BC admite que inflação estourará o teto da meta em 2015

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Do Contas Abertas
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economia-banco-central-20140115-002-originalPela primeira vez, o Banco Central (BC) admitiu que a inflação vai estourar o teto da meta em 2015. De acordo com o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta quinta-feira, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o ano em 7,9% no cenário de referência – que considera juros e câmbio constantes. As projeções anteriores eram de uma alta de 6,1%.

Se esta estimativa se concretizar, o presidente do BC, Alexandre Tombini, terá de enviar uma carta aberta ao ministro da Fazenda, justificando os motivos que levaram ao descumprimento da meta de 4,5%, com 2 pontos porcentuais de tolerância para cima e para baixo, e revelando o que pretende fazer para levar os preços de volta ao controle.

Esta semana, durante audiência pública no Senado, Tombini enfatizou que, apesar das críticas, nunca precisou confeccionar o documento. “Se tiver de escrever no futuro, o futuro dirá”, afirmou. A última vez que a carta aberta foi escrita foi em 2004.

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Para o Produto Interno Bruto (PIB), a previsão é de queda de 0,5% neste ano, após retração estimada de 0,1% em 2014. Em dezembro, a instituição estimava uma alta de 0,2% para o PIB do ano passado. O dado oficial será divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O recuo da projeção do ano passado foi puxado por uma expectativa menor de crescimento do setor da indústria – de uma queda de 1,4.% para 1,7%. Já o setor agropecuário vai crescer 1,3% ante 1,4% da estimativa anterior. O setor de serviços, de acordo com o BC, deve ter uma expansão de 0,6%.

Ainda de acordo com o RTI, o consumo das famílias deve ter expansão de 1% em 2014, enquanto o do governo, de 1,8%. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deve ter queda de 8,2% em 2014.

No primeiro ano do seu governo, em 2011, a presidente Dilma Rousseff conseguiu um crescimento de 2,7% e, no segundo, de apenas 0,9%. Em 2013, a economia teve uma alta de 2,3%.

Dólar – O BC também elevou para 3,15 reais a taxa de câmbio usada como parâmetro para as projeções de inflação no RTI. O BC levou em consideração a data de 13 de março como corte para confeccionar o documento. O valor é maior que os 2,85 reais da última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e que causou surpresa pela distância em relação do valor do dólar negociado no dia do encontro da diretoria colegiada, de 2,9790 reais. No Relatório Trimestral de Inflação de dezembro, a cotação usada pelo BC era de 2,55 reais.

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