As diferenças entre o aborto e o casamento gay

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timthA legalização do casamento entre homossexuais nos EUA é um exemplo poderoso de um tema dominante na história americana: com o tempo, direitos civis se expandem, e a discriminação diminui. Em questões básicas, como quem pode votar, quem pode trabalhar, quem pode ocupar cargos públicos e quem pode se casar – o país tende a se mover em uma mesma direção liberal.

Como resultado, é possível dividir as principais questões na vida política americana em duas grandes categorias: questões baseados nos direitos, que evoluem de forma previsível, e questões como o aborto, o controle de armas e a mudança climática, nas quais há muito menos clareza sobre a direção da opinião pública.

O sucesso do movimento a favor da igualdade do casamento aconteceu com velocidade impressionante. Em 1996, apenas 27% dos americanos apoiavam o casamento homossexual. O sucesso da rápida mudança depende da habilidade e compromisso dos defensores de levantarem a questão. O padrão sobre os direitos gays se assemelha à visão das pessoas quanto às questões raciais, de gênero e de discriminação religiosa. Antigamente, era amplamente aceito que judeus e irlandeses não podiam assumir certos postos de trabalho; que as mulheres não deveriam votar; que os negros não poderiam socializar ou se casar com brancos.

Em cada um desses casos, ativistas e seus aliados defenderam a igualdade de tratamento e, eventualmente, tanto o público como a lei veio a concordar que os ideais americanos foram violados. O Supremo Tribunal de Justiça é de fato influenciado pela opinião pública, dizem os pesquisadores acadêmicos.

A segunda categoria de questões importantes é diferente. Nela, ambos os lados do debate são capazes de ter um argumento baseado em direitos. Pessoas que são a favor do direito ao aborto podem apontar para o direito da mulher de controlar seu corpo; pessoas que se opõem ao aborto podem apontar para o direito do feto de viver. As pessoas que são a favor das armas podem apontar para o direito do proprietário de portar armas; pessoas que são a favor de restrições podem apontar para o direito americano de não morrer e não ser ferido pela violência armada.

É verdade que os oponentes do casamento do mesmo sexo têm tentado argumentar com base em direitos – assim como os oponentes do casamento inter-racial tentaram fazer nas décadas passadas. Mas esses argumentos não tem qualquer evidência. No entanto, no caso do aborto, cada lado pode fundamentar a sua argumentação em direitos civis. Ou o governo deve negar a uma mulher a capacidade de controlar seu corpo ou deve negar uma vida ao feto. Os dois lados no debate acreditam que cada uma dessas recusas oprime totalmente o outro. Mas, é possível que um dos dois argumentos acabe prevalecendo.

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