Brasil  

Câmara do Comércio: Brasil é o país mais protecionista do G-20

A política comercial brasileira, que em índice divulgado no fim do ano passado foi apontada como a mais protecionista do G-20, está sendo alvo de preocupação entre empresários estrangeiros. Em reunião nesta quarta-feira, 14, a Organização Mundial do Comércio (OMC) afirmou que monitora as medidas do Brasil para proteger seu mercado interno.
 
”O Brasil tem um crescimento econômico importante, mas ao mesmo tempo é um dos mercados menos abertos que estamos vendo”, afirmou em entrevista o vice-presidente da Câmara de Comércio Internacional (CCI), Harold McGraw III, presidente da McGraw-Hill Companies.
 
Apesar de que segundo a CCI, os países do G-20, que reúne as maiores economias desenvolvidas e emergentes, estarem adotando mais medidas de proteção, a política comercial brasileira é ainda mais restritiva do que a de Argentina, China e Rússia. Na entrevista coletiva no evento, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, disse, no entanto, que por enquanto o Brasil não impôs tarifas de importação além do que se comprometeu a adotar nos acordos multilaterais.
 
A tarifa de importação média do Brasil é de 10%, mas o país pode aumentar esse valor para até 35% sem romper os compromissos na OMC. Lamy pondera ainda, que a proteção é necessária no caso do Brasil por conta da guerra cambial. ”A relação entre nível de cambio e fluxo de comercio é extremamente complexa”, afirmou.
 
Em sua coluna no jornal Valor Econômico, Cristiano Romero argumenta que a política econômica de Dilma Rousseff é consequência da conjuntura internacional de baixo crescimento econômico, excesso de liquidez, desvalorizações competitivas das principais moedas e taxas de juros historicamente deprimidas. “Para enfrentar esse ambiente, Brasília está estimulando a economia a crescer de forma mais rápida, adotando medidas para proteger a indústria nacional da competição estrangeira, dificultando a entrada de capitais e acelerando a redução da taxa de juros”, diz a coluna.
 
Romero faz um alerta, no entanto, de que as medidas devem ser cautelosas para não provocar o efeito contrário e espantar investidores. “É sabido que muitas empresas exportadoras recorrem a modalidades baratas de financiamento externo para compensar o câmbio apreciado. Sem elas, ficam apenas com o efeito negativo do câmbio”. Ele conclui afirmando que a tendência de valorização do real em longo prazo existe e que o governo não terá muito o que fazer a respeito disso.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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