Saúde  

Amy Winehouse e os perigos da abstinência alcoólica

Quando se interrompe o consumo desenfreado de álcool, o corpo é inundado por doses altíssimas de hormônios e neurotransmissores. Do ‘New York Times’*
 
A morte súbita de Amy Winehouse no mês passado jogou luz sobre um problema pouco conhecido: os perigos da interrupção do consumo de álcool. A causa da morte da cantora ainda é desconhecida, mas a família de Winehouse afirmou que ela tentou parar de beber, o que levou a especulação de que a interrupção do consumo exacerbado de álcool possa ter levado à sua morte. Apesar de parecer surpreendente que o esforço para parar de beber possa ser nocivo, especialistas em vício dizem que tal acontecimento é “altamente possível”.

“Espero que a mensagem que virá desse acontecimento será quão perigoso a abstinência súbita e não supervisionada do álcool pode ser”, afirmou Harry Haroutunian, médico diretor do Betty Ford Center em Rancho Mirage, Califórnia. “Cerca de metade das pessoas que interrompem o uso regular de álcool experimentarão alguma manifestação da síndrome de abstinência. As pessoas devem procurar acompanhamento médico.”

Por que a síndrome é tão perigosa? Em alcoólatras, o corpo compensa o efeito depressivo do álcool aumentando consideravelmente a produção de hormônios e neurotransmissores como serotonina, adrenalina e dopamina. Quando uma pessoa para subitamente de beber álcool, o corpo é inundado por doses altíssimas dessas substâncias.

“O consumo crônico de álcool em grandes quantidades cria uma situação de ‘mola pressionada”, afirma Haroutunian. “Quando se interrompe o processo abruptamente, é como se a mola fosse liberada e ‘pou!’ Há uma liberação substancial de substâncias excitatórias que afeta todas as áreas do corpo.”

Em alcóolatras, a abstinência pode produzir uma miríade de efeitos sérios, que podem ocorrer dentro de horas ou dias após o último copo. Sintomas secundários, que podem começar de 6 a 12 horas após o último drinque, incluem insônia, tremores, palpitação, náusea, suor e cólicas. Pacientes podem experimentar alucinações, ou seja, ouvir ou sentir coisas que não estão lá, de 12 a 24 após o último copo.

 

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