Câmara x Senado: tempos de guerra!

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Por Claudio Schamis
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renancunha-300x199Estamos vivendo uma guerra. Ela não está oficialmente declarada como tal, mas quando vemos a Câmara dos Deputados na figura de Eduardo Cunha de um lado, e do outro o Senado na figura de um Renan Calheiros, duelando para ver quem leva a melhor podemos ter uma única certeza: Coisa boa não sairá daí!

Não quero dizer com isso que o Senado e a Câmara devem concordar 100% o tempo todo. Mas também não esperava que fosse se instalar esse clima de MMA onde quem perde e sempre irá perder é o Brasil, seu povo, sua gente. Não será o Senado e não será a Câmara dos Deputados. O clima é tão de guerra que basta um falar que o céu é azul que o outro já responde que ele pode até ser azul, mas que no momento ele será da cor que ele quiser.

E nesse jogo de empurra-empurra, de joga votação no Senado, joga votação na Câmara, as vendas no varejo têm o pior primeiro semestre desde 2003, a Fiat anunciou que vai parar a fábrica de Betim por 20 dias, o dólar continua seu movimento de subida, a GM demitiu 500 em São José dos Campos, montadoras de caminhões abandonam ou adiam R$ 1,7 bi em projetos de investimentos, o comércio amargou o pior Dia dos Pais dos últimos dez anos, e (finalmente) fomos rebaixados pela Moody´s.

E isso nem é tudo. Mas deveria ser o suficiente para que as estrelas dessa guerra estúpida parassem por alguns minutos e vissem alguma coisa que não fosse o próprio reflexo no espelho.

É quase uma guerra de vaidades. Onde cada um olha de forma individual e não coletiva. E a Dilma no meio tentando ser a boa moça, a presidente que se preocupa com o caos que ela própria deixou que crescesse e se instalasse de vez sem data para sair. E que apesar disso tudo fala que essa “guerra” faz mal para o Brasil; Dilma você faz mal para o Brasil. O Lula faz mal para o Brasil. O Renan Calheiros faz mal para o Brasil. O PT faz mal para o Brasil.

E isso ficou mais do que provado no último dia 6 de agosto, quando houve mais um panelaço durante um programa de TV do PT. Foi mais um cala a boca que fez com que, em desespero, Dilma corresse para os braços de Renan.

Tamanho desespero que Dilma só faz jantar com senadores, ministros e ex-presidentes. E num desses jantares ela até comoveu o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, quando fez um apelo para que houvesse harmonia entre os poderes.

Está nítido que Dilma está meio que à deriva. E ela tem feito de tudo para se escorar em alguém, o que “facilitaria” o já difícil governo dela. Ela viu que não pode se isolar. E que a ajuda venha de onde for e de quem for. Sem que ela veja o currículo da pessoa. Ou que se lembre do passado que tiveram juntos.

Dilma, então, alheia às pressões de alguma ação mais enérgica, como, por exemplo, a redução do número de ministérios, prefere se reunir e dialogar e dialogar.

Sinceramente, nunca vi bombeiros diante de um prédio em chamas resolverem antes de ligar a mangueira e subir a escada magirus, sentarem para discutir se a água a ser usada para debelar o fogo deve ser ou não filtrada.

Mas é isso que Dilma está fazendo. Antes de apagar o fogo da crise com ações de verdade, ela prefere ainda discutir, pois tem certeza de que todos querem ver o Brasil bem e com saúde.

Dilma não é a mulher sapiens!

Sim, agora eu tenho certeza. Dilma não é a mulher sapiens, muito menos o homem sapiens, e tampouco sapiens. Dilma pode ser qualquer outra coisa. E até arrisco dizer que ela não é humana. É tipo uma aberração, uma coisa indizível, inimaginada, indefinida. E há uma razão para esse meu “achismo”, que vem pautada pelo espiritismo. Descobri isso depois de acabar de ler um livro espírita. Ele talvez me responda algumas perguntas. Um trecho me chamou a atenção:

dilma208-300x168“Você sabia que é permitido errar, meu filho? Pois é, você pode perder o controle da situação de vez em quando, como também é natural que você não cumpra todos os prazos estabelecidos ou os compromissos assumidos. Por definição, isso é ser humano. Errar a direção, brigar vez por outra ou simplesmente não ser certinho o tempo todo, pretendendo agradar a todos, são características que reforçam sua humanidade.” […] “O sinal de que algo não vai bem é quando erros e desacertos do cotidiano se transformam em marca registrada do comportamento de alguém.”

Não quero dizer agora que depois que recebi uma explicação divina para alguns questionamentos egoístas que eu partilhava somente comigo mesmo, que irei olhar a presidente Dilma com outros olhos. De forma mais compreensiva. Até mais paternal, ou com o olhar de um irmão. Pode esquecer. Ela é, e irá continuar sendo para mim aquela mesma presidente que sempre foi. Em outras palavras, um zero à esquerda. Uma coisa que está no Planalto por um acidente grave, porém legítimo ao mesmo tempo. Pois ela foi legitimamente eleita pelo voto popular. Se bem que aí eu até arriscaria dizer que parte desse povo que votou nela pode ter sofrido uma privação de sentidos. Enfim…

Até tu, FHC?

É rapidinho. Não entendi FHC numa entrevista à revista alemã “Capital” dizer que o PT está envolvido na Lava-Jato, mas a presidente Dilma, não. Não? Como assim? Vai dizer então que o Lula é um santo injustiçado? Só falta você agora dizer que até aceitaria algum ministério no governo Dilma. Até porque você disse também que a considera uma pessoa honrada.

Tô bege.

Salve as baleias. Não fume em ambientes fechados. Não jogue lixo no chão.

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