Audiência na Câmara discutiu possibilidade de regras para baixar juros dos cartões de crédito

anco Central quer regular cartões de crédito

Audiência pública na Cãmara discutiu possibilidade de criação de normas para baixar os juros das operações, que até mesmo os banqueiros consideram altos
 
Por Eduardo Militão – congressoemfoco.com.br

Os juros de 10% ao mês dos cartões de crédito até constrangem os banqueiros, mas a redução das taxas não está nos planos deles. Representantes dos bancos e das administradoras de cartões afirmaram, nesta quarta-feira (31) na Câmara, que as taxas cobradas servem para “equilibrar” o sistema e que as margens de lucro das instituições financeiras se assemelham às dos demais países.

O Banco Central quer regulamentar o setor para aumentar a concorrência e diminuir a lucratividade do ramo. Uma das ideias pensadas é obrigar o uso de uma única máquina leitora de cartões de diversas bandeiras, o que diminuiria o custo para lojas e outros serviços. Ao mesmo tempo, as financeiras propõem uma autorregulação.
 
O vice-presidente de cartões do Itaú Unibanco, Márcio Schettini, diz que ninguém quer cobrar 10% dos clientes, mas apenas 1%. “Vocês se sentem confortáveis por cobrar 10%? Ninguém se sente confortável; nós queríamos cobrar 1%”, garantiu ele.

Os representantes das administrações chegaram a fazer uma declaração inusitada: disseram depender dos maus clientes, que atrasam seus pagamentos. Segundo eles, no Brasil, quem paga a fatura em dia não paga nenhum juro. Assim, os cerca de 20% que atrasam os pagamentos ficam responsáveis por custear toda a operação da clientela inteira.

Os deputados questionaram os executivos. O presidente da Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marco Ubiali, lembrou que, mesmo quando o cliente paga em dia, 40 dias depois, o lojista só é reembolsado pelo banco nesse prazo. “Essa conta aí do senhor não bate, no meu entendimento”, duvidou.

O deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) solicitou à Mesa a criação de uma CPI do Cartão de Crédito. “As taxas são extremamente altas”, reclamou. Para o deputado, as administradoras têm interesse em que o cliente atrase os pagamentos para faturarem mais. Schettini e o presidente do Banco Credicard, Leonel Andrade, negaram a tese.

Dados do Banco Central referentes a 2009, lidos por Bacelar, dão ideia do peso dos juros dos cartões na economia:

Tipos de financiamento
Cartão de crédito   –   238% ao ano
Cheque especial   –   159% ao ano
Empréstimo pessoal   –   35% ao ano
Financiamento de veículos   –   16,9% ao ano

Leonel Andrade, da Credicard, e Schettini afirmaram que os bancos sempre têm que pagar antes de receber dos lojistas, em média 12 ou 13 dias. E que, por isso, assumem uma despesa que é cobrada apenas daqueles que atrasam as faturas.

O presidente da Cielo – empresa que credencia lojistas a usarem a bandeira Visa e está em negociação com a a Mastercard – disse que autorregulação do setor vai aumentar a concorrência entre as empresas. Rômulo Dias anunciou que, a partir de 1º de julho, as máquinas de ler cartões estarão habilitadas para receberem todas as bandeiras. “Isso vai acirrar a concorrência. Pode parecer balela, mas vocês vão ver de fato”, prometeu.

A medida vai reduzir os custos dos lojistas ao permitir que ele use uma única máquina. Segundo Schiettini, o consumidor poderá ser beneficiado com a nova margem de lucro do lojista. Rômulo Dias é mais cético: o aluguel de cada equipamento é de cerca de R$ 60, o que pouco vai impactar na vida do cliente.

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