A entrevista que derrubou Vargas

Getúlio Vargas tomou o poder durante a Revolução de 1930, foi eleito indiretamente em 1934 e fechou o Congresso em 1937, inaugurando a ditadura do Estado Novo. Diversos fatores finalmente colocaram fim na Era Vargas, mas dois personagens foram centrais e simbólicos para o fim do regime: Carlos Lacerda e José Américo.

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Carlos Lacerda era político, jornalista e inimigo assumido de Getúlio Vargas. Ele ficou conhecido pela criação de  várias polêmicas e por seus discursos inflamados. Primeiramente envolvido com o Partido Comunista, rompeu com o movimento por não considerar o comunismo democrático. A partir de então, Lacerda passou a criticar ferozmente os comunistas no país e se filiou à União Democrática Nacional.

Suas críticas se espalharam com mais força depois que o jornalista fundou a Tribuna da Imprensa em 1949. Lacerda usava o jornal para fazer oposição ao governo de Getúlio Vargas e para atacar o também jornalista Samuel Wainer, que defendia o governo.

Um pouco antes de fundar o jornal, conseguiu uma entrevista com o ministro da Aviação José Américo, publicada no Correio da Manhã. A matéria rompeu o silêncio imposto pelo Departamento de Imprensa e Propaganda, o poderoso DIP. No dia 22 de fevereiro de 1945, a entrevista marca o início do fim da ditadura de Vargas.

“Todos devem intervir na vida pública, segundo sublinhou bem a Declaração de princípios dos Escritores. Por isso mesmo saio do retraimento em que me tenho mantido para manifestar uma opinião sincera em relação ao problema fundamental do meu país”, declara polemicamente o ministro, que iria lançar sua candidatura a presidente logo depois do fim do regime.

A censura prévia, nesse momento, havia sido quebrada por um ministro do próprio governo. E, em abril, o governo concedeu anistia aos que tinham cometido crimes políticos. Isso implicou na libertação de comunistas, como Luiz Carlos Prestes, e de integralistas da ultradireita. Logo depois, Getúlio é deposto, dando lugar ao general Eurico Dutra, eleito democraticamente depois de quinze anos de ditadura.

 

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