As rosas não falam, mas as urnas sim!

Por Claudio Schamis
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Passado o dia 5 de Outubro o que podemos tirar de aprendizado? Muita coisa. E a principal delas é que não aprendemos absolutamente nada com a gestão que está prestes a entregar suas cadeiras.

Como podemos dizer que aprendemos alguma coisa se estamos indo para um segundo turno para só então elegermos o nosso presidente? Será que a foto do Brasil em 5 de Outubro não foi forte o suficiente para fazer o tal do gigante acordar? Será que a Educação, a Saúde, a economia e todo o resto não produziram nada que faça com que as pessoas enxerguem o óbvio?

E o óbvio é: temos que dar uma chance para a mudança. Mas não é bem assim que as pessoas pensam.

Tanto é verdade que temos um (o único) Paulo Maluf recebendo mais de 345 mil votos. E quando temos Clarissa Garotinho sendo a segunda deputada federal mais votada no Rio de Janeiro sendo ela filha de quem é. E quando o filho de Renan Calheiros, o Renan Filho é eleito governador de Alagoas. Sem falar no Tiririca recebendo mais de 1 milhão de votos e o Pastor Marco Feliciano com quase 400 mil , mesmo ele tendo se destacado no noticiário político com suas ideias homofóbicas. E o Collor? Senador de novo com quase 700 mil votos.

Sinceramente? Poxa, que coisa né? Para não falar outra coisa.

Na verdade as eleições deveriam servir para que fizéssemos aquela faxina. Tipo barba cabelo e bigode. Mas nem todos acham que o bigode dever ser mexido, outros acham que o corte de cabelo está bom do que jeito que está. Burrice. Pura burrice.

Político deveria ter vida útil. Deveria vir com selo de Ficha Limpa e data de validade. Acabou a validade vai dar palestra, vai sei lá o que.

Eleição chama renovação poeticamente falando.

Mas a banda não toca assim. Enquanto isso não for revisto será assim. Para desespero de muitos e alegria de muitos também.

E se o número de desesperados não aumentar, não vai ter jeito. Vamos ver ainda durante muitos anos e eleições os políticos fincarem suas âncoras e de lá não mais saírem até que um escândalo talvez o tire de lá, isso se antes o cabra não renunciar para poder passado um tempo voltar com a ficha suja e a cara de pau mais limpa de Brasília e perguntando o que ele pode ter perdido nesse ínterim. Não se preocupem eles sempre voltam.

Mas para não ser taxado de radical demais, podemos apontar como sendo talvez um primeiro passo a voz das urnas que falou um “basta”, um “ninguém dessa gente presta”, pois o número de votos brancos e nulos e de abstenções foi consideravelmente alto dizendo o que reflete que parte do eleitorado mandou seu recado. Ele ainda não foi totalmente ouvido em Brasília, mas foi dado.

Enquanto o resultado do segundo turno não chega…

Uma coisa é nítida. O mercado gostou de ter ido para o segundo turno. Fechado o resultado o mercado reagiu bem. A bolsa subiu e o dólar baixou.

Se isso será uma tendência só o dia-a-dia do segundo turno e das pesquisas Ibope e Datafolha é que dirão.

Eu pessoalmente não acredito em coincidência. Quem viver verá!

Paralelo a isso é engraçado ver que um dia depois das trocas de farpas, dedos na cara durante todo o primeiro turno, os derrotados e vitoriosos começam a conversar sobre possíveis apoios entre eles. Bem-vindo ao mundo da política onde hoje você é um patife, mas amanhã você pode virar meu melhor amigo e vir tomar um café da manhã aqui em casa. Tipo Garotinho agora vai apoiar o Crivella na corrida para governador no Rio de Janeiro.

Mas não pensem que a troca de farpas vai diminuir. Muito pelo contrário. Ela será até mais intensa ainda. A começar pela declaração do ministro Guido Mantega que a pedido da presidente Dilma faltou à reunião do FMI nos Estados Unidos para começar a atacar o PSDB dizendo que se Aécio ganhar isso trará desemprego, recessão e cortes de programas sociais. É a política do medo. E vai ter um bando de gente que vai acreditar. Principalmente os menos abastados que tem carteira assinada e recebem o Bolsa Família ou estão inscritos no Minha Casa Minha Vida. Política de guerra.

PT saudações… Será?

Contabilizados todos os votos uma certeza. O PT perdeu força. Pelo menos nos redutos que eles achavam que tinham. Em São Paulo não há deputados federais

do PT entre os mais votados, o governador eleito foi do PSDB assim como o senador. E em Pernambuco terra de Lula o PT perdeu a eleição para o governo e o senado. E com certeza nunca antes na história eles poderiam sequer imaginar isso. Não o PT de Lula.

Tudo bem que isso ainda não é motivo de comemorarmos a derrocada do PT oficialmente depois de doze anos no governo, mas é um alento. É aquele respiro do peixe fora da água em busca de ar. Mas não é ainda o fim. Até porque em Minas Aécio foi derrotado por Dilma.

Mas o fato é que se Dilma não se cuidar, não vai ter Lula que possa dar jeito para conseguir levar a reeleição de sua pupila.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambientes fechados.

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