Brasil  

Antonio Carlos Espinosa x Folha de São no caso que envolve o nome da Ministra Dilma Roussef na suposta tentativa de sequestrar Delfim Neto

Amigas e amigos,
Na edição de hoje, domingo, 12, o ombudsman da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva admitiu que a pressão feita por centenas de blogs e listas pela Internet era justa e verdadeira. Informa que solicitou à Redação que publicasse a íntegra da entrevista concedida por mim, mas que este ENTE abstrato e poderoso recusou-se. Ou seja, a própria Folha está DESMORALIZANDO a instituição do Ombudsman.
Para que você tenha conhecimento completo do caso, seguem abaixo meus e-mails e algumas respostas do ombudsman.
Faço questão de reiterar que, quando falo da Folha, trato do jornal, ou seja, da sua direção, o que não inclui, evidentemente seus jornalistas (que são assalariados) e os colunistas e articulistas (que fazem um trabalho respeitado por muita gente).
Aproveito a oportunidade para autorizar todos os blogs, sites, jornais, emissoras de TV e outros interessados a divulgar os meus textos. Volto a pedir aos companheiros que concordarem que enviem cópias ao maior número de pessoas e órgãos de comunicação.
Agradeço a cada um e informo que precisamos manter a unidade contra o golpe contra a opinião pública e a ordem democrática que está sendo urdido em nome da credibilidade jornalística.
Espinosa
Prezado jornalista Carlos Eduardo Lins e Silva,
Volto a me dirigir a V.Sa. com o objetivo de que aborde, em sua próxima coluna, de forma definitiva e final a matéria “Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Netto”, publicada com raro estardalhaço na edição de domingo, 5/4/2009, com chamada de capa no canto superior esquerdo e duas páginas de miolo (págs. A 8 e A 10). Não é sempre que a Folha acredita tanto numa reportagem. Poucas matérias em sua história causaram tanto embaraço a um Ministro de Estado (no caso Dilma Rousseff) e a uma fonte da reportagem (no caso eu, a única fonte da matéria). E também, creio, raras vezes o resultado da edição de uma reportagem distanciou-se tanto de uma longa entrevista de mais de três horas! Na quarta-feira, 8/4, depois de quatro dias (desde o próprio domingo, 5) de infrutífera luta para restabelecer a verdade dos fatos (com cartas ao Painel do Leitor e ativação de uma formidável rede de amigos e outros meios de comunicação pela Internet), o jornal se dignou a publicar (com o arrogante atraso de 48 horas) a segunda das cartas que escrevi, o que, nem de longe, foi suficiente para reparar os danos morais e à verdade dos fatos.
De qualquer forma, da publicação da carta brotou um fato positivo: em sua resposta, a repórter afirmou que a Folha dispõe da gravação completa da entrevista. Embora eu não tenha sido avisado de que nossa conversa seria gravada, como manda a boa prática, acho positivo o fato de que a empresa, portanto, está em condições de responder a um de meus desafios: a publicação da entrevista na íntegra, para que o próprio leitor compare o que foi efetivamente dito com o que foi publicado.
Advirto-o preliminarmente que não me anima qualquer projeto político, pois jamais fui inscrito no PT, não tenho qualquer filiação partidária e nunca me associei a campanhas eleitorais de Dilma, de seu ex-marido e meu amigo do passado Carlos Araújo ou do Partido dos Trabalhadores ou do Partido Democrático Trabalhista. Eu e ela fomos companheiros de militância contra a ditadura há 40 anos atrás e a isso e à memória daquela época limitam-se nossos compromissos.
