas são mais criativas ao sonhar acordado ou deixar a mente vagar. Um artigo dos professores de psicologia Jonathan Schooler e Jonathan Smallwood também revelou que as pessoas se dão melhor numa tarefa desafiadora após terem trabalhado em uma tarefa fácil, que permite que a mente vagueie. A ideia é balancear o pensamento linear (que requer bastante foco) com o pensamento criativo.

No trabalho, as pessoas estão sempre analisando problemas, organizando dados, escrevendo, todo o tipo de tarefa que requer foco. Durante o tempo livre, elas ocupam a mente conectadas no celular ou passando horas assistindo séries e filmes.

Portanto, as pessoas precisam achar formas de dar um tempo para o cérebro. Se as mentes estiverem constantemente processando informações, ela não dará asas aos pensamentos e a criatividade.

Algumas dicas para estimular a criatividades são: fazer longas caminhadas (sem o celular) como parte da rotina diária; sair da zona de conforto, seja assistindo uma aula fora de sua área de atuação ou viajando para lugares diferentes; ter mais tempo para diversão e jogos. A ideia é alternar atividades que precisem de foco com aquelas que não exigem muito do intelecto.

Fonte: Opinião&Notícia

O boom da cocaína e o desafio de sua eliminação

quinta-feira, 11 de maio de 2017

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Em um helicóptero militar, repórteres avistam as plantações ilegais de coca no sul da Colômbia. As enormes plantações são responsáveis pelo maior boom de cocaína da história. As plantações colombianas de coca nunca cresceram tanto, nem mesmo quando Pablo Escobar regulava o comércio da droga. A informação é do Washington Post.

Em 2000, os Estados Unidos criaram o Plano Colômbia para combater a produção e o tráfico de cocaína, além de desestruturar a Farc. Uma das ações do plano foi implementar a fumigação de glifosato, herbicida considerado pela Organização Mundial da Saúde como um possível causador de câncer, para acabar com as plantações de coca. A fumigação, porém, acabou infectando o solo e atingindo outras plantações.

O governo colombiano parou de jogar o famoso herbicida nas plantações de coca em 2015 por conta do elevado risco de câncer. As autoridades americanas acham que a tática deveria continuar em conjunto com outras medidas, mas a mais alta corte na Colômbia formalizou a proibição do glifosato no mês passado.

O acordo de paz assinado entre o governo colombiano e as Farc para acabar com a guerrilha também tinha como objetivo eliminar o negócio do narcotráfico e ajudar as famílias rurais a transformarem suas plantações de coca em cultivos legais. Mas os benefícios financeiros oferecidos pelo governo parecem ter criado um incentivo para que os fazendeiros aumentassem suas plantações da matéria-prima da cocaína. Mesmo os que não plantavam coca, agora estão fazendo isso para receber benefícios.

Persuadir fazendeiros a parar de plantar tanta coca é um grande desafio. Autoridades colombianas estão aparecendo nas comunidades com pagamentos em dinheiro para aqueles que pararem de produzir coca e entrarem em um programa de dois anos para mudar para uma plantação legal. As áreas que conseguirem o feito vão receber suporte comercial e técnico, assim como financiamentos para estradas, clínicas e campos esportivos. Para receber os pagamentos mensais, toda a comunidade deve estar livre da coca. Especialistas dizem que este método é a única forma do plano funcionar, porque se a coca estiver por perto, as gangues do tráfico nunca irão embora.

O governo deve pagar as famílias até US$ 12 mil num período de até dois anos (uma quantia calculada para ser tão boa quanto às plantações de coca). Porém, se as 70.000 famílias estimadas se inscreverem (provavelmente muitas mais vão querer também), o custo vai ser maior que US$ 500 milhões por ano. Com os recursos financeiros escassos por um crescimento colombiano lento, ainda não está claro se o governo vai conseguir pagar o programa. Se os fazendeiros não conseguirem os pagamentos, eles vão continuar plantando coca.

O mercado da cocaína está tão saturado que os preços caíram. Quando o presidente colombiano Juan Manuel Santos for encontrar o presidente americano Donald Trump em Washington, no dia 18 deste mês, a droga será o grande assunto. Trump já citou o contrabando da cocaína como uma ameaça crescente à segurança nacional e uma justificativa para o muro entre os EUA e o México.

Entre 2013 e 2015, o número de jovens americanos que experimentaram cocaína pela primeira vez aumentou 61%, segundo o último relatório dos EUA. “O que está acontecendo é o contra-argumento da ideia de que a demanda sempre leva ao fornecimento”, disse William Brownfield, autoridade americana de assuntos anti-narcotráfico. “Neste caso, o fornecimento do produto agora é bem maior do que a demanda”, explica Brownfield.

 

Fonte: Opinião&Notícia

Maconha no Uruguai será vendida em farmácias

quinta-feira, 11 de maio de 2017

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Nos arredores de Libertad, uma pequena cidade a uma hora de carro de Montevidéu, cercas de arame farpado e guardas protegem um terreno de dez hectares de propriedade do governo. Dentro, as estufas das empresas ICC e Simbiosys licenciadas pelo governo do Uruguai para cultivar maconha de uso recreativo abrigam milhares de plantas. Em 2 de maio, os uruguaios começaram a se registrar nos correios como usuários potenciais da droga, que será vendida nas farmácias a partir de julho.

Esta será a última e a mais importante etapa de um longo processo. Em 2013, o Senado aprovou a legalização da maconha e a regulamentação de sua produção e venda, uma atitude pioneira no mundo. O objetivo do governo do Uruguai é eliminar o mercado negro, controlado, sobretudo, por traficantes paraguaios, porém sem estimular o consumo. Os uruguaios registrados, mas não os visitantes, poderão cultivar até seis plantas em casa; aderir a um clube, onde 45 membros podem cultivar até 99 plantas; ou comprar a maconha em farmácias. O consumo ficará limitado a 40 gramas por mês.

Mais de 6.600 pessoas se registraram para cultivar maconha em casa e 51 clubes já esperam seus sócios. Mas as autoridades uruguaias acreditam que as farmácias serão as principais fontes de acesso à droga. A um preço de US$1,30 por grama, a maconha comprada nas farmácias será mais barata do que a vendida por traficantes.

A qualidade também será melhor, disse Milton Romani, que supervisionou a implementação da lei até julho de 2016. O governo teve o cuidado de consultar usuários regulares de maconha para estabelecer critérios quanto à sua potência. “São eles que conhecem o assunto”, observou Romani com um sorriso.

Fonte: Opinião&Notícia