Destaques

Manchetes dos principais jornais do dia 19 de Maio

sábado, 19 de maio de 2012

 

O Estado de S. Paulo

Ministro diz que julga mensalão este ano

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), revisor da ação penal sobre o mensalão, garantiu ontem, em Curitiba (PR), que o processo será julgado ainda este ano. “Este ano julgaremos. A expectativa é não só dos ministros, mas da sociedade e também minha.” Para que isso ocorra, Lewandowski declarou que tem trabalhado “intensamente”. “A equipe de meu gabinete está praticamente toda dedicada a isso”, reforçou. “Quanto mais cedo puder julgar é melhor. Estamos trabalhando para ser o mais rápido possível.” O ministro ponderou, no entanto, que tem muitos outros trabalhos além do processo do mensalão, e que trabalha à noite e nos fins de semana. “No meu gabinete há o processo que envolve a CPI do Cachoeira, tem muita coisa para fazer”, afirmou, durante o Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral.

Mais tarde, a ministra Cármen Lúcia, que também participou do evento, disse que está pronta para o julgamento. “Da minha parte, estarei habilitada a votar na hora em que ele for colocado em pauta”, garantiu. “Nós somos servidores e queremos dar respostas o mais rápido possível.” Ela reforçou que está “estudando há algum tempo” o processo, assim como seus colegas.

Aliados querem que petista deixe CPI

Surpreendidos com o flagrante da troca de mensagens via celular entre Cândido Vaccarezza (PT-SP) e o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira defenderam ontem o afastamento do deputado petista, ex-líder do governo, do colegiado. O comportamento de Vaccarezza, de tentar blindar Cabral na CPI, irritou os aliados, em especial os petistas que, em conversas reservadas, consideraram “insustentável” a permanência do ex-líder do governo como um dos integrantes da comissão. O envio da mensagem, em que o parlamentar avisa ao governador que a relação entre o PT e o PMDB pode azedar na CPI, mas insinua que ele será protegido, foi flagrado por um cinegrafista da emissora SBT anteontem.

A CPI decidiu não convocar para depoimento nenhum dos governadores que supostamente teriam ligações com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Ao poupar governadores, instalou-se uma suspeita de clima de “pizza” na CPI. O PT não vai, no entanto, pedir a cabeça de Vaccarezza em praça pública. Apesar de irritadas, lideranças do partido adotaram uma postura de defesa de Vaccarezza. Esperam que o próprio deputado decida deixar a CPI. “Espero que no bom senso dele ele avalie o que é melhor”, resumiu o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA).

‘Também sou candidato do Lula e da Dilma’, diz Chalita

No dia em que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceram pela primeira vez juntos em São Paulo em um evento público ao lado do pré-candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, o peemedebista Gabriel Chalita procurou vincular também sua pré-candidatura aos apoiadores do concorrente. Chalita tem a expectativa de se tornar uma espécie de “plano B” do Planalto e de Lula na eleição paulistana caso a candidatura de Haddad não decole.

Carinho. “O presidente Lula tem me tratado com muito carinho e disse que também sou candidato dele. A presidente Dilma diz a mesma coisa”, disse Chalita ontem, após uma reunião com a direção da Associação Paulista de Medicina, em que ouviu demandas e sugestões para melhorar a saúde da capital paulista. O peemedebista, que tem como principal apoiador o vice-presidente da República, Michel Temer, reconhece a importância política de Lula e Dilma.

Pressionado, Pimentel justifica carona em voo

Pressionado pela oposição, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, divulgou nota ontem sobre a viagem que fez em outubro do ano passado, utilizando avião fretado pelo empresário João Dória Júnior. Pimentel se deslocou da Bulgária, onde estava com a comitiva presidencial, até a Itália, para encontro com empresários brasileiros e italianos.

Segundo a nota, o artigo 7.º do código de Conduta da Alta Administração Federal autoriza a participação de servidores e autoridades públicas em eventos organizados por terceiros, “inclusive com o pagamento de eventuais despesas de transporte, desde que a participação seja tornada pública”. Na nota, Pimentel diz que, mesmo com essa autorização, consultou formalmente a Comissão de Ética Pública, em junho do ano passado, que esclareceu que não é permitido o pagamento de despesas de transporte e estada pelo promotor do evento, exceto quando a “associação de classe não tenha interesse em decisão da autoridade” e que o evento seja amplamente divulgado. O MDIC reiterou que, no caso da viagem a Roma, o ministro não tinha outro meio de chegar a tempo para a palestra.

Salário público ‘deve ser divulgado’, defende Hage

No meio de uma polêmica que irritou servidores e constrangeu os demais poderes, o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, disse ontem que a divulgação nominal de salários de servidores do Executivo federal não é uma “invasão de privacidade”. A medida, prevista em decreto publicado no Diário Oficial da União, determina que se tornem públicas, na internet, de maneira individualizada, as remunerações dos ocupantes de cargos públicos, com todos os penduricalhos. “O entendimento no Executivo federal e da presidenta Dilma é que isso (divulgação de salário) não é invasão da privacidade, é informação de interesse público”, disse o ministro, após participar em Brasília da abertura 1.ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social. “Se todos nós, que pagamos impostos, é que custeamos os salários dos servidores públicos, nós somos os seus patrões em última análise.”

O Ministério do Planejamento informou ao Estado que “está finalizando ato normativo que deverá ser publicado na semana que vem, orientando os demais órgãos Executivo” sobre a forma como será feita a publicação. O decreto determina a divulgação de salários, auxílios, ajudas de custo, jetons e “quaisquer vantagens pecuniárias”, de maneira individualizada. “Se vai ser parcela discriminada ou global, não tenho como antecipar. Só posso garantir que a previsão do decreto é que tudo esteja incluído”, afirmou Hage. “Quem não se conforma vai ao Judiciário reclamar e o Judiciário vai dar a última palavra, mas a postura do Executivo federal é de divulgação.”

Alckmin promete ‘transparência total’ no Estado

Um dia depois de a presidente Dilma Rousseff determinar a divulgação dos salários dos servidores públicos na internet, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que fará o mesmo em relação aos funcionários do Executivo paulista. ”Dentro dessa linha de total transparência nos procedimentos de governo, já determinamos à Casa Civil e à Secretaria de Gestão Pública que tornem públicos todos os salários do Poder Executivo, da ativa, de aposentados e de pensionistas”, disse Alckmin.

A iniciativa representou uma mudança de posição em relação ao que havia anunciado anteriormente. Não havia menção à publicidade de salários no decreto assinado pelo governador na quarta-feira, ao regulamentar a aplicação da Lei de Acesso à Informação no Estado.

Dilma doa indenização a grupo antitortura

A presidente Dilma Rousseff vai doar para o grupo Tortura Nunca Mais a indenização que receberá do governo do Rio de Janeiro por ter sido interrogada e torturada no Estado, durante a ditadura militar. O valor da indenização não foi divulgado, mas informações que circulavam ontem davam conta de que a indenização é de R$ 20 mil. Segundo o porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, serão contempladas com a indenização no Rio 316 pessoas.

A doação, que começará a ser recebida em junho, foi anunciada dois dias depois do contundente e emocionado discurso da presidente Dilma, na cerimônia de instalação da Comissão da Verdade, quando falou que o grupo irá “liderar o esforço da sociedade brasileira em busca da verdade histórica, da pacificação e da conciliação nacionais”. Este é mais um gesto da presidente Dilma na sua disposição de buscar o que chamou de “verdade histórica”. Durante muitos anos, quem fez a busca pela verdade, no entendimento da presidente, foi exatamente o Grupo Tortura Nunca Mais.

Juiz abre sigilo de Vianna Santos

A Justiça decretou ontem a quebra do sigilo bancário e fiscal do desembargador Vianna Santos, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ele ocupou o cargo em 2010. Morreu em 26 de janeiro de 2011, vítima de enfarte agudo do miocárdio, segundo a polícia. A devassa é extensiva à advogada Maria Luiza Pereira, viúva do magistrado. Ambos tinham conta conjunta.

O juiz Adriano Marcos Laroca, da 8.ª Vara da Fazenda Pública, autorizou o acesso aos dados do desembargador e de Maria Luiza acolhendo integralmente requerimento do Ministério Público, que investiga suposto esquema de venda de sentenças na gestão Vianna Santos. A pesquisa abrange período de 2009 até hoje. A investigação é conduzida pela Procuradoria-Geral de Justiça. As filhas de Vianna Santos concordaram com a quebra do sigilo de contas e aplicações em nome dele. Relatos indicam que lobistas, empresários e advogados tinham trânsito livre na cúpula do TJ.

Morcegos paralisam fórum de Santa Quitéria

Morcegos alojados no forro da Justiça de Santa Quitéria do Maranhão, a 410 quilômetros de São Luís, dão calafrios na toga. Por ordem judicial, o fórum da cidade de 29 mil habitantes está interditado e uma empresa foi contratada para remover a colônia de mamíferos de grandes orelhas que se refugiaram no teto do prédio. Mas a providência de enfrentamento à morcegada provocou celeuma, uma vez que o Tribunal de Justiça do Estado não abriu licitação, pelo alegado caráter emergencial, e fechou o negócio por um preço e tanto: R$ 113.761,17, conforme nota de empenho 2012NE00141.

Dizem pela corte, data vênia, que ainda que fosse o Batman e toda a sua família não sairia tão onerosa a missão. O valor global do contrato para recuperação do prédio, segundo o processo administrativo 11285/12, vai a R$ 597,4 mil. O pagamento, em uma só parcela, foi autorizado pelo TJ, sob presidência do desembargador Antonio Guerreiro.

Aécio propõe agenda para os próximos 20 anos

Um dia após o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), ter declarado que o senador Aécio Neves será o candidato dos tucanos a presidente em 2014, o ex-governador de Minas fez discurso de candidato no Recife. Aécio afirmou que o PSDB prepara uma agenda de desenvolvimento para os próximos 20 anos, que prevê a introdução de uma gestão pública de qualidade na máquina federal. “Isso não acontece hoje”, avaliou, ao pregar também a necessidade de “uma visão mais pragmática da política externa a favor dos interesses do Brasil e não de alinhamento ideológico, a meu ver atrasado”, disse.

“O PSDB tem essa responsabilidade e essa autoridade”, disse Aécio, em entrevista concedida no início da noite, na entrada do Palácio do Campo das Princesas, onde foi visitar o governador Eduardo Campos (PSB) antes de participar da abertura de um congresso de mulheres do PSDB.

Rachado, PT do Recife faz prévias amanhã

O prefeito do Recife, João da Costa, e o deputado federal e secretário estadual de Governo, Maurício Rands, disputam amanhã a indicação de candidato à Prefeitura da capital, em prévias do PT. A expectativa é a de que, seja quem for o vencedor, o partido, que está à frente da prefeitura há 12 anos, sairá enfraquecido e dará margem a candidaturas alternativas dentro da Frente Popular, integrada por partidos aliados.

Escolhido pelo ex-prefeito João Paulo para ser seu sucessor, Costa não tem o mesmo carisma do padrinho, com quem rompeu, nem conseguiu manter em alta a sua aprovação. Considerado o maior cabo eleitoral do PT no Recife, João Paulo já avisou que, se Costa for o vencedor, não terá o seu voto. A previsão é a de que o resultado saia às 18 horas.

PV decide apoiar Fruet, do PDT, no Paraná

A comissão executiva do PV em Curitiba formalizou ontem apoio à candidatura do ex-deputado federal Gustavo Fruet (PDT) para a Prefeitura de Curitiba. A coligação também será feita para as eleições proporcionais, preferencialmente tendo junto o PT, que também se definiu pelo apoio a Fruet. Até o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, esteve na reunião na qual foi chancelado o apoio do PV. “É uma campanha para somar forças e um projeto que recoloca Curitiba num rumo de cidade inovadora, de cidade que sempre foi pioneira nas políticas públicas”, afirmou o ministro Paulo Bernardo. Segundo Fruet, o apoio do PV é importante para ajudar na formalização do programa de governo, particularmente no que se refere a uma cidade sustentável.

Rachado, PT do Recife faz prévias amanhã

O prefeito do Recife, João da Costa, e o deputado federal e secretário estadual de Governo, Maurício Rands, disputam amanhã a indicação de candidato à Prefeitura da capital, em prévias do PT. A expectativa é a de que, seja quem for o vencedor, o partido, que está à frente da prefeitura há 12 anos, sairá enfraquecido e dará margem a candidaturas alternativas dentro da Frente Popular, integrada por partidos aliados.

PSDB veta espaço dado ao PT em Minas e ameaça deixar aliança

A disputa por espaço político em Belo Horizonte (MG) volta a pôr PT e PSDB em pé de guerra na cidade e ameaça dinamitar a aliança formada em torno do prefeito Marcio Lacerda (PSB), candidato à reeleição. O mais recente pavio aceso é a aliança proporcional com os socialistas, exigência dos petistas que já teria recebido sinal positivo do presidente do PSB, Walfrido Mares Guia.

Com receio do crescimento dos petistas, tucanos ameaçam deixar a coligação e líderes do partido já assediam outros candidatos, como o deputado estadual Délio Malheiros (PV). Isso porque, na avaliação dos partidos, o PT, que já indicará o vice de Lacerda, tem chance de aumentar de seis para oito o número de vereadores caso faça a aliança com o PSB, que manteria os atuais três parlamentares. Na composição atual do Legislativo municipal, 4 dos 41 vereadores são tucanos, inclusive o presidente da Câmara, vereador Léo Burguês, e a legenda pretende pelo menos manter o número. ”Hoje, o PT é oposição ao PSB na Câmara”, disse o presidente do diretório municipal do PSDB, deputado estadual João Leite, referindo-se ao grupo ligado ao vice-prefeito Roberto Carvalho (PT), desafeto do prefeito. “O Walfrido tem juízo. Vai crescer a oposição contra ele na Câmara, porque com os votos do PT ele não conta”, acrescentou.

Cúpula petista define eleição em 118 cidades

Em reunião ordinária, o diretório nacional do PT referendou ontem, em Porto Alegre (RS), a decisão da Executiva que submete ao comando central do partido a homologação das alianças e candidaturas em 118 cidades consideradas estratégicas pela sigla, por terem mais de 200 mil eleitores ou serem polos regionais por suas universidades ou emissoras de televisão. “Pode haver uma revisão de alianças pela executiva antes do registro (da chapa)”, afirmou o presidente do partido, Rui Falcão. “Há um critério geral, nacional, estabelecido, que é fortalecer o conjunto de forças que têm impulsionado as mudanças (no País)”, explicou o secretário especial de Relações Internacionais da presidência da República, Marco Aurélio Garcia.

Em Salvador, DEM e tucanos tentam atrair PMDB

O PSDB formalizou ontem do apoio à pré-candidatura de ACM Neto (DEM) à Prefeitura de Salvador. Na capital baiana, DEM e PSDB ainda tentam atrair o PMDB para a coligação. De acordo com o presidente do diretório estadual tucano, Sérgio Passos, ainda não está definida a participação do partido na chapa majoritária – discute-se a possibilidade de o ex-pré-candidato do PSDB, o deputado Antonio Imbassahy, ser o vice na chapa. ”O que oficializamos hoje é que vamos caminhar juntos na eleição, as outras questões serão discutidas no tempo certo.”

Ordem para comissão é ignorar militares

O Planalto não quer polemizar com militares da reserva que têm atacado a Comissão da Verdade e até a presidente Dilma Rousseff, pela escolha dos nomes da comissão, basicamente pessoas oriundas da esquerda. Ao contrário do episódio anterior, quando os Clubes Militares redigiram manifesto contra as declarações de duas ministras, que pediam a revisão da Lei de Anistia, exigindo que Dilma se posicionasse, e atacaram o ministro da Defesa, Celso Amorim, desta vez o Planalto optou por ignorar protestos.