Logo no domingo, também ficou evidente que a Folha preparava uma bateria de matérias e artigos para os dias seguintes, com a intenção de armar um escândalo, mas, súbita e inexplicavelmente, calou-se. Nenhuma outra matéria ou artigo foi publicado sobre o suposto seqüestro. Hoje é difícil encontrar vestígios da urdidura até no blog de seu virtual principal articulador, o jornalista Josias de Souza, que no próprio domingo divulgou uma outra versão, mas em linguagem mais popularesca e agressiva, da mesma matéria em seu blog, que sintomática e imediatamente foi reproduzida em todos os blogs da direita mais sintomática e imediatamente foi reproduzida em todos os blogs da direita mais reacionária de nosso país. Lamentavelmente, como o Big Brother de George Orwell, a Folha tentou duas vezes refazer a história: 1ª) Envolvendo a ministra Dilma nas ações armadas da VAR-Palmares; 2ª) Depois de desmascarada, a Folha hoje  tenta apagar os vestígios da própria armação. Apesar da tentativa oportunista da Folha e de Josias, de saírem de fininho, apagando arquivos e dificultando o acesso, os sites dos apoiadores da ditadura militar e defensores da tortura continuam a exibir a matéria assinada pelo editor da Folha.
Como perguntar não ofende, indago: foi este editor que pautou a entrevista, orientou e copidescou a matéria da repórter Fernanda Odilla? Como a Folha chegou à chamada de capa que garantia que “Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim”? Qual a intenção oculta ao utilizar a palavra “grupo”? Haveria nisso a intenção de denotar “bando”, “gangue” ou “quadrilha”? Quem fez o título? Quem o aprovou?
Sou assinante da Folha há pelo menos umas três décadas devido sobretudo à qualidade (apesar das divergências pontuais) de seus articulistas (dentre eles Clóvis Rossi, Eliane Catanhêde, Fernando Barros e Silva, Jânio de Freitas, Gilberto Dimenstein e Élio Gaspari). Concedendo a V.Sa. um crédito especial de confiança, resolvi aguardar até o próximo domingo, 12/4/2009, para ler a sua coluna e definir se cancelarei ou não minha assinatura,se darei ou não continuidade à luta para restabelecer a verdade acerca dos fatos narrados e as formas dessa luta.
Já lhe enviei as cartas que escrevi (a primeira delas, mais circunstanciada, no próprio domingo da matéria infamante, a segunda, na segunda-feira, 6/4/2009, após penosa “negociação” com o editor do Painel do Leitor) e a sequência de e-mails trocados com o senhor Luis Antonio Del Tedesco. As repercussões do caso estão fartamente documentadas em centenas de blogs. Cito como exemplos Carta Maior e os blogs de Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif e Zé Dirceu. Se quiser restabelecer um histórico completo, basta acessá-los. Estou dispensado, portanto, de reproduzir a sucessão de eventos da luta até a publicação da carta.
Preocupa-me a possibilidade de V.Sa.   omitir-se sobre a maior “barriga” recente do jornalismo brasileiro. Este procedimento, sim, seria escandaloso e desacreditaria a própria instituição do ombudsman que, ao invés de porta-voz do leitor, agiria como a própria voz do empreendedor, o dono. Preocupa-me também a possibilidade, comum nas organizações burocráticas mais reacionárias, de buscar um bode expiatório, no caso a jovem repórter, que, como jornalistas, sabemos que foi pautada, orientada e instigada a fazer e distorcer a entrevista e, ainda assim, não é a responsável pelos títulos e textos finais.
