“Acabamos de fazer uma pizza gigante”, diz relator do caso Valdemar

Conselho de Ética arquivou o pedido com 16 votos a favor e dois contra. Francischini pediu processo por supostas irregularidades nos Transportes.

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), autor do relatório que pedia a abertura de processo disciplinar contra o colega Valdemar Costa Neto (PR-SP) lamentou nesta quarta-feira (28) a decisão do Conselho de Ética que arquivou o pedido do processo.

Com 16 votos favoráveis contra dois, os deputados decidiram não realizar as investigações contra o deputado, que era suspeito de quebra de decoro parlamentar por suposto envolvimento em irregularidades no Ministério dos Transportes.

“Acabamos de fazer uma pizza gigante aqui dentro, com voto combinado. Infelizmente perde o povo brasileiro, infelizmente a imagem do parlamento brasileiro sai novamente desgastada.

Aquelas 600 vassouras que estavam lá fora tinham de ter sido cravadas aqui dentro da Câmara dos Deputados. Infelizmente essa é a sensação que fica. Estávamos tentando fazer um trabalho técnico, mas qualquer trabalho aqui seria rejeitado”, disse o deputado.

O relatório de Francischini foi rejeitado em voto aberto. Diante da decisão, o conselho deixa de investigar as denúncias que recaíam sobre o deputado, suspeito de envolvimento no suposto esquema de superfaturamento de obras e de cobrança de propina nos Transportes. Embora tenha tido seu relatório arquivado, Francischini disse que sai com a sensação de “dever cumprido”.

“Saio com a sensação de ter cumprido a minha missão com esse relatório, que tentava combater a corrupção no país, mas infelizmente esta não é a posição de todos os deputados aqui”, afirmou.

Em sua defesa, Valdemar Costa Neto alegou que não havia provas contra ele e que não poderia ser responsabilizado individualmente em caso de irregularidades. O deputado acompanhou a leitura do relatório em silêncio, ao lado de um advogado. Após a rejeição do processo, saiu da sala sem falar com a imprensa.

‘Conselho de estética’

A representação por quebra de decoro foi apresentada pelo PPS e pelo PSOL. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) afirmou que o Conselho de Ética criou uma “jurisprudência” ao não aceitar abrir o processo disciplinar para investigar o deputado.

“Essa votação criou uma admissibilidade aqui. Primeiro, admissibilidade de que qualquer processo só com prova. Segundo, admitir [o processo] já é condenar”, disse. Segundo ele, o Conselho de Ética perdeu a “sensibilidade” ao evitar a investigação de Valdemar Costa Neto.

“Um Conselho de Ética que quando tem um resultado debatido, manda um resultado para o plenário e ele é derrotado em voto secreto, como no caso Jaqueline Roriz, e agora um Conselho que para não ter esse dessabor corta na raiz a investigação (…) Esse conselho não tem a menor sensibildiade. É um conselho de estética e decoração”, disse o deputado.

Fonte: votebrasil.com

 

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