Aliança entre governo e PMDB está abalada

Sarney estaria se sentindo negligenciado por Dilma, dizem congressistas.

O recado foi dado: o PMDB, está insatisfeito e quer mais interlocução com o Planalto. A mensagem foi enviada pelo presidente do Senado, José Sarney à presidente Dilma, e contou como o aval de líderes do partido. Os atritos do PT com os peemedebistas, seus maiores aliados no Congresso, ganham um peso maior, às vésperas da votação da  Desvinculação das Receitas da União (DRU), que libera o gasto de 20% das receitas federais. O aviso se deu em uma operação comandada por Sarney, que tumultuou a sessão do Senado na última quarta. Quebrando acordo, ele colocou em votação o projeto que regulamenta a chamada emenda 29, que pode aumentar substantivamente os gastos em saúde pública.

Congressistas afirmam que “a rebelião sarneyzista” tem como pano de fundo reforçar o espaço do partido às vésperas da reforma ministerial, e, segundo relatos, Sarney reclama de Dilma e a compara ao ex-presidente Lula, que o recebia “de 15 em 15 dias”. Em 2011, o PMDB esteve envolvido em escândalos e teve que trocar dois ministros por suspeitas de corrupção, além de perder outro após um desentendimento com a presidente.

Por sugestão do vice-presidente, Michel Temer, Dilma fez durante o ano uma rodada de almoços no Palácio do Alvorada para se aproximar dos aliados no Senado. Mas o gesto foi pontual. No dia a dia, a presidente delegou a tarefa política a Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral).

“Não há nenhuma insatisfação”, disse Sarney, que tentou explicar o episódio alegando tratar-se de um mal-entendido, e afirmando que lera o projeto na expectativa de que o líder do PT, Humberto Costa (PE), dissesse que não havia acordo para votar a proposta.

Deixe um comentário