Nesses dois dias em que prepara a sua coluna, V.Sa. está na posição do magistrado que terá que decidir entre os interesses de um poderoso império econômico e de comunicações, do qual é assalariado,  e a sua própria consciência de democrata e jornalista profissional. Humildemente incluo-me como elemento da parte menor, o indivíduo ultrajado. De um lado, um aparato de informação-desinformação que chafurda na senilidade de sua burocracia interna   (reportagens por telefone, editorias que não dispõem de programas adequados e do Windows Vista, que publicam cartas apócrifas difamatórias contra ministros, blogueiros que incluem e retiram matérias do ar) , nas intrigas e lutas pelo poder interno entre editores, no uso de jovens repórteres inexperientes e no reacionarismo de um grupo (este sim, assumidamente, um grupo, embora comercial e editorial) que deixou sólidas pegadas no passado, no Brasil dos porões e da tortura. De outro, dois indivíduos, o senhor e eu, um com a possibilidade de redimir as injustiças do império do qual é assalariado, o outro, como o indivíduo clássico em cuja defesa se erguem as estruturas jurídicas clássicas do constitucionalismo. Eu ou a Folha mentimos e um de nós procura manipular a opinião pública. Neste momento, cabe-lhe decidir. Mas, no momento seguinte, quem decidirá é a consciência cívica nacional. A opinião pública certamente se esquecerá de mim, que fui ungido circunstancialmente ao centro do debate, mas continuará vigilante em relação à Folha de S.Paulo e crítica da sua credibilidade para informar. Por incrível que pareça, da sua decisão, a ser tomada amanhã, e da minha de depois de amanhã, de cancelar ou não minha assinatura, depende não apenas a forma como a Folha se livrará do imbróglio em que se envolveu com as próprias mãos e pernas, mas determinará o próprio futuro daquele que se intitula o maior jornal do Brasil.
Adianto-lhe que, por ora, não alimento a intenção de recorrer à Justiça Criminal e Civil e, menos ainda, de buscar fundamento na Lei 5.250, a famigerada lei de imprensa. Como jornalista, diversas vezes, ao longo da vida, fui vítima de processos da parte de pessoas que se socorriam dessa lei com o objetivo de me calar ou enriquecer. Lamentavelmente fui condenado pela Lei de Imprensa inclusive a pagar indenizações milionárias. Não gostaria de me valer desse restolho da ditadura justamente numa fase em que ela está para ser removido. Acredito, contudo, que a honra ofendida deve ser reparada. Caso V.Sa. me indagasse o que a Folha deveria afinal fazer para que eu sinta a minha dor de parte ofendida amenizada, já que repará-la completamente é impossível, eu lhe responderia com duas providências:
1ª) Um pedido de desculpas formal e explícito, à ministra Dilma, por ter sido alvo de uma chicana jornalista, e a mim, pelo fato de minhas declarações à repórter terem sido distorcidas de forma criminosa. Esse pedido de desculpas deve ser publicado em destaque, na primeira página do jornal, ao lado do anúncio das medidas corretivas a serem adotadas, para que fatos semelhantes não voltem a ocorrer;
2ª) A publicação, no outro domingo, 19/4/2009, da íntegra da entrevista concedida por mim à repórter Odilla, bem como dos e-mails trocados entre eu e ela e entre eu e o editor do Painel, Sr. Del Tedesco, em no mínimo duas páginas de miolo, com chamada de capa no canto superior esquerdo da capa.
Mesmo com essa providência, continuarei  ferido, porque os sangramentos morais são os que mais demoram a estancar, se houver cicatrização possível. Mas como o feito está feito, não tem como ser remediado e a vida precisa seguir em frente, as providências acima com certeza me levariam a interromper a campanha que estou movendo contra a Folha, com a colaboração inestimável e extremamente eficaz de milhares de amigos e centenas de blogs e sites. Acredito que V.Sa. é a única pessoa em condições de sugerir isso à Folha e que sua sugestão, apesar dos riscos pessoais, será mais eficaz se publicada na sua coluna deste domingo.
Aproveito a oportunidade para agradecer e enviar-lhe minhas mais
Cordiais Saudações
Antonio Roberto Espinosa – RG 3.995.925-9
Rua General Bittencout, 323, Osasco/Centro, CEP 06016-045.

