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Caso Tuma: Lula manterá secretário nacional de Justiça na função se não surgir fato novo

Fonte: monitormercantil.com.br

Apesar da investigação da Polícia Federal (PF), que obteve gravações telefônicas e troca de e-mails entre o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr.; e Li Kwok Kwen, o Paulo Li, que foi preso em 2009 sob acusação de contrabando, matéria do jornal Folha de S.Paulo desta sexta-feira diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá manter Romeu Tuma Jr. no cargo de secretário nacional de Justiça. Nas palavras de um ministro, só um “fato novo” poderia levar Lula a demiti-lo.

as gravações, Tuma Jr., que também é presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, trata da compra de um celular, de videogame e até de regularização da situação de chineses que viviam clandestinamente em São Paulo. Embora tenha sido flagrado nos grampos da PF, o secretário não foi alvo do inquérito.

Segundo o jornal, Lula se considerou satisfeito com as explicações do secretário. Em entrevista ao site noticioso G1, Tuma Jr. disse desconhecer operação que o liga à máfia chinesa:

– Não tive acesso nenhum a essa investigação, portanto é impossível falar sobre ela. Fica um compromisso meu a vocês de falar sobre isso tão logo eu saiba – disse, no final da tarde de ontem a jornalistas que esperavam há mais de três horas por seu pronunciamento no Ministério da Justiça.

Ainda segundo o site, antes, porém, o secretário se reuniu com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto. No final da tarde, Barreto foi para o Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória do governo, para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro não estava na agenda oficial da Presidência. Segundo a assessoria do ministério, a reunião foi convocada por Lula, que pediu a Barreto que buscasse mais informações. Até ontem, Barreto não obtivera, segundo a cúpula do governo, um dado que comprometesse Tuma Jr. Barreto confirmou ontem em Buenos Aires que fez à PF “um pedido formal de informações” sobre o caso, “a fim de poder fazer uma avaliação mais precisa”, mas descartou afastar Tuma Jr. imediatamente.

A Folha apurou que o presidente deverá voltar a tratar do tema hoje com o ministro. Sem o tal “fato novo”, a posição presidencial será manter Tuma Jr. Se surgir algo desabonador, o secretário perderá o cargo.

Por telefone, Tuma Jr. disse ontem conhecer Li há 30 anos e nunca ter comprado produtos piratas. Afirmou ter ficado surpreso quando Li foi preso.

– Nunca imaginei isso. Como vou cuidar ou saber o que meus amigos fazem? Muitas vezes não tenho condições de saber o que minha filha está fazendo.

Li conheceu Tuma Jr. quando este ainda era adolescente. Eles trabalharam juntos – Li o assessorou na Assembleia de São Paulo quando o filho do senador Romeu Tuma (PTB-SP) era deputado estadual.

– Não há nada contra mim. Não cometi nenhum crime. Não fui nem sequer denunciado. Não há nada demais. Consultei algumas coisas com ele, coisas de amigo para amigo. Nem sei se existe esse videogame pirata. O videogame foi comprado e há nota.

Tuma Jr. garante que não deixa o cargo.

– Posso cometer erros, mas não crime. Ninguém está acima da Justiça.

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