Na vez anterior, Dilma exigiu até que os que assinaram manifesto contra o governo fossem punidos, por considerá-lo ofensivo. A decisão criou uma saia-justa para os comandantes, que fizeram reuniões com a reserva em Brasília e no Rio, mas não aplicaram punições. A presidente entende que o trabalho agora é com a Comissão da Verdade e não há mais o que falar. Se os militares quiserem, que procurem a comissão. O Planalto não deu importância nem sequer à comissão da verdade paralela, criada pelo Clube Naval para acompanhar os trabalhos em Brasília, rebater ataques e disponibilizar assessoria jurídica para orientar militares que forem convocados a depor.

Haddad desfila com Lula em SP, mas Dilma é discreta ao entrar na campanha

A presidente da República, Dilma Rousseff, entrou ontem com discrição na pré-campanha do ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo. Para o primeiro evento público na capital paulista com Haddad e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o início da pré-campanha, Dilma viajou com uma comitiva de ministros, mas acabou fazendo um gesto político silencioso: nem sequer discursou para fazer um afago ao pré-candidato.

Com Haddad, Lula e os ministros Aloizio Mercadante (Educação), Ana de Hollanda (Cultura) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), a presidente visitou a exposição Guerra e Paz, de Candido Portinari, no Memorial da América Latina. No fim do tour, todos assistiram a um vídeo sobre os painéis principais do evento na sala onde os murais são exibidos.

O Globo

Julgamento do mensalão deve acontecer só em agosto

O ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão, está tentando concluir seu voto até meados de junho. No gabinete dele, a maior parte dos assessores foi deslocada para trabalhar no processo. Se a expectativa for confirmada, o julgamento do processo poderia ocorrer em agosto, e não neste semestre. Isso porque o Supremo Tribunal Federal (STF) tem recesso marcado para julho, e o julgamento tem previsão de durar pelo menos um mês.

Uma solução para realizar o julgamento logo seria iniciá-lo na sequência da apresentação do voto de Lewandowski e estender as sessões pelo mês de julho. No entanto, muitos ministros se opõem a essa fórmula — inclusive o relator, Joaquim Barbosa, que planeja viagem de férias. Portanto, o mais provável seria o julgamento começar em agosto. Essa hipótese traz um detalhe: Cezar Peluso vai se aposentar e não deverá participar da votação.

Ministro do STF garante que Ficha Limpa vai ser aplicada em 2012

Mesmo com a fragilidade na aplicação da Lei da Ficha Limpa, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, garantiu que a legislação é constitucional e vai ser aplicada nas eleições municipais de 2012. – A Lei da Ficha Limpa introduz um componente importante, que é a moralização da vida pública – disse.

O ministro, que participou nesta sexta-feira do 3º Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral, em Curitiba, voltou a defender a constitucionalidade da lei. – Num primeiro momento (a Ficha Limpa) foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal inconstitucional no que diz respeito à entrada em vigor no mesmo ano de sua edição. Quando foi examinado o mérito, o Supremo confirmou que a Lei da Ficha Limpa é inteiramente constitucional e se aplica às eleições municipais de 2012 – disse.

Mensalão: 15 cidades vão às ruas pedir celeridade no julgamento

Movimentos contra a corrupção vão promover neste fim de semana um mutirão em 15 cidades para recolher assinaturas com o objetivo de pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) celeridade no julgamento dos 38 réus do mensalão. Mais de 28 mil pessoas já aderiram ao abaixo-assinado e a intenção é aumentar o máximo possível este número para pressionar os ministros a colocarem o tema em pauta.

Em meados de abril, 24 estados e o Distrito Federal fizeram manifestações com este propósito e, desde então, o número de adesões passou de 12 mil para as atuais 28 mil. As assinaturas já deveriam ter sido entregues no mês passado ao ministro Ricardo Lewandowski, com quem representantes dos grupos Transparência Brasil e Queremos Ética na Política tinham uma audiência marcada. Lewandowski é revisor do processo, que tem o Joaquim Barbosa como relator. Segundo o fundador do Movimento 31 de Julho no Rio, Marcelo Medeiros, o encontro foi desmarcado sem explicação do ministro. Ainda assim, eles tentarão entregar o abaixo-assinado a um ministro do STF ainda este mês.

Vereadores são presos e prefeito é acusado de corrupção em Alagoas

Sete vereadores da cidade de Rio Largo, a 25 quilômetros de Maceió, e quatro empresários – um deles diretor da Usina Utinga Leão, que fica na cidade – foram presos na noite desta quinta-feira acusados de corrupção, por autorizarem a venda de um terreno, avaliado em R$ 21 milhões, por R$ 700 mil, pertencente ao município. Três vereadores são considerados foragidos. O Ministério Público de Alagoas pediu a prisão do prefeito da cidade, Toninho Lins, mas o Tribunal de Justiça ainda não decidiu sobre o assunto.

Conforme investigações do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) – que começaram após denúncia da TV Pajuçara, afiliada da Rede Record no estado – o prefeito encaminhou à Câmara dos Vereadores da cidade projeto de lei para adquirir uma área de 252 hectares, da Usina Utinga Leão, em processo de falência, para a construção de casas populares. O valor da desapropriação da área seria de R$ 700 mil – a serem pagos à usinas.

Um Rio de Janeiro falsamente ordenado

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Por Marco Antonio Barbosa- opiniaoenoticia.com.br

Quanto à parte da beleza, pode haver controvérsia. Mas que o Rio de Janeiro é o purgatório do caos, disso não há como duvidar. Nos últimos dias, a vocação da cidade para a falta de controle tem sido testada e aprovada com louvor. Na terça passada, um sobrado centenário localizado na esquina entre as ruas do Lavradio e da Relação (colado no antigo prédio do jornal Tribuna da Imprensa) desabou – ratificando as palavras de Agostinho Guerreiro, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ).

Para Guerreiro, ao menos 100 imóveis históricos da cidade, incluindo prédios tombados pelo patrimônio histórico, podem ruir a qualquer momento. O desastre ocorrido com os prédios na 13 de Maio nem precisa de maiores comentários, certo? Mas também houve o caso da árvore que demoliu o bar Planalto do Chopp, ali no Flamengo, pertinho de onde, há algumas semanas, a tradicional churrascaria Majórica virou… carvão. E isso é só o que tem acontecido recentemente, sem contar a expectativa da tragédia-anunciada-anual das chuvas de verão, o bonde sem freio de Santa Teresa, os bueiros explosivos. Isso tudo é normal?

Isso tudo é normal. O Rio sempre foi assim, desde 1565. A propensão típica do carioca/fluminense para a bagunça, somada ao desinteresse do poder público, gera esse estado de caos permanente, ao qual os habitantes vão se acostumando e com o qual vão convivendo. Faz parte do espírito da cidade – essa guerra cordial de todos contra todos, esse embaralhamento de ricos & pobres, de montanha & praia, de precariedade humana & natureza superlativa. Se, no Rio, o Brasil é mais brasileiro, aqui também se exacerbam as mazelas e as belezas do nosso contraditório povo.

Só que de um tempo para cá, tem gente querendo mudar essa história secular. Há uma nova estirpe de carioca à solta, e a nova guarda não quer saber de bagunça. Por isso mesmo, tratou de escolher como seus representantes no Poder Executivo essa “Gente Que Faz” (mas faz mesmo?), que se preocupa com o verniz da eficiência e da gestão eficaz. Afinal, estamos a dois anos de receber uma Copa do Mundo, e a quatro de recebermos uma Olimpíada. A cidade precisa estar impecável, funcional, bonita e acima de tudo ordenada, para podermos fazer bonito diante dos olhos do mundo. Por isso é que o Rio está todo em obras – quer dizer, não todo, só do Centro à Barra, afinal esse é o trecho que interessa, não é? Há tapumes, andaimes e placas de “Homens trabalhando” em todos os cantos, num afã de ajeitar, em alguns anos, todas as gambiarras e defeitos estruturais que se acumularam ao longo de quatro séculos e meio.

Mas a vocação do Rio para a bagunça é maior que isso tudo. Somos, na feliz definição do jornalista Márvio dos Anjos, a capital mundial do terrorismo acidental: não precisamos de aviões batendo em torres gêmeas, aqui as torres caem por conta própria, por descaso, por jeitinho, por falta de fiscalização. E a cidade reage contra essa tentativa frenética de “arrumar a casa” acelerando a frequência de suas catástrofes. As árvores, os bueiros, os prédios desabando, tudo isso são as entranhas do Rio de Janeiro reagindo contra essa megaoperação de maquiagem que quer forçar a cidade a ser o que não é: uma metrópole arrumadinha e funcional. Não adianta: o “não funcionar” é intrínseco ao Rio de Janeiro. Não é agradável, cansa, irrita às vezes, mas lembrem-se que existem alternativas bem piores. A cidade está dizendo a seus governantes: “Querem trazer Copa, Olimpíada, o escambau, tragam. Mas não queiram mudar o mudar o meu jeito de ser. Não vai dar certo”.

Parafraseando o tal do Peter Kellemen, que teria dito que “O Brasil não é para amadores”, eu devolvo: o Rio de Janeiro não é para ‘coxinhas’*.

* Na gíria popular, “coxinha” é usado para designar pessoas repletas de regras e procedimentos

Turistas gays poderão casar em Buenos Aires, mas Brasil não reconhecerá uniões

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Fonte: votebtrasil.com

Os casais de turistas estrangeiros gays poderão se casar na cidade de Buenos Aires, de acordo com medida anunciada, nesta quinta-feira, pela prefeitura da cidade. No entanto, segundo diplomatas do Consulado do Brasil na capital argentina, estes casamentos não serão válidos no Brasil.

“Juridicamente, não existe o casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil e por isso o casamento entre turistas brasileiros aqui em Buenos Aires não será reconhecido”, disseram à BBC Brasil.

A medida argentina permite que os turistas estrangeiros se casem nos cartórios da capital cinco dias após terem realizado o pedido formal para o casamento, indicando um hotel como endereço provisório na cidade.

“A resolução prevê que qualquer estrangeiro ou estrangeira, independente de sua orientação sexual, que esteja de passagem ou more na Argentina, poderá celebrar o casamento (na cidade)”, afirma o documento divulgado pela assessoria de imprensa do prefeito Maurício Macri.

A prefeitura diz ainda que a possibilidade de casamento para turistas está baseada na constituição nacional e em leis de migração.

De acordo com o governo da cidade, a Direção Geral de Registro de Estado Civil e Capacidade das Pessoas orientará os cartórios para que recebam os estrangeiros “sem nenhum tipo de discriminação” (em relação aos argentinos).

Para se casar, o turista estrangeiro vai precisar apenas de um comprovante do local onde está hospedado, o passaporte ou carteira de identidade e informações sobre o período em que permanecerá na cidade.

Casal paraguaio

No último mês de março, um casal de turistas paraguaios homossexuais foi o primeiro a se casar na Argentina, na cidade de Rosário. Simon Cazal e Sergio López se beneficiaram da medida que havia sido aprovada por autoridades rosarinas.

Presidente da entidade paraguaia Somosgay, Cazal disse que espera que o casamento seja reconhecido em breve pela lei de seu país. “Estamos emocionados. Este é um momento único”, disse ele após a cerimônia em Rosário.

A Argentina foi, em 2010, o primeiro país da América Latina a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A decisão do governo da cidade de Buenos Aires prevê ainda que turistas heterossexuais também possam se casar nos cartórios locais.

Neste caso, segundo o Consulado do Brasil, o casamento será reconhecido pelas leis brasileiras. “Pela legislação brasileira, um dos cônjuges deve ser brasileiro e o casamento, registrado no consulado para ser reconhecido no Brasil”, afirmaram.

Na semana passada, o Congresso Nacional argentino aprovou a Lei de Identidade de Gênero, que prevê que pessoas transsexuais possam mudar seus nomes nos documentos de identidade e na certidão de nascimento, além de ter acesso à rede pública de saúde para realização de cirurgias de mudança de sexo.

A medida foi considerada “um avanço dos direitos humanos” por entidades que reúnem transsexuais, como a Associação de Travestis,Transsexuais e Transgêneros da Argentina (ATTTA), a maior do país.

 

A dura escolha de quem deve sobreviver

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Por Ricardo Setti – veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti

Como os recursos não são suficientes para todos, cientistas propõem concentrar os esforços nas espécies de animais com maiores chances de preservação na natureza

rinoceronte-de-javaRINOCERONTE-DE-JAVA — Apenas 50 desses animais hoje raríssimos vivem na Indonésia. Dificuldades em se reproduzir e a competição por alimento com outros num ambiente reduzido têm feito fracassar as tentativas de aumentar a população

(Reportagem de Felipe Vilicic e Gustavo Simon, publicada na edição impressa de VEJA)

O esforço para preservar os animais em seus habitats é uma das raras causas que despertam simpatia virtualmente universal. Ocorre que, apesar do dinheiro gasto e da dedicação de governos e de organizações ambientalistas, o resultado da empreitada é muitas vezes decepcionante.

Espécies adaptadas por milhões de anos de evolução a um determinado tipo de existência revelam-se incapazes de sobreviver no ambiente modificado pela humanidade. A dúvida que atormenta os especialistas é como reagir a essa realidade. E simplesmente permitir que a extinção ocorra não é uma resposta aceitável.

ararinha-azulARARINHA-AZUL — Já não há pássaros desta espécie na natureza. Seu habitat, às margens do Rio São Francisco, foi ocupado pela urbanização e pela hidrelétrica de Sobradinho. Não existem exemplares suficientes em cativeiro para tentar uma reintrodução na natureza

Um levantamento recente sobre essa questão, coordenado pelo economista Murray Rudd, professor de economia sustentável da Universidade de York, na Inglaterra, identificou o nascimento de uma nova estratégia preservacionista: concentrar os esforços nas espécies cuja recuperação na natureza é viável — e deixar as demais na situação em que estão, mesmo que no futuro apenas um punhado de exemplares de cada uma sobreviva em cativeiro.

Em última análise, a ideia é pesar com cuidado como a equação custo-benefício se aplica a cada espécie. Rudd ouviu 583 cientistas ligados a estudos de sustentabilidade. A maioria deles – 60% – concorda que é preciso fazer uma triagem de animais.

Aqueles com chances menores de sobreviver na natureza terão de ser deixados de lado.

Disse Rudd a VEJA: “Para remediar nosso impacto sobre as espécies, teremos de ser mais inteligentes e preservar só as que realmente somos capazes de salvar”.

 

LEOPARDO-DE-AMUR cerca de 40 animais vivem na Rússia e China. Esse felino perdeu 80% de seu habitat, o que reduziu também a população de suas presas. Os poucos exemplares que restaram fazem cruzamentos consanguíneos, o que aumenta a incidência de doenças genéricas e reduz a fertilidade das fêmeasLEOPARDO-DE-AMUR — Só cerca de 40 desses esplêndidos felino continuam vivendo na Rússia e China. Ele perdeu 80% de seu habitat, o que reduziu também a população de suas presas. Os poucos exemplares que restaram fazem cruzamentos consanguíneos, o que aumenta a incidência de doenças genéricas e reduz a fertilidade das fêmeas

Três espécies são especialmente citadas pelos cientistas como exemplos de esforço preservacionista desesperadoramente inútil: o panda-gigante, o rinoceronte-de-java e o condor californiano.

As dificuldades para promover a reprodução dos pandas são enormes. As fêmeas só entram no cio uma vez por ano, por no máximo três dias, e são efetivamente férteis apenas durante 24 horas.

Um estudo publicado no início deste mês revelou um novo empecilho à reprodução dos pandas. Ele mostra que os machos, ao contrário da grande maioria dos mamíferos, também possuem ciclos sexuais: só estão dispostos ao acasalamento durante cinco meses do ano.