De:    “robertoespinosa” robertoespinosa@terra.com.br
Para:    “ombudsma” ombudsma@uol.com.br
Cópia:
Data:    Thu, 9 Apr 2009 17:09:33 -0300
Assunto:    Re: Re:ENC: Re:RES: Re:RES: Dilma planejou sequestro de Delfim
Caro jornalista Carlos Eduardo Lins e Silva,

Agradeço pela atenção e por estar acompanhando os equívocos dos editores da Folha no caso Dilma X Delfim, uma vez que acredito que a jovem repórter foi induzida a erro e a travessuras por chefes apressados, arrogantes e arbitrários de reportagem. Só lhe escrevo agora devido ao apagão do speedy, sobre o qual, aliás, não vi matéria na Folha.
Tenho a certeza de que o senhor, na edição deste domingo, dará uma bela lição de reportagem aos que se acham fazedores-e-desfazedores de reis e se comportam como tais, ignorantes de que a função do bom jornalismo não é substituir e manobrar a opinião pública.
Espero escrever-lhe um outro e-mail, no máximo até amanhã, para contribuir com sua missão pedagógica, não apenas para a própria Folha, mas para o conjunto da imprensa e também para a consciência democrática da nossa nação.

Atenciosamente. Antonio Roberto Espinosa

De:    “ombudsman” ombudsma@uol.com.br
Para:    “robertoespinosa” robertoespinosa@terra.com.br
Cópia:
Data:    Tue, 7 Apr 2009 16:51:50 -0300
Assunto:    Re: Re:ENC: Re:RES: Re:RES: Dilma planejou sequestro de Delfim
Caro Sr. Espinosa:

Obrigado por me manter informado.
Um abraço,
Carlos Eduardo Lins da Silva
Ombudsman – Folha de S.Paulo
Al. Barão de Limeira, 425 – 8o. andar
01202-900 – São Paulo – SP
Telefone: 0800 0159000
Fax: (11) 3224-3895
ombudsma@uol.com.br
http://www.folha.com.br/ombudsman/

—– Original Message —–
From: robertoespinosa
To: leitor
Cc: ombudsman ; crossi ; elianec
Sent: Tuesday, April 07, 2009 9:54 AM
Subject: Re:ENC: Re:RES: Re:RES: Dilma planejou sequestro de Delfim
Caro senhor Tedesco,

A cada momento fica mais claro que a Folha não tem compromisso com a verdade, mas se guia pela intenção de fabricar a verdade. A sua verdade, ou seja, a versão da ditadura (ou ditabranda, como ela gosta de  intitular o regime de terror que apoiou). Age sem respeito aos leitores e fontes, inventando, maculando, praticando arbitrariedades. Publica somente as cartas que lhe convêm. E, quando não as tem, inventa! Não checa a origem das correspondências recebidas e não respeita compromissos de honra. Ou seja, não tem palavra e carece de seriedade.
Em relação ao “caso Dilma”, na segunda-feira, 6, não publicou a minha carta, ou seja, a versão da única fonte da matéria de capa da véspera, sob a desculpa esfarrapada de que teria chegado após o fechamento, como se as razões burocráticas fossem superiores à importância e verdade dos fatos. Mas publicou uma carta apócrifa, de uma pessoa que dizia que não deixaria seu filho casar-se com uma ex-guerrilheira. E confessa isso covardemente, escondidinho, na seção erramos de hoje (6/4), onde está dito que a carta assinada por um tal de Raul Guilherme do Norte Lourenço, na verdade, foi escrita e remetida por um tal de Luis Felipe de Araújo Sousa.
Então a criteriosa e burocrática Folha não checa as cartas que recebe e publica qualquer coisa que confirme sua linha editorial? E quem garante que esse Luis F. A. Sousa existe? Não será mais uma invenção da redação?
Eu já lhes enviei duas cartas. A segunda, de ontem, me foi solicitada pelo senhor às 17h13. Se tinha tanta urgência de fechar a seção, por que não entrou em contato antes? Apesar disso, enviei a carta na hora que combinamos. O senhor se recorda que me ligou cinco vezes? Recorda que lhe informei que o texto estava com 2.300 caracteres e o senhor me disse que não havia problema? Recorda que é o seu computador que não abre arquivos em doc.x e, por isso, me pediu para enviar novamente. Por esse motivo o texto chegou cinco minutos depois.
Ora, sejamos francos ao menos uma vez: a Folha decidiu não publicar a carta não pelos motivos burocráticos alegados, mas pelo seu conteúdo. Não publicou porque quer ter o monopólio da verdade e manipular seus leitores, sem ética e sem princípios.
É irônico e ofensivo que o senhor me peça hoje uma terceira carta. Não sou empregado da Folha e não tenho salário dela para trabalhar diariamente em cartas que não serão
publicadas. No passado seu jornal divulgava propaganda dizendo que teria o rabo preso com o leitor. Com o leitor, está provado, não tem, mas que tem rabo lá isso tem. E é bem longo, a ponto de chegar aos porões sombrios da década de 70.
Já lhe enviei duas cartas. Não escreverei uma terceira. Ponha as desculpas burocráticas de lado, pelo menos uma vez na vida, e escolha uma delas. Ou publique as duas, o que seria muito mais honesto. Além disso, fale com seus chefetes e peça a eles que aceitem o desafio que lhes fiz de publicar a íntegra da entrevista concedida à repórter Fernanda Odilla, ou me garantam um espaço equivalente às duas páginas, com chamada de capa, em que publicaram suas imundícies de domingo.
Áh! Estou enviando cópia desta também ao ombudsman (e a outros articulistas), para checar se ele também vai colocar panos quentes em cima da barbaridade praticada por este periódico contra uma ministra de Estado e a história de nosso país.

