A sucessão familiar põe à prova a relação pai e filho

Por Domingos Ricca –  acionista.com.br

O que fazer quando a vontade de um vai contra a necessidade do outro e quando o conflito pode atrapalhar a harmonia da família e o futuro do negócio

O filho de um empresário de sucesso pergunta ao pai:

-O que você quer ganhar de presente no dia dos pais?

O pai não hesita na resposta:

-Quero que você seja o meu sucessor e assuma a administração da minha empresa.

A situação é hipotética, mas se aproxima da realidade da maioria das empresas brasileiras, pois 85% delas são familiares. A sucessão é um dos grandes desafios do empreendedor. E no processo sucessório a forma mais fácil de manter o negócio é fazer com que o filho siga os passos do pai.

Para muitos empresários é como uma prova de carinho e de responsabilidade com o futuro do filho. É como se dissesse: “Vá por este caminho porque é o melhor para você”. Se os objetivos do filho forem os mesmos do pai, o processo se torna mais fácil. Caso contrário, o conflito se instala e pode abalar a harmonia familiar e afetar o futuro da empresa.

Este é um momento delicado na história de qualquer negócio. A transição deve ser conduzida de maneira racional, de forma a não interferir nas relações familiares e manter intacta a estrutura da empresa. Em um negócio que tem como base a unidade familiar é preciso considerar três perspectivas fundamentais: a família, a empresa e a propriedade. O herdeiro deve entender a empresa (não necessariamente gerenciá-la), administrar as posses e vivenciar a unidade familiar.

É difícil representar o papel de pai e gestor de uma empresa familiar. O desafio é respeitar a vida do filho e orientá-lo na busca por seus próprios sonhos. Se há um impasse no processo de sucessão, a solução pode estar na Governança Corporativa, uma forma alternativa de gestão do negócio que visa minimizar os efeitos do conflito familiar sobre a administração da empresa.

Essa opção exige do empreendedor a capacidade de racionalizar sobre o que deseja para a empresa. A Governança Corporativa estimula acordos entre fundadores e herdeiros. A administração do negócio passa a ser conduzida por um Conselho de Administração e é este conselho que vai discutir em conjunto e harmonia a melhor forma de condução da empresa

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