Não é só. O diminuto tamanho do pênis do panda faz com que ele encontre dificuldade para encontrar uma posição para cruzar, e, não bastasse tudo isso, as mães pandas são displicentes. Apesar de quase sempre darem à luz gêmeos, não têm energia para cuidar dos dois filhotes e dão atenção apenas a um deles. Na natureza, o rebento desprezado acaba morrendo.

CONDOR CALIFORNIANO são 180 animais que vivem no México e nos EUA. O governo e ONGs gastam 4 milhões de dólares por ano para proteger esse símbolo americano, mas a ave é vítima da caça esportiva e da contaminação por chumbo de munição ao se alimentar de carcaças de animais abatidos por caçadoresCONDOR CALIFORNIANO — São 180 os que vivem no México e nos EUA. O governo e ONGs gastam 4 milhões de dólares por ano para proteger esse símbolo americano, mas a ave é vítima da caça esportiva e da contaminação por chumbo de munição ao se alimentar de carcaças de animais abatidos por caçadores

 

A tentativa de conservação do condor californiano, um símbolo dos Estados Unidos, custa 4 milhões de dólares anuais desde o fim da década de 80. A população aumentou de 22 exemplares para 380 – 192 deles em cativeiro -, número insuficiente para garantir a sobrevivência da espécie em liberdade.

Com o mesmo investimento, segundo estimativas de alguns cientistas, seria possível tirar até uma centena de espécies de borboletas da categoria em risco de extinção. Devido à polinização que promovem, as borboletas são essenciais para a manutenção de muitos ecossistemas e das espécies que neles vivem.

 

mico-leaoMICO-LEÃO-DOURADO — 1500 animais exemplares vivem na Mata Atlântica brasileira. O maior problema é que os grupos da espécie estão pulverizados por diferentes áreas isoladas. A solução, segundo os preservacionistas, está em criar corredores florestais conectando os bandos de micos, possibilitando o contato de uns com os outros

A União Internacional para a Conservação da Natureza (Iucn), que cataloga e analisa espécies desde os anos 60, aponta uma redução de 30% desde 1970 no número de espécies de vertebrados e revela que um em cada cinco corre risco de extinção. Todo ano, cinquenta espécies se aproximam dessa fase crítica. O principal vilão é, disparado, a perda do habitat. Quase 70% dos vertebrados em risco são vítimas da expansão agrícola.

African Elephant (Loxodonta africana) in the Masai Mara Game ReserveELEFANTE AFRICANO — Meio milhão do verdadeiro “rei dos animais” vivem na África Subsaariana. A população caiu pela metade desde os anos 60, quando a caça, em busca das presas de marfim, se intensificou. Um acordo internacional proibindo o comércio do marfim, em 1989, faz com que a população cresça 4% ao ano. Algumas nações permitem sua caça, sob determinadas condições e por altas somas, como mostrou a recente e desastrada expedição do Rei da Espanha, Juan Carlos, a Botswana

O desmatamento de florestas, o derretimento do gelo nos polos, a poluição dos oceanos e outras interferências desfiguram os biomas e, como consequência, ameaçam os animais que eles abrigam. Disse a VEJA o ecologista e matemático Hugh Possingham, da Universidade de Queensland, na Austrália: “É claro que é difícil escolher quais animais vamos abandonar. Mas estamos perdendo a batalha da conservação e, por isso, temos de abdicar do apelo emocional e passar a ser racionais”.

Possingham é um dos maiores defensores da triagem ecológica.

atum-azulATUM-AZUL — 620.000 espécimes vivem no Atlântico Norte. A população foi reduzida à metade desde a década de 70. O controle do volume da pesca pode recuperá-la. Foi o que aconteceu com o peixe-espada no mesmo ecossistema

Em um de seus estudos ele mostrou como a fortuna gasta para proteger o quiwi-marrom-da-ilha-do-norte, uma ave-ícone da Nova Zelândia, seria suficiente para salvar seis espécies à beira da extinção.

Completa Possingham: “Temos de pensar como os economistas. De um lado, temos uma verba para gastar e, do outro, precisamos escolher onde devemos fazer esse investimento. Animais simbólicos, como os pandas, dificilmente serão mantidos na natureza. Ao menos enquanto não garantirmos a manutenção de outras espécies mais relevantes para os ecossistemas”.

Papagaios bastante lucrativos

quinta-feira, 17 de maio de 2012

No mundo real, as empresas copiam e têm sucesso com a prática. O iPod não foi o primeiro tocador de música digital, o iPhone não foi o primeiro smartphone ou o iPad o primeiro tablet. A Apple imitou o produto dos outros, mas produziu bens muito mais atraentes. O setor farmacêutico divide-se entre inventores e imitadores. A Pfizer,uma reputada inovadora, uniu-se aos copiadores ao iniciar ela mesma uma divisão de medicamentos genéricos. O negócio multi bilionário de marcas próprias de supermercados baseia-se em copiar marcas bem estabelecidas.

A intensidade das imitações legais foi acelerada nos últimos anos, afirma Oded Shenkar, um professor de administração da Ohio State University, em um livro provocativo, “Copycats: How Smart Companies Use Imitation to Gain a Strategic Edge”. (Imitadores: Como Empresas Inteligentes Usam Imitações Para Ganhar uma Vantagem Estratégica). O mercado de jogos de redes sociais está repleto de acusações de cópia.

A história revela que os imitadores com frequência acabam como vencedores. Ray Kroc, que ergueu o McDonald’s, copiou o White Castle, o inventor das lanchonetes fast-food. A cópia não só é muito mais comum que a inovação, como também representa uma rota mais segura para o crescimento e lucros maiores. De acordo com “Copycats”, estudos revelam que imitadores se dão pelo menos tão bem e com frequência melhor em lançamentos de novos produtos do que os inovadores.

A cópia excessiva, é claro, pode ser ruim para a sociedade como um todo. Joseph Schumpeter se preocupava que se os inovadores não conseguissem recompensas o bastante graças à apropriação do lucro por parte dos imitadores, então aqueles gastariam menos tempo desenvolvendo inovações (portanto a justificação para conceder aos inventores um monopólio temporário na forma de patentes). Mas esta não é uma preocupação imediata para as corporações. A cópia não vai ceder, então tanto melhor se as empresas se tornarem boas imitadoras.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Em busca do gene do dinheiro

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O que faz alguém querer começar um negócio? A pergunta já atormentava o jovem economista norte-americano Philipp Koellinger em 2008. Seus dados de pesquisa mostravam que empresários pensam de forma diferente de outras pessoas, que acreditam mais em si mesmos, temem menos o fracasso e tendem a ver oportunidades onde outros só enxergam ameaças. Koellinger queria saber o porquê. “Esbarramos em explicações que pediam mais explicações”, disse por email ao Boston Globe .

Na mesma época, um estudante de mestrado no MIT chamado David Cesarini publicava os resultados de um estudo intrigante mostrando que gêmeos idênticos se assemelham muito mais em termos de confiança e de suas atitudes em relação a riscos do que gêmeos fraternos. Em outras palavras, estes traços, intimamente ligados ao empreendedorismo, são parcialmente hereditários. Quando Koellinger leu o trabalho de Cesarini, percebeu que nele poderia encontrar a resposta que tanto procurava. O comportamento financeiro das pessoas parecia estar vinculado ao DNA.

A ideia de que nossos futuros financeiros podem estar codificados em nossos cromossomos é poderosa. Mas investigá-la mais a fundo está fora da zona de conforto da maioria dos economistas, que prefere pensar sobre como as pessoas reagem a incentivos e como tomam decisões. Saber sobre os genes de uma pessoa é algo completamente diferente.

Os genoeconomistas

Mas Kiellinger não se intimidou, e hoje ele pertence a um grupo de jovens economistas de universidades conceituadas como Harvard e Cornell, que querem aproximar a economia e a genética, anunciando a chegada de uma nova disciplina, a “genoeconomia”. O grupo já publicou estudos a respeito do novo campo em jornais especializados como o Annual Review of Economics e o Proceedings of the National Academy of Sciences.

Nestes estudos eles defendem que os economistas tradicionais estão perdendo algo importante ao ignorar a genética vinculada ao comportamento humano, como a propensão a assumir riscos, a paciência e a generosidade. Se pudéssemos entender como nossos genes influenciam esses comportamentos econômicos, argumentam, as descobertas seriam transformadoras.

Mas a própria noção da ligação entre traços comportamentais específicos e marcadores individuais no genoma humano, até agora, não passou de uma grande ilusão, que trouxe uma década de medo e pensamentos mágicos sobre coisas como “o gene da violência”. É um legado negativo e difícil de superar para a genoeconomia. Kiellinger ressalta a dificuldade da tarefa, que também serve como um lembrete de que o sucesso do novo campo vai depender de noções inquietantes como por exemplo, que algumas pessoas nascem para prosperar financeiramente enquanto outras estão destinadas ao fracasso.

É um campo com um possível cenário digno dos piores pesadelos: será que os bancos começarão a exigir testes de saliva antes de conceder empréstimos, ou batalhas de custódia serão decididas com base em quem tem genes melhores, ou seguradoras começarão a elevar suas taxas para clientes geneticamente predispostos a correr riscos?

Os jovens genoeconomistas recuam destes pensamentos e assim trabalham em direção a uma meta distante, cientes de que o conhecimento que buscam é visto como uma batata quente pela maioria de seus colegas economistas. Consequentemente, eles se encontram em uma situação peculiar: ao desvendarem uma ideia nova e ousada, eles esperam mudar o mundo. Mas não muito.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Exercícios podem aumentar memória e aprendizado

domingo, 13 de maio de 2012

Para os que têm dificuldades em estudar aquela matéria difícil, a solução pode estar em algumas idas à academia. Pesquisas apontam que tanto animais quanto pessoas se saem melhor em testes de cognição após várias semanas de exercício. Além disso, a longo prazo corrida e outras exercícios de resistência aumentam o número de neurônios em partes do cérebro ligadas à memória e ao aprendizado.

Ainda não se sabe, no entanto, como exatamente acontece esse processo. Cientistas do Laboratório de Nerociência do National Institute on Aging começaram recentemente a estudar esse mecanismo. Segundo Henriette van Praag, pesquisadora que liderou o estudo, eles estavam interessados especificamente na hipótese de o gatilho do processo estar localizado em outra área que não o cérebro.

Em entrevista ao New York Times, ela explicou que as células musculares respondem ao exercício liberando uma variedade de substâncias que resultam em músculos maiores e mais fortes. Algumas dessas substâncias poderiam entrar na corrente sanguínea e chegar ao cérebro, ela especula.

Para estudar o processo os pesquisadores tiveram que “falsificar” exercícios. Já que os autênticos são tão fisiologicamente complicados que é difícil isolar todos os componentes e verificar seus efeitos, a equipe utilizou drogas que induzem o mesmo efeito em músculos de animais sedentários. Uma das drogas utilizadas foi a Aicar, que aumenta a produção muscular da enzima AMPK, que afeta a energia celular e o metabolismo. Nos experimentos, camundongos sedentários que receberam a droga correram 44% mais em testes de esteira do que os que não a receberam. Já o GW1516, que também induz alterações bioquímicas nas células musculares, aumenta a resistência, essencialmente de animais que já fazem atividades físicas.

Utilizando as duas drogas em camundongos sedentários, os cientistas buscaram descobrir se as mudanças nos músculos iniciaram mudanças no cérebro. Eles concluíram que os animais se saíam melhor em testes de memória e aprendizado do que os animais de controle. Os camundongos que receberam Aicar obtiveram resultados mais acentuados. Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico Learning and Memory. Devido ao fato de as duas drogas não atravessarem muito a barreira entre sangue e cérebro, Van Praag diz que “podemos ter uma boa confiança de que as mudanças que vemos estão relacionadoas a reação muscular típica de exercícios e não a respostas cerebrais às drogas”.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Onde está o aquecimento global?

domingo, 13 de maio de 2012

Por Ricardo Lage – revistaforu.mcom.br

Na mesma semana, Jô Soares, Alexandre Garcia e o Roda Viva se prestaram à disseminação de falsidades negacionistas sobre o aquecimento global.

Primeiro foi um amigo meu que me falou de uma entrevista do Professor da USP, Ricardo Augusto Felício, no Jô Soares. Depois eu vi no Facebook um link para a entrevista com o climatologista Luiz Carlos Molion no programa Roda Viva. Por último, vi no Twitter um outro link para um artigo do Alexandre Garcia reduzindo o aquecimento global a um pum.

Vendo estas referências, parece até que o aquecimento global sumiu ou, melhor, nunca existiu. Essas pessoas afirmam tão categoricamente que o aquecimento atual não passa de um processo natural da terra que muitos começam a acreditar nisso. Mas é difícil brigar com fatos. Repare nos links acima (se tiver paciência de vê-los) como quase não há referências para as afirmações que os negadores do aquecimento global fazem. Reparem também que os entrevistadores não questionam a fundo os seus entrevistados. É tudo muito conveniente.

Não estou aqui suspeitando da índole de ninguém. Mas acho que há muita desinformação que precisa ser esclarecida. Um pouco de pesquisa e questionamentos ajudam a desmentir quase tudo o que foi dito por essas pessoas. E dá para fazer isso ponto por ponto.

 

“Não há aumento de temperaturas na terra desde 1998″
Essa é uma das primeiras afirmativas que o Luiz Carlos Molion faz logo começo de sua entrevista. Segundo ele o aquecimento global terminou nesse ano. Mas não é o que diz a NASA. Segundo ela, 2010 foi o ano mais quente de todos os tempos, num empate técnico com 2005. Dos 8 anos mais quentes de todos os tempos, 7 ocorreram nos anos 2000. Apenas 1998 que não. Mas se você não acredita na NASA, existem vários outros estudos que mostram o aumento das temperaturas depois de 1998.

O gráfico acima mostra a variação de temperatura ano a ano desde 1973 e uma linha (em vermelho) de tendência. A figura faz parte de um estudo independente da Universidade da Califórnia em Berkeley que também desmistifica a suposta má qualidade e os problemas de medição das estações meteriológicas de todo o mundo. Além deste estudo, o site Skeptical Science mostra (link em português) diversos outros juntamente com inúmeras outros gráficos demonstrando o aumento das temperaturas desde 1998.

 

“O sol é o principal responsável pelo aquecimento no nosso planeta”

Todos as três pessoas que citei no começo deste post fazem esta afirmação. Sim, em parte o sol é um dos principais responsáveis pelas temperaturas que experimentamos na Terra. Mas não é ele o responsável pelos aumentos que ocorreram nos últimos 30 anos. Pelo contrário, fosse pelo sol, a Terra deveria ter esfriado um pouco. Novamente mostro um gráfico:

Ele mostra, em vermelho, as mudanças de temperatura ano a ano e, em azul, a irradiação solar total no mesmo ano. Repare que até o final da década de 1970, a similaridade entre as duas curvas é muito grande. Depois, a irradiação solar começa a cair enquanto a variação de temperatura aumenta. O sol e o clima estão, na verdade, caminhando em direção opostas. Este link lista quase 20 estudos científicos que mostram que o sol não é o responsável pelo atual aquecimento da Terra.

 

“O CO2 é inocente”

Alexandre Garcia ironiza o tema dizendo que agora o “culpado” pelo efeito estufa é o gás metano. Ricardo Augusto vai além e diz que o efeito estufa não existe. Segundo ele essa “é uma física impossível” e que se trata da “maior falácia científica que existe”. Até agora não sei muito o que dizer. Afinal o Ricardo é um climatologista e deve entender do assunto. Mas eu não consigo entender como é que ele pode negar algo que é estudado e confirmado estudo após estudo desde 1824 por Joseph Fourier (um matemático e físico excepcional, por sinal) sem dar nenhuma explicação mais detalhada.