Até logo. Antonio Roberto Espinosa (RG 3.995.925-9).
PS: Por favor, telefone, mande telegrama, ou seja, cheque, confirme, para ter certeza que o autor desta é mesmo a pessoa que a assina!

De:    “Painel do Leitor” leitor@grupofolha.com.br
Para:    “robertoespinosa@terra.com.br” robertoespinosa@terra.com.br
Cópia:
Data:    Tue, 7 Apr 2009 00:06:40 -0300
Assunto:    ENC: Re:RES: Re:RES: Dilma planejou sequestro de Delfim
Caro senhor Espinosa
Caro senhor Espinosa

Como eu já havia comunicado ao senhor antes, a Folha tem todo o interesse em publicar a sua manifestação no Painel do Leitor.
Mas nós havíamos combinado um tamanho (2.000 toques) e um horário (19h30), e a sua carta veio às 20h19 com 2.500 toques.
Além disso, o senhor cita um fato (não termos publicado sua carta na segunda-feira) para o qual já lhe dei a explicação (o jornal fecha às 20h; a sua carta chegou aqui às 21h58 _saiu de seu e-mail às 21h41). Isso não irá ajudar em nada o entendimento do leitor sobre o assunto, porque eu seria obrigado a fazer uma resposta para essa questão.
Continuo aguardando a sua carta, no tamanho e horário acordados, lembrando que não publicamos cartas que já são de conhecimento público ou da imprensa.

Atenciosamente

Tedesco
Painel do Leitor

ps: se o senhor quiser falar comigo, meu telefone é 3224-3722; eu chego ao jornal por volta de 14h

De: robertoespinosa [robertoespinosa@terra.com.br]
Enviado: segunda-feira, 6 de abril de 2009 20:19
Para: Painel do Leitor
Assunto: Re:RES: Re:RES: Dilma planejou sequestro de Delfim
Caro jornalista Tedesco,
Segue a carta, em espaço exíguo e escrita às pressas. Por isso, cobro a promessa de publicação na íntegra e o compromisso de uma matéria de 4.500 caracteres para quarta ou quinta. Aguardo sua informação.
Espinosa

Em respeito à inteligência dos leitores, e para amenizar os danos à imagem e à honra da ministra Dilma Roussef, aceitei a proposta do editor do Painel do Leitor para escrever uma nova carta, num espaço exíguo e em pouco mais de uma hora, mas sob o compromisso de publicação na íntegra.
Segundo seu editor, o Painel só publica cartas inéditas e a que enviei, ainda no domingo, mas não publicada na edição de ontem, como seria de esperar de um jornal sério, já repercutiu reproduzida em outros veículos de imprensa, cuja leitura recomendo, para sua boa informação. Para os leitores que tiverem interesse, dou três endereços como exemplo: www.paulohenriqueamorim.com.br/, HTTP://colunistas.br/luisnassif; e www.zedirceu.com.br.
Sob o título geral “Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Netto”, a Folha utilizou-se de uma entrevista por telefone a uma jovem repórter. Lamento que o maior jornal brasileiro use a fonoportagem, o lamentável e preguiçoso vício da “investigação” por telefone. Segundo os editores, o seqüestro de Delfim Netto em 1969 “chegou a ter data e local definidos”. A que hora e em que local, então, ocorreria? A Folha não informa. O mais grave: acusa a Ministra pela ação, lançando uma sórdida anticampanha contra sua virtual candidatura a Presidente. É possível que Dilma, pelas suas tarefas na organização, sequer tenha sido informada sobre o levantamento realizado. Entretanto, a edição oportunista transformou um não-fato do passado (o seqüestro que não houve) num factóide do presente (o início de uma sórdida campanha), que vai desacreditar ainda mais o jornal da ditabranda.
Esclareço que Dilma pertencia, sim, à VAR-Palmares, e era uma militante séria, corajosa e humana, mas que era uma militante somente com ação política, ou seja, sem envolvimento em empreendimentos armados. E digo isto com a autoridade de quem era o responsável pelo setor militar da organização, assumindo a responsabilidade política e moral pelas iniciativas da VAR-Palmares. Por isso, desafio a Folha a esclarecer todos os pontos nebulosos da matéria do domingo e a publicar a íntegra da entrevista, de mais de três horas, para que os leitores a comparem com a imundície publicada, que constitui um dos momentos mais tristes da liberdade de imprensa e uma vergonha para a imprensa brasileira.
Antonio Roberto Espinosa
Jornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de Abraços que sufocam – E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe.
De:    “Painel do Leitor” leitor@grupofolha.com.br

