A internet destruirá o seu cérebro?

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Uma foto disseminada das mídias sociais há alguns meses mostrava um casal de namorados se abraçando em um trem em Hong Kong. Apoiar suas cabeças nos ombros um do outro dava à garota e a seu namorado um ponto de vista ideal para que bisbilhotassem o smarthphone que cada um utilizava sem que o outro visse.

O objetivo era ser engraçado, mas para Susan Greenfield, neurocientista britânica, isso não é uma piada. Por vários anos, Greenfield vem alertando sobre o que ela vê como o perigo dos computadores e da internet em uma era em que eles estão saindo do escritório e penetrando nos bolsos, vidas pessoais e salas de estar das pessoas.

No entanto, após a apresentação dos básicos da neurociência, o livro começa a atolar. Greenfield reproduz os argumentos familiares de que os viodegames tornam os seus usários violentos; de que redes sociais como Facebook tornam seus usuários solitários, socialmente incapazes e invejosos, e que mecanismos de busca estão envolvendo uma geração em respostas rasas para perguntas triviais, eliminando a capacidade para o pensamento sério e profundo.

As evidências apresentadas para apoiar esses argumentos em geral são interessantes e quase sempre preliminares, mas Greenfield não consegue não recorrer à catástrofe. Após discutir a utilidade do Google como uma prótese de memória, por exemplo, ela salta para o improvável futuro no qual as pessoas não “internalizam fato algum” e a discussão do mundo se torna impossível sem um auxiliar digital de bolso.

A sua linha argumentativa por vezes é falha: ela aponta que tanto o Japão quanto a Coreia do Sul são nações cujas juventudes abraçaram a tecnologia e que têm taxas de natalidade baixíssimas, convidando os leitores a concluir (sem que ela mesmo chegue a falar isso) que as redes sociais darão um fim ao sexo.

 

 

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