A união faz a força

Nos últimos anos, surgiu um ar de superioridade nas maiores economias da América do Sul. O Brasil não foi apenas o B dos BRICs, mas também teve uma coisa ou outra a ensinar ao mundo sobre como comandar uma economia modernizadora. A Argentina teve um crescimento quase igual ao da China nos últimos dois anos. Agora, de repente, a confiança está dando lugar ao medo. A América do Sul teme que competidores da Ásia estejam roubando seu lugar no mercado.

Moedas sul-americanas têm sido fortes e os custos da região têm aumentado. Embora já não seja tão avarenta como antes, a China continua a ser um competidor formidável, e vem ocupando espaços na indústria local, especialmente no Brasil e Argentina. E os industriais brasileiros estão começando a perder terreno em toda a América, seu principal mercado de exportação.

Os governos do Brasil e da Argentina, apavorados com a desindustrialização, estão recorrendo à proteção. As autoridades argentinas agora exigem que alguns importadores criem uma equivalência entre seus pediso e as exportações, um absurdo que levou montadoras automobilísticas a venderem vinho. O governo argentino já não concede licenças automáticas de importação para as empresas brasileiras, transformando em piada as regras do Mercosul, ao qual ambos os países pertencem e que no passado aspirou ser uma verdadeiras união aduaneira. De uma forma mais limitada, o Brasil também pegou o vírus protecionista, e ameaça quebrar um acordo com o México que permite o livre comércio de automóveis entre os dois países.

Sul-americanos estão certos em se preocupar com a desindustrialização. Tem sido quase impossível para os grandes países se tornarem economias desenvolvidas sem uma indústria forte. Mas atacar os sintomas, e não as causas mais profundas, pode piorar o problema. Os principais perdedores com o aumento de barreiras comerciais serão os consumidores que terão de pagar preços mais altos para carros e outros produtos, enquanto industriais coletam lucros não merecidos.

É hora de ressuscitar a ALCA

O Brasil e a Argentina devem olhar para o México. Depois de ver os trabalhos de produção migrarem para a China, a indústria do México voltou a crescer. Isso é em parte devido à sua ampla rede de acordos comerciais, incluindo o norte-americano Acordo de Livre Comércio Norte-Americano (NAFTA) com os Estados Unidos. É também porque os salários mais elevados e custos de transporte estão tornando os produtos chineses mais caros. Há uma década Brasil saiu das negociações para transformar NAFTA em um bloco de 34 países das Américas. Muitos industriais em São Paulo agora se arrependem disso. Afinal, seu principal mercado é nas Américas, e ele pode e deve ficar maior. Mas isso não vai acontecer se os governos colocarem mais barreiras comerciais.

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