Para:    “robertoespinosa” robertoespinosa@terra.com.br
Cópia:
Data:    Mon, 6 Apr 2009 18:45:32 -0300
Assunto:    RES: Re:RES: Dilma planejou sequestro de Delfim
Sr Espinosa
Eu, em nome da Folha de S.Paulo, garanto a publicação na íntegra de uma carta sua com 2.000 caracteres _contando os espaços.
Não precisa falar do erro no seu nome (Spinoza) porque publicaremos já amanhã uma nota na seção  Erramos.
atenciosamente
Luiz Antonio Del Tedesco
Painel do Leitor

De: robertoespinosa [robertoespinosa@terra.com.br]
Enviado: segunda-feira, 6 de abril de 2009 18:29
Para: Painel do Leitor
Assunto: Re:RES: Dilma planejou sequestro de Delfim

Prezado jornalista Tedesco,

Agradeço a sua resposta, em que revelou o compromisso de publicar minha manifestação na edição de amanhã, terça-feira, 7.  Obrigado também pelo telefonema e a ampliação do espaço para 2.000 toques, bem como o compromisso explícito de públicar na íntegra, sem cortes ou edição, minha nova carta.
Isso implica a necessidade de cortar mais de 3/4 do texto original, o que não é tarefa fácil, pois o senhor só se comunicou comigo às 17h13, informando-me que meu prazo vai até as 19h30. Ou seja, tenho menos de 2 horas para produzir um texto de tal gravidade.
Vou estudar o texto original com a intenção de atender suas condições. Mas também indago o seguinte:
1) Há a possibilidade de a Folha publicar o texto já enviado na própria página 3, ao lado do “Painel”, talvez na seção “Tendências Debates”? Neste caso, o outro artigo, em resposta a minha carta,  até poderia ser assinado pela repórter responsável ou pelo editor de política;
2) Não sendo possível a primeira alternativa, é possível que o Painel do Leitor abra uma exceção, pois, como diz o ditado, a exceção é o coração da regra inteligente, publicando o texto enviado por mim ontem na íntegra? Afinal quem deixou de publicar o texto na edição de hoje (e perdeu a primazia e a oportunidade de exclusividade) foi a própria Folha; eu o enviei a tempo da publicação, mas o jornal preferiu publicar as manifestações de outros leitores quando me parece evidente que a única fonte para uma incriminação tão grave contra um ministro de Estado deveria ter prioridade;
3) Se nenhuma dessas alternativas for viável (o que seria lamentável, um desrespeito às fontes e à inteligência dos leitores), qual o espaço e o limite máximo de horário que o senhor me oferece para enviar um novo texto?
4) Face ao precedente da distorção de minha entrevista por um repórter do seu jornal, gostaria que o senhor assumisse o compromisso explícito de publicar a nova carta na íntegra, sem cortes ou ajustes, reservando-se a Folha o direito de resposta, evidentemente, mas na metade do espaço que eu tiver. O senhor tem autonomia para se comprometer com isso?
Aguardo sua resposta nos próximos minutos para produzir a nova carta.