Pesquisando no Google, Ricardo parece negar o efeito estufo em referência aos estudos de John O’Sullivan, que defende o modelo termal alternativo de Postma. Eu não sei detalhes nem nunca ouvi falar deste modelo. Mas este link rebate-o e aponta erros nele de maneira bastante consistente, até onde consegui entender. Neste outro site, JoNova explica como o efeito estufa não invalida a Lei dos Gases (outra afirmação suspeita que o Ricardo Augusto faz na entrevista com o Jô). Neste site, aliás, o tal Joseph Postma responde, e JoNova rebate de volta. A página dela estourou o limite de comentários e eu recomendo que você veja algumas das discussões por lá. Veja também este link para uma discussão semelhante em outro site.

Como funciona o Efeito Estufa. 1. Radiação solar passa pela atmosfera; 2. Terra aquece e emite radiação infravermelha; 3. Radiação infravermelha é absorvida pelos gases do efeito estufa e re-irradiada para todos os lados.

E já que o efeito estufa continua aí e, aliás, sem ele a temperatura média na Terra seria de -18ºC, os gases que mais contribuem com ele são justamente o CO2 e, vejam vocês, o gás metano. A comparação feita em medições de satélite que ocorreram em 1970 e 1996 mostram justamente isso. O gráfico abaixo mostra uma queda significativa de radiação nas faixas em que os gases como CO2 e CH4 (metano) a absorvem, indicando um aumento do efeito estufa.

O artigo continua também com outros argumentos, mas é bem técnico.

 

“O homem contribui muito pouco para as emissões de CO2″

Luiz Carlos Molion diz em sua entrevista que o aquecimento global não é produzido pelo homem. Segundo ele, não é o CO2 produzido pelo homem através de combustíveis fósseis que controla o clima. Luiz Carlos cita um artigo da revista Nature de Novembro de 2010 para justificar que em eras glaciais passadas as temperaturas eram mais altas que hoje e a concentração de CO2 era 30% menor.

Eu não sei se eu achei o estudo ao qual ele se referiu. Mas um estudo publicado na revista Nature em 2010 se assemelha bastante. Mas é provável que não seja o mesmo pois ele diz o contrário do que o Luiz afirmou. Segundo o estudo, “períodos interglaciais (…) parecem ser caracterizados por massas continentais de gelo maiores, menor nível do mar, temperaturas mais baixas e concentracões atmosféricas de CO2 menores, em relacão a períodos interglaciais mais recentes.” O estudo indica que há uma relacão entre a concentracão de gases do efeito estufa e as temperaturas nesses períodos: “Este aquecimento surge a partir do aumento da insolação durante o período (…) em conjunto com um aumento da concentração dos gases do efeito estufa na atmosfera.” Este outro texto explica que, de fato, o aumento de CO2 ao longo de milhares de anos foi, na verdade, a causa e o efeito do aumento da temperatura nesses períodos.

E o fato da concentração do CO2 aumentar na atmosfera é importante. Porque, de fato, o CO2 emitido pelo homem é uma fração muito pequena de todo CO2 emitido na terra. Só que esta é a parte que justamente não é absorvida de volta e fica na atmosfera aumentando sua concentração. 40% do CO2 emitido pelo homem não é absorvido.

Da esquerda para direita, quantidade de CO2 em gigatoneladas emitida e absorvida pela 1) queima de combustíveis fósseis, 2) vegetação; 3) oceanos.
 
“O nível do mar não está subindo”

Ricardo Augusto diz que o nível do mar não está subindo, que o processo natural que ocorre é o de agradação (recuo em relação ao continente, aumentando praias e orlas) e degradação (avanço do mar).


Aumento médio do nível dos oceanos de 1870 até 2008

O nível dos oceanos está subindo. Isto é determinado através de vários métodos que levam em consideração, fenômenos naturais, variações da maré, dentre outros aspectos. E não é só que o nível esteja subindo, a taxa de aumento também está aumentando.

 

Fechando a conta

Há várias outros mitos que são divulgados sem evidência por algumas pessoas, inclusive os três do começo deste texto. Na maioria dos casos, isso ocorre por desconhecimento ou má interpretação de vários níveis sobre como o aquecimento global está ocorrendo. É claro que essa grande massa de estudos que demonstram o aquecimento global e suas consequências, e todas as pessoas que os defendem podem, no futuro, estar erradas. E se, nesse futuro, novos fatos forem descobertos que contradigam teorias atuais, temos sim que revisá-las. Mas atualmente todos os fatos apontam para o aquecimento global. Numa frase que é atribuída ao economista John Keynes, ele diz que “quando os fatos mudam, eu mudo de idéia. O que você faz, senhor?”

Se você não acredita em fatos, lamento, mas você sofre do efeito do “tiro pela culatra factual”. Pelo menos segundo alguns cientistas da Universidade de Michigan. Segundo eles, pessoas com fortes crenças quando confrontadas por fatos que as questionam, tendem a defender e se apegar ainda mais a elas. Pior ainda, elas chegam até a distorcer estes mesmos fatos para adequá-los a suas crenças.

O perigo deste comportamento começa quando as crenças pessoais tem impacto na sociedade. Alexandre Garcia, por exemplo no artigo citado no começo deste texto, acha que o novo Código Florestal não precisa ser vetado. Para ele, isso seria uma tentativa vã de preservar a natureza. Não é o que dizem os fatos, Alexandre. E acho muito difícil brigar com fatos.

Especialistas recomendam medicamento para prevenção de HIV

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Pela primeira vez em 30 anos, desde o início da luta contra a epidemia de HIV, um grupo de especialistas recomendou à Food and Drug Administration (FDA) a aprovação de uma droga para a prevenção da doença em pessoas saudáveis.

O grupo recomendou na última quinta-feira, 10, que a agência aprove a medicação Truvarda como prevenção para aqueles que são HIV negativos e mantêm parceiros soropositivos, além de “outras pessoas em risco de contrair o vírus através da atividade sexual”.

A FDA ainda não se pronunciou sobre o assunto, o que deverá ser feito até o dia 15 de junho. A aprovação da agência marcaria um divisor de águas na batalha contra uma epidemia que ainda faz com que 50 mil pessoas sejam infectadas por ano nos Estados Unidos. De acordo com o Programa das Nações Unidas, em todo o mundo 2,7 milhões de pessoas são infectadas anualmente.

“Eu realmente acho que esta é uma incrível oportunidade de virar o jogo da epidemia”, disse Mattew V. Sharp, um dos que votaram a favor da aprovação da medicação. “Para alguém vivendo com HIV há 23 anos, estou cansado de ver a alta taxa de contaminação”.

A maior preocupação dos especialistas com a recomendação da droga é que ela sirva de desculpa para que as pessoas parem de usar preservativos. A série de três votos, uma para cada categoria de usuário, não foi unânime, com dissidências e abstenções que variam de dois – dos 22 membros do comitê de especialistas – na primeira rodada de votações, a 10 na terceira rodada.

A Truvarda já é aprovada pela FDA para o tratamento do HIV. Isso significa que os médicos são livres para prescrevê-la para infectados. Mas uma nova aprovação pela agência irá liberar a empresa que produz a droga, Gilead Sciences, também para a prevenção.

Fpnte: opiniaoenoticia.com.br

Como apagar a memória da internet

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Snapchat é um fascinante e até útil aplicativo para iPhone que permite que o usuário limite o tempo que uma foto ficará exposta para os amigos. O aplicativo permite ao remetente decidir se o receptor ou grupo de destinatários poderá ver a fotos por 2, 5 ou 10 segundos, antes que ela desapareça completamente. É como um Instagram com data de expiração.

O aplicativo permite que o usuário envie fotos sem o medo de que elas sejam vistas pelas pessoas erradas. Essa funcionalidade deixa implícita sua função de enviar sim fotos sugestivas, mas vai além. O Snapchat é o início do uso da internet de uma nova maneira: a de produtos que não utilizam o poder da memória, mas sim do esquecimento.

Esse tipo de produto é uma ferramenta contrária a uma das principais características da internet, a de que seu espaço quase infinito, salva tudo. Sem querer, a internet lembra. E isso não se restringe aos comentários deixados em sites, ou imagens capturadas e gravadas para a posteridade dentro dos neurônios onipotentes do Google. Isso também significa que a internet, como um espaço amplo, opera com uma continuidade constante. Dentro e tudo em torno dela é um arquivo assumido, mesmo quando morremos. E isso é ótimo, é o que faz a internet. O único problema é que a exposição ao constante fluxo de informação não é como estamos programados para viver.

De acordo com a revista The Atlantic, o ser humano necessita de começos e términos. O que significa que, na medida em que a internet é um grande cérebro mundial, ele sofre de um defeito congênito. A capacidade dele e a dos usuários estão desalinhadas. Os seres humanos são definidos por sua memória seletiva, enquanto a internet pela sua promiscuidade, o que implica num condicionamento humano mais displicente com a memória, já que o Google serve como um potente cérebro e aqueles que utilizam seu serviço são condicionados a assumir que as coisas importantes automaticamente serão lembradas. Essa atitude pode ser libertadora, e para a maior parte é, mas há também desvantagens na onisciência digital. Pessoas que utilizam constantemente a memória digital não estão lidando com isso como bênçãos, mas sim como encargo – algo desgastante. A perfeita recordação de experiências não faz as pessoas mais inteligentes, e sim mais infelizes.

Para especialistas, a internet está em constante movimento, mas não necessariamente avançando, pois carece de uma trama e de um propósito. “Não se pode juntar o início do fim”, diz o médico grego Alcmaeon. Segundo a Atlantic, devemos tornar a internet mais hospitaleira ao modo como nossas mentes estão preparadas para funcionar, com o princípio jurídico proposto de “o direito de ser esquecido”, ou mais efetivamente, “o direito do esquecimento”. Produtos como o Snapchat são importantes não apenas porque nos dão filtros para ajudar a crescer e dar sentido ao mundo digital, mas porque eles ajudam a recuperar limitações analógicas, que irão, com o tempo, permitir que o uso da internet seja feito não apenas como uma suposição passiva, mas como uma escolha deliberativa.

Na última semana, a News.me, um serviço de notícias, lançou o “Last Great Thing”, uma versão limitada do recebimento de informações em que os participantes podem compartilhar apenas uma coisa digna que encontraram na internet naquele dia, e sem a utilização de links. O serviço é efêmero, o que permite que a mente faça o que está preparada para fazer: lembrar e esquecer.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Pais devem conversar com seus filhos sobre pornografia?

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A era da internet trouxe um novo desafio àquela inevitável, e às vezes temida, conversa que pais têm com seus filhos. Hoje, além de terem que explicar o que é sexo cada vez mais cedo, os pais enfrentam um dilema nesse momento: conversar sobre pornografia. O motivo é a internet, já que esse tipo de material pode aparecer na tela do computador acidentalmente como resultado das buscas mais “inocentes”, digamos assim, ou mesmo buscas deliberadas incitadas pela curiosidade adolescente.

A internet está presente em tantas telas (smartphones, tablets e laptops) que é quase impossível evitar que seus filhos esbarrem com sexo explícito em algum momento. Alguns jovens revelam ter visto pornografia no laptop de colegas na escola. Diante disso, pais devem encarar esse dilema da atualidade e decidirem se é melhor tentar proteger os filhos ao máximo de material explícito ou aceitar que a pornografia é tão onipresente que se tornou um fato da vida que deve ser conversado.

A forma de lidar com o assunto varia. Alguns pais instruem os filhos a fechar janelas e sites de conteúdo explícito assim que aparecem, outros buscam ser mais flexíveis, controlando o conteúdo quando as crianças são menores e diminuindo um pouco, e conversando, quando já são adolescentes. Em entrevista ao New York Times, Chaz (que preferiu não usar o sobrenome para proteger seus filhos), um consultor de software e pai de duas crianças disse se lembrar de aos 14 anos estar desesperado para dar uma espiada na revista Playboy. “Seria muita tolice minha achar que meu filho não é assim”, disse.

A conversa sobre pornografia que ele teve com o filho de 12 anos, aconteceu por conta de instalação de um aplicativo do iTunes que mostra 1.001 fotos de seios. Ao invés de brigar com o filho pela compra, ele sentou para conversar, disse que havia instalado um filtro, OpenDNS, na rede doméstica deles para bloquear os tipos mais pesados de conteúdo e que era natural ter curiosidade. Chaz avisou ainda que se ele planejava buscar material explícito, deveria se ater a um site em particular, ao qual ele permitia acesso, que tem fotos de mulheres nuas não muito mais picantes do que as da Sports Ilustrated.

Alguns pais não reagem tão calmamente, o que especialistas afirmam pode ser ainda pior. Reações exageradas, como brigar com os filhos por eles terem acessado pornografia, criam um problema maior, pois fazem com que eles se sintam envergonhados e não fiquem à vontade para fazer perguntas por medo de serem julgados ou punidos.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Em Nova York, estar com ou sem preservativos pode ser um risco

terça-feira, 8 de maio de 2012

Nova York usou duas iniciativas de bom senso para reduzir os índices de infecção do vírus HIV durante os últimos 20 anos. A cidade tem incentivado programas de troca de seringas para usuários de drogas intravenosas e inundou a cidade com preservativos, distribuindo mais de 37 milhões só no ano passado.

Os resultados são inegáveis. De acordo com a cidade, o número de novos casos diagnosticados de AIDS caiu de cerca de 12.700 em 1993, para pouco mais de 2.500 em 2010, o ano mais recente para o qual existem estatísticas disponíveis. Mas, desde os anos 1990, grupos de saúde pública e alguns legisladores estaduais acusam a polícia de Nova York de minar esses esforços, confiscando preservativos de mulheres suspeitas de prostituição, e usando-os como prova contra as acusadas da infração.

Um projeto de lei na Assembleia Estadual que impediria a polícia de usar preservativo como meio de prova deve ser aprovado este ano, diz a deputada Barbara Clark, sua principal patrocinadora. Ele deve enfrentar dificuldades maiores no Senado do Estado.

O governo de Michael Bloomberg deve desistir de sua oposição ao projeto e prestar atenção a um relatório da Secretaria Municipal de Saúde e Higiene Mental, que adverte que a política em vigor desencoraja alguns profissionais do sexo de levar preservativos, o que os coloca em maior risco de contrair ou transmitir doenças. O relatório de 2010 entrevistou 63 profissionais do sexo, e mais da metade disse que os policiais haviam confiscado seus preservativos.

A cidade deve instruir a polícia a não confiscar preservativos de mulheres nas ruas. E o Legislativo deve barrar o uso de preservativos como prova de prostituição. Os preservativos não são apenas legais; eles são fundamentais para a luta contra a AIDS.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Falar sozinho pode ser útil

domingo, 6 de maio de 2012

Falar sozinho pode não ser apenas indício de insanidade, pelo contrário, pode até útil ao processo de pensar. De acordo com pesquisas, a estratégia ajuda a aumentar o poder de concentração e a capacidade de percepção. Dizer em voz alta o nome de algo que você está procurando pode fazê-lo encontrar mais rápido.

Experimentos realizados pelos professores Gary Lupyan e Daniel Swignley concluíram que o ato de verbalizar lembretes para ativar imagens mentais ajuda a mente das pessoas a funcionar melhor. Em uma experiência com 20 voluntários, eles pediram a cada um deles que encontrasse a foto de uma banana no meio de imagens de vários outros objetos. A metade deveria dizer em voz alta o que estava procurando e a outra metade deveria realizar a tarefa de boca fechada. Segundo os pesquisadores, o primeiro grupo encontrava a banana um pouco mais rápido.

