Armínio Fraga critica “excesso de confiança” no Brasil

Fonte: cartamaior.com.br

O ex-presidente do Banco Central, no governo FHC, usou um discurso peculiar em um encontro da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, destinado a atrair investimentos para o país. Fraga criticou o que chamou de “excesso de confiança” na economia brasileira e disse que a infraestrutura do país está em “péssima forma”. “Não é muito saudável perseverar nesse excesso de confiança. Essa percepção não é boa para nós”, disse Fraga, que antes de se tornar presidente do BC, gerenciou o dinheiro do investidor bilionário George Soros.

O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, considera ruim o “excesso de confiança” de investidores internacionais na economia brasileira. Em recente participação numa conferência organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Nova York, Fraga disse que essa percepção “não é boa para nós”. O atual presidente do Conselho de Administração da BMF&Bovespa S/A não especificou quem seriam o “nós” exatamente e acrescentou: “Não é muito saudável perseverar nesse excesso de confiança!”.

Em tese, Armínio Fraga estava falando numa reunião destinada a atrair investimentos para o Brasil. Mas, além de advertir para o “excesso de confiança”, o ex-presidente do BC, no governo FHC, também criticou o que chamou de “péssimo estado” de infraestrutura brasileira. A agência Bloomberg registrou essa peculiar forma de atrair investimentos para o Brasil. Reproduzimos o artigo a seguir:

A Infraestrutura do Brasil está em “péssima forma”, diz Fraga

Por Verônica Navarro Espinosa

FEV. 4 (Bloomberg) – A infraestrutura do Brasil está em “péssima forma” e o país não está poupando e investindo o suficiente, refreando assim o crescimento da maior economia da América Latina, disse o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

Fraga, que atualmente é o presidente do Conselho de Administração da BMF&Bovespa S/A, disse que está preocupado com que os investidores estrangeiros “pensem que o Brasil é perfeito”, o que pode criar uma super confiança no país.

Essa percepção “não é boa para nós”, disse Fraga, 52, numa conferência organizada pela Câmara de Comércio Brasil-EUA em Nova York. “Definitivamente não estamos nem perto disso [da perfeição]. Não é muito saudável perseverar nesse excesso de confiança.”

O vencedor do prêmio Nobel de economia, Paul Krugman disse, em dezembro, que os investidores estavam “amando” muito o Brasil e que ele estava pensando em negociar alguns de seus investimentos no país para que seus preços sejam supervalorizados. As ações e a moeda brasileira despencaram neste ano, depois de a economia do país ter emergido como a maior economia da América Latina recuperada de sua primeira recessão, desde 2003.

O índice Bovespa caiu 6.8% em 2010, depois de subir 83% no ano passado. O Real, que em 2009 valorizou 33% a mais que o dólar e tornou-se o melhor performer das 16 maiores transações em moeda, teve uma queda de 7.1% neste ano.

“Barreiras para o Crescimento”

A economia tem o potencial de crescer mais do 7% ao ano “se forem feitas algumas coisas”, disse Fraga, que gerenciou o dinheiro do investidor bilionário George Soros antes de se tornar presidente do Banco Central. O maior crescimento anual que o Brasil teve nessa década foi de 6.1%, em 2007. Os economistas prevêem uma expansão de 4.75% para este ano, depois do crescimento de 0.15% em 2009, de acordo com as estimativas médias das análises da Bloomberg.

“Ainda temos graves barreiras para o crescimento”, disse Fraga. “Eu tenho uma preocupação particular com infraestrutura, que está em péssima forma. Não temos dado conta das novas demandas, nem mesmo da manutenção da atual”

Os projetos da infraestrutura brasileira podem demandar algo em torno de 160 bilhões de reais (85 bilhões de dólares), a serem financiados na próxima década, à medida que o país expande o transporte e estimula a produção de energia, disse Ricardo Flores, vice-presidente para crédito e governo do Banco do Brasil S/A, em 01 fevereiro, numa entrevista em São Paulo.

Os projetos de infraestrutura estão atraindo investidores enquanto o país se prepara para a Copa do Mundo em 2014 e para as Olimpíadas, em 2016, disse Flores. A descoberta de petróleo na camada Pré-Sal e o programa governamental de expansão da moradia também ajudarão no gasto com infraestrutura, disse ele.

Segundo as estimativas do Banco do Brasil, que é o maior banco latino-americano, os projetos relacionados com a Copa do Mundo demandarão 99 bilhões de reais em financiamento. Desses, 4.6 bilhões vão para a construção de estádios, 86 bilhões para metrôs, 8 bilhões para rodovias e 400 milhões para o setor de hospitalidade.

Dilma Rousseff, Chefe da Casa Civil do Brasil, disse em 13 de janeiro que o país gastará 19.5 bilhões de reais para melhorar a infraestrutura e preparar-se para a Copa do Mundo.

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