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As amarras por trás do silêncio do Brasil

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oioiO Brasil, líder regional, tem se mantido em silêncio diante da crise na Venezuela. A presidente Dilma Rousseff fez poucos comentários públicos sobre o país vizinho até agora, e o Ministério das Relações Exteriores limitou-se a reafirmar sua solidariedade com o governo de Nicolás Maduro. Não é à toa. Embora devesse assumir uma postura mais clara e dura, o Brasil tem seus motivos para adotar uma postura discreta em relação à Venezuela .

A Venezuela é um dos principais parceiros comerciais do Brasil. A escassez de produtos básicos na Venezuela significa que o país precisa importar cada vez mais bens manufaturados e agrícolas brasileiros.

Uma  intervenção diplomática, se percebida negativamente pelo governo Maduro, poderia romper o comércio bilateral e remover uma importante fonte de renda para os exportadores brasileiros.

Também poderia tornar mais difícil para as empresas brasileiras receber pagamentos da Venezuela. Em março, o jornal Valor Econômico estimou que a Venezuela deve a empresas brasileiras um total de  US $ 2,5 bilhões.

Já é difícil o suficiente extrair pagamentos da Venezuela devido ao seu complicado sistema cambial. Uma ruptura nas relações diplomáticas poderia impossibilitar a quitação de dívidas.

Além disso, o atual governo brasileiro de esquerda mantém certas afinidades ideológicas com a Venezuela, e Dilma não ousaria contrariar sua base de apoio esquerdista  criticando publicamente o governo de Maduro, tendo em vista que ela está mesmo é de olho na reeleição.

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