Acima da lei

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

De há muito o presidente flana acima da lei, desde o momento em que foi poupado do impeachment quando da confissão do publicitário Duda Mendonça.

Há algum tempo, o ministro Celso Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, dizia, com a mais solene convicção, que “ninguém está acima da lei”, mas as atitudes daquele que deveria ser o primeiro a observar aqueles dizeres – os pilares do Estado Democrático e de Direito- se encarregaram de transformá-los, até aqui, numa meia-verdade.

O desprezo do presidente Lula pelas leis, normas, fiscalizações e tudo o que se possa interpor entre ele e seu projeto de perpetuação no poder, muito mal disfarçado na (pré) candidatura de sua ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, beira a imprudência, oculta pela sua sensação de onipotência, que tende a aumentar.

Há muito o presidente flana acima da lei, desde o momento em que foi poupado do impeachment quando da confissão do publicitário Duda Mendonça, feita em alto e boníssimo som, em plena CPI dos Correios, de ter recebido dinheiro da campanha de Lula no exterior.

Duda afirmou, com clareza solar, ter recebido US$ 12,5 milhões no exterior, em pagamento por seus serviços na campanha eleitoral de Lula, em 2002.

Esse episódio, muito mais grave que o causador de outro impeachment, o de Fernando Collor, em 1992 (na verdade, Collor renunciou ao cargo de presidente, em 29 de dezembro de 1992), não deu em nada, como nem cócegas causam à desfaçatez de Lula a quinta multa recebida por violar a legislação eleitoral – e seria muito maior o número delas, fosse a Justiça Eleitoral um tanto menos leniente com nosso primeiro magistrado -, perfazendo o total de meros R$ 37,5 milhões, cujo pagamento não haverá de faltar quem se disponha a bancar no lugar de Sua Excelência.

A questão aqui não é excluir da reprovação os discípulos do transgressor maior, José Serra entre eles.

O busílis do problema desses sobrevoos da impunidade às leis é o chamuscamento da imagem do País pelo mau comportamento do presidente, este comensal estabanado no banquete do poder, ao ponto de desafiar a Justiça quando ela lhe sinaliza, por mais de uma vez, que se aproxima a oportunidade de um desagradável, mas cada vez mais indispensável chamamento às falas, de maneira, digamos, mais assertiva.

Escrito por: Luiz Leitão

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