Atenciosamente. Antonio Roberto Espinosa – RG 3.995.925-9

De:    “Painel do Leitor” leitor@grupofolha.com.br
Para:    “robertoespinosa” robertoespinosa@terra.com.br
Cópia:
Data:    Mon, 6 Apr 2009 17:13:12 -0300
Assunto:    RES: Dilma planejou sequestro de Delfim
Caro sr. Antonio Roberto Espinosa
Recebi o seu e-mail abaixo.
Queremos publicar a sua manifestação no Painel do Leitor, mas ela é muito grande para a seção, e no Painel do Leitor não publicamos manifestações que já são de conhecimento público ou da  imprensa.
O senhor poderia me mandar uma versão reduzida por favor?
Seria possível com no máximo 1.500 caracteres?

Atenciosamente
Luiz Antonio Del Tedesco
Painel do Leitor

De: robertoespinosa [robertoespinosa@terra.com.br]
Enviado: domingo, 5 de abril de 2009 21:41
Para: leitor; SAA – Serviço de Atendimento ao Assinante; Ombudsman Folha de S.Paulo
Cc: forum
Assunto: Dilma planejou sequestro de Delfim
Á coluna painel do leitor
Seguem cópias para o Ombudsman e para a redação. Vou enviar cópias também a toda a imprensa nacional. Peço que esta carta seja publicada na próxima edição. Segue abaixo:
Prezados senhores,
Chocado com a matéria publicada na edição de hoje (domingo, 5), páginas A8 a A10 deste jornal, a partir da chamada de capa “Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Neto”, e da repercussão da mesma nos blogs de vários de seus articulistas e no jornal Agora, do mesmo grupo, solicito a publicação desta carta na íntegra, sem edições ou cortes, na edição de amanhã, segunda-feira, 6 de abril, no “Painel do Leitor” (ou em espaço equivalente e com chamada de capa), para o restabelecimento da verdade, e sem prejuízo de outras medidas que vier a tomar. Esclareço preliminarmente que:
1)       Não conheço pessoalmente a repórter Fernanda Odilla, pois fui entrevistado por ela somente por telefone. A propósito, estranho que um jornal do porte da Folha publique matérias dessa relevância com base somente em “investigações” telefônicas;
2)        Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para que o leitor a compare com o conteúdo da matéria editada. Esclareço que concedi a entrevista porque defendo a transparência e a clareza histórica, inclusive com a abertura dos arquivos da ditadura. Já concedi dezenas de entrevistas semelhantes a historiadores, jornalistas, estudantes e simples curiosos, e estou sempre disponível a todos os interessados;
3)       Quem informou à Folha que o Superior Tribunal Militar (STM) guarda um precioso arquivo dos tempos da ditadura fui eu. A repórter, porém, não conseguiu acessar o arquivo, recorrendo novamente a mim, para que lhe fornecesse autorização pessoal por escrito, para investigar fatos relativos à minha participação na luta armada, não da ministra Dilma Rousseff. Posteriormente, por e-mail, fui novamente procurado pela repórter, que me enviou o croquis do trajeto para o sítio Gramadão, em Jundiaí, supostamente apreendido no aparelho em que eu residia, no bairro do Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro. Ela indagou se eu reconhecia o desenho como parte do levantamento para o seqüestro do então ministro da Fazenda Delfim Neto. Na oportunidade disse-lhe que era a primeira vez que via o croquis e, como jornalista que também sou, lhe sugeri que mostrasse o desenho ao próprio Delfim (co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditatorial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas).
Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra). A direção do jornal (ou a sua repórter, pouco importa) tomou como provas conclusivas somente o suposto croquis e a distorção grosseria de uma longa entrevista que concedi sobre a história da VAR-Palmares. Ou seja, praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos, entre os quais por dois meses na Última Hora, sob a direção de Samuel Wayner (demitido que fui pela intolerância do falecido Octávio Frias a pessoas com um passado político de lutas democráticas). A respeito da natureza tendenciosa da edição da referida matéria faço questão de esclarecer:
1)       A VAR-Palmares não era o “grupo da Dilma”, mas uma organização política de resistência à infame ditadura que se alastrava sobre nosso país, que só era branda para os que se beneficiavam dela. Em virtude de sua defesa da democracia, da igualdade social e do socialismo, teve dezenas de seus militantes covardemente assassinados nos porões do regime, como Chael Charles Shreier, Yara Iavelberg, Carlos Roberto Zanirato, João Domingues da Silva, Fernando Ruivo e Carlos Alberto Soares de Freitas. O mais importante, hoje, não é saber se a estratégia e as táticas da organização estavam corretas ou não, mas que ela integrava a ampla resistência contra um regime ilegítimo, instaurado pela força bruta de um golpe militar;
