O messias e a travessia!

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Por Cláudio Schamis
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Calma pessoal. Vamos fazer essa travessia juntos. Mas espera um pouquinho que eu volto já

Calma pessoal. Vamos fazer essa travessia juntos. Mas espera um pouquinho que eu volto já

A presidente Dilma Rousseff resolveu gravar no último fim de semana cinco vídeos, com duração entre 30 segundos e um minuto, que serão divulgados nas redes sociais a partir desta semana. Se alguém vê nisso uma estratégia, parabéns, pois é mesmo. Até porque assim ela não corre risco de haver um novo panelaço ao vivo e porque quem hoje aguenta mais que um minuto ouvir a presidente falar? E com certeza ela não quer atrasar o começo de “Babilônia”.

Em um dos vídeos, Dilma aborda a crise política e econômica, fala da necessidade do ajuste fiscal e diz que o momento que vivemos é apenas uma travessia para dias melhores. Só faltou ela se intitular o messias que nos conduzirá para a terra prometida. Sim, Dilma prometeu uma terra com empregos, menos analfabetos, fartura, mesa cheia, folhas de pagamento nas empresas desoneradas, um combate forte contra a corrupção, punição sem medo e sem distinção de credo, cor e partido. Prometeu uma Pátria Educadora, mais escolas, creches, mais PAC´s, uma Olimpíada no Rio de Janeiro padrão FIFA, transparência e várias outras coisas.

Na verdade Dilma e Lula, principalmente, sempre se consideraram “os escolhidos” por Deus para libertar o povo brasileiro do obscurantismo. Mas o problema foi que eles resolveram fazer o caminho da cabeça deles, preferiram pegar um atalho e deu no que ainda está dando e que pelo visto não tem prazo para acabar.

Será, então, que vamos levar os mesmos 40 anos – ou até mais no nosso caso – que Moisés levou quando conduziu o povo hebreu pelo deserto a caminho da tal Terra Prometida da qual já falei anteriormente, para perceber que Lula durante oito anos e Dilma durante (ainda) cinco anos, estão sim levando o povo brasileiro cada vez mais para perto das trevas? Por quanto tempo então mais vamos esperar? Será que ainda não deu para perceber que com esses condutores o trem está desgovernado?

Essa tal da paciência que a presidente prega que é preciso ter com o governo, eu não tenho mais.  Na verdade, ela passou a não existir a partir do momento em que Lula subiu a rampa do Planalto.

Com Dilma não existe mea-culpa!

Isso daí? Culpa do Moro, do Lava-Jato. Minha é que não é

Isso daí? Culpa do Moro, do Lava-Jato. Minha é que não é

É fato. Com Dilma – e também com Lula – nunca existiu essa tal de mea-culpa. Imagina se Lula ou Dilma iriam admitir alguma culpa no que quer que seja.

A mais nova “não é minha mea-culpa” foi imposta por Dilma à investigação Lava-Jato. Com a economia em frangalhos e para ter quem culpar, Dilma afirmou que a queda no PIB é de inteira responsabilidade da Lava Jato, ou talvez em outras palavras do juiz Sérgio Moro.

Em nenhum momento Dilma culpou a corrupção na Petrobras como a culpada pela queda do PIB. A culpa recaiu justamente em quem investiga e não nos investigados.

E depois temos que escutar que esse é um governo sério. Fala sério né?

Metástase!

A Operação Lava Jato a cada novo passo que dá mostra, sem vergonha nenhuma, que o câncer chamado corrupção não se restringe a um órgão somente, no qual fosse possível tirar as células cancerígenas para que o resto do “corpo” Brasil ficasse debilitado, mas não morto. Mas com a possibilidade do presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, preso na última terça-feira, 28, numa nova fase da Lava-Jato, pela possibilidade de ter recebido R$ 4,5 milhões em propina pagas pela Andrade Gutierrez e Engevix, mostra sem sombra de dúvida que o câncer corrupção se espalhou de forma que não existe mais controle sobre ele.

A cada nova ressonância feita pela Polícia Federal vai se tomando conhecimento de novos órgãos do “corpo” Brasil que estão comprometidos. E pelo que vimos até agora, parece que o “corpo” Brasil está 100% comprometido. Tudo é questão de tempo e da revelação desses “exames”.

Chegamos ao ponto onde quimioterapia e radioterapia não são mais eficazes nem eficientes. Chegamos ao ponto onde somente um transplante pleno poderá frear o avanço do câncer. Mas para que esse processo possa começar é necessário que a célula mãe e a célula pai cancerígenas sejam extirpadas da face de Brasília para nunca mais voltar.

Salve as baleias. Não fume em ambientes fechados. Não jogue lixo no chão.

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