A insanidade do governo contra o Banco do Brasil

Por Castagna Maia – advogado
O governo anuncia sua vontade de lançar “ADR – American Depositary Receipts” do BB nos EUA. É a forma como as companhias estrangeiras podem lançar ações na Bolsa de Nova Iorque.
A idéia é de uma infelicidade total. Foi isso – a colocação festiva de ADRs da Petrobrás – que levou à necessidade de criação da Petro-sal. Mais de 40% do capital da Petrobrás, hoje, está na Bolsa de Nova Iorque. A Petrobrás foi desnacionalizada em 40% a troco de quê? A rigor, de um pífio investimento feito antes do pré-sal. Pegaram o pré-sal de carona, portanto. Viram suas ações se valorizar a partir exclusivamente do trabalho dos brasileiros da Petrobrás.
No caso da Petrobrás, portanto, foi uma tragédia, ao ponto de haver projeto de criação de nova empresa, agora exclusivamente estatal, para tratar do pré-sal. No caso do BB será outra tragédia.
Quando se coloca ações no exterior, tem-se uma sangria permanente de recursos, de um lado. Os dividendos serão distribuídos em moeda estrangeira, anualmente. De outro lado, a empresa se adequa às chamadas “normas de governança” dos EUA. E isso interessa em quê? A rigor, é um tiro no pé.
O BB tem sido, sim usado politicamente para contornar a crise, para investir pesado, para aumentar o dinheiro girando na economia. É uso político, sim, mas político do interesse do País, e não de grupos ou de ideologias. Está investindo pesado, gerando empregos. Ora, então por que se ajustar às normas de governança da Bolsa de Nova Iorque?
De um lado, é possível que essas normas venham a dificultar a ação do BB como Banco do Estado brasileiro. De outro, no entanto, é inequívoco que o BB tem, sim, regalias pelo fato de ser uma sociedade de economia mista. Tem acesso a contas de empresas públicas, por exemplo. Ora, então para que permitir que esse acesso seja parcialmente internacionalizado? Para que permitir que essas regalias de que o BB dispõe sirvam para engordar lucros de “investidores”estrangeiros?
A proposta é uma insanidade. Primeiro, retira do governo a autonomia sobre um instrumento financeiro importantíssimo, e que se mostrou vital para enfrentar a crise. Segundo, porque cria uma hemorragia anual de recursos: os dividendos que o BB passará a remeter para a Bolsa de Nova Iorque. Com os lucros que há aqui – o sistema financeiro lucrando 20 ou 30% ao ano – em 3 anos os tais “investidores” pegam seu dinheiro de volta. Mas o País fica refém de mandar todos os anos os dividendos do BB para lá, vitaliciamente.
A proposta é uma tragédia. É insana, é absurda, é antinacional. É um surto tardio de neoliberalismo de um governo que já gastou toda a sua quota de “neoliberalismos” ainda no primeiro mandato presidencial. E por mais insana que seja, não sai uma linha na imprensa contra isso.

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