Aécio, Alckmin e Aloysio cortejam Kassab; Guerra e Tasso atacam

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Com a oportunista exceção do ex-governador paulista José Serra, as principais lideranças tucanas já se manifestaram publicamente sobre o PSD (Partido Social Democrático), recém-criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. As opiniões, porém, vão em sentido contrário.
Enquanto o governador Geraldo Alckmin e o senador Aloysio Nunes, ambos de São Paulo, dizem respeitar a iniciativa de Kassab, o ex-senador Tasso Jereissati (CE) e o presidente nacional do PSDB, deputado Sergio Guerra (PE), não poupam críticas à nova legenda. Nos bastidores, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), provável candidato tucano à Presidência em 2014, também procura cortejar o PSD e seu líder.

Sem dúvida, é na movimentação de Aécio que Serra demonstra mais preocupação. O mineiro, até agora mero espectador do inchaço do PSD e do definhamento do DEM, alçou o novo partido ao centro de seu radar de alianças. Com isso, Aécio — que já conta com o “espólio” do DEM — busca alargar sua rede de segurança política.

Nesta segunda-feira (2), um dia depois de criticar os ataques de tucanos ao PSD e de defender a tese de que é preciso “conversar e manter vínculos” com os líderes do novo partido, o senador deu um passo concreto para se aproximar da cúpula da legenda. Ele jantaria em Uberaba com o ex-senador e ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen, linha de frente de Kassab nas articulações para criar o PSD.

“Todos os que têm pretensão política devem manter as portas abertas. Acho inteligente a posição de Aécio de evitar críticas ao PSD”, disse Bornhausen no final da tarde de ontem, quando se preparava para o jantar na casa do deputado Marcos Montes (DEM-MG), parlamentar aecista. “A gente pode amanhã estar junto. Então, por que fazer crítica mais ácida?”, emendou o ex-senador.

Anfitrião do jantar desta segunda, o deputado Marcos Montes informou que a senadora Kátia Abreu (TO), outra que está trocando o DEM pelo PSD, também estava sendo aguardada em sua casa. Embora a lista de convidados fosse extensa – algo em torno de 60 pessoas, a maioria delas políticos – ele adiantou que Bornhausen e Aécio seriam acomodados à mesma mesa. “Eles são bons amigos. Bornhausen tem grande admiração pelo Aécio”, justificou.

Com o incentivo de Bornhausen, Aécio se movimenta para fincar um pé na nova legenda, criada por um afilhado político de Serra. Com isso, o mineiro tenta evitar que o ex-governador paulista — seu concorrente no PSDB que também alimenta pretensões presidenciais para 2014 — tenha um canal exclusivo de diálogo com os dissidentes do DEM que estão migrando para o PSD.

O que abriu espaço para a aproximação em meio ao tiroteio de tucanos contra o PSD foi a declaração de Aécio durante as comemorações do 1º de Maio Unificado em São Paulo. Ele aproveitou a festa organizada pelas centrais sindicais para falar de seu “apreço” por Kassab, embora observando que o novo partido “nasce sem identidade”.

Fogo amigo

O movimento de Aécio contraria até mesmo um de seus aliados no partido, Sérgio Guerra — que, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, afirmou que a nova legenda nasce sob a pecha do “adesismo”, “conveniências”, “em torno de projetos pessoais” e “mudança de lado”. Na mesma entrevista, o presidente do PSDB afaga Alckmin (PSDB), que, segundo ele, “conduzirá (o PSDB) à vitória na eleição municipal do ano que vem.”

A declaração de Guerra foi o estopim do fogo amigo no PSDB. Aliado de Serra, Aloysio Nunes disparou duras críticas no Twitter: “O presidente do PSDB emerge de um longo mutismo com disposição de combate. Contra o PT? Não. Contra um aliado: Gilberto Kassab”, escreveu Aloysio, que continuou: “E isso no dia em que PT estende tapete vermelho para Delúbio. Grande senso de oportunidade do nosso presidente.”

Já Tasso Jereissati fez ataques ainda mais pesados ao PSD. “Isso não é um partido — é um balcão de negociação. É o que está virando a política no Brasil e a gente fica triste por causa disso”, disse o ex-senador tucano no sábado, durante convenção do partido em Fortaleza (CE) que elegeu o empresário Pedro Fiúza como presidente do diretório municipal da legenda.

Da Redação do Portal Vernelho, com agências

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