Brasil  

Acordo com Mahmoud Ahmadinejad pode atrapalhar planos de Lula

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Embora o Brasil tenha tomado parte do Conselho de Segurança da ONU em dez ocasiões desde 1946, o país nunca havia votado contra a maioria. No entanto, no dia 9 de junho, o Brasil, juntamente com a Turquia, se opôs ao aumento de sanções contra o Irã. E ao fazê-lo, contrariou não só antigos aliados como os Estados Unidos e os países europeus, mas também os novos, como China e Rússia, todos apreensivos com o programa nuclear iraniano.

No mês anterior, o presidente Lula já havia viajado a Teerã, onde assinou um tratado com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan, que prevê o enriquecimento de urânio por parte da Turquia para o reator de pesquisas iraniano. Logo após a assinatura do acordo, os Estados Unidos aumentaram as sanções contra o Irã.

Embora o governo brasileiro afirme que o acordo de Teerã está de acordo com o que havia sido sugerido a Lula por Barack Obama em abril, os americanos alegam que a carta foi apenas uma em meio a várias outras sobre o tema, e que as ideias de Obama foram colocadas fora de contexto. De acordo com a Casa Branca, a atitude do Brasil – que se recusou a seguir uma proposta turca de que ambos os países se abstivessem da votação contra as sanções, juntamente com o Líbano, em vez de votar contra – ajudou a piorar as relações.

Na gestão de Lula, a política externa se tornou mais agressiva. Um número extra de diplomatas foi contratado. Laços com países emergentes como China e África do Sul foram reforçados, e no continente africano, o número de missões diplomáticas brasileiras já supera o de britânicas. Estados Unidos e Europa inicialmente foram receptivos à política do presidente, mas nos últimos anos, Lula se arriscou em posições mais polêmicas como o apoio incondicional ao presidente venezuelano Hugo Chávez; aos irmãos Castro, de Cuba, e a Ahmadinejad.

Lula quer que o Conselho de Segurança reflita o mundo atual, com o Brasil tendo direito a uma vaga permanente. Mas ao escolher aplicar sua visão de como o mundo deve ser dirigido, num assunto de extremo interesse para os EUA e a Europa, e no qual o Brasil não tem nenhum interesse óbvio, ele pode ter somente diminuído suas chances de conseguir o que quer.

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