Lupyan e Swignley também descobriram que dizer o nome de itens incomuns enquanto procurando por outra coisa não ajuda, na verdade torna mais lenta a busca. Segundo eles, a eficiência da estratégia de falar consigo mesmo pode variar de acordo com a familiaridade do cérebro com o item em questão. Os resultados da pesquisa foram publicados no Quarterly Journal of Experimental Psychology.

Pesquisas anteriores já haviam apontado benefícios semelhantes para crianças em fase de aprendizado. Dizer em voz alta o passo a passo de uma tarefa que estão realizando as ajuda a aprender. Embora a mesma atitude em adultos possa parecer estranha, os professores querem mudar essa percepção, argumentando que adultos podem usar a linguagem para “aumentar o pensamento”, como disse Lupyan ao Live Science.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

O segredo da longevidade japonesa

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Se você quer saber como viver por mais tempo, observe as pessoas de Okinawa, um conjunto de ilhas no sudoeste do Japão. Alimentados desde pequenos com peixes e grãos de soja, a expectativa de vida da população das ilhas está entre as maiores do mundo.

Há um grupo de controle natural: muitas pessoas que nasceram em Okinawa se mudaram para o Brasil e para o Havaí após a II Guerra Mundial, onde trocaram sua dieta original por uma mais carnívora com bifes e hambúrgueres. Tudo foi estudado regularmente por pesquisadores japoneses ao longo das últimas três décadas para provar que uma dieta rica em soja pode prolongar a vida. Agora é a hora do teste do sabor: será que um saudável pacote de salgadinhos de soja pode expulsar as gordurosas batatas fritas da hora do lanche?

Kaoru Yamada, uma jovem especialista em alimentos da Otsuka Pharmaceutical, uma companhia farmacêutica japonesa, aceitou o desafio. Ela não gosta do sabor da soja, de modo que inventou uma pasta de soja levemente assada que tem gosto de queijo, é crocante, tem pedaços de grãos de soja e pode permanecer numa mesa de trabalho – ou até numa lanchonete- por meses a fio antes de ficar molenga. Batizada de SoyCarat, a sua invenção chegou aos mercados japoneses nesse mês. A Otsuka, que também produz uma bebida funcional bem sucedida chamada Pocari Sweatm, vê nesses esforços uma reação contra os salgadinhos ocidentais que estão engordando os asiáticos.

A ciência por trás é convincente: a pesquisa, ainda que parcialmente financiada pela Otsuka, sugere que a ingestão de grãos de soja rapidamente baixa a pressão do sangue, reduzindo assim o risco de doenças cardiovasculares. A empresa observa que um americano médio come menos soja em um ano do que o japonês médio come em um dia.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Todos nós somos freiras

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Por Nicholas D. Kristof – opiniaoenoticia.com.br

As freiras não são figuras tradicionalmente populares. Elas são o máximo! Freiras foram as primeiras feministas, ganhando doutorados ou trabalhando como cirurgiãs, muito antes da moda das mulheres terem empregos. Como gestoras de hospitais, escolas e burocracias complexas, elas foram as primeiras mulheres chefes.

Elas também estão entre as pessoas mais corajosas, mais fortes e mais admiráveis do mundo. Em minhas viagens, vi freiras heróicas desafiando senhores de guerra, cafetões e bandidos. Mesmo que os bispos tenham desonrado a Igreja, cobrindo o estupro de crianças, as freias os redimem com seus trabalhos humildes em nome dos mais necessitados.

Então, Papa Bento XVI, tudo o que posso dizer é: você é louco de mexer com as freiras. O Vaticano emitiu uma reprimenda pungente às freiras norte-americanas este mês, e ordenou um bispo para supervisionar uma reforma na organização que representa 80% delas. O Vaticano acusou as freiras de se preocuparem muito com os pobres e não o suficiente com o aborto e o casamento gay.

Em que Bíblia está isso? Jesus nos Evangelhos repetidamente fala sobre pobreza e justiça social, mas nunca menciona explicitamente ou aborto ou a homossexualidade. Se você olhar para quem tem mais de perto emulado a vida de Jesus, o Papa Bento XVI ou as freiras, as freiras ganham disparadas.

Desde a repressão papal sobre as freiras, elas receberam manifestações de apoio. De acordo com o jornal National Catholic Reporter, as freiras foram abordadas pelos católicos em liturgias de domingo em todo o país com uma simples pergunta: “O que podemos fazer para ajudar?”. Segundo o jornal, uma declaração de apoio as freiras feita em um púlpito de uma paróquia provocou muitos aplausos e gritos de incentivo.

Pelo menos quatro petições estão em andamento para apoiar as freiras. Uma no site Change.org reuniu 15 mil assinaturas. O título desta coluna vem de um ensaio de Mary E. Hunt, uma teóloga católica que está desenvolvendo uma proposta para os católicos redirecionarem algumas contribuições de paróquias locais para as freiras. “Como eles se atrevem a ir atrás de 57 mil mulheres dedicadas, cuja média de idade é bem mais de 70 anos e que trabalham incansavelmente por um mundo mais justo?”. Hunt escreveu. “Como se atrevem os mesmos homens que presidem uma igreja em desgraça total, devido a má conduta sexual e de cobertura por bispos, tentar desviar a atenção de seus próprios problemas, criando novos para as mulheres religiosas?”

A irmã Joan Chittister, uma freira beneditina proeminente, disse que eles estão preocupados com o tempo que as freiras gastam com os pobres. Ela acrescentou que a enxurrada de apoio a deixou sem fôlego. “É incrivelmente maravilhoso”, disse ela. “Você vê as pessoas, de várias gerações, que sabem onde as irmãs estão – nas ruas, nas cozinhas fazendo sopa, em qualquer lugar onde há dor. Eles estão com os moribundos, com os doentes, e as pessoas sabem disso”.

Irmã Joan me falou de um gueto em Erie, Pensilvânia, onde 120 freiras cuidam de uma cozinha, uma despensa enorme, um programa de creche e um dos maiores programas de educação para desempregados do estado. Eu tenho simpatia por freiras, porque eu vejo que elas sacrificam ego, segurança e conforto para atender algumas das pessoas mais necessitadas do planeta. Lembra-se do “Kony 2012”? Um vídeo que, no inicio deste ano, atingiu milhões de acesso sobre o criminoso Joseph Kony? Um dos poucos heróis no desastre de Kony foi uma freira, irmã Rachele Fassera.

Em 1996, o exército de Kony atacou uma escola para meninas de Uganda e seqüestrou 139 alunos. Irmã Rachele caminhou pela selva em busca dos seqüestradores – alguns dos homens mais ameaçadores imagináveis, conhecidos por estuprar e torturar suas vítimas até a morte. Eventualmente, ela encontrou 200 homens armados e exigiu que eles liberassem as meninas. De alguma forma, ela intimidou os homens e eles liberaram a grande maioria das meninas.

Elias Chacour, um arcebispo palestino da igreja católica, relatou em um livro de memórias que ele certa vez perguntou a um convento se ele poderia fornecer duas freiras para um projeto comunitário de alfabetização. A freira responsável disse que teria que verificar com o seu bispo. O bispo foi muito claro na sua recusa em permitir que as duas freiras participassem do projeto. A madre superior então lhe disse mais tarde: “Eu posso desobedecer a ele”, e acrescentou: “Eu vou lhe enviar três freiras”.

Freiras triunfaram sobre uma hierarquia errante antes. No século XIX, a Igreja Católica excomungou uma freira australiana chamada Mary MacKillop depois de ela ter denunciado um padre pedófilo. Irmã Mary acabou sendo convidada a voltar à igreja e se tornou conhecida por seu trabalho com os pobres. Em 2010, o Papa Bento XVI canonizou-a como a primeira santa da Austrália. “Deixemo-nos guiar pelos ensinamentos de Irmã Mary”, declarou o papa na ocasião.

Você tem nomofobia? Tem certeza?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Por Hugo Souza - opiniaoenoticia.com.br

No início de abril correu o mundo uma história que parecia saída de um desses sites de notícias falsas, esses que juntam assuntos e personagens em destaque na mídia com elementos do imaginário popular para criar as histórias mais mirabolantes que, não obstante, muitas vezes soam reais, tendo em vista os tempos que correm de mitigação da fronteira entre o razoável e o absurdo na circulação de informações.

A história em questão, entretanto, foi tragicamente real: um adolescente chinês de 17 anos da província de Anhui, uma das mais pobres da China, vendeu um dos seus rins por US$ 3,5 mil para comprar um iPhone e um iPad. O garoto confessou para a mãe a bobagem que fez porque não teve como explicar onde havia arranjado dinheiro para se equipar com a parafernália da Apple. Cinco pessoas foram indiciadas pelo crime e o jovem, identificado como Wang, arranjou uma insuficiência renal.

Mas não, a insuficiência renal fruto do extremo a que chegou o jovem Wang não é uma doença da era digital. A nomofobia, sim. Nomofobia? Isso mesmo. É um mal que pode afligir nada menos do que 18% dos brasileiros. Você pode ser um portador.

Afinal, o que é nomofobia?

Nomofobia é uma “doença digital” que começa com a angústia ante a ideia de perder o telefone celular ou de ser incapaz de ficar sem ele por mais de um dia e termina com as pessoas se sentindo rejeitadas quando o telefone toca pouco e passam mesmo por crises de abstinência quando estão sem o aparelho.

É claro que a nomofobia (do inglês “no mobile phobia”) não tem origem no celular propriamente dito, mas sim em outros transtornos mentais, como ansiedade e depressão. Não obstante, os números que surgem a todo dia dão conta de uma verdadeira epidemia global.

Segundo uma pesquisa realizada em março na França pela empresa Mingle, aproximadamente 22% dos franceses dizem ser “impossível” ficar por mais de um dia sem usar o celular. Entre jovens com idades entre 15 e 19 anos a proporção chega a 35%. E foi uma empresa francesa de pesquisa, a Ipsos, que realizou uma pesquisa com mil brasileiros e constatou que 18% de nós somos dependentes de celular.

Mas é no Reino Unido onde a situação parece mais alarmante. Uma pesquisa realizada pela empresa de soluções de segurança SecurEnvoy revelou que 66% dos britânicos se dizem “muito angustiados” com a ideia de perder seu celular. A proporção chega a 76% nos jovens entre 18 e 24 anos de idade.

Da tecnofobia à tecnofilia

 

Outras “patologias” da era da iParafernália são dois opostos que definitivamente não se atraem: a tecnofobia e a tecnofilia.

A tecnofobia é algo que os acadêmicos definem como uma, digamos, “vertente” que vê as inovações tecnológicas de toda sorte como algo ruim, em um processo de desumanização da sociedade ante as máquinas cada vez mais poderosas, menores e presentes em todos os aspectos e momentos da vida humana.

Trocando em miúdos, a tecnofobia pode ser observada “em campo” naqueles que não têm telefone celular ou que têm, a contragosto, mas estão sempre prestes a atirá-los pela janela sempre que não conseguem acessar uma de suas funções, ou mesmo em gente que sua frio diante de um velho — sim, velho — caixa eletrônico.

Já a tecnofilia é, na melhor das hipóteses, a adesão acrítica aos avanços tecnológicos e a crença de que estes avanços são a chave para uma vida melhor; na pior, é uma espécie de atração tresloucada pela tecnologia, ou melhor, pela tecnologia de última geração.

Novamente trocando em miúdos, trata-se daquele sujeito que acampa na porta da loja da Apple para ser o primeiro a comprar as últimas versões do iPhone e do iPad, ou mesmo em um jovem oriental de uma província remota e miserável que está disposto a quase tudo para ter em mãos os aparelhos da moda.

 

A mente inconsciente: profundezas ocultas

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Peça a alguém que cite um psicólogo famoso e provavelmente a resposta será “Sigmund Freud”, o acadêmico austríaco barbado que surgiu com a ideia da psicanálise. As sua ideias sobre o inconsciente – uma espécie de porão pouco iluminado da mente que é inacessível ao pensamento racional, mas que ainda assim influencia a conduta das pessoas – já se tornaram domínio público.

Ainda que tenha permanecido popular em reuniões sociais, a ideia de inconsciente já não convencia tanto assim os psicólogos do século XX, graças ao surgimento de abordagens mais científicas da psicologia. Estas se concentravam somente no estudo do comportamento e se abstinham de teorizar a respeito dos mecanismos internos da mente.

Em seu livro mais recente, “Subliminal” (Subliminar), Leonard Mlodinow, um físico teórico, revela como a ideia do inconsciente voltou a ser respeitável nos últimos 20 anos. Este desenvolvimento foi auxiliado por evidências experimentais rigorosas dos efeitos do subconsciente e, especialmente, por tecnologias que permitem escanear o cérebro em tempo real para que pesquisadores possam examinar o que está acontecendo dentro da cabeça de suas cobaias.

A evidência experimental sugere que, como Freud suspeitava, o raciocínio consciente é responsável por uma parte relativamente pequena da atividade em nossos cérebros, sendo que a maior parte da atividade acontece em lugares insondáveis. Entretanto, ao contrário do inconsciente freudiano (um lugar quente e claustrofóbico repleto de memórias reprimidas e fantasias sexuais inapropriadas a respeito das figuras paterna e materna), o inconsciente moderno é um lugar onde dados são processados ultra-rapidamente, onde mecanismos de sobrevivências úteis e regras empíricas a respeito do mundo foram lapidadas ao longo de milhões de anos de evolução.

É o inconsciente, por exemplo, que costura os dados de cor, forma, movimento e perspectiva para criar a visão experimentada pela parte consciente da mente. Experimentos com pessoas com certos tipos específicos de dano cerebral, que eliminam a habilidade de desempenhar algumas destas tarefas, podem revelar o que está acontecendo embaixo dos panos. Pessoas com “visão cega” podem responder a alguns estímulos visuais até mesmo quando não têm consciência de estar vendo. Em experimentos em que pessoas com esta condição caminham por corredores cheio de obstáculos, elas se esquivam e caminham até seu destino sem se machucar porque alguns dados residuais ainda chegam ao cérebro – ainda que em um nível que passa despercebido por suas mentes conscientes.

A visão moderna da mente inconsciente pode ser mais benigna que a de Freud, mas ainda assim pode gerar impulsos indesejáveis. Alguns psicólogos teorizam que a tendência do humano a categorizar quase cada pedaço de informação que cruza o seu caminho é um mecanismo de sobrevivência que evoluiu para permitir que certas decisões sejam tomadas rapidamente. Além disso, este mecanismo também pode estar por trás da tendência humana de agrupar pessoas em raças, gêneros, credos e similares, e depois aplicar certas características – sem fundamentação – para todas as pessoas de um certo grupo.

Os insights fornecidos pela ciência moderna a respeito do modo de funcionamento da mente humana são fascinantes em si, mas também sugerem que muito da sabedoria popular a respeito do comportamento humano talvez precise ser reconsiderado. Mlodinow observa que os modelos econômicos, por exemplo, “baseiam-se na presunção de que as pessoas tomam decisões… pesando conscientemente todos os fatores”, enquanto a pesquisa psicológica sugere que, na maior parte do tempo, elas não se comportam assim. Em vez disso, elas atuam com base em regras simples e inconscientes que pode às vezes geral resultados completamente irracionais.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

A mais velha amostra de sangue de todos os tempos

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Cientistas que examinam os restos preservados de Ötzi, um europeu pré-histórico morto nos Alpes há cerca de 5.300 anos, disseram nesta quarta-feira que conseguiram isolar o que seria a mais antiga amostra de sangue humano já encontrada.

Pesquisadores alemães e italianos relataram ter usado um microscópio atômico para examinar pedaços dos tecidos de uma lesão causada pela flechada que matou o homem na Idade do Bronze, e de uma laceração na sua mão direita. O corpo congelado de Ötzi foi encontrado em 1991 por alpinistas alemães numa geleira na fronteira entre Itália e Áustria. Desde então, cientistas vêm examinando suas vísceras e dentes.