2)       Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares. O responsável nacional pelo setor militar da organização naquele período era eu, Antonio Roberto Espinosa. E assumo a responsabilidade moral e política por nossas iniciativas, denunciando como sórdidas as insinuações contra Dilma;
3)       Dilma sequer teria como conhecer a idéia da ação, a menos que fosse informada por mim, o que, se ocorreu, foi para o conjunto do Comando Nacional e em termos rápidos e vagos. Isto porque a VAR-Palmares era uma organização clandestina e se preocupava com a segurança de seus quadros e planos, sem contar que “informação política” é algo completamente distinto de “informação factual”. Jamais eu diria a qualquer pessoa, mesmo do comando nacional, algo tão ingênuo, inútil e contraproducente como “vamos seqüestrar o Delfim, você concorda?”. O que disse à repórter é que informei politicamente ao nacional, que ficava no Rio de Janeiro, que o Regional de São Paulo estava fazendo um levantamento de um quadro importante do governo, talvez para seqüestro e resgate de companheiros então em precárias condições de saúde e em risco de morte pelas torturados sofridas.  A esse propósito, convém lembrar que o próprio companheiro Carlos Marighela, comandante nacional da ALN, não ficou sabendo do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Por que, então, a Dilma deveria ser informada da ação contra o Delfim? É perfeitamente compreensível que ela não tivesse essa informação e totalmente crível que o próprio Carlos Araújo, seu então companheiro, diga hoje não se lembrar de nada;
4)       A Folha, que errou a grafia de meu nome e uma de minhas ocupações atuais (não sou “doutorando em Relações Internacionais”, mas em Ciência Política), também informou na capa que havia um plano detalhado e que “a ação chegou a ter data e local definidos”. Se foi assim, qual era o local definido, o dia e a hora? Desafio que os editores mostrem a gravação em que eu teria informado isso à repórter;
5)       Uma coisa elementar para quem viveu a época: qualquer plano de ação envolvia aspectos técnicos (ou seja, mais de caráter militar) e políticos. O levantamento (que é efetivamente o que estava sendo feito, não nego) seria apenas o começo do começo. Essa parte poderia ficar pronta em mais duas ou três semanas. Reiterando: o Comando Regional de São Paulo ainda não sabia com certeza sequer a freqüência e regularidade das visitas de Delfim a seu amigo no sítio. Depois disso seria preciso fazer o plano militar, ou seja, como a ação poderia ocorrer tecnicamente: planejamento logístico, armas, locais de esconderijo etc. Somente após o plano militar seria elaborado o plano político, a parte mais complicada e delicada de uma operação dessa natureza, que envolveria a estratégia de negociações, a definição das exigências para troca, a lista de companheiros a serem libertados, o manifesto ou declaração pública à nação etc. O comando nacional só participaria do planejamento , portanto, mais tarde, na sua fase política. Até pode ser que, no momento oportuno, viesse a delegar essa função a seus quadros mais experientes, possivelmente eu, o Carlos Araújo ou o Carlos Alberto, dificilmente a Dilma ou Mariano José da Silva, o Loiola, que haviam acabado de ser eleitos para a direção; no caso dela, sequer tinha vivência militar;
6)       Chocou-me, portanto, a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal – apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -,  a    repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário. Prova disso é que nenhum de nós foi incriminado por isso na época pelos oficiais militares e delegados dos famigerados Doi-Codi e Deops e eu não fui denunciado por qualquer um dos três promotores militares das auditorias onde respondi a processos, a Primeira e a Segunda auditorias de Guerra, de São Paulo, e a Segunda Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro.
Osasco, 5 de abril de 2009
Antonio Roberto Espinosa
Jornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de Abraços que sufocam – E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe.

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