Brasil  

A coisa tá feia na Petrobras

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Por Claudio Carneiro – opiniaoenoticia.com.br

Durante meses, o país assistiu à presidente da Petrobras Graça Foster pleitear o aumento do preço da gasolina. Isso parecia até estranho para nós leigos e desinformados cidadãos: “Como pode o país que se diz autossuficiente – e que, além de tudo, tem as reservas do pré-sal – ter uma gasolina tão cara e ainda querer tanto um aumento do valor do combustível?”

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Ocorre leitor, que há vários anos – e estamos descobrindo isso agora – a Petrobras esteve envolvida em negociatas, como essa compra da refinaria de Pasadena – que custou a cabeça do executivo de carreira da estatal Nestor Cerveró.

E mais, o Brasil foi muito generoso com os países alinhados politicamente com algumas bobagens em que o partido do governo acredita. Coisas como a ditadura marxista cubana ou a “democracia” bolivariana da Venezuela.

De forma tola e impulsiva, o governo rasgou as promissórias de diversos países africanos acusados de corrupção – que nos deviam quase US$ 2 bilhões. Sem um motivo justificável, nossos irmãos do outro lado do Atlântico – de Congo-Brazzaville, Gabão, Guiné Equatorial e Sudão – foram simplesmente perdoados num planeta que reza pela cartilha do “business is business”. Pena que nosso Leão do Imposto de Renda, bancos e operadoras de cartões de crédito não tenham conosco tal condescendência. Ai de quem não pagar suas dívidas em dia.

Caridade ideológica

No caso venezuelano, estamos descobrindo agora – graças a documentos secretos da Petrobras aos quais o jornal O Estado de S Paulo teve acesso – que a estatal brasileira abriu mão de penalidades que exigiriam da Venezuela o pagamento de uma dívida contratual feita para o projeto e começo das obras na refinaria Abreu Lima, em Pernambuco. O perdão – coisa de “muy” amigos – foi, digamos, um gesto de camaradagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez.

Com seu jeito franco e seu espanhol tão irretocável quanto seu português, Lula teria dito – quem sabe – ao colega Hugo que ia pendurar “la cuenta” e, qualquer coisa, os brasileiros pagariam o chorinho.

Resultado, a estatal de petróleo entubou um calote de quase US$ 20 bilhões. A coisa tá feia na Petrobras.

Abre mão de um pagamento aqui, perdoa uma dívida ali e, é claro, a conta não fecha. Botequins não vendem fiado e bancos não fazem caridade. Governo e estatal deveriam, ao menos, ter a consciência de um dono de boteco – ou a gestão o pragmática de um banco.

O governo não fez questão de receber os valores que lhe deviam. A soberba é um pecado capital. Mas somos nós – eu, tu e ele – que vamos “socializar” esta dívida e pagar por tanta generosidade irresponsável.

 

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