As células sanguíneas tendem a se degradar de forma rápida, e por isso antes acreditava-se que as hemoglobinas de Oetzi haviam desaparecido. Mas um novo estudo publicado no Journal of the Royal Society Interface mostra que o estado de conservação do fóssil preservou também o sangue perdido pelo ancestral antes de morrer.

Em fevereiro, Albert Zink e seus colegas do Instituto de Múmias e do Homem de Gelo Eurac, de Bolzano, na Itália, publicaram o genoma completo de Oetzi. O grupo mostrou que um ferimento na mão do fóssil continha uma proteína encontrada no sangue, mas presumia que as frágeis células sanguíneas haviam se degradado e desaparecido.

Os pesquisadores encontraram três corpúsculos com forma típica dos glóbulos vermelhos contidos no sangue, informaram os pesquisadores no estudo.

“Sua morfologia não mostrava nenhum sinal de degradação, de danos ou de desordem” o que indica, segundo os investigadores, que “os glóbulos vermelhos foram preservados durante mais de 5.000 anos nos tecidos feridos da múmia”.

Posteriormente, os pesquisadores submeteram as amostras à espectroscopia Raman, um método que permite caracterizar a composição molecular de uma matéria graças à luz.

Ele acrescentou que a técnica, desenvolvida em conjunto com o Centro de Interfaces Inteligentes da Universidade Técnica de Darmstadt (Alemanha) e do Centro de Nanociências de Munique, poderá agora ser usada para examinar múmias egípcias.

Este feito técnico poderá ter implicações para as ciências forenses. Isso porque até agora, tem sido quase impossível determinar há quanto tempo é que um vestígio de sangue presente na cena de um crime foi depositado. Os investigadores pensam que os métodos que utilizaram para analisar as células e os minúsculos coágulos sanguíneos das feridas do Homem do Gelo poderão conduzir a avanços nessa área, explica um comunicado emitido pelas instituições envolvidas na descoberta.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Igreja teria recebido R$ 1,2 milhão para enterrar mafioso com papas

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O enterro de um importante chefe mafioso, há 22 anos, tem trazido complicações para o Vaticano. Segundo novas informações, a Igreja teria recebido um bilhão de liras (mais de R$ 1,2 milhão), a antiga moeda italiana, como pagamento da viúva para enterrar o mafioso na basílica, ao lado de papas.

De acordo com uma fonte da Santa Sé, apesar de inicialmente ter relutado, o então vigário-geral de Roma, cardeal Ugo Poletti, cedeu à grande quantia e permitiu o sepultamento de Enrico De Pedis, chefe do grupo Banda da Magliana, máfia da capital italiana. O dinheiro teria sido usado para a restauração da Basílica de São Apolinário, onde De Pedis foi enterrado após seu assassinato em 1990, ao lado de papas e cardeais. O Vaticano não comentou as informações.

Na semana passada, para combater as criticas à inexplicável presença do corpo de um criminoso em local considerado sagrado, o Vaticano decidiu retirar os restos mortais de De Pedis de sua cripta especial.

No início de abril, a pressão sobre o mistério do assassinato do mafioso aumentou após o procurador Giancarlo Capaldo afirmar que autoridades do Vaticano sabiam sobre as ligações do chefe da Magliana com a Santa Sé e sobre o suposto sequestro e assassinato de Emanuela Orlandi, filha de 15 anos de um funcionário do Vaticano, em 1983.

O sequestro e assassinato de Emanuela teriam sido planejados para calar o pai da menina, que teria provas que ligavam o Instituto para Obras de Religião – o Banco do Vaticano – ao crime organizado. O mafioso De Pedis teria sido o organizador dos crimes. Nos últimos 20 anos, houve especulações de que os restos mortais da jovem teriam sido colocados junto com os do criminoso. O irmão de Emanuela, Pietro Orlandi, é um dos que pedem pra que o túmulo seja aberto.

Em meio a sérias criticas após recentes escândalos, o Vaticano nega as acusações e pondera sobre a reabertura da cripta para que os rumores sejam aplacados. “Nada foi escondido e não há segredos a serem revelados”, afirmou Federico Lombardin, porta-voz do Vaticano.

Após a abertura do túmulo, os restos mortais de Enrico De Pedis, e supostamente os de Emanuela, serão transferidos para outro local ainda não definido. Caso não sejam encontrados indícios de sepultamento da jovem, o mistério sobre seu desaparecimento permanecerá. Outras teorias sobre o sumiço de Emanuela são cogitadas, como a que sugere que membros da Magliana a entregaram a extremistas turcos para servir de troca para a libertação de Mehmet Ali Agca, atirador turco que tentou matar o Papa João Paulo II em 1981.

E se seu cão pudesse assistir TV?

domingo, 29 de abril de 2012

Muitas coisas podem prender a atenção de um cão: esquilos, bolas de tênis, cheiros esquisitos, outros cães. Mas um canal de TV? Absolutamente, dizem os fabricantes da DogTV, a primeira rede a cabo a oferecer 24 horas de programação para cães. A ideia, dizem eles, é lançar um canal para, enquanto você sai durante o dia, manter o seu animal de estimação estimulado, entretido e descontraído. Chame isso de “Vila Sésamo” para aqueles que nunca vão aprender o ABC. Os programas da DogTV são na verdade três segmentos de seis minutos de campos de gramados, bolas saltando e seres humanos esfregando a barriga de cães. Há também segmentos que mostram aspiradores silenciosos e suaves campainhas para ajudar a tornar os cães mais acostumados com tais agitações comuns da casa.

Executivos da rede dizem que a programação é cientificamente concebida para atender aos cães: “Nós fizemos três anos de pesquisa sobre como os cães reagem a diferentes estímulos”, disse Bonnie Vieira, porta-voz da DogTV. “Para cães que sofrem de ansiedade com a separação do dono, a DogTV é uma ferramenta que pode ajudar a aliviá-los, talvez por isso eles não se metam em problemas, e os donos fiquem mais felizes e relaxados quando chegam em casa”, disse.

Mas pode realmente o cão ser beneficiados com a televisão? Como a maioria das perguntas sobre a consciência canina, a resposta depende a quem você pergunta. “Eu acho que muito disso é para nos fazer sentir melhor em vez de fazer o animal de estimação mais feliz”, disse Dr. Ann E Hohenhaus, um veterinário da equipe do Centro Médico Animal em Manhattan. “O animal precisa de exercício adequado e de um ambiente interessante. Você não pode simplesmente ligar a TV e esperar que o seu cão fique melhor”. Ainda assim, se o cão está prestando atenção à tela, as probabilidades são de que ele goste do que vê. “Se o cão não estivesse gostando, ele iria encontrar outra coisa para fazer, como morder o sofá”, disse Dr. Hohenhaus. Dessa forma, os programas para os cães podem ser um componente destinado a aliviar a ansiedade da separação.

Em um teste da DogTV na Escondido Humane Society, na Califórnia, os animais alojados em uma “ala de avaliação de comportamento” – essencialmente um ponto de retenção para novos residentes – descobriram que a exposição ao canal, pelo menos temporariamente, ajudou a reduzir os latidos e o comportamento impaciente.

“Se seu cão realmente presta atenção à televisão, pode ter mais a ver com a tela do que com o que está passando nela”, disse Stanley Coren, professor de psicologia da University of British Columbia. Ele deve saber do que fala: em 2007, ele criou uma série de DVDs para cães: “The Dog Companion”. ”Os cães têm uma sensibilidade de movimento fantástico”, disse Dr. Coren, o que significa que a ilusão de ótica que faz com que as imagens em uma TV pareçam fluidas não os engana tão facilmente como acontece com os seres humanos. “Para os cães não parece real. Para aumentar as chances de seu cão prestar atenção, coloque a TV, de alta definição, no nível do olho do animal”, aconselhou Dr. Coren.

“Algumas pessoas me escreveram falando: “este DVD não funcionou, o meu não deu atenção a ele. Mas, assim como as pessoas, alguns cães não gostam de TV”, disse Teoti Anderson, ex-presidente da Association of Pet Dog Trainers. “Dois dos meus cães não prestam atenção à TV, independente do que está acontecendo. Mas caso seu cão demonstre interesse, ele provavelmente pode aprender com o que vê na televisão”, disse.

Expor um animal de estimação a versões suaves de situações irritantes cotidianas, como aspiradores e campainhas, por exemplo, é um método testado que pode reduzir o medo do animal. Mas um aspecto importante da técnica é o volume da transmissão que tem que ser confortável – assim, dependendo de como o cão se comporte, o proprietário pode aumentar o som.

Mas, claro, os donos de cães não devem confundir o tempo de TV, com um tempo de qualidade para o animal, os especialistas advertem: “A TV, definitivamente, não é um substituto para o tempo de brincar com o seu cão. O exercício pode resolver um monte de problemas comportamentais”.

Obama, um socialista europeu?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Por Michael Kazin – opiniaoenoticia.com.br

No último outono, Mitt Romney afirmou que Obama “tem sua inspiração política na Europa e em seus socialistas”. Eu gostaria que isso fosse verdade, embora o socialismo tenha raízes norte-americanas também. Mas, na verdade, Romney não tinha nenhuma evidência para a sua colocação. Nos países mais ricos da Europa, os cidadãos têm o beneficio do berço ao túmulo do sistema de bem-estar social, até a atual onda de austeridade. Enquanto isso, a principal conquista do nosso presidente é um projeto de saúde modelado a partir do que foi projetado por seu adversário do Partido Republicano.

Não parece incomodar os republicanos que a condenação do presidente como um socialista seja tão contrária dos fatos. Mas o que me incomoda é o fracasso do Partido Democrata ao subir para o nível dos insultos ao Partido Republicano. De fato, um dos aspectos mais deprimentes da política norte-americana hoje é como os democratas foram coagidos a uma postura defensiva na batalha de ideias. Obama declarou que “o governo deveria fazer para as pessoas apenas o que eles não podem fazer melhor por si só e nada mais”. Compare essa postura apologética com a plataforma de eleição de François Hollande, o provável socialista a ser eleito presidente da França em 6 de maio, que declara: “A igualdade está no coração de nossos ideais. A redistribuição permanente de recursos e riquezas é necessária para fazer a igualdade de direitos uma realidade, para reduzir as disparidades de condições e lutar contra a pobreza”.

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Comparado com seus homólogos europeus o Partido Democrata é defensivo. E isso é um problema para o qual eu gostaria de oferecer uma solução modesta: os norte-americanos da esquerda devem realmente começar a defender os princípios básicos do socialismo.

Eu não estou, é claro, me referindo ao cruel sistema ineficiente antidemocrático que reinou na antiga União Soviética e sobrevive apenas na atual Cuba. Os ideais socialistas que valem a pena serem considerados são escrupulosamente democráticos e libertários civis. E eles continuam sendo uma opção nas nações de quase toda a Europa, bem como no Japão, América Latina e África do Sul.

Nos Estados Unidos, tais pontos de vista nem sempre foram considerados diabólicos ou alienígenas. Um século atrás, o Partido Socialista da América, elegeu centenas de candidatos em municípios como Antlers, Oklahoma e Nova York, e atraiu pensadores importantes como John Dewey, DuBois e Thorstein Veblen. Ataques socialistas sobre a injustiça do capitalismo desregulados ajudaram a inspirar a criação de agências como o FDA, a SEC, e do National Labor Relations Board. Elas ajudaram a fazer os norte-americanos receptivos ao apelo de Franklin Roosevelt para um futuro em que a segurança econômica seria alcançar um status tão elevado como a Primeira Emenda da Constituição.

Em 1966, o organizador dos direitos civis Bayard Rustin e o economista Leon Keyserling, elaboraram um plano abrangente para uma nova ordem social-democrata. O plano teria garantido a todo cidadão um trabalho, um rendimento anual, seguro de saúde, boas escolas, e habitação digna, tudo pago por um imposto de renda progressivo que seria desapossado dos ricos. Ele foi calorosamente aprovado por Martin Luther King Jr e por cada grande organização negra, assim como por muitos sindicatos. Mas a escalada da guerra no Vietnã rompeu a coligação que apoiou e o aumento do conservadorismo logo fez toda a ideia de redistribuição da riqueza um pária eleitoral.

Hoje, na ausência de uma alternativa radicalmente igualitária, Obama e seus companheiros centristas liberais, se tornaram, por padrão, a maioria dos norte-americanos. No outono passado, manifestantes fizeram uma tentativa astuta de ampliar o espectro ideológico, mas o aumento do movimento foi suspenso, pelo menos no momento. Portanto, não há incentivo para que o presidente ou a maioria dos outros democratas questionem o messianismo de livre mercado, que une todos os republicanos, e alegra os corações (e abre os talões de cheques) de ricos em todo o país.

Um movimento articulado socialista fora do Partido Democrata oferece uma escolha mais ousada. Seriam necessários sindicatos, ou uma nova forma de união, para dar aos trabalhadores um músculo institucional para empurrar para trás cortes salariais e a disseminação do emprego precário. Seria difícil definir cuidados com a saúde nacional, financiada pela tributação progressiva, como a marca de uma sociedade civilizada, bem como a única maneira séria de controlar os custos. Esta medida iria encorajar experimentos em propriedade cooperativa e controle local.

O renascimento da social-democracia seria uma bênção para os democratas tradicionais também. Com uma esquerda séria e uma direita inflexível por outro lado, eles poderiam fazer um autêntico apelo para os eleitores que dizem quererem um verdadeiro regime moderado centrista. No mínimo, os conservadores teriam que abandonar suas concepções maniqueístas e começar a debater as suas posições de adversários.

Ironicamente, a ilusão sobre a ideologia de Obama pode já estar ajudando o “socialismo”, ao menos como uma palavra para desfrutar de um pouco de atenção. Em uma pesquisa da Pew Research Center realizada em dezembro de 2011, jovens de 18 a 29 anos de idade disseram ter opiniões positivas do socialismo, como tiveram do capitalismo. Em geral, três de cada dez norte-americanos tiveram uma reação positiva ao “socialismo”. Apenas 50% apoiavam calorosamente o “capitalismo”.

Agora, seria obviamente um erro levar essa, e as pesquisas semelhantes, muito a sério. A maioria dos norte-americanos que diz gostar do “socialismo” estão, sem dúvida, reagindo às acusações de direita contra um presidente que eles gostam. Se Obama é um socialista, isso soa bem para eles.

Mas a onipresença do termo em si pode constituir uma oportunidade para os radicais ofereceram ao público, pela primeira vez em décadas, um argumento para o socialismo fundamentado em ideais que a maioria dos norte-americanos estimam: responsabilidade comunitária e direitos iguais. Como Michael Harrington, o último grande líder dos socialistas dos EUA, escreveu em 1966: “A democratização do poder econômico, social e política concentrada é a única esperança para a realização de ideais humanistas ocidentais. A possibilidade de uma nova ordem de coisas em que as pessoas realmente decidam o seu próprio destino”. Deve ser um bom momento para começar essa discussão, uma vez que a maioria dos norte-americanos está justamente revoltada com a ordem que temos.

A guerra do catolicismo contra a saúde reprodutiva

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Em dezembro, uma polêmica audição do Comitê da Câmara para Fiscalização e Reforma do Governo, um grupo formado quase completamente por homens, debateu políticas de saúde para mulheres. Milhões de dólares de receita federal estavam em jogo. Dois funcionários de Obama estavam enfrentando uma inquisição. O congressista Chris Smith — que sequer era membro do comitê, mas foi convidado pelo presidente da Câmara, Darrell Issa, para falar — estava vermelho e praticamente gritando ao proferir seus comentários: “O preconceito da administração Obama contra católicos é uma afronta à liberdade religiosa e uma ameaça a todas as pessoas”, reclamou.

