“A dor me impede de falar”, diz Carvalho sobre Dirceu e Genoino

O ministro da secretaria-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, manifestou, nesta sexta-feira (5) sua tristeza com o resultado parcial do julgamento do mensalão sobre as acusações contra os petistas José Genoíno e José Dirceu. Até o momento, três de quatro ministros que já votaram condenaram Dirceu e Genoino por corrupção ativa. Perguntado por jornalistas sobre a avaliação que faz do resultado, Carvalho respondeu: “A dor me impede de falar”.

Gilberto Carvalho participa na manhã desta sexta-feira (5) de abertura de uma exposição com quadros de Caravaggio no Palácio do Planalto. Os jornalistas presentes ao evento insistiram para que Carvalho desse entrevista, mas o ministro recusava alegando que não se sentia bem. “Estou muito sofrido. Aquela coisa do outro lado da rua dói muito”, afirmou. O Supremo Tribunal Federal fica do outro lado da Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto.

Resultado parcial

Até a sessão desta quinta-feira (4), o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino somam, cada um, três votos pela condenação e um voto pela absolvição no subitem da denúncia do mensalão que trata de corrupção ativa – oferecer vantagem indevida.

Outros seis ministros devem votar a partir da próxima terça-feira (9). Devido ao primeiro turno das eleições municipais, que será realizado no domingo (7), os ministros decidiram não realizar a sessão de julgamento do mensalão prevista para segunda-feira (8).

Para que um réu seja condenado ou inocentado, são necessários os votos de ao menos seis magistrados – veja como votou cada ministro e o que diz a acusação e a defesa sobre cada réu.

Na sessão desta quinta, o ministro-revisor, Ricardo Lewandowski, terminou de ler o seu voto e absolveu Dirceu e Genoino. Ele condenou, no entanto, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e outros quatro réus. O revisor argumentou que não há provas de que o ex-ministro da Casa Civil comandou o esquema de pagamento de propina a parlamentares da base aliada em troca de apoio político ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A posição do revisor não foi acompanhada pelos ministros Luiz Fux e Rosa Weber, que proferiram voto no sentido de condenar o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares. Os dois magistrados acompanharam integralmente o voto do relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, que na quarta-feira (3) condenou oito réus por corrupção ativa.

Os três ministros disseram que, além da antiga cúpula do PT, cometeram crimes Marcos Valério, seus sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, além de Rogério Tolentino e Simone Vasconcelos, ex-funcionários de Valério.

Assim como fizeram relator e revisor, Rosa Weber e Luiz Fux absolveram o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto e Geiza Dias, ex-funcionária de Valério.

A sessão desta quinta-feira demorou um pouco mais para começar em razão do apagão que atingiu o Distrito Federal. No começo da sessão, três geradores garantiam o fornecimento da energia no STF. Pouco antes das 17h a situação foi normalizada e o tribunal não dependia mais de geradores, uma vez que o fornecimento de energia elétrica já havia se normalizado.

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