Brizola Neto é o mais cotado para assumir Ministério do Trabalho

BRASÍLIA – O deputado Brizola Neto (PDT-RJ) é o mais cotado para assumir o Ministério da Trabalho, diante da cada vez mais provável demissão do ministro Carlos Lupi. Herdeiro político e neto de Leonel Brizola, fundador do PDT, o deputado é próximo da presidente Dilma Rousseff, que militou nessa legenda até 2001, quando decidiu se transferir para o PT.

A presidente já havia decidido demitir Lupi na reforma ministerial do início do próximo ano. Agora, o Palácio do Planalto avalia que o ministro não tem condições de explicar as denúncias de supostas irregularidades cometidas em convênios do Ministério do Trabalho e também no uso de um avião fretado pelo empresário Adair Meira, responsável por ONGs conveniadas com a Pasta.

Dilma vai esperar pelas explicações do ministro, que amanhã prestará depoimento à Comissão de Assuntos Sociais do Senado. A presidente quer que ele dê explicações não somente a ela, mas também à opinião pública.

O que mais incomoda o governo é Lupi ter mentido publicamente sobre o fato de conhecer o empresário Adair Meira, que o desmentiu. Na reunião no fim da manhã de hoje com Dilma, Lupi disse que estava reunindo informações sobre o voo, como as notas fiscais referentes ao pagamento das despesas.

Dilma conhece Carlos Lupi de longa data, do período em que era filiada ao PDT, partido que o ministro passou a presidir desde o falecimento de Leonel Brizola, em 2004. Em março de 2008, ele foi forçado pela Comissão de Ética da presidência da República a se licenciar do cargo, uma vez que, desde 2007, era ministro do Trabalho. A ligação com Lupi desde os tempos do PDT explica a tolerância que a presidente vem tendo com o auxiliar.

Se Lupi cair agora, como tudo indica, a presidente Dilma deve manter o ministério na cota do PDT. Apenas na hipótese, hoje improvável, de o ministro se manter no cargo até a reforma ministerial, o partido perderia a Pasta.

Para a reforma do ministério, a presidente, segundo apurou o Valor, já teria decidido substituir os ministros Ana de Holanda (Cultura), Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) e Mário Negromonte (Cidades). Vão deixar o governo também os ministros Fernando Haddad (Educação) e Iriny Lopes (Secretaria de Políticas para as Mulheres), ambos para disputar as eleições municipais. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, também pode deixar o cargo para se candidatar à Prefeitura do Recife.

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