O ataque foi baseado em uma disputa agora já conhecida — a guerra entre conservadores e o governo Obama sobre saúde reprodutiva. Mas havia um detalhe: Smith estava preocupado com estrangeiras forçadas à prostituição nos Estados Unidos — e o direito da Igreja Católica de se recusar a fornecer a elas acesso a contracepção e aborto.

Graças a uma legislação de autoria de Smith, o governo norte-americano gasta milhões de dólares por ano para ajudar vítimas de tráfico humano a se recuperarem. Desde 2006 quase todo dinheiro foi para a Conferência de Bispos Católicos dos EUA (USCCB, na sigla em inglês), a liderança da Igreja em Washington. Mas em setembro, o governo de Obama se recusou a renovar o contrato com o objetivo de garantir a mulheres vitimizadas acesso ao sistema completo de saúde reprodutiva, já que os bispos haviam proibido que a verba concedida fosse usada para serviços que consideram imorais.

Desde então, Smith e outros defensores da USCCB têm denunciado Obama, o acusando de ataque injusto à liberdade religiosa. O comitê passou três horas acusando a Casa Branca de tendência anti-católica. Um problema maior veio semanas depois quando o governo determinou que instituições afiliadas à Igreja, como universidades e hospitais, fornecessem benefícios contraceptivos a suas funcionárias. O presidente acabou por se comprometer a transferir a responsabilidade de pagamento para as empresas de seguro, mas nem isso acabou com o protesto.

Alegações de que Obama é anti-católico prometem aumentar na medida em que republicanos buscam ganhar votos. Mas a guerra sobre a saúde reprodutiva das mulheres pode ser arriscada: pesquisas nacionais mostram que a maioria das mulheres, incluindo católicas, concordam com as políticas de Obama sobre contracepção e rejeitam a ênfase republicana no assunto. Enquanto isso, na batalha conta o tráfico, as táticas republicanas podem acabar prejudicando as mesmas vítimas pelas quais políticos como Smith alegam estar lutando. Pessoas como “Celia” uma adolescente que foi espancada, estuprada e engravidada antes de ser resgatada em 2006 por agentes da lei que desmantelaram uma rede de tráfico sexual na Califórnia.

O programa federal de ajuda a vítimas de tráfico humano deve sua existência a uma coalização de grupos evangélicos, feministas e de direitos humanos na década de 90. Até 1999, eles persuadiram o Congresso a promover audiências nas quais vítimas contaram histórias horríveis e um funcionário do Departamento de Estado testemunhou que cerca de 50 mil mulheres e crianças eram traficadas para os Estados Unidos por ano.

Após uma disputa contra apenas uma outra organização, a USCCB ficou com todo dinheiro destinado aos serviços às vítimas de tráfico de 2006 a 2011 (US$ 19 milhões).

Os bispos usaram um terço do dinheiro em despesas administrativas e o restante foi pago a subcontratadas em todo país para fornecerem os serviços — nos termos da Igreja. As subcontratadas não podiam discutir contracepção ou aborto, ou mesmo usar tempo da equipe para encaminhar clientes a tais serviços, às custas da Igreja.

Algumas das subcontratadas, especialmente as seculares, se alarmaram com as restrições. “Estamos falando de um grupo de pessoas que sofreram estupro e não tiveram cuidados médicos, então muitas delas têm infecções não tratadas”, diz Florrie Burke, que atua no comitê diretivo da Rede Anti-Tráfico de Nova York. “Elas foram expostas ao HIV, tiveram abortos forçados. As questões ginecológicas são horríveis”. Até 2007, Burke era diretora do programa anti-tráfico na Safe Horizon, uma ONG em Nova York. Ela diz que em determinado ponto após os bispos assumirem, seu grupo submeteu uma nota fiscal de um exame ginecológico que uma vítima tinha feito no Planned Parenthood (Maternidade Planejada). A USCCB negou pagamento, ela diz, sem mesmo perguntar para que havia sido a visita.

Em 2009 as restrições dos bispos levaram a American Civil Liberties Union a processar o Departamento de Saúde alegando que era inconstitucional forçar receptores de verba federal a obedecer a crenças católicas. O testemunho da USCCB no caso foi revelador: ela argumentou que serviços de saúde reprodutiva simplesmente não eram importantes. Em um registro, advogados escreveram, “A USCCB questiona por uma questão de princípio que o aborto e a contracepção são ‘serviços médicos’ que qualquer pessoa precisa”.

Mas em muitos lugares dos EUA, os milhões administrados pelos bispos podem ter sido a única fonte de fundos para os cuidados de saúde reprodutiva de sobreviventes do tráfico, de acordo com Susie Baldwin, uma médica e especialista em saúde pública de Los Angeles. Em testemunho preparado para uma audiência no congresso, Baldwin contou a história de Celia, a adolescente trazida a clínica na qual ela trabalhava. Celia havia sido espancada e estuprada várias vezes durante seus três meses de cárcere — e estava grávida quando chegou à clínica. Fazer um aborto, Baldwin testemunhou, “melhorou a habilidade dela de se recuperar do trauma que sofreu”.

Hilary Chester a diretora associada do programa anti-tráfico da USCCB, diz que o grupo é a favor de cuidados de saúde reprodutiva. “É claro no manual da nossa equipe que serviços de saúde reprodutiva são muito importantes”, ela diz, se referindo a exames ginecológicos e à triagem por doenças sexualmente transmissíveis. A batalha sobre católicos e contracepção continua: em março, o presidente da USCCB, cardial Timothy Dolan, urgiu maior ativismo político entre o rebanho. “É uma batalha por liberdade religiosa”, ele disse em discurso em Nova York.

“Ninguém tem direito sobre o dinheiro do governo”, contra-ataca Frances Kissling, a ex-presidente da Católicas pelo Direito de Escolha. “Você se inscreve para o benefício, e o dinheiro vai para a agência julgada a melhor provedora dos serviços. Se você não é a melhor provedora ou não pode prover os serviços, não pode receber a verba. Isso não significa que você sofreu discriminação”.

Na verdade, os números sugerem que a administração Obama tem sido bem generosa com grupos católicos. De acordo com a administração, US$ 673 milhões em benefícios federais foram para organizações filiadas à Igreja entre 2009 e 2012 — comparado a US$ 549 milhões nos três anos anteriores. Tanto dinheiro fluiu para esses grupos que irritou defensores dos direitos civis que se opuseram à expansão de contratos com instituições religiosas na administração Bush. Barry W. Lynn, diretor executivo da Americanos United for Separation of Church and State (Americanos Unidos pela Separação de Igreja e Estado), diz que apesar das promessas de fazer o contrário, Obama manteve a maior parte da infraestrutura de seu antecessor no lugar.

Como a batalha pelo financiamento vai impactar as vítimas de tráfico sexual é difícil saber — ainda não está claro quantas dessas vítimas existem. O testemunho de 1999 alertando de 50 mil mulheres e crianças sendo traficadas para os EUA por ano se mostrou muito exagerado. O funcionário do Departamento de Estado havia citado um estudo da CIA que extrapolou os números de jornais estrangeiros. Uma estimativa revisada do Departamento de Estado em 2004 — agora incluindo homens — coloca o número máximo em 17.500. Mas depois de o Escritório de Responsabilidade do Governo levantar dúvida sobre ele, o Estado parou de citar até mesmo esse número.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Mineração em asteróides: muito além da ficção científica

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Uma nova empresa de mineração quer enviar robôs para o espaço para procurar metais preciosos em asteróides. Essa é a configuração básica de Blade Runner, o épico filme de ficção cientifica que completa 30 anos em junho deste ano. É também o plano de negócios para recursos planetários, uma estratégia que os Estados Unidos delinearam para tirar a indústria de mineração da órbita da Terra. Para a economia, é um olhar desafiador, para dizer o mínimo. Mas a ideia não é completamente maluca.

Financiadores da empresa, chamada Planetary Resources Inc, incluem o fundador do Google, Larry Page, e o diretor de Titanic, James Cameron; porém, eles não são os primeiros tecnólogos excêntricos a pensar nisso. A mineração de asteróides foi um marco do pensamento futurista: o pioneiro na proposta foi o engenheiro de foguetes russo Konstantin Tsiolkovsky Eduardovich, em 1900.

O rápido avanço de um século, altos preços das commodities, um mini-boom dos voos espaciais privados, o aumento do trabalho dos mineiros e os custos de energia, se uniram para revigorar o interesse em explorar os vastos recursos do espaço.

O custo da platina está aumentando de 16% a 20% por ano. A Anglo American, maior produtora do mundo de platina, estima que a produção de cerca de metade do total global é inútil ao preço de hoje, cerca de US$ 1.500 por onça.

Supondo que eles poderiam ser economicamente colocados em órbita, a navegação espacial de robôs equipados com painéis solares ou de pequenas usinas nucleares seria em grande parte imune a pressões dos custos – e não entraria em greve também. Peter Diamandis, um dos co-fundadores, estima que um único asteróide de 30 metros de diâmetro pode conter até US$ 50 bilhões em platina. São esperados que centenas de milhares de tais objetos estejam a um alcance relativamente fácil da Terra.

O lançamento e os custos de recuperação podem ser maiores obstáculos para uma indústria vibrante da mineração de asteróides. A Planetary Resources diz que sua prioridade será o desenvolvimento de tecnologias mais baratas de lançamento. No entanto, mesmo se pudesse pousar um robô mineiro em uma rocha em órbita por uma fração do preço atual de missões espaciais modernas, recebendo material extraído com segurança de volta para a Terra, o custo poderia se revelar alto.

Ainda assim, há maneiras piores de bilionários gastarem o seu dinheiro. Mesmo se o projeto não conseguir retornar com uma única rocha para a Terra, seus apoiadores podem se beneficiar se as tecnologias da empresa tiverem aplicação em turismo especial de mineração ou terrestre – para não mencionar o estranho roteiro de Hollywood.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Dupla de filósofos defende aborto de recém-nascidos

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Por Fernanda Dias – opiniaoenoticia.com.br

Pensar em aborto após o nascimento do bebê parece uma ideia no mínimo confusa, mas a prática foi defendida por um artigo publicado no Journal of Medical Ethics (Jornal de Ética Médica), ligado ao grupo Jornal Médico Britânico (BMJ). O texto causou polêmica ao dizer que a morte do recém-nascido seria “moralmente equiparável” à que se pratica ainda no útero. Os autores, os doutores em Filosofia Alberto Giublini e Francesca Minerva, argumentam que é justificável a morte de um bebê que já ao nascer apresentar malformação ou doenças que acarretem situações de estresse para sua família.

Para eles, “nem os fetos nem os recém-nascidos podem ser considerados pessoas no sentido de que têm um direito moral à vida”. Giublini e Francesca defendem que o aborto pós-parto não deve ser considerado infanticídio, que, segundo eles, se produz contra crianças já consideradas pessoas. A classificação como eutanásia também é descartada já que “o que mais interessa à pessoa que morre não é necessariamente o principal critério”. Assim, na avaliação dos dois, o “aborto pós-nascimento” é legítimo e deveria ser permitido em qualquer caso, até quando o “recém-nascido tem potencial para uma vida saudável, mas põe em risco o bem-estar da família”. Ou se, embora não apresente doença qualquer, nasça no seio de uma família que não lhe assegurará boas condições de vida, sendo a morte considerada a melhor opção para o bebê.

A dupla ainda descarta a possibilidade de adoção justificando que a mãe que sofre pela morte da criança deve aceitar a irreversibilidade da perda, mas a mãe que entrega um filho para adoção sonha que ele vá voltar: “Isso torna difícil aceitar a realidade da perda porque não se sabe se ela é definitiva”, diz o texto.

O artigo causou tanta polêmica que o editor do jornal, Julian Savulescu, que também é diretor do Centro de Neuroética da Universidade de Oxford, afirmou que os autores receberam ameaças até de morte. Ele publicou um artigo defendendo a postura do jornal de publicar o texto dos filósofos e afirmando que cruéis foram as cartas enviadas por diversas pessoas ao jornal: “O que é preocupante não são os argumentos apresentados neste artigo, nem a sua publicação em uma revista ética. São as hostis, abusivas e ameaçadoras respostas que suscitaram. Mais do que nunca, a discussão acadêmica adequada e a liberdade estão sob ameaça de fanáticos opostos aos valores próprios de uma sociedade liberal”.

Segundo ele, os argumentos apresentados não são, em grande parte, novos e têm sido repetidamente expostos na literatura acadêmica e em fóruns públicos por filósofos e bioeticistas de renome, como Peter Singer, Tooley Michael e John Harris: “A nova contribuição deste trabalho não é um argumento a favor do infanticídio – o papel repete os argumentos apresentados pelos famosos Tooley e Singer – mas sim a sua aplicação em consideração dos interesses maternos e da família”.

Ele ressaltou ainda que o objetivo do Jornal de Ética Médica não é apresentar a verdade ou promover algum ponto de vista moral e sim apresentar um argumento bem fundamentado: “Os autores afirmam provocativamente que não há diferença moral entre um feto e um recém-nascido. As suas capacidades são relevantemente semelhantes. Se o aborto é permitido, o infanticídio deve ser permitido. Os autores procedem logicamente a partir de premissas que muitas pessoas aceitam e chegam a conclusões que muitas dessas pessoas rejeitam”.

Há quem acredite que o artigo, na verdade, não busca defender o aborto, mas sim chocar a população e levá-la a rejeitar a prática com base numa comparação radical. Para Maurílio Castro de Matos, autor do livro “A criminalização do aborto em questão” e professor da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a publicação de artigos como esse pode dificultar o andamento do debate em torno da descriminalização do aborto, já que abrange os casos em que ele seria permitido. “Entendo que o artigo em nada contribuiu para a necessária legalização do aborto. Ele mais confunde do que informa a população”, afirma o professor.

Segundo Maurílio, no entendimento ético de especialistas, em geral, feto e recém-nascido são distintos, pois a gravidez é um processo. Ele ressalta, por exemplo, que a Organização Mundial de Saúde e a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia definem que a gestação que termina até a 22ª semana, quando o peso do feto gira em torno de 500 gramas, é um aborto. Já a gestação que se encerra após a 23ª semana é considerada um nascimento prematuro.

No último dia 12, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que no Brasil não é mais crime o aborto de fetos anencéfalos (com má-formação do cérebro e do córtex – o que leva o bebê à morte logo após o parto). Já era permitida a interrupção da gestação em casos de estupro ou claro risco à vida da mulher. Todas as demais formas de aborto continuam sendo crime, com punição prevista no Código Penal.

“A anencefalia é diagnosticada no processo de pré-natal da gestante por meio de exames. Quando a descobre, a mulher pode ter tanto a reação de querer seguir com a gestação como de interrompê-la. Nada a pressiona à interrupção: ela pode continuar a gestação mesmo sabendo que não terá o filho que anteriormente imaginava que teria. Contudo, para aquelas que vivem tal quadro como um sofrimento, a resolução do STF contribui para a melhoria das suas condições de vida”, afirma Maurílio.

Já a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lamentou a decisão. Em nota, os bispos afirmam que “legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso”.

Exame de sangue pode revelar depressão em jovens

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade Northwestern, dos EUA, e publicada na revista médica Translational Psychiatry, revelou que um exame de sangue pode ser capaz de detectar depressão em jovens.

Leia também: Cogumelos alucinógenos, remédios contra a depressão?

Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram um conjunto específico de características encontradas no sangue.

O diagnóstico de depressão em adolescentes tende a ser mais complicado por causa das habituais mudanças de humor nesta fase da vida. Atualmente, o diagnóstico da doença depende da capacidade do paciente em relatar os sintomas.

