Saúde  

Albinos enfrentam preconceito e até tortura em alguns países

Por Fenanda Dias

Eles chegam a ser tratados como filhos do diabo em algumas regiões da África. Em muitas partes do mundo, são vítimas de preconceito. Mas, de fato, o que diferencia os albinos de qualquer outro homem é apenas um transtorno genético que causa uma menor tolerância à luz, o que pode provocar problemas oftalmológicos e dermatológicos. O maior inimigo desses seres humanos de pela rosada e cabelos e pêlos muito claros, no entanto, é a discriminação. E para combater esse mal, em diversos lugares do mundo, estão sendo criadas associações.

Na Tanzânia, órgãos de portadores de albinismo são usados para rituais de magia. Uma perna chega a ser negociada por 1.600 euros (R$ 3.800). Se for arrancada de uma pessoa viva, acredita-se que os efeitos são ainda maiores. As atrocidades não param por aí. Alguns africanos acreditam que fazer sexo com uma mulher albina garante a cura da AIDS, o que provoca muitos estupros. Outra prática comum é violar túmulos de albinos para se resgatar ossos, que serão oferecidos aos xamãs ou sacerdotes. No país, 60% da população crê nesses rituais, mesmo os de classes altas. Os albinos, que em geral são estigmatizados por serem pobres, se tornaram alvos fáceis principalmente nos últimos anos.

Segundo reportagem do jornal espanhol El País, nos últimos três anos, 60 albinos foram assassinados em rituais da Tanzânia, 16 no Burundi e sete no Quênia. Esses são dados oficiais, mas ONGs estimam que os números sejam muito maiores porque vários sacrifícios são realizados em áreas remotas e sequer são registrados.
Nesse cenário de guerra, algumas organizações já começam a atuar, como é o caso da fundação Under The Same Sun (Sob o Mesmo Sol). Para funcionar, sua sede é cercada por cercas elétricas e seguranças, já que, além dos atendidos, dez dos 14 funcionários têm albinismo. De acordo com dados da ONG, na América do Norte e na Europa, a estimativa é a de que haja um albino para cada 20 mil pessoas. Na Tanzânia e no Leste da África, o albinismo é muito mais prevalente: é registrado um caso para cada duas mil pessoas. Ainda assim, só há um albino eleito nas urnas no país, pelo partido da oposição.

No Brasil, faltam levantamentos sobre os portadores dessa condição genética. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, informou não ter dados sobre o número de albinos do país. E apenas dois estados contam com associações voltadas para esse público: Mato Grosso e Bahia.
De acordo com a diretora executiva da Associação das pessoas com Albinismo na Bahia (Apalba), Maria Santa Cecília, é urgente a necessidade de dar visibilidade a essa população no sentido de ampliar o conhecimento sobre as doenças comuns aos albinos e sobre os hábitos necessários para se prevenir sequelas:
“A maioria dos albinos tem dificuldade de conseguir algum tipo de tratamento até porque muitos profissionais não sabem lidar com pessoas com essas características. A Apalba conseguiu aprovar o Programa Estadual de Atenção à Saúde das Pessoas com Albinismo. Estamos articulando para que isso também aconteça em nível nacional”, afirma Maria, que é portadora de albinismo.

O programa, uma iniciativa da Apalba com a Secretaria Estadual de Saúde, procura capacitar técnicos para o cadastramento, triagem, atendimento especializado e acompanhamento das pessoas com albinismo. E prevê também a distribuição gratuita de protetor solar e de lentes especiais necessárias ao tratamento da baixa visão e fotofobia. Desde fevereiro de 2010, o atendimento dermatológico preventivo começou a ser assegurado através do Hospital Dom Rodrigo de Menezes (HEDRM), que além de ser especializado no tratamento de hanseníase, passará a ser referencia estadual no atendimento às pessoas com albinismo.

Na Câmara dos deputados tramita um projeto de lei que determina a obrigatoriedade de distribuição de protetor solar e o atendimento oftalmológico, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para pacientes com albinismo.

Segundo o Ministério da Saúde, não há um programa específico para as pessoas com albinismo. O órgão ressaltou, no entanto, que elas têm acesso, pelo SUS, a consultas e a tratamentos oftalmológicos e de pele. De acordo com a assessoria de imprensa da pasta, o ministério entende que o albinismo é uma condição genética, que não causa problemas de saúde e sim uma menor tolerância à luz, e que não é o caso de se criar um serviço voltado exclusivamente a esse público.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Deixe um comentário