Acreditar na Comissão de Ética é crer em Papai Noel, diz Dias

“Acreditar em comissões nomeadas pelo próprio governo é acreditar no Papai Noel do governo Lula. Em governos sérios se impõe imediatamente o afastamento do acusado até a finalização das investigações…

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) criticou nesta terça-feira (14) a apuração da Comissão de Ética Pública no caso envolvendo a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, e disse que, por se tratar de um colegiado inteiramente nomeado pelo presidente Lula, crer na isenção do processo investigativo dos conselheiros é como “acreditar em Papai Noel”.

O nome de Erenice apareceu em meio a acusações de favorecimento de empresas aéreas privadas junto a órgãos do governo. Reportagem da revista Veja aponta que o filho da ministra, Israel Guerra, teria recebido R$ 5 milhões da MTA Linhas Aéreas como “taxa de sucesso” na intermediação de uma transação.

“Acreditar em comissões nomeadas pelo próprio governo é acreditar no Papai Noel do governo Lula. Em governos sérios se impõe imediatamente o afastamento do acusado até a finalização das investigações.

Não cabe pedir para afastar a ministra Erenice. É atribuição exclusiva do presidente da República. Se não cabe à oposição pedir o afastamento da ministra, cabe pedir a responsabilização criminal dos envolvidos”, disse o parlamentar no Plenário do Senado.

Criada em maio de 1999, a Comissão de Ética é composta por representantes da sociedade civil escolhidos pelo presidente da República. Os integrantes do colegiado trabalham voluntariamente no caso, sem qualquer remuneração. Eles são nomeados a partir da análise de critérios como idoneidade moral, reputação ilibada e notória experiência em administração pública.

Ex-chefe de Erenice, a própria candidata à presidência Dilma Rousseff (PT) já teve condutas analisadas pela Comissão, incluindo uma acusação de tráfico de influência também para favorecer transações envolvendo empresas do setor aéreo.

Denunciada pela ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, Dilma foi acusada de supostamente ter favorecido o fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros nas negociações da venda das empresas aéreas Varig e Variglog, eximindo-os de apresentar documentos de comprovação de renda e dados sobre a origem de capital a ser utilizado na transação.

Diversos ministros de Estado e auxiliares de primeiro escalão já tiveram seus casos analisados na espremida sala do colegiado, localizada na “ala burocrática” do anexo do Palácio do Planalto.

Levantamento feito pelo Terra aponta que cerca de 30 ministros do governo Lula já tiveram supostas afrontas éticas apreciadas pelo colegiado desde 2003, início da gestão petista. A despeito do volume de análises, sanções, sejam repúdios públicos, sejam recomendações de demissão, são raríssimas.

Laryssa Borges – votebrasil.com
Direto de Brasília

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