‘Brasileiros simpatizam com esquartejadora, Elize’, diz Bloomberg

Os fatos do caso são claros, e a assassina confessou. Elize Matsunaga, uma ex-garota de programa, assassinou seu marido rico, o empresário da Yoki Marcos Matsunaga, cortou o corpo em pedaços e os deixou em diferentes locais. Ainda assim, como costuma ocorrer após casos de assassinatos bárbaros ou grandes tragédias humanas exploradas pela mídia, as mais variadas interpretações dos fatos têm surgido nas redes sociais. Curiosamente, para a revista Bloomberg, os múltiplos pontos de vista sobre o assassinato do empresário, manifestados principalmente no Facebook e Twitter, revelam que os brasileiros simpatizam com Elize.

Em uma matéria entitulada “Mulher esquarteja marido e ganha a simpatia do Brasil em caso de assassinato” (Wife Chops Husband, Wins Simpathy in Brazil Murder Case), a revista explica que Elize disse à polícia que atirou em Marcos com uma pistola que ele mesmo teria dado a ela, após uma traição do marido. No dia seguinte, esquartejou o corpo e eliminou os vestígios. A revista destaca que o jornal Estado de S. Paulo afirmou em uma matéria que esse tipo de crime não é nenhuma novidade no Brasil, e que o incomum é a vítima ser um homem, e o agressor uma mulher.

Em seguida, a Bloomberg reproduz comentários de uma comunidade que teria sido criada no Facebook para mostrar a solidariedade dos brasileiros com Elize: “Se fosse o contrário, ninguém iria comentar porque isso acontece todo dia no Brasil”, escreveu um usuário identificado como Renatinho Lared. Segundo a revista, outra simpatizante escreveu que Elize foi vítima de um “homem cruel”.

A Bloomberg se mostrou admirada com a reação dos brasileiros nas redes sociais em relação ao caso. A revista cita o comentário no Facebook da internauta Andressa Esfinge: “Isso deve servir de lição para os homens que subestimam as mulheres. Veja se o dinheiro irá ajudá-lo no inferno”.

A matéria cita ainda a declaração de Daniel Barros, coordenador do Núcleo de Psiquiatria Forense do Hospital das Clínicas, em São Paulo, para a rádio Jovem Pan: “A impressão é que este realmente foi um crime passional, motivado pelo ciúme e pela traição”. A Bloomberg afirma que o advogado criminalista Sergei Cobra chegou a dizer que Elize poderia ser absolvida, e que seu maior desafio seria o de explicar o esquartejamento, mas “que isso não significava que o júri não poderia ter um olhar solidário com uma pessoa que agiu com emoção”.

A publicação reforça ainda o interesse escandaloso que a mídia e o público têm sobre o caso, que transforma o crime em um evento midiático, com o eterno conflito entre sexos e classes, além de questões mais amplas como culpa e traição, típicos de uma novela.

O autor do texto, Dom Phillips, é correspondente da Bloomberg no Rio de Janeiro.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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