Mundo  

A um passo do abismo

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Em momento que deveria ser de expansão, o Programa Mundial de Alimentos da ONU é obrigado a fazer grandes cortes.
 
Barrigas inchadas contrastando com braços e pernas extremamente finos, e grandes olhos que veem tudo isso. Mães igualmente magras amamentando bebês em seios murchos. O mundo acreditou nunca mais ver estas cenas novamente. A fome na África, ausente por muitos anos, pareceu ter seguido o mesmo caminho de tantas doenças que hoje são evitadas por vacina ou rapidamente curadas.

Entretanto, pouco depois da pior seca em 60 anos, mais de 10 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar em caráter de emergência. O gado foi aniquilado. Milhares de pessoas saem dos campos de refugiados em busca de ajuda. As taxas de desnutrição em algumas localidades estão cerca de cinco vezes maiores do que as agências de ajuda usam como parâmetro para definir uma crise. Milhares de crianças já morrem de fome.

As áreas mais afetadas pela seca são o norte do Quênia, o sudeste da Etiópia, o sul da Somália e Djibouti. Os rios e poços estão secando, as pastagens tradicionais se reduziram a pó, as duas últimas temporadas de chuvas foram escassas. Mais de 60% dos rebanhos de gados e cabras, responsáveis pela renda de milhares de famílias, estão com seus esqueletos espalhados por toda a África. Em áreas um pouco mais verdes, cada vez mais pastores armados competem violentamente por recursos cada vez menores. Apenas no Quênia, mais de 100 deles morreram.

“Em algumas áreas vemos uma situação que não acontecia há 25 anos. Estamos em fase de emergência e a tendência é ficar pior”, explica Gabriella Waaijman, chefe do leste da África no escritório da ONU para Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA). Funcionários de ajuda norte-americanos já falam na “mais grave emergência de segurança alimentar do mundo atual”.

O Quênia já declarou a seca como um desastre nacional. Ninguém pode dizer que o aviso não foi dado. O OCHA tem emitiu diversos alertas de fome para a região desde o ano passado, implorando por recursos. Mas os doadores ocidentais, paralisados pelos efeitos da crise, foram lentos, e até mesmo relutantes em responder. Apenas metade da ajuda solicitada foi fornecida. Em um momento que deveria ser de expansão, o Programa Mundial de Alimentos da ONU precisa fazer grandes cortes.

 

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