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Acordo da dívida é um mal necessário para os EUA

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Editorial do ‘New York Times’ compara negociação entre Congresso e Casa Branca a extorsão*
 
O acordo entre os líderes do Congresso e a Casa Branca pode evitar uma catastrófica moratória governamental até o fim de 2012. Para isso, os democratas não terão escolha a não ser engolir sua raiva, aceitar o acordo e lutar com mais afinco na próxima oportunidade. 

Durante semanas, desde que os republicanos da Câmara anunciaram que não aumentariam o teto da dívida sem enormes cortes nos gastos, os democratas se ativeram a alguns princípios básicos, alegando que caberia à população mais rica do país arcar com parte do fardo para garantir que programas como a Medicare não fossem afetados.  Esses princípios foram deixados de lado para garantir um acordo que cortasse cerca de US$ 2,5 trilhões do déficit nos próximos dez anos. O primeiro trilhão viria diretamente de programas de gasto opcional (cerca de um terço viria do Pentágono), e não incluiria novas receitas. O restante seria determinado por um “supercomitê” formado por 12 legisladores que poderiam recomendar receitas, mas que dificilmente o farão, já que metade de seus membros será de republicanos.

Se o comitê esbarrar em um impasse, ou se suas recomendações forem rejeitadas por alguma das câmaras do Congresso, a temida guilhotina de cortes descerá: US$ 12 trilhões em amplas reduções de gastos que entrariam em vigor a partir do início de 2013.

Negociadores tentaram tornar esse mecanismo de punição o mais desagradável possível para garantir um incentivo para que o supercomitê e o governo evitem esse cenário a qualquer custo. Para os democratas, a penalidade incluiria cortes no financiamento da Medicare. Para os republicanos, a punição deveria envolver novas receitas fiscais, mas eles se recusarem a considerar essa opção e conseguiram o que queriam. Ao invés de mudanças nas receitas, o desafio para os republicanos está na tentativa de evitar grandes cortes no orçamento militar. 

Muitos esperam que formações futuras do Congresso desfaçam esses cortes arbitrários. Infelizmente, em um ambiente político tomado pela insanidade, alguns republicanos estavam ansiosos pela moratória, que poderia causar um terremoto econômico capaz de abalar Washington e o governo de Obama de maneira irreversível. Os democratas estavam certos ao temer a moratória e o impacto de uma nova recessão sobre a população norte-americana. 

Obama poderia ter sido mais incisivo ao lidar com os republicanos, talvez ameaçando usar poderes constitucionais para ignorar o teto da dívida se o Congresso abrisse mão de sua responsabilidade de aumentá-lo. Agora, os democratas terão que esperar o término da validade dos cortes fiscais da era Bush no ano que vem, e terão que lutar nas eleições de 2012 para eleger novos legisladores que sejam capazes de consertar o estrago. No fim, o acordo demonstra o poder da extorsão. Pessoas razoáveis são forçadas a ceder àqueles dispostos a pôr em risco os interesses nacionais.

*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

 

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