Biologia explica a longevidade feminina

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Por que as gerações passadas tinham as mulheres como o sexo frágil é um mistério. Madeleine Beekman da Universidade de Sydney, Austrália, e seus colegas, no entanto, têm uma hipótese. Conforme descrevem em um estudo no periódico Philosophical Transactions of the Royal Society, eles acham que pelo menos parte da culpa está relacionada a estruturas subcelulares chamadas de mitocôndrias, as quais fornecem ao corpo energia ao degradar glicose e usar a energia liberada para fabricar ATP, a molécula que é o combustível universal da biologia.

As mitocôndrias são descendentes de bactérias que se uniram a seus ancestrais de células animais e vegetais há cerca de um bilhão de anos. Por conta disso, elas mantiveram os seus próprios genes. Para evitar brigas entre mitocôndrias geneticamente diferentes nas mesmas células, a maioria das espécies se organizou de modo a ter suas mitocôndrias oriundas de apenas um pai – em geral a mãe. Isso significa, conforme observa Beekman, que as mitocôndrias de um macho se encontram em uma rua sem saída em termos evolutivos. Elas não podem evoluir de maneiras especificamente masculinas, por que independentemente de quão bem elas façam a um corpo masculino, elas não serão passadas para a próxima geração.

Fisiologias masculinas e femininas são suficientemente similares para que isso não seja um problema central, mas a Dra. Beekman acha que elas podem ser marginalmente importantes. Ela observa que uma doença, chamada de neuropatia ótica hereditária de Leber, a qual é causada por um gene mitocondrial defeituoso, ocorre em apenas 10% das mulheres cujas “usinas” celulares incluem o gene defeituoso, mas em 50% dos homens cujas mitocôndrias portam tal defeito. O gene em questão, em outras palavras, tem uma probabilidade menor de prejudicar uma mulher que um homem. Ela em seguida lista uma série de outras doenças que sempre ou às vezes têm um componente mitocondrial, e especula que algumas dessas, também, podem se provar ou mais comuns ou mais sérias em homens que em mulheres.

A hipótese da Dra. Beekman pode acabar se revelando falsa, mas soa extremamente plausível, e certamente vale a pena ser investigada.

Fontes: The Economist-Power down
Opinião&Noticia

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