A principal pesquisadora do estudo, a professora Eva Redei, ressaltou que “o diagnóstico precoce e a classificação específica da depressão precoce pode levar a um maior repertório de tratamentos mais eficazes e cuidados individualizados melhores”.

Perigos da depressão na adolescência

A nova pesquisa também traz indícios de que é possível diagnosticar subtipos de depressão a partir do exame de sangue.

Os autores do estudo afirmam ainda que os adolescentes depressivos que não tratam a doença têm mais chances de abusar das drogas, desenvolver doenças psíquicas, e enfrentar problemas de desenvolvimento.

A pesquisa contou com a participação de 28 adolescentes com idades entre 15 e 19 anos. Metade sofria de um grau maior de depressão, sem tratamento, e outros 14 eram jovens não-deprimidos. No exame de sangue nos adolescentes, os cientistas identificaram 26 marcadores genéticos. Onze destes marcadores distinguiram os adolescentes deprimidos dos não-deprimidos.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

A indústria do sexo é repulsiva, mas não pode ser ignorada

quarta-feira, 18 de abril de 2012

 Por Tanya Gold – opiniaoenoticia.com.br

Brooke Magnanti vê a pornografia e a prostituição com olhos de uma advogada. Mesmo assim, ela ainda tem algumas verdades para dizer.

Duas histórias sobre prostituição vieram a público nesta semana e, apesar das risadinhas e do beicinho, uma solução parece remota. A primeira foi a das freiras dançarinas que se contorceram, inevitavelmente, na frente de Silvio Berlusconi para, se elas eram freiras particularmente sensuais aos olhos daquele velho viciado em sexo, pilhas de euro. A piada é — adivinha? Elas não eram freiras. A segunda envolveu os agentes secretos de Barack Obama que, em uma viagem a Colômbia, utilizaram os serviços de prostitutas e estão agora em desgraça. Um deles aparentemente se recusou a pagar e de todas as desculpas que o House Homeland Security Committee pediu, nenhuma foi à prostituta.

‘Agentes do Governo Honrados Emboscados por Estrangeiras Promíscuas’ já é a narrativa emergente, apesar de que ‘Vote Democratas para um Mundo Cheio de Prostitutas’ está obviamente a caminho. Além de repetir a piada de Berlusconi — “Quando perguntadas se gostariam de fazer sexo comigo, 30% das mulheres disseram ‘sim’, enquanto 70% responderam, ‘O quê, de novo?’” — o que dizer de prostituição na era da terceira-onda feminista? O que, neste caso, constitui liberdade?

O problema, como a Dra. Brooke Magnanti, antes conhecida como a escort Belle de Jour, aponta em seu livro The sex myth (O mito do sexo), é informação precisa. Sem ela, estamos simplesmente gritando um com o outro. A prostituição é notoriamente difícil de avaliar porque boa parte da verdade é oculta; o resto é lixo da lascívia e da fantasia, que a série de TV das memórias de Magnanti, Secret Diary of a Call Girl, tanto incitou. Alguns estudos alegam que vício em drogas, abuso sexual e físico e morte prematura são a pensão inevitável da prostituta. A pesquisa de 2003 “Prostituição e tráfico em nove países: uma atualização em violência e transtorno de estresse pós-traumático”, afirma que entre 70% e 95% das entrevistadas foram agredidas fisicamente enquanto trabalhavam como prostitutas; 60% a 75% foram estupradas; e 65% a 95% foram abusadas sexualmente na infância antes de virarem prostitutas.

Outros relatos insistem que esses estudos estão poluídos pela super-amostragem de prostitutas de rua, e que existem muitas experiências felizes de prostituição. Magnanti evoca um mundo no qual prostitutas são bem pagas e independentes, temendo principalmente censura e criminalização.

Em sua mente é uma aliança de feministas e conservadores religiosos que ameaça a segurança de prostitutas mais do que proxenetas, fregueses e psicopatas. O estudo “Além do gênero um exame da exploração no trabalho sexual” vira, ela diz, “quase tudo que pensamos que sabemos sobre trabalho sexual de cabeça pra baixo”, mesmo que você tenha visitado o PunterNet, o diretório online de prostitutas, e engasgado na história que ele conta. Mais da metade das entrevistadas para o estudo disseram que “transações comerciais sexuais são relacionamentos de igualdade”; 77% “achavam que seus clientes as tratavam com respeito”, e apenas 3% planejavam parar em três anos, contradizendo o relato de 2003 que dizia que 89% queriam sair.

Parece que as informações sobre prostituição mudam dependendo de a quem, como e onde você pergunta, o que novamente deixa uma segunda e terceira onda de feministas debatendo. Quem é o real abusador de prostitutas — o salvador, que prefere que elas desapareçam, ou o defensor, que prefere que elas se multipliquem?

Seria fácil repudiar Magnanti como uma viciada em sexo buscando validar suas escolhas, mas as passagens onde ela diz que seu status como ex-prostituta desvaloriza seu testemunho para alguns são dolorosas de ler, mesmo que falte um pouco de objetividade às vezes. No capítulo sobre pornografia, ela diz que a ausência de posições convencionais em filmes pornográficos prova que eles são dedicados ao prazer feminino, quando eu suspeito que é simplesmente porque há pouco para se ver. Ela insiste que o foco nas mulheres nesses filmes evidencia respeito quando, por serem feitos principalmente para homens, elas sempre seriam o foco. Ela também cita algumas pornógrafas ricas como prova de que a indústria não é inerentemente exploradora.

Magnanti vê a indústria do sexo com a benevolência de uma advogada. Ela parece obcecada como os benefícios financeiros da prostituição ao invés de com o custo emocional. Ela também acredita que o direito de vender o próprio corpo deveria estar ao lado de outros direitos, mesmo quando ela reconhece que como uma mulher de classe média em uma democracia progressiva ela pôde fazer essa escolha. Com o lançamento do The sex myth, parece que sabemos menos do que antes; estudos de países que experimentaram a descriminalização têm conclusões conflitantes.

Então, o que fazemos? A verdade de que a prostituição possa ser a melhor escolha econômica para algumas mulheres é repulsiva, mas não se pode fechar os olhos para isso. Neste aspecto Magnanti emerge como uma realista, enquanto que seus críticos, bem-intencionados ou não, condenam mulheres a pobreza e à criminalidade. Há um argumento aqui para as políticas que ela acha tão estúpidas — um fim para a disparidade salarial, para desigualdade de gênero, segregação ocupacional, todos os quais tornariam mulheres ricas e mais poderosas e ampliariam suas escolhas além do inferno do PunterNet.

As desgraças das prostitutas de rua são obviamente uma questão de política social, Magnanti insiste, sempre existirão mulheres que querem virar prostitutas e homens que querem usá-las. Elas merecem uma justiça criminal rigorosa dedicada a sua proteção ou não? A resposta, é claro, é um amargo sim.

Casos de demência vão triplicar em quatro décadas, diz OMS

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Casos de pessoas que vivem com demência vão dobrar nos próximos 20 anos e triplicar nas próximas quatro décadas, de acordo com novos dados da Organização Mundial de Saúde.

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A Associated Press relata que os cientistas dizem que a maior expectativa de vida e a melhor assistência médica nos países em desenvolvimento vão resultar em um aumento nas taxas de doenças cerebrais, que afetou cerca de 35,6 milhões de pessoas em 2010. Em 2050, a agência de saúde prevê que 115 milhões de pessoas irão sofrer de demência, principalmente em países de baixa ou média renda.

A inclinação íngreme da taxa de demência irá também se revelar um fardo financeiro para as famílias que cuidam de seus familiares afetados. Cerca de US$604 bilhões são gastos atualmente em cuidados de saúde e social da demência, que muitas vezes é causada pela doença de Alzheimer.

A agencia de notícias Reuters aponta que o diagnóstico e cuidados com a demência ainda são um problema internacional, mesmo em países de renda mais alta. Até agora, oito países, incluindo Grã-Bretanha e Japão, têm programa nacionais de demência. O programa dos Estados Unidos atualmente funciona através de iniciativas estaduais.

“Precisamos aumentar nossa capacidade para detectar a demência precoce e fornecer os cuidados de saúde e sociais necessários. Muito pode ser feito para diminuir a carga da demência”, disse Oleg Cherstnov, diretor-geral assistente da OMS. “Os profissionais da saúde muitas vezes não são adequadamente treinados para reconhecer a doença”.

Fonte: votebrasil.com

Vídeo: um encontro inesperado – cenas quentes de intimidade na praia

domingo, 8 de abril de 2012

Por Rita de Sousa – veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/ 

Vejam que espetacular este vídeo, gravado por um turista na Baía Dourada da Geórgia do Sul, conjunto de ilhas inglesas, perto das Malvinas/Falklands, na península Antártida.
 
Uma mulher sentou-se para observar de perto pinguins e elefantes marinhos, e acabou protagonizando cenas de intimidade com um filhote desse enorme e simpático mamífero.
 São pouco mais de 5 minutos de puro deleite, durante os quais o filhote de quase 4 toneladas explora a nova amiga a ponto de se aconchegar em seu colo.

Clara de Assis: a coragem de uma mulher apaixonada

domingo, 8 de abril de 2012

Por Leonardo Boff – congressoemfoco.com.br

Há 800 anos, na noite de 19 de março de 1212, dia seguinte à festa de Domingos de Ramos, Clara de Assis, toda adornada, fugiu de casa para unir-se ao grupo de Francisco de Assis na capelinha da Porciúncula que ainda hoje existe. As clarissas do mundo inteiro e toda a família franciscana celebram esta data que significa a fundação da Ordem de Santa Clara espalhada pelo mundo inteiro.

Clara junto com Francisco – nunca devemos separá-los, pois se haviam prometido, em seu puro amor, que “nunca mais se separariam”, segundo a bela legenda épica – representa uma das figuras mais luminosas da Cristandade. É bom lembrá-la. Por causa dela, há milhões de Claras e Maria Claras no mundo inteiro. Ela, de família nobre de Assis, dos Favarone, e ele, filho de um rico e afluente mercador de tecidos, dos Bernardone.

Com 16 anos de idade quis conhecer o então já famoso Francisco com cerca de 30 anos. Bona, sua amiga íntima, conta, sob juramento nas atas de canonização, que entre 1210 e 1212 Clara “foi muitas vezes conversar com Francisco, secretamente, para não ser vista pelos parentes e para evitar maledicências”. Destes dois anos de encontro nasceu grande fascínio um pelo outro. Como comenta um de seus melhores pesquisadores, o suíço Anton Rotzetter em seu livro Clara de Assis: a primeira mulher franciscana (Vozes 1994): “Neles irrompeu o Eros no seu sentido mais próprio e profundo, pois sem o Eros nada existe que tenha valor, nem ciência, nem arte, nem religião, Eros que é a fascinação que impele o ser humano para o outro e que o liberta da prisão de si mesmo” (p. 63). Esse Eros fez com que ambos se amassem e se cuidassem mutuamente mas numa transfiguração espiritual que impediu que se fechassem sobre si mesmos. Francisco afetuosamente a chamava de a “minha Plantinha”. Três paixões cultivaram juntos ao longo de toda vida: a paixão pelo Jesus pobre, a paixão pelos pobres e a paixão um pelo outro. Mas nesta ordem. Combinaram então a fuga de Clara para unir-se ao seu grupo que queria viver o evangelho puro e simples.

A cena não tem nada a perder em criatividade, ousadia e beleza, das melhores cenas de amor dos grandes romances ou filmes. Como poderia uma jovem rica e bela fugir de casa para se unir a um grupo parecido com aos “hippies” de hoje? Pois assim devemos representar o movimento inicial de Francisco. Era um grupo de jovens ricos, vivendo em festas e serenatas que resolveram fazer uma opção de total despojamento e rigorosa pobreza nos passos de Jesus pobre. Não queriam fazer caridade para pobres, mas viver com eles e como eles. E o fizeram num espírito de grande jovialidade, sem sequer criticar a opulenta Igreja dos Papas.

Na noite do dia de 19 de março, Clara, escondida, fugiu de casa e chegou à Porciúncula. Entre luzes bruxuleantes, Francisco e os companheiros a receberam festivamente. E em sinal de sua incorporação ao grupo, Francisco lhe cortou os belos cabelos louros. Em seguida, Clara foi vestida com as roupas dos pobres, não tingidas, mais um saco que um vestido. Depois da alegria e das muitas orações foi levada para dormir no convento das beneditinas a 4 km de Assis. Dezesseis dias após, sua irmã mais nova, Inês, também fugiu e se uniu à irmã. A família Favarone tentou, até com violência, retirar as filhas. Mas Clara se agarrou às toalhas do altar, mostrou a cabeça raspada e impediu que a levassem. O mesmo destemor mostrou quando o Papa Inocêncio III não quis aprovar o voto de pobreza absoluta. Lutou tanto até que o Papa enfim consentisse. Assim nasceu a Ordem das Clarissas.

Seu corpo intacto depois de 800 anos comprova, uma vez mais, que o amor é mais forte que a morte.

Trate bem os ratos…

sábado, 7 de abril de 2012

Somente um remédio de cada dez testados com sucesso em laboratórios acaba funcionando em pessoas. Uma razão óbvia é a de que ratos não são homens. Outra, contudo, pode ter a ver com o fato de que enquanto a pacientes humanos se concede toda forma de conforto, o mesmo não se aplica a suas ‘aproximações’ animais.

Ainda que à criatura favorita da medicina agrade temperaturas um pouco acima de 30° C, os laboratórios em geral as mantêm a 5 ou 10 graus abaixo. Isso não tem a intenção de torturar os bichanos, mas sim a de amansá-los, uma vez que eles podem ser inconcebivelmente agressivos em suas temperaturas favoritas. A desvanatagem é que eles têm que comer mais do que comeriam normalmente de modo a manter os seus corpos aquecidos. Isso lhes altera a fisiologia, o que por sua vez altera seu modo de metabolizar medicamentos, gerando resultados confusos.

Joseph Garner, da Stanford University, acha que a solução é reduzir a temperatura dos laboratórios, mas deixar com que os ratos lidem com a baixa tempetarura do mesmo modo que o fazem em seu habitat natural: não comendo menos, mas construindo ninhos. Entretanto, até agora ninguém sabe o quanto de material para construção dos ninhos é necessário para agradar aos ratos. Dr Garner e seus parceiros decidiram então descobrir. Eles acabam de divulgar seus resultados no periódico Public Library of Science.

Dr. Garner e sua equipe permitiram a cada um dos ratos, 36 machos e várias fêmeas das três cepas geralmente usadas em testes, vagar livremente em duas gaiolas conectadas por um tubo estreito. Uma gaiola foi mantida em uma entre seis temperauras que iam de 20°C a 35°C. A outra foi mantida a 20° C, mas continha um estoque de até 10 gramas de papel cortado em pequenas faixas que os ratos poderiam usar para fazer um ninho. A ideia era checar se os animais prefeririam construir um ninho na gaiola mais fria ou se mudar para uma mais quente, possivelmente carregando material de construção do ninho consigo faixa a faixa.

Os pesquisadores descobriram que as preferências dos roedores variavam levemente entre as cepas, assim como entre os sexos (com as fêmeas preferindo temperaturas mais quentes, possivalmente graças à sua camada de gordura protetora mais fina), confirmando que não há apenas um conjunto de condições que satisfaça a todos os ratos. Todavia, em geral, com pouco material ao redor para construir ninhos, os animais laboriosamente carregavam faixas de papel para o ponto mais aquecido, uma ou duas por vez. Deixando apenas seis gramas de papel na gaiola mais fria fará com que muitos ratos prefiram resistir ao frio e fazer um ninho lá. Este parece um pequeno preço a pagar para teste medicinais melhores.

Fonte: votebrasil.com